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  1. REVERÊNCIA Conhecido por canções como "Sonho Meu", compositor morreu na última semana aos 74 anos

    Quando, nos anos de 1970, Delcio Carvalho escreveu os versos de "derradeira Melodia", em referência ao falecimento de outro sambista, não imaginava que seria, ele próprio, homenageado por músicos das mais diferentes gerações no momento de sua morte. A canção de versos como "E o sambista assim tombou / Causando tanta emoção/Mas sua arte há de ficar de pé/dentro do nosso coração" é apenas uma das quase 300 que compôs em sua carreira.

    O compositor morreu na terça-feira (12), aos 74 anos, de um câncer gástrico diagnosticado há três anos. A música que ele fez para o sambista Silas de Oliveira, morto em 1972, foi uma das primeiras de suas muitas parcerias com Dona Ivone Lara. Com ela, Delcio Carvalho também escreveu, entre outras, "Acreditar", "Sonho Meu" e "Alvorecer".

    O compositor Marco Pinheiro, parceiro de Delcio, afirma que ele está entre os principais ícones do samba, embora também compusesse outros gêneros.

    "Mesmo antes de sua morte, o Delcio já inspirava os novos compositores que desejavam e desejam fazer samba com qualidade. Suas composições são daquelas que ficam para sempre", afirma.

    Entre os sambistas da nova geração, o compositor é uma referência. Um desses admiradores, o músico Chico Alves, do grupo Sambalangandã, diz que a obra de Delcio será imortalizada.

    "Tem uma frase que ele sempre dizia, depois de se apresentar e ser aplaudido, que sintetiza tudo isso: 'Como vocês podem ver, não há truque", lembra.


    Rodas relembram extenso repertório

    HOMENAGEM Sambalangandã e Roda de Samba do Barão reverenciam músico

    Na quarta-feira (13), no bar Trapiche Gamboa, na zona portuária do Rio, o grupo Sambalangandã dedicou todo um set de sua apresentação a canções de Delcio Carvalho, como "Nasci pra sonhar e cantar" (com Dona Ivone Lara), "Convite" (com Ivor Lancellotti), "Vendaval da vida" (com Noca da Portela). O grupo repetiu a homenagem na roda de samba do Mercado das Pulgas, no sábado (16), em Santa Teresa.

    Em Vila isabel, as canções de Delcio também serão lembradas. O violinista Marcelo Moraes, do Movimento Cultural Roda de Samba do Barão, que acontece às quartas-feiras, na Praça Barão de Drumond, afirma que o compositor será homenageado durante o mês de dezembro. Isto porque, todos
    os anos, os sambas do último mês do ano são dedicados àqueles que morreram durante o ano.

    "Delcio Carvalho foi um dos artistas que pavimentou o caminho que a música brasileira deveria seguir. onde
    se valorizava a postura artística, e não apenas o reconhecimento e a fama. Era um gênio, nos melhores sentidos desta palavra.", resume Marcelo Moraes.


    Sambista tinha a composição como ofício

    PROFISSÃO COMPOSITOR Suas músicas foram gravadas por Martinho da Vila, Beth Carvalho e Alcione, entre outros

    Filho de pai saxofonista, Delcio Carvalho trazia no sangue o DNA musical. Nasceu em Campos dos Goytacazes, em março de 1939, e cresceu ouvindo os cantores e cantoras da era áurea do rádio.

    Veio para o Rio de Janeiro depois de prestar o serviço militar, em 1956, para morar no Morro do Querosene, na zona norte. Participou de programas de calouros e cantava em casas noturnas do Rio. A canção "Pingo de felicidade", de 1968, foi sua primeira composição, logo gravada pela cantora Christine.

    A composição era seu ofício. Marco Pinheiro, um dos mais recentes parceiros de Carvalho, lembra como foi a criação do choro "Ah! Quem me dera".

    "Tinha passado para ele a melodia. Um dia ele apareceu com um papel tipo de pão com a letra. Só que uma parte estava em cima, a outra no parte de trás do papel, outra de cabeça para baixo. Só depois que passou a limpo é que a gente pôde ver como tinha ficado".

    Em 1979, Delcio gravou seu primeiro álbum, "Canto de um povo". o segundo, "Afinal", só saiu em 1996, seguido de "A Lua e o Conhaque" (2000), "Profissão Compositor" (2006) e a trilogia "Inédito e Eterno"2007). Em 2013 gravou seu último Cd "Dois compassos", em parceria com o violonista Marcelo Guima.

    Suas músicas foram gravadas por Maria Bethânia, Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro, Elizeth Cardoso, Caetano Veloso, Nana Caymmi, Gal Costa, Elza Soares, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Alcione, entre outros.

    *Publicada na edição de 21 de Novembro do jornal Brasil de Fato. Extemporânea porque ainda não havia baixado a versão publicada. Uma homenagem oportuna a este que é um dos maiores compositores do samba.
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