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Sambar é lei toda sexta-feira na Pedra do Sal
17 de janeiro de 2014
* Publicado no jornal Brasil de Fato, em 8/1/2014
TRADIÇÃO Resgate à memória do samba é a proposta do grupo Samba de Lei, que lota a região da zona portuária toda semana
O nome do grupo diz muito sobre o que acontece todas as sextas-feiras no palco que se tornou a base da Pedra do Sal, no Largo da Baiana, na Zona Portuária: Samba de Lei. É quase uma palavra de ordem seguida pelos frequentadores de uma das rodas de samba populares mais conhecidas do Rio.
O público dança e canta os sambas levados com zelo pelos músicos. "Em poucos lugares se vê tanta gente escutando boa música de forma tão democrática. Nesse mar de gente, pessoas de todos os lugares, todas as classes e todos os credos cantam uma só o voz", afirma Thiago Torres, sambista que comanda a roda.
O que Torres chama de "boa música" é o repertório escolhido a partir de um "mergulho" em mais de cem anos de história do samba. A roda começa ao cair da tarde com sambas antigos, praticamente desconhecidos, que o público acompanha atento, numa espécie de aula musical.
"Nossa intenção valorizar essa arte da forma mais ampla possível", explica Thiago Torres, que na última sexta-feira abriu a roda com o samba "O meu nome já caiu no esquecimento", do sambista precursor Paulo da Portela.
À medida em que a noite avança e o local começa a ficar lotado de gente, sambas mais recentes se incorporam ao repertório de canções das Velhas Guardas. De Chico Buarque, com canções como "Deixa a menina" e "O Meu Guri", passando por Paulo César Pinheiro, com "Oxóssi", de influências afro-brasileiras, chegando à Moacyr Luz, com "Saudades da Guanabara".
"Não dispensamos o calor do público cantando sambas mais conhecidos e atuais", pondera o músico, que também incluiu alguns sambas-enredo do Império Serrano na apresentação.
Criado há cerca de 4 anos, o Samba de Lei é formado por sambistas egressos do bloco de carnaval Boitolo. Com a criação do grupo, os músicos passaram a tocar na ladeira da Lapa, às sextas-feiras.
Impossibilitados de continuar no local, os músicos buscaram um novo espaço. Com a ajuda dos proprietários da Bodega do Sal, bar localizado aos pés da Pedra do Sal, que até hoje patrocina a roda gratuita, os sambistas puderam se estabelecer ali, há três anos e meio.
Integram o Samba de Lei os músicos Thiago Torres, voz e cavaquinho, Wagner Silveira, pandeiro, Maicon Salles, surdo, Kaka Nomura, percussão, Marcio Kalunga, percussão e Wando Cordas, violão de 7 cordas.
Músicos do Samba de Lei ensinam percussão na Pedra do Sal
ENSINAMENTO Grupo Moça Prosa, formado por sambistas mulheres, é fruto da oficina
Da observação de que muitos dos frequentadores das rodas de sexta-feira levavam instrumentos para tocar, é que os percussionistas Wagner Silveira e Maicon Salles tiveram a ideia de montar uma oficina popular de samba.
A oficina de percussão da Pedra do Sal foi criada há dois anos e, este ano, já oferece aulas de cavaquinho. Todas as terças-feiras, à partir das 19 horas, os músicos transmitem um pouco do conhecimento que adquiriram com anos de experiência no samba.
"Montamos uma apostila aberta com os fundamentos das variações existentes de samba, como partido alto, samba canção, marcha, breque", afirma Wagner Silveira, explicando que para aprender samba, gostar é o primeiro passo.
A oficina já deu frutos: o grupo Moça Prosa, apenas com integrantes mulheres, já se apresenta profissionalmente, a partir dos ensinamentos da oficina. As aulas são abertas e o preço é de R$ 20 por aula ou R$ 60 por mês.
Para o carnaval, os instrutores planejam a criação de um bloco formado por aprendizes e outros ritimistas, que vai desfilar pelas ruas da zona portuária. "Queremos botar o samba pra frente, ajudar a difundir esta cultura", afirma Silveira.
O projeto já extrapolou também os limites da Pedra do Sal. Desde o ano passado, acontece no Vidigal, uma oficina de samba só para mulheres vítimas de violência doméstica.
SERVIÇO
Dia: Todas as sextas-feiras
Horário: 19 horas
Local: Largo da Baiana, Gamboa, Zona Portuária
Preço: GratuitoPostado por Unknown às 08:19 | Sessões: notícias, samba, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Desejos para 2014
2 de janeiro de 2014
Da série "Recebi no e-mail", com atribuição de autoria a Dom Hélder Câmara, mas será????!!!??? Se souber da autoria, me avise nos comentários.--------
Nesse ano que se inicia, não desejo paz! Melhor dizendo, não tanta paz assim. Até porque paz em demasia gera inércia. Cria ranço, limo e pança. A paz mais profunda é a morte. Nas palavras de Guimarães Rosa, a “indesejada das gentes”. E essa, vamos combinar, torcemos para que não venha no próximo ano. E Deus queira, nem tampouco, no outro e, nem ainda, no seguinte...
Desejo sim, a coragem para enfrentarmos e superarmos os desafios e provações com os quais vamos topar ao longo desse ano.Diante das tempestades que a existência trouxer nesse ano, e não nos iludamos, ela há de trazer, que possamos nos manter resilientes, centrados e confiantes.Que a prosperidade venha, mas acompanhada de simplicidade e desapego, para não ficarmos soberbos e consumistas a ponto de continuarmos exaurindo os recursos do planeta e de nos afastarmos, temerosos e defensivos, dos nossos semelhantes.E ao invés de sucesso, que Deus nos dê trabalho e humildade. E também força nas mentes e nos braços para realizarmos nossos sonhos. Desejo que esses sonhos possam ser construídos com diversas mãos.Troco, sem regatear, a tranquilidade amorfa pela coceira da inquietação. Comichão que gere inconformidade diante das injustiças e comprometimento sincero com um mundo melhor, mais acolhedor e solidário.Quanto à saúde, que possamos ter o discernimento necessário para cuidarmos bem dela e de nos lembrarmos de que não adianta nada termos um corpo sarado, malhado ou funcional se nossos pensamentos, sentimentos e atitudes estiverem neurotizados, doentes.Desejo que tenhamos alegrias, mas na medida certa, só o suficiente para não nos tornarmos melindrosos e mimados. Que ela nasça da nossa tolerância às frustrações e, por serem assim, alegrias mais fundas. E que possamos, alegres ou tristes, nos manter receptivos, alertas e humildes. Cientes que, tal qual o ano, isso também passará.Desejo à todos nós muito amor. Esse, sem nenhum porém ou senão. Não falo de um amor cinderelizado, fantasioso, idealizado. Desejo, sim, bons amores e amores reais. Explico-me: chamo de “Bom Amor” aquele que transforma, que nos leva, através do encontro com o outro a descobrirmos e expressarmos os nossos melhores potenciais. E com amores reais quero dizer a capacidade de aceitar os outros como eles são e não querer modelá-los ao nosso “leito de Procusto*”. Desejo, nesse aspecto, que façamos escolhas, cada vez mais, generosas, conscientes e gentis.E que sintamos também o latejar da curiosidade para experimentarmos jeitos novos e originais de se relacionar conosco e com os outros.Desejo que os dias desse novo ano nos traga as experiências necessárias ao nosso crescimento espiritual. Tenho esse desejo, para você e para mim. Supérfluo desejo esse, porque se pensarmos com mais serenidade e despojamento, sacaremos que é assim que acontece, sempre! Então, o que anseio mesmo é que possamos ter a sabedoria para não demorarmos muito a perceber isso, a tempo de aproveitarmos e rirmos com as ironias da vida.Que possamos ter, enraizada, em nossos corações, a gratidão diante das infinitas bênçãos visíveis e, principalmente, por aquelas invisíveis graças, muitas vezes travestidas de infortúnios, que recebemos ao longo dos 365 dias do ano.Que 2014 seja do tamanho do seu Eu verdadeiro!* Procusto – personagem da Mitologia Grega que sequestrava as pessoas que passeavam, desavisadas, pelo bosque onde morava, e colocava-as em um dos seus dois leitos. Aqueles que eram pequenos, ele ajeitava no leito maior, mas, para isso, esticava-os até a morte. E os de estatura maior, ele colocava no leito pequeno, só que, para isso, amputava-lhes as pernas.Postado por Unknown às 05:42 | Sessões: textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Lista - Sambas do Chico Buarque
22 de dezembro de 2013
Tem muito mais, eu sei...Postado por Unknown às 07:45 | Sessões: listas, música | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Os trilhos que levam ao samba*
16 de dezembro de 2013
ENCONTRO Proposta do Trem do Samba foi recriar memória de resistência da música brasileiraVelha Guarda da Império Serrano em um dos vagões do Trem do Samba
O subúrbio acolheu de braços abertos aqueles que trilharam, no último sábado, vindos de todas as partes da cidade e até de outras cidades do Brasil e do mundo, o trajeto do Trem do Samba.O festival de grandes proporções, em que se transformou a festa do Dia Nacional do Samba (2 de dezembro), parecia promover uma espécie de reconciliação entre os bairros do Rio.Cinco trens lotados saíram da Central do Brasil com destino a Oswaldo Cruz, com rodas de samba em cada vagão. O bairro, povoado em grande parte, no início do século passado, por aqueles que foram removidos à força pelas reformas sanitaristas, foi o palco para esse encontro que o samba mais uma vez foi capaz de promover."O Trem do Samba representa o recriar de uma celebração, de uma memória de resistência da música brasileira", afirma Marquinhos Oswaldo Cruz, o sambista que, em 1991, refez a viagem de trem que deu origem ao festival.A releitura da viagem que Paulo da Portela fazia, no início do século passado, para fugir da repressão ao samba, ganhou contornos de festa popular."A mesma polícia que antes perseguia o samba, hoje abre alas pra ele passar. O samba nunca foi de arruaça, como dizia Carlos Cachaça. Era a alegria do povo na praça Onze, uma manifestação da cultura popular, sincera, honesta", ressalta Monarco, da Velha Guarda da Portela, escola de samba que surgiu entre Oswaldo Cruz e Madureira.Sambista representante de outra escola de samba da região - a Império Serrano -, Aluízio Machado também destacou o caráter democrático do evento. "Hoje o samba pode dizer que tem uma festa democrática, que todo mundo acompanha junto, sem distinção", pontua.No evento, shows simultâneos faziam com que o público estimado em mais de 60 mil pessoas, somente naquele dia, pudesse aproveitar as mais de 50 atrações musicais. Na comparação bem humorada com outros festivais de música que acontecem na cidade, o 'Rock in Rio do samba' não deixou a desejar nos quesitos evolução e harmonia, e mostrou, com desenvoltura, o jeito brasileiro de festejar.
Paulinho da Viola: 'Ninguém controla a força que o samba tem'Músico que tem sua trajetória relacionada à das escolas de samba de Oswaldo Cruz e Madureira, Paulinho da Viola foi uma das atrações do Trem do Samba. Seu show, no palco João da Gente, um dos sete montados, encerrou o festival que já acontecia desde a segunda-feira.Paulinho da Viola destacou a iniciativa de comemorar o Dia do Samba com uma grande festa. "Durante muito tempo era uma data conhecida. Algumas pessoas se reuniam em suas escolas, mas não havia um evento aberto, maior, que levasse a data para um número maior de pessoas", afirmou, celebrando o que chamou de a grande estrela do evento: o samba.
Para o cantor e compositor, a manifestação cultural tem força própria e consegue levar o nome do Brasil para o mundo. "Ao longo do tempo, muitos já disseram que acabaria, que não fazia sentido. Mas o samba já foi para o mundo. Visitar, por exemplo, o Japão e ver que há escolas de samba com pessoas de lá tocando, mostra que essa coisa do povo da gente tem uma força que ninguém controla", enaltece.*Publicado no jornal Brasil de FatoPostado por Unknown às 07:34 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Nova geração de sambistas homenageia Delcio Carvalho*
9 de dezembro de 2013
REVERÊNCIA Conhecido por canções como "Sonho Meu", compositor morreu na última semana aos 74 anos
Quando, nos anos de 1970, Delcio Carvalho escreveu os versos de "derradeira Melodia", em referência ao falecimento de outro sambista, não imaginava que seria, ele próprio, homenageado por músicos das mais diferentes gerações no momento de sua morte. A canção de versos como "E o sambista assim tombou / Causando tanta emoção/Mas sua arte há de ficar de pé/dentro do nosso coração" é apenas uma das quase 300 que compôs em sua carreira.
O compositor morreu na terça-feira (12), aos 74 anos, de um câncer gástrico diagnosticado há três anos. A música que ele fez para o sambista Silas de Oliveira, morto em 1972, foi uma das primeiras de suas muitas parcerias com Dona Ivone Lara. Com ela, Delcio Carvalho também escreveu, entre outras, "Acreditar", "Sonho Meu" e "Alvorecer".
O compositor Marco Pinheiro, parceiro de Delcio, afirma que ele está entre os principais ícones do samba, embora também compusesse outros gêneros.
"Mesmo antes de sua morte, o Delcio já inspirava os novos compositores que desejavam e desejam fazer samba com qualidade. Suas composições são daquelas que ficam para sempre", afirma.
Entre os sambistas da nova geração, o compositor é uma referência. Um desses admiradores, o músico Chico Alves, do grupo Sambalangandã, diz que a obra de Delcio será imortalizada.
"Tem uma frase que ele sempre dizia, depois de se apresentar e ser aplaudido, que sintetiza tudo isso: 'Como vocês podem ver, não há truque", lembra.
Rodas relembram extenso repertório
HOMENAGEM Sambalangandã e Roda de Samba do Barão reverenciam músico
Na quarta-feira (13), no bar Trapiche Gamboa, na zona portuária do Rio, o grupo Sambalangandã dedicou todo um set de sua apresentação a canções de Delcio Carvalho, como "Nasci pra sonhar e cantar" (com Dona Ivone Lara), "Convite" (com Ivor Lancellotti), "Vendaval da vida" (com Noca da Portela). O grupo repetiu a homenagem na roda de samba do Mercado das Pulgas, no sábado (16), em Santa Teresa.
Em Vila isabel, as canções de Delcio também serão lembradas. O violinista Marcelo Moraes, do Movimento Cultural Roda de Samba do Barão, que acontece às quartas-feiras, na Praça Barão de Drumond, afirma que o compositor será homenageado durante o mês de dezembro. Isto porque, todos
os anos, os sambas do último mês do ano são dedicados àqueles que morreram durante o ano.
"Delcio Carvalho foi um dos artistas que pavimentou o caminho que a música brasileira deveria seguir. onde
se valorizava a postura artística, e não apenas o reconhecimento e a fama. Era um gênio, nos melhores sentidos desta palavra.", resume Marcelo Moraes.
Sambista tinha a composição como ofício
PROFISSÃO COMPOSITOR Suas músicas foram gravadas por Martinho da Vila, Beth Carvalho e Alcione, entre outros
Filho de pai saxofonista, Delcio Carvalho trazia no sangue o DNA musical. Nasceu em Campos dos Goytacazes, em março de 1939, e cresceu ouvindo os cantores e cantoras da era áurea do rádio.
Veio para o Rio de Janeiro depois de prestar o serviço militar, em 1956, para morar no Morro do Querosene, na zona norte. Participou de programas de calouros e cantava em casas noturnas do Rio. A canção "Pingo de felicidade", de 1968, foi sua primeira composição, logo gravada pela cantora Christine.
A composição era seu ofício. Marco Pinheiro, um dos mais recentes parceiros de Carvalho, lembra como foi a criação do choro "Ah! Quem me dera".
"Tinha passado para ele a melodia. Um dia ele apareceu com um papel tipo de pão com a letra. Só que uma parte estava em cima, a outra no parte de trás do papel, outra de cabeça para baixo. Só depois que passou a limpo é que a gente pôde ver como tinha ficado".
Em 1979, Delcio gravou seu primeiro álbum, "Canto de um povo". o segundo, "Afinal", só saiu em 1996, seguido de "A Lua e o Conhaque" (2000), "Profissão Compositor" (2006) e a trilogia "Inédito e Eterno"2007). Em 2013 gravou seu último Cd "Dois compassos", em parceria com o violonista Marcelo Guima.
Suas músicas foram gravadas por Maria Bethânia, Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro, Elizeth Cardoso, Caetano Veloso, Nana Caymmi, Gal Costa, Elza Soares, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Alcione, entre outros.
*Publicada na edição de 21 de Novembro do jornal Brasil de Fato. Extemporânea porque ainda não havia baixado a versão publicada. Uma homenagem oportuna a este que é um dos maiores compositores do samba.Postado por Unknown às 08:27 | Sessões: notícias, samba, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Carioca vai de trem comemorar o Dia do Samba*
5 de dezembro de 2013
BAMBAS Comemoração se estende até sábado, quando saem os trens da Central do Brasil com destino a Oswaldo CruzA semana é de celebração para o samba. Desde a segunda-feira, dia 2 de dezembro, quando é comemorado o Dia Nacional do Samba, o bairro de Oswaldo Cruz, na zona Norte do Rio de Janeiro, virou o destino do mais genuinamente brasileiro estilo musical. A extensa programação do Trem do Samba vai até o sábado, dia 7, com shows de "bambas", rodas de samba, e apresentações de agremiações carnavalescas.Este ano, os trens especiais saem no último dia do evento com destino ao reduto do samba, momento considerado o auge da festa. Quatro trens e 32 carros da SuperVia estão reservados para levar o público ao bairro. Em sua 18ª edição, o Trem do Samba deve reunir mais de 400 mil pessoas."São mais de 50 shows gratuitos num evento que pretende fazer as pessoas entrarem em contato com a ancestralidade, esta essência cultural que faz parte do repertório de todo brasileiro", afirma Marquinhos Oswaldo Cruz, sambista idealizador do Trem do Samba.A programação começa às 15 horas no sábado, com as apresentações da Velha Guarda das escolas de samba Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel. Lá os passageiros poderão trocar sua passagem por um quilo de alimento não perecível e seguir destino à Zona Norte, onde os shows e rodas de samba acontecem.A semana começou com um "flashmob" na Central do Brasil, que serviu como convite para que o carioca embarcasse no trem, na segunda-feira. Dançarinos caracterizavam algumas das facetas dos cariocas: um servidor da Comlurb, um bombeiro, um malandro, uma passista, entre outros. Eles mobilizaram muitos dos passageiros que estavam na Central para sambar.No mesmo dia, aconteceu o lançamento da música "2 de Dezembro", de Marquinhos Oswaldo Cruz e Serginho Procópio, uma alusão à data, cuja comemoração teve origem na Bahia. O dia em que é rememorada a primeira visita de Ary Barroso à Salvador, foi nacionalizado e hoje é celebrado em todo o país.Em Oswaldo Cruz, a semana começou com shows de Almir Guineto, Leandro Fregonesi e Rodrigo Carvalho, no palco que leva o nome do sambista Candeia. A programação terá, até sábado, shows de Jorge Aragão, Martnália, Ana Costa, Sombrinha, Casuarina, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, Moacyr Luz e Paulinho da Viola, entre outros.Fotos: DivulgaçãoAplicativo para celular com programação do Trem do SambaTENDA DO SABER Filmes e palestras sobre cultura negraEm que pese a tradição a que o samba remete, a modernidade também está presente no Trem do Samba. Este ano, os usuários de smartphones com sistema operacional iOS e Android poderão fazer download gratuito do aplicativo iTremdoSamba que servirá como guia de bolso do projeto.
Entre as funcionalidades do aplicativo estão a possibilidade do usuário definir sua agenda com a seleção de shows favoritos, o mapa de Oswaldo Cruz por pontos de interesse entre palcos, rodas de samba e Tenda do Saber e a possibilidade de compartilhar fotos e comentários via redes sociais Facebook e Twitter.
Outra novidade é a Tenda do Saber que, durante a semana toda, levará filmes e palestras sobre o gênero musical e a cultura negra brasileira. A programação de todos os palcos, rodas de samba e vagões do Trem do Samba está disponível no site www.tremdosamba.com.Marquinhos Oswaldo Cruz refaz viagem de Paulo da PortelaROTA DE FUGA Samba era perseguido no início do século XXA primeira viagem, do que hoje se conhece como o Trem do Samba, aconteceu em 1991, ainda com o nome de Pagode do Trem. Foi Marquinhos Oswaldo Cruz, por influência da convivência com sambistas como Manacéia e Argemiro, da Portela, que resolveu fazer a viagem de trem que hoje se tornou um dos maiores festivais populares do país."A idéia inicial era chamar a atenção da população de Oswaldo Cruz para a riqueza cultural daquele bairro. É um patrimônio formado há séculos que não pode se perder", enfatiza o músico.Sem querer ele acabou reproduzindo os passos de Paulo Benjamin de Oliveira, mais conhecido como Paulo da Portela que, no início do século XX, começou a tradição do samba nas viagens de trem. O sambista, que é um dos fundadores da escola de samba Portela, utilizava os trens como estratégia para escapar da perseguição que sofria esta manifestação cultural à época.ServiçoTrem do SambaLocal: Central do BrasilQuanto: Um quilo de alimento não perecívelQuando: Até sábado
*Publicada no jornal Brasil de Fato, Edição de 5 a 11 de Dezembro de 2013.Postado por Unknown às 07:26 | Sessões: álbum, notícias, samba | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Antigo e novo se misturam no Sambalangandã de Santa Teresa*
14 de novembro de 2013
Grupo, que completou cinco anos no último fim de semana com sua já tradicional roda de samba, usou financiamento coletivo para gravar álbumNão fosse a falta do bonde, a ida ao bairro de Santa Teresa seria uma viagem completa no tempo. A antiguidade do cenário e de boa parte do repertório tocado na roda de samba do Mercado das Pulgas, no Largo dos Guimarães, se mistura ao jovem público e à originalidade do grupo condutor da roda, o Sambalangandã, que comemorou cinco anos de estrada no último sábado.O presente quem ganhou foi o público, que ouviu sambas selecionados em seus mais diferentes ritmos. Esta seleção criteriosa virou marca do Sambalangandã, já que o grupo tenta fugir do repertório mais usual.
"Gostamos de descobrir músicas diferentes nos repertórios de sambistas renomados ou não. Tentamos sempre mesclar essas canções 'lado B' com outras mais conhecidas, e o público daqui é atento e gosta de experimentar", afirma o violinista Lúcio Rodrigues.Este público, formado em sua maior parte por jovens, não teria idade para saber ao pé da letra todas as músicas tocadas, mas aprendeu a gostar de samba no recente movimento de retomada do estilo na última década.Ijexá, jongo, samba canção, samba de breque, afrosamba e partido alto são alguns dos estilos levados pelo grupo nascido exatamente ali, no Largo considerado o coração de Santa Teresa, na roda que já se tornou uma referência.O samba começou ao cair da tarde, ao pé da árvore, no quintal de um antigo casarão, onde projetos culturais diversos se revezam ao longo do ano. Aulas de capoeira, dança, feira de antiguidades e um sebo de livros são algumas das atrações do Mercado das Pulgas.E o Sambalangandã tem seu espaço fixo na programação, todo o primeiro e terceiro sábados do mês, à partir das 19 horas. A roda já é inclusive, parte integrante do roteiro oficial do evento Santa Teresa de Portas Abertas.Mas nem sempre foi assim. A história do grupo, que antes não tinha esse nome percussivo, se confunde com o início da roda de samba no local."Revezávamos com outro grupo a cada quinze dias. Lembro que 20 pessoas estavam presentes na primeira roda que fizemos. Era conhecido como 'samba do chapéu', pois ao final passávamos o chapéu recolhendo doações de quem vinha sambar", relembra o músico André Jamaica, um dos precursores da roda.Naquele sábado de celebração para o Sambalangandã, as lembranças deram o tom da apresentação. As dificuldades foram muitas, como gostam de relembrar os músicos, mas ao mesmo tempo o bom humor característico do samba fez com que todas elas fossem superadas."Lembro que, até conseguirmos um violinista fixo, tínhamos que convencer amigos músicos a virem tocar. Em um carnaval, há alguns anos, o violinista que tínhamos contratado se acabou de beber antes da roda. Tivemos que ir correndo buscar um outro músico que estava no bloco Carioca da Gema fantasiado com um vestido de mulher", ri o músico Chico Alves outro dos puxadores da roda.O grupo se firmou e ganhou a alcunha sonora que hoje já é reconhecida entre os sambistas. Bira da Vila, Toninho Geraes, Moises Marques e Eugênia Rodrigues são alguns dos nomes que frequentam a roda. Atualmente, de forma rotativa, mais de 600 pessoas passam pela roda.A formação do Sambalangandã, que se consolidou há cerca de três anos, tem os músicos Lucio Rodrigues, violão 7 cordas, Andre Jamaica e Chico Alves, nas vozes, Fabricio Pinas, cavaco, Leo Careca, percussão, Vitor Oliveira, pandeiro e Edgar Araujo, no surdo.Primeiro CD é autoral e cheio de participaçõesAgora, depois de anos de muitas histórias, o grupo se prepara para lançar o primeiro CD, com sambas de levada mais tradicional. No entanto, sua produção é fruto de uma técnica bem moderna de capitação de recursos: o financiamento coletivo pela internet.A divulgação da 'vaquinha virtual' era feita ali mesmo na roda de samba. Depois o boca-boca se estendia aos amigos dos amigos, até que o grupo conseguiu o montante necessário para a realização do trabalho. O álbum, intitulado Fuzuê, está em fase de mixagem e masterização e deve ser lançado em breve.O repertórioChico Alves, principal compositor das canções que integram o disco. Outros integrantes do grupo que se arriscam na composição são André Jamaica, Edgar Araujo e Fabricio Pinas.Entre as composições de Chico Alves presentes no CD, está 'Caninâna', parceria com Marco Pinheiro, já cantada de cor pelo público da roda. Outra canção, o partido alto 'Longa espera', é de co-autoria de Zorba Devagar, compositor já gravado por Paulinho da Viola, entre outros.Há ainda no disco, as participações dos cantores Andreia Dutra, Simone Leal e Ronaldo Gonçalves e dos instrumentistas Rafael Malmite, Glauber Seixas, Fernando Guedes.ServiçoRoda de Samba do Mercado das PulgasQuem toca: SambalangandãLocal: Largo dos Guimarães, Santa TeresaPreço: R$ 10Horário: das 19h à meia-noite____________________*Originalmente publicada na edição 27 do jornal Brasil de Fato, em 7 de novembro de 2013Postado por Unknown às 07:54 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Até que é bom
25 de outubro de 2013
Legião Urbana sempre foi a banda mais tocadas nas rodas de violão da minha adolescência. E, entre tantas outras, uma daquelas músicas da banda brasiliense sempre me intrigou pelo tema tão adulto tratado de forma tão simples. Não entendia como a vida funcionava, mesmo assim, imaginava que poderia ser como dizia aquela canção.Os versos de “O Mundo anda tão Complicado” soavam como um destino inevitável para mim. Eu que, mesmo sabendo da distância que me separava daquela sina derradeira, já vislumbrava um dia a vida de casado, esposa, filhos (quem sabe)...Acontece que o momento da música chegou pra mim, exatamente há duas semanas atrás, quando concretizei o sonho adolescente de construir uma família com a pessoa escolhida, que também me escolheu. Desde então, as coisas vem acontecendo um pouco como na música.Vê-la dormir que nem criança com a boca aberta. E vê-la acordar não tão arrumada, como quase sempre a via nos tempos de namoro, e mesmo assim achá-la linda (mesmo que ela duvide disso!).Deixei a segurança do meu mundo por amor. Ela deixou a segurança do mundo dela pelo mesmo motivo. Talvez isso explique a estranheza que tenho sentido nesses primeiros dias de vida juntos. Não uma estranheza ruim, apenas uma estranheza. Os amigos casados falam que é assim mesmo.Éramos dois em nossas individualidades, que às vezes se encontravam pra namorar. Agora somos dois tendo que dividir nossas individualidades, ceder em prol de objetivos comuns. Ainda que as individualidades continuem lá. Vi gestos de respeito a elas, por parte dos dois, nesses primeiros dias juntos, e espero que isso se mantenha assim.Até que é fácil acostumar-se um com o jeito do outro. Apesar de saber que o mundo anda tão complicado. Ainda mais morando em uma cidade grande. Longe da maioria dos amigos e da maioria da família.E como diz a música, a “mudança grande” tá chegando aos poucos. Além da grande mudança que é, simplesmente, casar-se. Terça-feira buscamos a televisão. Sexta chegou a máquina de lavar. Por enquanto, ainda precisamos dormir no chão, pelo menos até que termine a reforma que começamos faz alguns meses. Até que é bom!Escolhemos cor de tinta. Ela fez um pavê pra mim. Eu fiz um strogonoff pra ela. Fomos à casa dos amigos pra esquecer um pouco do trabalho, ficar de bate-papo. Ainda não dá pra fazer uma feijoada, mas prometemos em breve. Cheguei tarde do trabalho. Ela me esperou. Caminhamos no Flamengo. Compartilhamos carinho e rotinas.Até que é muito bom!
Postado por Unknown às 13:17 | Sessões: cenas, música, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Chegou
11 de outubro de 2013
Chegou pra nós o ponto que aponta pro futuro. Futuro junto, conjunto, adjunto. A sós, mas nunca sós. Sempre contidos em duas origens, nossas raízes, nossas matrizes. Chegou pra nós desconhecido, nunca vivido, muito querido. Chegou pra nós rastro de plenitude, nas atitudes de amar diário. Chegou pra nós, neguinha. Chegou pra nós!Postado por Unknown às 21:22 | Sessões: textos | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Samba resiste em meio à área esquecida pelo poder público
8 de outubro de 2013
Beco do Rato promove rodas de samba desde 2005 em espaço cultural que reverencia a religiosidade afro-brasileiraEm uma das regiões pouco atendidas em termos de políticas públicas do Rio de Janeiro, o Beco do Rato funciona, desde 2005, como um espaço cultural de promoção do samba e do choro, da história da cidade e das referências religiosas afro-brasileiras.Nas vizinhanças do bar, localizado entre as ruas Joaquim Silva e Moraes e Vale, na Lapa, os prédios antigos estão, em sua grande parte abandonados ou em péssimo estado de conservação. É neste cenário que o espaço cultural, charmoso nos detalhes, surge como mais uma opção para quem gosta de ouvir sambas de todas as épocas.“Antes do Beco do Rato, nesse pedaço moraram Chiquinha Gonzaga e Madame Satã. Também circulavam por aqui Manuel Bandeira, Noel Rosa, Sinhô e Portinari”, afirma o mineiro Márcio Pacheco, radicado no Rio há mais de 30 anos, proprietário do espaço.O Beco do Rato está envolto na atmosfera do samba até em sua decoração. Os postes de luz no interior do bar e algumas cadeiras que lembram bancos de praça fazem do local uma extensão da rua. “O samba era tocado nas ruas no passado”, lembra Pacheco.Nas paredes e teto há pinturas de sambistas, paisagens do Rio antigo, e representações de orixás e santos da cultura afro-brasileira. Os quadros são obra do artista Ney, discípulo do pintor Di Cavalcanti (1897-1976), e retratam em cores vivas a religiosidade e o clima boêmio que envolve o samba.DivulgaçãoUma das pinturas mais significativas é um bonde que tem entre os passageiros Beth Carvalho, Moacyr Luz, Alcione e Dona Ivone Lara, entre outros. “Não são simples pinturas. São quadros que retratam a verdade da minha cultura e da minha religião”, enfatiza Pacheco.Grupos como o Exquadrilha da Fumaça, Marcos Azevedo + 5, Receita de Choro e Arruda se revezam na programação musical do lugar, que tem rodas de samba todas as terças e quintas-feiras. A partir de outubro também haverá música às sextas-feiras e, todo o primeiro domingo do mês, uma feijoada na parte da tarde, começando no próximo dia 6 de outubro.Há algum tempo o espaço chegou a abrigar sessões de cinema brasileiro com curtas-metragens e filmes alternativos geralmente não exibidos no circuito oficial, mas o projeto não teve fôlego para continuar. “Não há incentivos por parte do poder público para projetos como este. Infelizmente é difícil manter sem um investimento”, explica Pacheco.No entanto, o preço da entrada cobrada dos visitantes, entre R$5 e R$10, torna o Beco do Rato uma opção de samba popular para os apreciadores do estilo. O apelo cultural do espaço resiste, mesmo em uma área que não recebe tantos incentivos.O nomeA história do nome do botequim surgiu por acaso, conforme conta Márcio Pacheco. “Quando alguém pedia informações sobre o samba de sexta-feira na Lapa o povo dizia: 'desce lá, no beco do rato'. Fui pesquisar e descobri que a malandragem que andava pela Lapa no passado vinha se esconder aqui, na Joaquim Silva, quando arrumava alguma confusão”, esclarece.Com o Beco do Rato, o local que antes era marginalizado, justamente por conta da falta de estrutura, passou a ser valorizado. Mesmo com os problemas que ainda existem, Pacheco acredita que o bar foi um dos fatores que ajudou na retomada daquela região.ServiçoEndereço: Rua Joaquim Silva, 11, LapaDias: Todas as terças, quintas e sextas-feiras e primeiro domingo do mês.Valor: entre R$5 e R$10 (couvert artístico)Originalmente publicado no jornal Brasil de Fato, Edição 22Postado por Unknown às 09:35 | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Samba do Trabalhador transforma “dia ingrato” em diversão
17 de setembro de 2013
Mais um texto sobre rodas de samba, publicado no Brasil de Fato.
Na segunda-feira – tradicional dia de folga dos músicos - um grupo de sambistas sob o comando de Moacyr Luz promove, há oito anos, o Samba do Trabalhador, roda que já se tornou referência para os apreciadores do estilo.O Clube Renascença, um dos espaços mais tradicionais da cultura negra do Rio de Janeiro, fundado há 62 anos, abre as portas para trabalhadores que fazem do dia que inicia a semana útil, considerado ingrato para muitos, mais um momento de diversão e encontro.Além de Moacyr Luz, violão e voz, levam o Samba do Trabalhador os músicos Gabriel Cavalcante (da Muda), violão, cavaco e voz; Alexandre Nunes, cavaco e voz; Álvaro Santos, percussão e voz; Luiz Augusto, percussão; Junior de Oliveira, percussão; Mingos Silva, percussão e voz e Daniel Neves, violão de sete cordas.Apesar da coincidência com o nome da conhecida canção de Darcy da Mangueira, Samba do Trabalhador (ocioso), que tem versos como “Na segunda-feira não vou trabalhar”, Moacyr Luz ressalta que a intenção da roda é justamente o oposto.“Os trabalhadores músicos emprestam seu dia de folga para os outros trabalhadores, num espaço com música de qualidade. A música do saudoso Darcy fala da pessoa que não quer trabalhar”, esclarece o compositor, que tem canções gravadas por sambistas como Zeca Pagodinho, entre outros.A roda que acontece no Renascença já foi registrada em CD e DVD duas vezes. A última, em 2013, no recém-lançado “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador”.Clube RenascençaA história do Renascença, erguido por negros de classe média que sofriam preconceito ao tentar frequentar clubes, no início do século, e, por isso, se juntaram para criar um espaço próprio, reforça a singularidade do local escolhido para a roda.Se em clubes comuns o lazer é a finalidade mais explícita, no “Rena”, como é apelidado, a cultura é o ponto forte. Já na entrada do Clube, barracas vendem CDs de samba e músicas de referências afro-brasileiras, literatura de cordel com títulos curiosos comoArlindo Cruz e a Incrível história do Bagaço da Laranja, acarajé das mãos de baianas, e guias (colares de umbanda) montadas na hora por artesãos.Encontro de geraçõesO Samba do Trabalhador serve também como ponto de encontro para gerações de sambistas. Moacyr Luz, de uma geração mais antiga, conta que a ideia inicial do samba era que os mais velhos apresentassem os novos talentos. E este papel foi cumprido, segundo ele.Dentre os músicos que tocam ali, dois já lançaram CDs próprios. Gabriel Cavalcante lançou, em 2010, o álbum intitulado O que vai ficar pelo salão e Alexandre Nunes, o álbum Marmita, de 2011.
Nova promessa do Samba do Trabalhador, o percussionista Álvaro Santos foi citado pela cantora Beth Carvalho em recente entrevista. “Eu fiquei lisonjeado e muito agradecido por ter meu trabalho aqui no Samba do Trabalhador reconhecido”, comemora.Samba de RodaO clima de samba de roda permeia todo o encontro musical de segunda-feira. “Músicas que não são aceitas pelos programadores de rádio, aqui são cantadas de ponta a ponta”, defende Moacyr Luz.A roda abre espaço para outros músicos que queiram puxar sambas de improviso. Na última segunda-feira, o compositor Eros Fidelis (da canção Falsa Consideração) participou com algumas de suas músicas.
O público fiel também vira destaque no Renascença. Além de dançar e cantar todas as letras, as palmas das mãos das mais de mil pessoas ali presentes viram percussão. Uma delas é Dona Dalila, moradora da Tijuca e portelense de coração, que comemorou 89 anos na última segunda-feira, no Samba do Trabalhador, ao lado da família.Ela conta que participa da roda desde seu início. “O samba é a minha vida”, afirma, cantando e sambando.Samba do trabalhadorLocal: Clube Renascença, Rua Barão de São Francisco, 54, TijucaDia: Todas as segundas-feirasPreço: R$ 10Horário: a partir das 16h30Postado por Unknown às 10:33 | Sessões: álbum, música, notícias, samba | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Roda revigora o samba no reduto de Noel e Martinho
2 de setembro de 2013
Publicado na edição do jornal Brasil de Fato de 29/8/2013
Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, é palco para o Movimento Cultural Roda de Samba do Barão todas as quartas-feiras
As calçadas com notas musicais de sambas de Ary Barroso, Pixinguinha, Vadico e Chiquinha Gonzaga, entre outros, anunciam que, em Vila Isabel, a música encontra um de seus principais palcos na cidade do Rio de Janeiro. É neste inspirador cenário que os músicos do Movimento Cultural Roda de Samba do Barão levam, todas as quartas-feiras, na praça Barão de Drummond, mais uma das opções de rodas populares de samba na cidade.O bairro que já foi reduto de Noel Rosa e tem atualmente Martinho da Vila como principal referência musical, recebe os sambistas cuja proposta é reverenciar músicos e compositores tradicionais do samba e do choro. “Tocar em um bairro tradicionalmente musical, que já foi frequentado por tanta gente boa do mundo do samba, como Vila Isabel, é muito significativo”, afirma o músico Marcelo Moraes, um dos idealizadores do projeto cultural.A roda, que acontece há um ano e meio, resgata para Vila Isabel a característica comunitária e familiar das rodas de samba do passado. Data de 25 anos atrás a última manifestação cultural desse gênero no bairro, quando mestre Trambique (atualmente um dos mestres de honra da bateria da Unidos de Vila Isabel) promovia uma reunião musical naquela região.E é a comunidade o principal público da Roda de Samba do Barão. A praça onde acontece o evento fica lotada de famílias que levam os filhos para brincar nos parques públicos, casais de namorados e jovens e adultos que frequentam bares instalados ali. São os próprios moradores que organizam barracas de cerveja, caldo de feijão e churrasquinho, produtos que são vendidos para manter a estrutura do evento, que tem até cadeiras e mesas para o público.Um desses moradores, Aldo de Vila Isabel, como fez questão de se apresentar, afirma que apoia o movimento por uma motivação pessoal. “Não sou sambista, sou um ‘sambador’, e por isso incentivo rodas como esta, cada vez mais difíceis de encontrar hoje em dia no Rio de Janeiro”, opina.Entre os colaboradores da roda, estão também os familiares de Martinho da Vila - considerado o patrono do Movimento pelos músicos - e integrantes da Velha Guarda da escola de samba Unidos de Vila Isabel.Movimento CulturalCom a proposta de levar muito mais do que uma roda de samba ao bairro, que no século XIX era a Fazenda do Macaco (aos pés do atual morro dos Macacos), os sambistas promovem, além do encontro de todas as quartas, um evento mensal no primeiro domingo do mês. Teatro infantil, balcão de emprego, feijoada, varal de poesias, exposição de fotografias, sarau e circo integram a atividade que termina com a projeção de um filme sobre o samba ou a história do Rio de Janeiro.O início e os projetosEm 2009, os músicos Marcelo Moraes, Beto Timbó e PC se reuniram para uma roda de samba no local. Com o tempo outros músicos foram se unindo ao movimento que, há um ano e meio, ganhou o formato atual. A roda é conduzida pelos instrumentistas Freitas, no trombone, Hugo Batera, no pandeiro, Luciano Bom Cabelo e Jorge Nei, no cavaco e voz, Vinicius Magno, violão sete cordas, Beto Timbó, no surdo, PC, tantã e Marcelo Moraes, violão.Atualmente, o grupo está finalizando o projeto da gravação de um CD com composições de Noel Rosa voltado para o público infantil. Sem patrocínios até então, eles também pensam em gravar futuramente canções de compositores desconhecidos de Vila Isabel, muitos deles integrantes da escola de samba do bairro.
ServiçoRoda de Samba do BarãoDia: Quarta-feiraHorário: a partir das 19 horasLocal: Praça Barão de Drummond, Vila IsabelPreço: Gratuito
Postado por Unknown às 14:07 | Sessões: álbum, música, samba, textos | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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