5 de novembro de 2009

Sobre ombros, escombros e assombro


Esse amontoado de escombros
por pouco padeço, no desânimo pereço
perco o apreço pelo pôr do sol, pelo seu nascer
pelo profundidade do céu, pelo firmamento do mar


O peso do mundo sentido nos ombros
Tanto a cobrar, tão pouco a esperar,
Nada a ensinar, tampouco partilhar


Ter que crescer, na marra, assombro
Movido pelo medo de não merecer
O pouco que me é mostrado,
do muito que preciso ver
Expondo meu modo, tentando
Amadurecer sem esquecer de ser humano
O apreço que não quero deixar pra trás

25 de outubro de 2009

El Tour Gratis

Volta e meia volto a falar da viagem aqui n’O Vencedor. O mochilão 2009 teve história. Os lugares que vi tinham história. Muita história boa, que eu não saberia tão bem não fosse a ajuda de guias turísticos que encontrei por lá. Só que esses guias tinham uma peculiaridade: eram "gratuitos".


Pois é. Na Europa existe uma empresa (empresa mesmo, com fins lucrativos) que disponibiliza Tours de graça para os turistas. Funciona da seguinte forma: Dois horários diários, uma dúzia de guias com tours em inglês e meia dúzia com tours em espanhol, um ponto de encontro na área central do lugar, mais ou menos três horas andando pela cidade ouvindo suas histórias.

E como a empresa se mantém? Da contribuiç o espontânea dos turista ao final do tour. Nenhum valor pré-estabelecido. O guia simplesmente pede aos turistas uma "propina" (em espanhol a gorjeta é propina) de qualquer valor. Gastamos, eu, meu irmão e minha mãe, 20 euros com o Free Tour em toda a viagem. E graças a isso conheci mais a fundo a história das cidades e países que visitei.

Graças a esses guias, descobri por exemplo, peculiaridades sobre a arquitetura de Amsterdam, na Holanda. As casas são levemente "tortas", não por uma falha na construção ou porque o solo é argiloso e está afundando. O motivo é simples: como as casas são muito estreitas e altas, carregar móveis dentro delas é praticamente impossível. Todas as casas têm ganchos na ponta dos telhados, pelos quais os móveis são erguidos por uma corda. As casas s o inclinadas para que os móveis não arrastem nas paredes enquanto são içados. Não estraga nem os móveis, nem as paredes.

Questão de praticidade

Por causa do Free Tour também descobri, por exemplo, que em Praga, República Tcheca, existia um bairro onde os judeus foram apartados pelos cristãos por mais ou menos 400 anos. Os judeus só podiam residir ali, dormir ali, fazer suas atividades do dia-dia naquele pequeno espaço, e, não seria diferente, seus mortos só poderiam ser enterrados ali. Agora, imaginem um cemitério de um bairro pequeno, onde teriam que ser enterrados todos os mortos por 400 anos. No decorrer dos anos, o cemitério precisou ser aterrado várias vezes, para os novos mortos, e isso criou um terreno, no meio do bairro, que fica a mais ou menos 11 metros acima do nível da rua. Ó insensatez religiosa!

Ótima idéia dos europeus, que deveria (e deverá) se espalhar por todo o mundo. Informações sobre El Tour Grátis, as cidades onde já existe, pontos de encontro, entre outras aqui: http://www.neweuropetours.eu/
Berlin
Amsterdam

13 de outubro de 2009

A música* que inspirou a imagem


Tá me esperando na janela ai...



Não sei se vou me segurar...

Clicada com o celular durante o 8º PiraíFest no último feriadão. O chopp Brahma custava R$ 2,50 e o resultado não podia ser outro (rs). Diga-se de passagem uma das melhores festas tipo 'feira de exposição' que já fui.

*Esperando na Janela - Gilberto Gil

8 de outubro de 2009

Tudo diferente*

Todos caminhos trilham pra gente se ver, todas trilhas caminham pra gente se achar, né - por que senão que outra explicação teria pra gente se encontrar justo agora, né?

Eu ligo no sentido de meia verdade - os seus mistérios que eu quero descobrir, os meus que revelo aos poucos pra você.

Metade inteira chora de felicidade - a metade que você roubou de mim; a metade que faltava e você trouxe até aqui.

A qualquer distância o outro te alcança - Não teve distância, nem obstáculo, que puderam impedir de acontecer.

Erudito som de batidão - O amor por você é meio assim, “erudito” (romântico, tranqüilo) “som de batidão” (intenso, movimento)

Dia e noite céu de pé no chão - dia e noite pensando em você, mas pensando também nas coisas tão quão importantes, por que quem vive de amor é personagem de livro, filme ou novela.

O detalhe que o coração atenta - os detalhes que fazem a nossa diferença.

Você passa, eu paro - parei na sua frente pra te dar aquele rápido beijo que durou e permaneceu.

Você faz, eu falo - Eu faço, você fala. A gente faz, a gente fala.

Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem - (...)

Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo - Engraçado não saber, mas sentir que está tudo certo quando estou com você

Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate - e tudo bate de um jeito diferente com você.

*Tudo diferente - Maria Gadú (composição: André Carvalho)

16 de setembro de 2009

Imagem de viagem

Mais fotos do mochilão:


curvas (Praga)



praça (Praga)



art noveau (Praga)




art noveau 2 (Praga)





castelo (Potsdam - Alemanha)



espelho (Potsdam)



catedral (Berlin)






de cima (Berlin)



protesto (Iranianos em todos os lugares faziam protestos contra o resultado das eleições no país)



eu vi duendes (Amsterdam)



canais (Amsterdam)


heineken experience (Amsterdam)

25 de agosto de 2009

Blog ultrapassado?

"Twittar" virou moda. O termo se refere a quem utiliza a “nova” febre da comunicação na internet: o Twitter. Afora todas as discussões filosóficas sobre o papel da internet nas relações humanas, o interessante é ver como a web vai superando e descartando a si mesma.

A intensão por trás do novo site de relacionamentos é ser um diário em tempo real. A idéia do diário nos lembra o que? Os blogs, que, se não foram criados para esta finalidade, foram utilizados como tal pela grande maioria de seus adeptos.

Como aconteceu com os jornais, que tiveram que se adaptar para o ambiente da rede, e mais tarde tiveram que aprimorar seu sistema de notícias para o “furo” constante (tempo real), assim também a internet está aos poucos substituindo os já ultrapassados e obsoletos (?) blogs.




Voltando ao exemplo dos textos jornalísticos, que tiveram que ser adaptados para o ambiente virtual, com textos mais curtos e objetivos, o Twitter parace seguir a mesma linha. Entre outras funcionalidades - como a de ser também um site de relacionamentos a exemplo de Orkut e Facebook - a nova interface almeja funcionar como uma espécie de “blog” em tempo real, com limite de caracteres por postagem, enxugando assim, a infinidade de caracteres dos blogs.


Alguem aí se lembra do mIRC? O MSN e outros programas vieram e foram aos poucos tomando o lugar do antigo Chat- que ainda hoje é utilizado, porém mais para troca de arquivos de interesses específicos e até alguns saudosistas.

Ps.: Alguns blogueiros já deixaram de escrever em seus antigos sites para migrar para o Twitter, e alguns muitos estão pensando em fazê-lo. Eu por enquanto, continuo vivendo no “passado”.

Por falar em amor

A música* me fez refletir o quanto é contraditório o amor. Ela diz: “Você me tem fácil demais, mas não parece capaz de cuidar do que possui”. Ao mesmo tempo em que faz pirraça: “não vá pensando que eu sou seu”.

Ela (a música) deixa transparecer o quanto é confusa toda essa coisa de “se entregar”, sem querer se deixar na mão do outro. Não existe amor que dê certo sem entrega, sem algumas renúncias. Ao mesmo tempo, não se quer perder o espaço individual.

Por um lado sentencia: “você me tem fácil demais”. Como quem confessa ter mergulhado de cabeça num relacionamento, sem pensar muito nas conseqüências. Por outro pede, num desabafo: “não faça nada por mim”. Como quem necessita de liberdade, e se sente amarrado diante das privações de um amor um tanto controlador.

A personagem, enfim, é refém de uma dominação com a qual ela não se sente confortável. Mas ama tanto - ou se ama tão pouco - que não tem vontade/coragem de se livrar da situação: “Me disse vá e eu não fui”. E vai entender o amor...



*Nada por mim (Paula Toller e Herbert Vianna)

Desde abril de 2007