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  1. Quem entre os que trabalharam no Diário do Vale consegue esquecer Dicler Simões feliz da vida por ter conseguido a manchete do dia seguinte? Era o exemplo vivo do jornalista romântico, que respirava jornalismo sete dias por semana, 24 horas por dia, nas folgas e no tempo livre. Fazia o tipo de jornalismo que me fez querer cursar a faculdade de comunicação. Aquele jornalismo que tem a pretensão de "mudar o mundo".

    O 'Jacaré', Diclerzão, Jaca, deixa saudades a todos que passaram por sua vida. Nos meus quatro anos de trabalho no Diário do Vale, confesso que tentava , todos os dias, aprender um pouco mais com Dicler. Seu jeito de apurar, de contar uma história, de "esquentar" uma notícia, de cativar uma boa fonte, como ninguém fazia igual. Era o jornalista que saía por último da redação, andava sempre com o rádio de escuta, sentado em frente ao computador com seu bloco de reportagem, caneta, copo de café e cigarro na boca, como a gente vê nos filmes, ouve histórias de professores na faculdade, ou lê nos livros.

    Quem não se lembra de ter ligado para o Jacaré para contar sobre um "notícia" que acabara de "acontecer" e ouvia dele um "Já estou sabendo" com todos os detalhes possíveis, como se estivesse no local? Quem esquece das informações que um repórter levava horas para apurar e que Dicler, com um ou dois telefonemas, conseguia levantar? Lembro das vezes em que pedia um telefone de uma fonte (que tinha certeza que teria) e o Jacaré tirava aquela velha caderneta da gaveta com telefones de todo mundo anotados ou rabiscados desde a cabeça da página até o rodapé.

    Para mim, pessoalmente, um exemplo de profissional e de vida. Trabalhou até o fim, apaixonado pela profissão. Ouvi dizer que na quarta-feira, quando ligaram do jornal para saber seu estado de saúde, Jacaré teria perguntado: "Já conseguiram a manchete?" Era assim Dicler Simões, um jornalista apaixonado que vai deixar saudades.

    Mais informações sobre Dicler Simões no site do Diário do Vale
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  2. 1 comentários:

    1. Gabriel
      Um das tristezas que carrego comigo foi de me ter descoberto jornalista já no tempo em que não dava mais para enfrentar redação de jornal (só fiz faculdade depois de aposentar)... Tenha certeza que seu amigo terá muito trabalho do lado de lá!
      Estou partindo quinta... assim que der dou notícias.
      beijos