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  1. Eu que nunca gostei mesmo de futebol

    27 de janeiro de 2008

    Quarta-feira à noite. Dia de futebol na TV. Mas eu, prefiro ir pro quarto ler um livro, escutar uma música ou simplesmente dormir. Parei pra pensar sobre isso dia desses. E cheguei à conclusão: nunca gostei mesmo de futebol. Tenho meus momentos de torcedor, confesso, de quatro em quatro anos na Copa e vez ou outra numa final em que o time pelo qual digo torcer vai jogar.

    Desde pequeno, nunca me fizeram me interessar pelo futebol. Sim, porque é algo cultural. Não uma vontade que nasce com a gente. A não ser para aqueles que têm o talento para o futebol, como muitos moleques desse Brasil. Meu pai nunca foi o bom de bola e nunca se importava em dizer para mim: “Chuta, chuta”. Ele se importava sim em me ensinar outras coisas muito importantes para a formação do meu caráter.

    O fato é que, não gostar de futebol, ou não se importar com os 22 jogadores, três árbitros e uma bola, me tira do convívio das pessoas, por pelo menos duas horas e me exclui de algumas conversas no dia seguinte, ou durante toda a semana quando se trata de um clássico.
    Eu até tentei jogar futebol, admito, mas nunca me interessava.

    Uma vez quando era muito pequeno – devia ter uns 7 anos – jogava na rua de um primo bom de bola e aficionado pela coisa. O gol era a garagem de uma casa abandonada. E os times eram formados por adultos e crianças. Uma brincadeira saudável. Talvez por isso jogasse. Porque, se fosse realmente uma competição, provavelmente não jogaria. Mesmo assim ficava sempre atrás, olhando acontecer.

    Até que por um acaso do destino a bola veio parar nos meus pés. Dei um chute certeiro por debaixo do goleiro que pulava para tentar pegar a pelota. Gol. E todo mundo se admirou, já que todos sabiam que eu realmente não era chegado. Vibrei. Mas passou. Não seria por isso que eu, que nunca gostei mesmo de futebol, passaria a gostar.



    Nem por isso também, deixei de ir a um estádio assistir a uma partida. Porém, mesmo quando fui, minha reação não era a mesma dos outros. Não prestava muita atenção ao jogo em si. Jogadas, faltas, dribles e outras coisas que fazem parte da futebolística. Prestava mais atenção na reação das pessoas. Nos gritos de guerra das torcidas, nas bandeiras, xingamentos e etc. Talvez fosse o lado jornalista - de observar de fora - já falando mais alto. A experiência de ir a um estádio? Muito boa. Tanto que voltei outras algumas vezes.

    Não sei por que escrever sobre isso, mas o futebol está tão presente na vida de nós brasileiros que deve haver uma necessidade de justificação. Eu que nunca gostei mesmo de futebol, talvez nunca chegue a saber o que é torcer por um time, vestir o uniforme para assistir a um jogo com os olhos na TV e os ouvidos no radinho de pilha, ou então sair pra jogar numa terça-feira a noite com os amigos. Mais ou menos um peixe fora d’água mas que nem por isso deixa de ser brasileiro.
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  2. 13 comentários:

    1. Este comentário foi removido pelo autor.
    2. Oi Gabriel
      Esses dias estava pensando em escrever sobre as coisas que não gosto (aindo vou fazê-lo) e futebol está presente!
      Adorei o texto
      beijo

    3. Edson Marques disse...

      Gabriel,

      belíssima crônica!

      Joguei futebol. Era bom jogador, artilheiro quase sempre. Com muita sorte para fazer gols. Torcedor do Santos (e de Pelé).

      Hoje, vejo (quando vejo) o espetáculo. Mas prefiro os times da Europa. Sem torcer... rs!


      Abraços, flores, estrelas..

    4. Felipe Cruz disse...

      Gabriel, sou como você, tbm nao gosto de futebol. Conheci um cara que escreve sobre futebol lá na Folha e ele me diz mais apaixonado por futebol do que por jornalismo. O fato dele ser jornalista é só porque ele gosta de futebol, e não o contrário.

      Mas eu, pfff, nao gosto mesmo. Por conta disso, eu prefiro usar a meu favor essa paixao brasileira pelo futebol. Por exemplo? Final do campeonato carioca, todo mundo assistindo o jogo, coincidiu com a estréia do filme homem aranha 3. Deixei para ir ao cinema na exata hora do jogo. Resultado? Nao tinha ninguem no cinema e eu assisti ao filme, pré estreia na maior tranquilidade.

    5. Felipe Cruz disse...

      Detalhe, me divirto mais com política do que com futebol. Acho que a excitação que tenho em acompanhar os desenrolares políticos, os bastidores e etc, me animam mais do que futebol.

      A propósito, o site do meu colega jornalista apaixonado por futebol é esse aqui: www.olheiros.net

    6. Marcelo Mello disse...

      Gabriel,

      Já eu sou apaixonado por futebol, e essa paixão não me impediu de fazer nada do que eu quisesse ou achasse bom para a minha vida. Meu pai, até hoje, é um tremendo perna-de-pau...mas sempre dizia: chuta, filho, chuta... Por causa dessa insistência, aprendi a chutar bem, e com as duas pernas! Mas, antes disso, aprendi a ter caráter, que se, no final da vida, chegar ao décimo do que é o daquele perna-de-pau lá de cima, serei um daqueles que o amigo do do Felipe Cruz chamaria de "fora-de-série"!

      Abraços, amigo. Precisamos conversar!

      Marcelo

    7. Jussara Soares disse...

      Ah, eu gosto de futebol. E virou paixão quando fiz um gol. Foi de penâlti, mas ainda sim lindo e inesquecível. Desde então, virei um "menino", como diz minha mãe. Quando morava em casa, meu pai perguntava os resultados dos jogos para mim e não para meus irmãos. Eu fazia até coleção de álbum de figurinhas. Sim, e eu sou vascaína, em campanha "Fora, Eurico" e feliz da vida com a volta do Edmundo, rs.
      Muito legal seu texto.
      Beijos!

    8. Oi Gabriel
      Acho que vc gosta é de carnaval!
      Sumiu!!!!
      Estamos esperando seus textos...
      beijo

    9. Felipe Luchete disse...

      Gabriel, me identifiquei muito com o que você escreveu no texto.
      Também nunca me interessei por esse esporte. Quando me perguntam para qual time torço, respondo automaticamente o mesmo dos meus pais, aquele que a gente tira uma foto com a camisa quando criança.
      No Carnaval inventei de jogar futebol com amigos, e logo descobriram que eu só sirvo para atrapalhar. Até que senti uma fisgada na perna e tive de parar...
      Até a próxima!

    10. Jacinta disse...

      Olá,
      através da Kátia(multiplas faces) encontrei seu espaço.
      Bom de ler esse seu texto. De futebol, não entendo nada, e confesso, também, que não curto ficar em frente à televisão por quase duas horas. Mas, quanto ao por que escrever sobre o não gostar de futebol...
      Penso que escrever é uma reedição da nossa vontade de se expressar. Que bom! Eu não gosto de futebol.
      Um abraço
      Jacinta

    11. Daniel Rangel disse...

      Tirando o fato do gol que marcou numa partidazinha de "football", façam-se minhas as suas palavras...
      Não odeio, mas tbm não amo!!!
      Existem opções melhores de lazer.
      Fui...

    12. tb nunca fui fã de futebol.. só paro para assistir quando é final de alguma coisa e meus amigos estão reunidos.. afinal, nada melhor que amigos reunidos, seja prá o que for..
      falando nisso.. mt bom assistir à derrota do Fogo contigo..
      bjokasss

    13. Speedy disse...

      Nunca prestei atenção ao futebol, mas depois de muita convivência com torcedores chatos de vários times passei a ver jogos, acompanhar resultados. Mas jogar, tô fora!
      No fundo, deve ser aquela parte ruim minha que gosta de ver os outros se estreparem que me levou a isso. Atire a primeira pedra quem nunca riu de videocassetadas.