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  1. Desejos para 2014

    2 de janeiro de 2014

    Da série "Recebi no e-mail", com atribuição de autoria a Dom Hélder Câmara, mas será????!!!??? Se souber da autoria, me avise nos comentários.
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     Nesse ano que se inicia, não desejo paz! Melhor dizendo, não tanta paz assim. Até porque paz em demasia gera inércia. Cria ranço, limo e pança. A paz mais profunda é a morte. Nas palavras de Guimarães Rosa, a “indesejada das gentes”. E essa, vamos combinar, torcemos para que não venha no próximo ano. E Deus queira, nem tampouco, no outro e, nem ainda, no seguinte...

    Desejo sim, a coragem para enfrentarmos e superarmos os desafios e provações com os quais vamos topar ao longo desse ano.Diante das tempestades que a existência trouxer nesse ano, e não nos iludamos, ela há de trazer, que possamos nos manter resilientes, centrados e confiantes.
    Que a prosperidade venha, mas acompanhada de simplicidade e desapego, para não ficarmos soberbos e consumistas a ponto de continuarmos exaurindo os recursos do planeta e de nos afastarmos, temerosos e defensivos, dos nossos semelhantes.

    E ao invés de sucesso, que Deus nos dê trabalho e humildade. E também força nas mentes e nos braços para realizarmos nossos sonhos. Desejo que esses sonhos possam ser construídos com diversas mãos.

    Troco, sem regatear, a tranquilidade amorfa pela coceira da inquietação. Comichão que gere inconformidade diante das injustiças e comprometimento sincero com um mundo melhor, mais acolhedor e solidário.

    Quanto à saúde, que possamos ter o discernimento necessário para cuidarmos bem dela e de nos lembrarmos de que não adianta nada termos um corpo sarado, malhado ou funcional se nossos pensamentos, sentimentos e atitudes estiverem neurotizados, doentes.

    Desejo que tenhamos alegrias, mas na medida certa, só o suficiente  para não nos tornarmos melindrosos e mimados. Que ela nasça da nossa tolerância às frustrações e, por serem assim, alegrias mais fundas. E que possamos, alegres ou tristes, nos manter receptivos, alertas e humildes. Cientes que, tal qual o ano, isso também passará.


    Desejo à todos nós muito amor. Esse, sem nenhum porém ou senão. Não falo de um amor cinderelizado, fantasioso, idealizado. Desejo, sim, bons amores e amores reais. Explico-me: chamo de “Bom Amor” aquele que transforma, que nos leva, através do encontro com o outro a descobrirmos e expressarmos os nossos melhores potenciais. E com amores reais quero dizer a capacidade de aceitar os outros como eles são e não querer modelá-los ao nosso “leito de Procusto*”. Desejo, nesse aspecto, que façamos escolhas, cada vez mais, generosas, conscientes e gentis.

    E que sintamos também o latejar da curiosidade para experimentarmos jeitos novos e originais de se relacionar conosco e com os outros.

    Desejo que os dias desse novo ano nos traga as experiências necessárias ao nosso crescimento espiritual.  Tenho esse desejo, para você e para mim. Supérfluo desejo esse, porque se pensarmos com mais serenidade e despojamento, sacaremos que é assim que acontece, sempre! Então, o que anseio mesmo é que possamos ter a sabedoria para não demorarmos muito a perceber isso, a tempo de aproveitarmos e rirmos com as ironias da vida.

    Que possamos ter, enraizada, em nossos corações, a gratidão diante das infinitas bênçãos visíveis e, principalmente, por aquelas invisíveis graças, muitas vezes travestidas de infortúnios, que recebemos ao longo dos 365 dias do ano.

    Que 2014 seja do tamanho do seu Eu verdadeiro!


    * Procusto – personagem da Mitologia Grega que sequestrava as pessoas que passeavam, desavisadas, pelo bosque onde morava, e colocava-as em um dos seus dois leitos. Aqueles que eram pequenos, ele ajeitava no leito maior, mas, para isso, esticava-os até a morte. E os de estatura maior, ele colocava no leito pequeno, só que, para isso, amputava-lhes as pernas.
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