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Até que é bom
25 de outubro de 2013
Legião Urbana sempre foi a banda mais tocadas nas rodas de violão da minha adolescência. E, entre tantas outras, uma daquelas músicas da banda brasiliense sempre me intrigou pelo tema tão adulto tratado de forma tão simples. Não entendia como a vida funcionava, mesmo assim, imaginava que poderia ser como dizia aquela canção.Os versos de “O Mundo anda tão Complicado” soavam como um destino inevitável para mim. Eu que, mesmo sabendo da distância que me separava daquela sina derradeira, já vislumbrava um dia a vida de casado, esposa, filhos (quem sabe)...Acontece que o momento da música chegou pra mim, exatamente há duas semanas atrás, quando concretizei o sonho adolescente de construir uma família com a pessoa escolhida, que também me escolheu. Desde então, as coisas vem acontecendo um pouco como na música.Vê-la dormir que nem criança com a boca aberta. E vê-la acordar não tão arrumada, como quase sempre a via nos tempos de namoro, e mesmo assim achá-la linda (mesmo que ela duvide disso!).Deixei a segurança do meu mundo por amor. Ela deixou a segurança do mundo dela pelo mesmo motivo. Talvez isso explique a estranheza que tenho sentido nesses primeiros dias de vida juntos. Não uma estranheza ruim, apenas uma estranheza. Os amigos casados falam que é assim mesmo.Éramos dois em nossas individualidades, que às vezes se encontravam pra namorar. Agora somos dois tendo que dividir nossas individualidades, ceder em prol de objetivos comuns. Ainda que as individualidades continuem lá. Vi gestos de respeito a elas, por parte dos dois, nesses primeiros dias juntos, e espero que isso se mantenha assim.Até que é fácil acostumar-se um com o jeito do outro. Apesar de saber que o mundo anda tão complicado. Ainda mais morando em uma cidade grande. Longe da maioria dos amigos e da maioria da família.E como diz a música, a “mudança grande” tá chegando aos poucos. Além da grande mudança que é, simplesmente, casar-se. Terça-feira buscamos a televisão. Sexta chegou a máquina de lavar. Por enquanto, ainda precisamos dormir no chão, pelo menos até que termine a reforma que começamos faz alguns meses. Até que é bom!Escolhemos cor de tinta. Ela fez um pavê pra mim. Eu fiz um strogonoff pra ela. Fomos à casa dos amigos pra esquecer um pouco do trabalho, ficar de bate-papo. Ainda não dá pra fazer uma feijoada, mas prometemos em breve. Cheguei tarde do trabalho. Ela me esperou. Caminhamos no Flamengo. Compartilhamos carinho e rotinas.Até que é muito bom!
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"O Banheiro do Papa" - expectativas frustradas em Guaratiba
25 de julho de 2013
A mudança de local para a realização da vigília e missa de encerramento da Jornada Mundial me lembrou um filme que assisti há alguns anos chamado "O Banheiro do Papa" (El Baño del Papa, 2007), uma produção franco-uruguaia-brasileira, ganhadora de prêmios cinematográficos pelo mundo.Baseado em um fato real, o filme de César Charlone e Enrique Fernandez retrata o impacto da visita do Papa João Paulo II, em 1988, em uma cidade do Uruguai, Melo, próxima à fronteira com o Brasil, onde muitos habitantes vivem de pequenos serviços, como contrabandear de bicicleta, produtos de consumo comprados em Aceguá, no Rio Grande do Sul.A vinda do Papa é noticiada pela imprensa com grande alarde, anunciando a vinda de milhares de pessoas para o evento. No panorama de dificuldade de emprego e oportunidades, a vinda do Papa é vista pela população de Melo como uma oportunidade de abrandar a pobreza. Os moradores daquela pobre cidade fazem empréstimos com agiotas, vendem e penhoram bens e utilizam suas economias com o objetivo de ver um retorno com a venda aos fiéis.Um dos muambeiros da cidade é Beto, que vive em condições financeiras muito difíceis, com a esposa Carmen e Sílvia, filha que sonha ser jornalista. Para realizar o sonho da filha, Carmen guarda todas as suas economias. Mas Beto precisa comprar uma motocicleta para melhorar seus negócios de contrabando e vê na construção de um banheiro para a visita do Papa a solução.Na brilhante ideia de Beto, enquanto todos revenderiam alimentos e bebidas aos peregrinos, ele faria diferente. Aquela multidão de gente precisaria de um lugar para se aliviar, e ele teria o local perfeito, um banheiro novinho, que alugaria e ganharia, assim, rios de dinheiro.Diferente do que ocorrerá no bairro de Guaratiba, no Rio de Janeiro, em Melo, no fim das contas, o Papa visitou a cidade. No entanto, fez uma passagem rápida. E o número de peregrinos atraídos foi muito inferior à expectativa. Dos 50 mil esperados, não estiveram nas ruas mais que 8 mil pessoas, a maioria delas, habitantes da própria cidade uruguaia.O articulista Iuri Muller lembra em artigo publicado no blog Sul21: "o Papa veio, se foi, e pronto! Quando recém o leitãozinho de estimação começava a pingar graxa no braseiro, quando os primeiros chouriços caseiros pegaram a dourar e a estalar, o homem já tinha ido embora e todo mundo se foi - se foi sem almoçar nem nada -, e ficou só a terra vermelha pisoteada da esplanada coberta de lixo barato".Os relatos colhidos pela imprensa junto a moradores de Guaratiba já demonstram a frustração com o cancelamento dos eventos no chamado Campo da Fé. As chuvas escancararam a falta de planejamento para o evento. O espaço, uma área privada que por sinal herdará as benfeitorias pagas com dinheiro da organização da JMJ, virou um pântano, cheio de lama, o que tornou impraticável a presença dos peregrinos."Gastei R$ 1,5 mil para comprar bebidas para vender para os peregrinos. Quem vai cobrir agora esse prejuízo?", queixou-se o morador Paulo Teixeira Felipe, revelando ainda que vários vizinhos chegaram a alugar casas para os participantes.Nessa história em que a arte imita a vida e, mais de 20 anos depois, já com outro Papa, a vida imita a arte e a vida, o texto de Aldyr Garcia Schlee, autor do livro "El día en que el Papa fue a Melo", demonstra bem, guardadas as devidas particularidades, a questão social por trás dessas duas histórias:"Foi uma pena, porque Melo (Guaratiba) era uma festa, antes da chegada do Papa. A gente notava nas caras das pessoas - nos gestos, nas atitudes - uma alegria sem necessidade de explicação, alguma coisa muito rica e muito viva que alguém chamaria equivocadamente de orgulho municipal ou de vaidade ufana, mas que era muito mais ou muito menos do que isso: era o júbilo dos deserdados, o regozijo dos esquecidos despertados repentinamente para um momento de confiança, para uma possibilidade de certeza."
Nesta cena de "O Banheiro do Papa", Beto se esforça para chegar com o vaso sanitário ao banheiro que tinha construído no quintal de sua casa, enquanto poucos peregrinos passam pela cidade para ver o Papa.Postado por Unknown às 14:42 | Sessões: cenas, comentários | 3 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Carros e Filmes
15 de julho de 2013
Postado por Unknown às 12:04 | Sessões: cenas, traços | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Sessão dupla: dois filmes sobre Mandela
1 de abril de 2013
A vida do líder africano Nelson Mandela não caberia em uma trilogia, quanto menos em um único filme. Recentemente, duas inspiradas e inspiradoras produções americanas, A luta pela liberdade (Goodbye Bafana) - 2007 e Invictus – 2009, retrataram parte da biografia do ex-presidente, símbolo da resistência ao apartheid (regime de segregação racial adotado entre 1948 e 1994 na África do Sul) e referência mundial na luta contra o racismo.Apesar de não esgotarem as facetas dessa figura tão importante para a história contemporânea, os filmes mostram em meio aos dramas vividos pelos personagens centrais, momentos cruciais da biografia de Madiba (o apelido carinhoso de Mandela que remete ao clã da qual sua família descende). O primeiro termina no momento em que Mandela ganha a liberdade, em 1990, depois de 26 anos na prisão. O segundo começa justamente com cenas de Mandela sendo solto e se tornando presidente da África do Sul.Portanto, são filmes que, mesmo não sendo continuações oficiais, servem muito bem à transição entre os dois períodos da história do líder africano. E as semelhanças entre as narrativas vão além do fato de tratarem da biografia de uma única personalidade. Ambos têm como co-protagonistas homens brancos que veem suas vidas serem modificadas pelo relacionamento marcante com Mandela. É a metáfora para a influência de Mandela nas transformações ocorridas em seu país.A luta pela liberdade conta a história de James Gregory (Joseph Fiennes), um típico branco sul-africano, que enxerga os negros como seres inferiores, assim como a maioria da população branca que vivia na África do Sul sob o apartheid dos anos 60. Crescido no interior, ele fala bem o dialeto Xhosa. Exatamente por isso, não é um carcereiro comum: atua, na verdade, como espião do governo com a missão de repassar informações do grupo de Nelson Mandela (Dennis Haysbert) para o serviço de inteligência.A convivência com Madiba, porém, cria um forte laço de amizade entre eles e transforma James em um defensor dos direitos negros na África do Sul. Dirigido por Bille August, é um filme que apela para relatos mais objetivos dos fatos, sem cenas de forte apelo emocional ou ufanismos que engrandeçam a figura dos protagonistas.Numa das melhores cenas de Goodbye Bafana, Mandela e James se aproximam ainda mais relembrando a infância de ambos num jogo/luta tribal.Já Invictus é o típico filme americano de exaltação aos feitos heroicos de seus personagens diante de uma situação desafiadora – não necessariamente algo negativo ou que distorça a realidade quando se sabe que Mandela ganhou, por exemplo, o Nobel da Paz por suas ações à frente do país. Nesta produção, do diretor Clint Eastwood, Nelson Mandela (Morgan Freeman), recentemente eleito presidente, tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país social e economicamente dividido pelo racismo, em decorrência do apartheid.A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi (o esporte mais popular na África do Sul), pela primeira vez realizada no país, dá a Mandela a ideia de usar o esporte para tentar unir a população. Para tanto, chama o jogador Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, para uma reunião e o incentiva a levar a seleção nacional ao campeonato. Pienaar vira um aliado de Mandela na empreitada e acaba lutando por algo muito maior do que a vitória nas partidas: ele consegue fazer com que os jogadores, até aquele momento todos brancos, aceitem jogar ao lado de atletas negros. E com isso, representar que era possível a convivência e cooperação entre pessoas de cores de pele diferentes.
Uma das últimas cenas de Invictus, quando a seleção de Pienaar vence e negros e brancos torcem e comemoram juntosA trajetória de Nelson Mandela provavelmente dará outros bons filmes, já que sua história apresenta fatos singulares que chamam a atenção. Assim como outras personalidades históricas importantes, há em sua biografia fatos contraditórios, como a conduta de pessoas próximas a Mandela (entre elas uma de suas ex-esposas, Winnie, envolvida em vários escândalos políticos). Nada, porém, que diminua seu valor para os direitos humanos.Com sinopses do site www.adorocinema.comPostado por Unknown às 08:59 | Sessões: cenas, opinião, textos | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Os amigos bizarros do Ricardinho
25 de fevereiro de 2013
Vale a pena assistir e rir das situações cômicas (mas nunca caricatas) deste curta-metragem de nome extenso lançado em 2009. O filme conta a história de um jovem estagiário levado ao limite da tensão em seu ambiente de trabalho. A medida em que a situação torna-se insuportável, Ricardinho reage de forma estranha: começa a contar aos colegas as pequenas e insólitas histórias de seus amigos e familiares no município de Viamão, cidade satélite de Porto Alegre (sinopse baseada no resumo do Cineclick).
O mais curioso, porém, foi saber, zapeando pela internet, que a história é baseada em personagens reais da vida de Ricardo Lilja. Muita gente fala em comentários e posts que conhece o Ricardinho, foi vizinho dele, etc. A blogueira Marjorie Jonsson contou no seu espaço: "Ricardinho é artefinalista, toca guitarra na GV, é o arranjador das nossa músicas, é responsável pelo nosso layout. Ele é o personagem, argumentista e ator do curta premiadíssimo. Ricardinho passou por 3 meses de preparação de atores para poder fazer o papel de si mesmo na telona".
O cara tem até um blog onde posta um portifólio com suas artes finais, este aqui: http://www.incuboweb.blogspot.com.br/. O filmete, que descobri este ano graças ao Canal Brasil, é leve e inteligente, bem roteirizado e com boas atuações amadoras. Como diz outro post que li sobre o curta: separe 21 minutos da sua vida para assistir "Os amigos bizarros do Ricardinho".
Postado por Unknown às 11:28 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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O caos essencial
25 de janeiro de 2013
Os filmes “Efeito Borboleta” (2004) e “Corra Lola, Corra” (1998) têm em comum a linha narrativa de transformações causadas por mudanças mínimas no proceder de seus personagens centrais. Em seus panos de fundo teóricos, ambos remetem à “Teoria do Caos” (o primeiro mais explicitamente que o segundo, uma vez que até o título faz alusão ao bater de asas da borboleta, metáfora que representa a Tese).
Aplicada primeiramente ao entendimento dos mecanismos de criação das tempestades, das torrentes e dos furacões, a Teoria do Caos foi unificada pelo meteorologista Edward Lorenz tendo como base teorias científicas de outros estudiosos. A conhecida frase "O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque" sintetiza o conceito básico da Hipótese de Lorenz: a de que existe uma interligação oculta entre fatos aparentemente aleatórios.Os filmes de linhas cinematográficas divergentes convergem na ideia de que pequenas atitudes podem transformar drasticamente os acontecimentos e a vida de outras pessoas, envolvidas direta ou indiretamente com os fatos narrados. Na surpreendente ficção científica Blockbuster “Efeito Borboleta”, Evan Treborn (Ashton Kutcher) é um jovem estudante de psicologia que, enquanto criança e adolescente, sofreu de desmaios e bloqueios de memória. Após reencontro com seu amor de infância, Kayleigh (Amy Smart), Evan descobre que, ao ler seu diário, consegue enviar sua consciência adulta para o passado. Ele altera atitudes e muda completamente o seu destino, de sua namorada e amigos. Mas Evan rapidamente descobre que ter o dom de manipular o passado, não significa controlar o futuro.Ao se valer da Teoria do Caos como referência, o filme demonstra o que defendem Jonh Briggs e F. David Peat no artigo “Sabedoria do Caos”. Para eles a teoria não apenas se aplica aos fenômenos naturais, mas “a tudo, desde a medicina e os conflitos armados até a dinâmica social e as teorias de formação e transformação das organizações”. O caos estaria deixando de ser apenas uma teoria científica para tornar-se uma “metáfora cultural”. Além das transformações na história do filme a cada acesso que Evan faz ao seu passado, na versão em DVD, “Efeito Borboleta” apresenta dois finais diferentes possíveis (e ainda existe um terceiro final que foi censurado pela gravadora por mostrar uma espécie de “aborto”), o que coaduna com a Hipótese de que o universo é “permeado de sistemas caóticos que proporcionam uma resposta sempre criativa a um ambiente em mutação” (Briggs e Peat).“A sociedade moderna é obcecada pela conquista e pelo controle do mundo à sua volta e para tanto quer valer-se da ciência. Todavia, os sistemas caóticos e não-lineares – como a natureza, a sociedade e a vida de cada indivíduo – transcendem qualquer tentativa de previsão, manipulação e controle.”
Os dois finais alternativos:
Efeito Borboleta: Final alternativo (LEGENDADO-BR) por rodrigokleinmc
O final censurado:
Efeito Borboleta: Final do Diretor (LEGENDADO-BR) por rodrigokleinmc
“Corra Lola, corra” é de outra vertente cinematográfica. Filme alemão independente rodado em 1998 em linguagem quase videoclíptica, com inserções de desenhos animados e trilha sonora alucinante. Tudo com o objetivo de traduzir a histeria que se passa nos 20 minutos que a protagonista do filme tem para salvar o namorado. Diferentemente do filme americano, neste as possibilidades de desfecho são apresentadas como se o tempo sempre voltasse 20 minutos, dando uma “nova chance” aos personagens.Pela sinopse, Manni (Moritz Bleibtreu), o coletor de uma quadrilha de contrabandistas, esquece no metrô uma sacola com 100.000 marcos. Ele só tem 20 minutos para recuperar o dinheiro ou irá confrontar a ira do seu chefe, Ronnie, um perigoso criminoso. Desesperado, Manni telefona para Lola (Franka Potente), sua namorada, que vê como única solução pedir ajuda para seu pai (Herbert Knaup), presidente de um banco. Assim, Lola corre pelas ruas de Berlim, sendo apresentados três possíveis finais à sua louca corrida para salvar o namorado.O roteiro dialoga diretamente com uma das Teses Caóticas apresentadas no artigo de Briggs e Peat. Eles questionam se a vida é simples ou complexa e respondem que as duas opções estão igualmente corretas. “O caos revela que o que parece incrivelmente complicado pode ter uma origem simples, enquanto a simplicidade pode ocultar algo de assombrosa complexidade”. À complexa situação com a qual Lola se defronta, ela escolhe soluções aparentemente simples (como pedir dinheiro emprestado ao pai), mas acaba se defrontando, por exemplo, com o fato de o pai estar tendo um caso com a secretária, o que torna a situação ainda mais intrincada.“Corra Lola, corra” também apresenta que mudanças mínimas no comportamento da protagonista podem ocasionar “ondas” de efeito imprevisíveis para a vida dos demais personagens da narrativa. Entretanto, nesta trama um dos fatores mais importantes é o tempo que se passa entre um telefonema do namorado e sua possível morte ao se encontrar com o chefe criminoso. Para o Caos, o tempo não é linear nem contínuo, mas composto de feixes de minúsculas descontinuidades. Ou seja, existe apenas o tempo presente e é nele que tudo transcorre. E é no tempo presente que Lola vai tomando decisões diferentes à medida que as situações vão se impondo.
“Durante um acidente com risco de vida, o tempo parece ficar suspenso. Os eventos se sucedem em câmera lenta. Temos um estranho mundo de tempo para decidir se devemos frear ou acelerar para escapar a uma possível batida (...). Em momentos de crise, nós nos desligamos temporariamente do tempo mecânico do relógio(...).”
A consciência de que tudo está relacionado, interconectado, e de que somos parte de uma única cadeia, se reflete, invariavelmente, na forma como o ser humano pensa e age no mundo. Todos somos feições de uma consciência coletiva: o agir de uma pessoa ou de um pequeno grupo influenciado pelas pessoas que o integra pode afetar o mundo inteiro de maneira profunda e sutil. Em outras palavras, existe uma solidariedade comum e natural entre todas as partes desse todo. Negar isso é negar o essencial.Postado por Unknown às 18:27 | Sessões: cenas, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Quando a expectativa não codiz com a realidade
22 de novembro de 2012
A cena que escolhi dessa vez faz parte do filme 500 dias com ela: a história de um cara inseguro e apaixonado, que encontra uma namorada filha da puta. Ela ilude esse cara, dando esperanças falsas, que ele, mais idiota impossível, acolhe como se fossem verdade. É uma temática muito adolescente, verdade, mas contada de forma inteligente, em um roteiro divertido e dinâmico. Quem foi o cara que nunca passou por essas e outras na vida? E agora olha pra trás e ri da situação ("Como eu pude ser tão mané?"). No trecho, embalado por música da Regina Spektor, duas situações: a expectativa do cara que foi convidado para o aniversário da agora ex-namorada e é recebido com beijos, bebidas e papo animado vs. a realidade de ver que a fila já tinha andado e a ex, insensível, achou que o cara ia ser o "amiguinho" a comemorar o novo namorado. No início das cenas, há uma metáfora inteligente sobre a qual depois vai se desenrolar todo o trecho: no quadro que equivale à expectativa, o moço aparece descendo às escadas para a casa da moça; no quadro "realidade" ele precisa subir esta escada.Vale dar uma olhada no filme.
Postado por Unknown às 17:08 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Eles já chegaram por aqui
12 de setembro de 2012
Imagina nas Olimpíadas...
Postado por Unknown às 18:17 | Sessões: cenas, música, samba | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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A lição de Hugo Cabret
13 de março de 2012
“Monsieur Labisse me deu um livro. Ele(o livro) tem um propósito. Tudo tem um propósito. Até as máquinas:os relógios dizem as horas;os trens levam a lugares. Servem seus propósitos. Por isso as máquinas quebradas me deixam triste. Não servem a seus propósitos. Talvez seja assim com as pessoas. Perder o nosso propósito é como estar quebrado. Eu imaginava o mundo inteiro como uma grande máquina. Máquinas nunca vêm com todas as peças extras, você sabe. Elas sempre vêm com a quantidade exata de que necessitam. Então percebi que, se o mundo inteiro era uma grande máquina, eu não poderia ser uma parte extra. Eu tive que ficar aqui por algum motivo.”Este é talvez o diálogo mais marcante no filme A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, do diretor Martin Scorsese, que assisti no último final de semana. É um pensamento que Hugo divide com a amiga Isabelle do alto do relógio da estação ao olhar para Paris, em mais uma das bonitas cenas do “filme infanto-juvenil” para adultos.
A fala nem é tão original assim, uma vez que já ouvimos inúmeras vezes em livros, cinema, televisão ou palestras, reflexões sobre “o propósito de cada um de nós no mundo”. Mas se encaixa perfeitamente dentro da metáfora criada para o enredo do filme que conta a história de um menino órfão que trabalhava cuidando das engrenagens dos relógios de uma estação de trem. O que mais marcou, porém, foi a cena real que presenciei na saída da sala do cinema.
Mãe e filha que estavam sentadas na mesma fileira que eu e assistiam empolgadas ao longa, vencedor de 5 prêmios Oscar, acabaram fazendo do diálogo entre Hugo e Isabelle um momento de aprendizado de uma lição. Já durante o filme a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos, fazia perguntas e observações como esta: “Olha mamãe: ele gostou dela e ela gostou dele”, durante a engraçada cena em que o inspetor da estação tenta se aproximar da florista da estação com um sorriso forçado.
Ao sair da sessão a mãe aproveitou a deixa e perguntou à menina: “Você viu filha? Todos nós temos um propósito no mundo.” Ao que a filha indagou: “Onde mamãe?”. “No filme”, respondeu a mãe. A menina lembrou empolgada: “Vi! E qual é o meu propósito, mamãe?”. Deu pra imaginar a ponderação da mãe num desses momentos em que a criança faz uma pergunta difícil, não deu?Depois de uma breve pausa a mãe respondeu: “Você vai descobrir com a vida, minha filha”.
É uma pergunta que geralmente fazemos pela primeira vez lá pelos anos da adolescência e que aquela menina acabou antecipando por causa do filme. E talvez fosse a resposta mais simples e palpável para uma criança.
Mas eu, com essa minha mania de pensar, tentei encontrar uma resposta para A GRANDE QUESTÃO DA VIDA, e eis um esboço: “Você vai procurar e em vários momentos vai acreditar ter encontrado. Mas depois vai ver que aquilo não te basta. Vai encontrar novamente e ficar satisfeito por um tempo. Depois vai acreditar que precisa procurar mais. E vai continuar procurando, talvez pelo resto de sua vida. Provavelmente por que não deve existir apenas um grande propósito, ou ainda, por que o nosso grande propósito no mundo seja a busca constante por um”.Postado por Unknown às 17:30 | Sessões: cenas | 2 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Um filme com ótimos diálogos
16 de dezembro de 2011
Assisti recentemente ao filme ‘Blue Valentine’, obra realista do diretor Derek Cianfrance sobre relacionamentos, que no Brasil recebeu um título oportunista e sem sentido: ‘Namorados para Sempre’. Com Michelle Williams (Cindy) e Ryan Gosling (Dean), a triste película marcou pelos bons diálogos entre seus personagens. Separei algumas frases, diálogos e o trailler do filme:“Os homens esperam a mulher certa chegar e aí então se casam com ela. Mas as mulheres, muitas vezes, desperdiçam a chance de encontrar um príncipe encantado, casando-se com algum cara que tem um bom emprego.” (De um amigo do trabalho do personagem de Gosling, tentando explicar diferenças entre homens e mulheres)“Morrer é para idiotas. Não morra.” (Não me lembro ao certo qual dos dois personagens disse a frase, mas ela demonstra esse sentimento de invencibilidade que a maioria das pessoas tem quando são jovens. É a metáfora para o relacionamento de Dean e Cindy que no início vivem um amor “imortal”, que, porém vai definhando aos poucos até acabar)“Quanta rejeição eu mereço ter?” (Dean para Cindy, num dos momentos mais tristes do filme)“Você já está crescida, então não se divirta.” (Cindy, falando para a filha de 4/5 anos do casal em crise, como quem parece cansada da vida que leva)Diálogo entre a personagem de Michele Willians e sua avó, sobre o amor:- Como posso confiar em um sentimento se ele pode simplesmente desaparecer? -, pergunta a neta.- Acho que você só poderá descobrir, quando tiver este sentimento. -, responde a avó.Diálogo entre o casal na noite em que se conheceram.Dean faz um elogio a Cindy:- As garotas mais bonitas são as mais loucas!Ela agradece:- Gostei desse seu elogio e ofensa ao mesmo tempo. Deixa tudo igual.Na cena do quarto do motel para onde Dean leva Cindy numa tentativa de reatar o casamento desgastado, o melhor diálogo do filme na minha opinião:- Por que você não tem interesse em fazer outras coisas, além de pintar paredes e beber uma cerveja às 8 da manhã? -, pergunta a um perplexo Dean.- O que você quer dizer em fazer outras coisas? Como o quê? -, responde rispidamente Dean.- Como, por exemplo, pintar, dançar, compor, tocar, você tem tanto potencial. Poderia fazer qualquer coisa -, ela diz.- Nada me interessa mais do que estar casado com você e ficar com nossa filha -, explica Dean.- Não posso mais -, reconhece uma sofrida Cindy para um desesperado Dean: - Me diga o que devo fazer! Faço qualquer coisa, mas quero este casamento e não suporto a idéia de Frankie viver com pais separados -, suplica Dean.
Postado por Unknown às 08:33 | Sessões: cenas, frases | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Esqueça o filtro solar?
25 de outubro de 2011
Fica a dica...Postado por Unknown às 19:20 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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O segredo da felicidade e tudo mais...
27 de setembro de 2011
Outro dos grandes filósofos contemporâneos que pensam o mundo atualmente. Aos 86 anos, Zigmunt Bauman está mais lúcido que muitos de nós. Vale assistir até o final para descobrir "o segredo da felicidade".
Postado por Unknown às 20:18 | Sessões: cenas | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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E pro dia dos namorados...
11 de junho de 2011
Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração,
E quem irá dizer que não existe razão...
Postado por Unknown às 06:43 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Lá vem o pato
17 de fevereiro de 2011
Dois divertidos clipes da trilha sonora do filmaço Um grande garoto (leia acima o post sobre os "melhores filmes da minha vida", até o momento). Ps.: Os clipes devem ser vistos na sequência.Postado por Unknown às 19:55 | Sessões: cenas, música | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Centenários
19 de setembro de 2010
Pra não deixar passar em branco aqui n'O 'Vencedor. Um vídeo sobre os centenários de dois "filhos únicos" do samba: Noel e Adoniran. "Seu garçom faça o favor de me trazer depressa" umazinha pra comemorar.
Postado por Unknown às 09:05 | Sessões: cenas, música | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Queda Livre - os 25 anos da minha irmã (assista o vídeo)
5 de junho de 2010
Existem mil e uma maneiras de se comemorar um aniversário. Minha maninha precisou escolher a mais radical delas para celebrar seus 25 anos. Eu não podia ficar fora da festa. E lá fomos: meu cunhado, meus irmãos e eu (para o desespero da mamãe)... 4 mil metros de altitude, velocidade de mais de 200 km/h em queda livre, pouco mais de 6 minutos de vôo, sensação indescritível, visual sem palavras. A experiência foi maravilhosa, até agora não acredito que fiz isso. Da minha lista de "10 coisas que quero fazer antes de morrer", mais um item ticado. Confiram aí o vídeo:
"Pode acreditar, eu sei voar"
Mais informações: http://www.brasilparaquedismo.com.br/
Postado por Unknown às 11:42 | Sessões: cenas | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Faltam 12 dias
27 de março de 2010
Na Copa todo brasileiro vira torcedor (até eu que não gosto muito de futebol).
http://copa2010.ig.com.br/Postado por Unknown às 10:14 | Sessões: cenas | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Esse bota pica-pau, tom, papa-léguas, entre outros, no chinelo
19 de dezembro de 2009
Postado por Unknown às 14:10 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Até quem me vê lendo jornal na fila do pão...
18 de agosto de 2009
..sabe que eu te encontrei.
Postado por Unknown às 19:18 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Diz que fui por aí
24 de maio de 2009
ps.: aí vou eu..
ps2.: muito bom o vídeo
Postado por Unknown às 10:57 | Sessões: cenas | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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