Rss Feed
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
    Mostrando postagens com marcador listas. Mostrar todas as postagens
    Mostrando postagens com marcador listas. Mostrar todas as postagens
  1. Lista - Sambas do Chico Buarque

    22 de dezembro de 2013



    Tem muito mais, eu sei...

  2. Rir é o melhor remédio, já dizia o ditado. E quem faz rir, por consequência, tem a cura para todos os males. Na história, muitos se mostraram especialistas na arte de fazer humor. Da figura do bobo da corte, que encantava reis e rainhas, até os dias de hoje muitas risadas já foram dadas e, atualmente, o humor é um gênero artístico que encanta várias gerações.

    No cinema, na TV, na rádio ou no teatro humoristas, comediantes e palhaços provocam gargalhadas no público. Fazer homenagem a alguns desses nomes com uma lista dos 10 maiores humoristas é homenagear, acima de tudo, este gênero.

    1. Charles Chaplin (foto)
    Charles Chaplin conseguiu unir humor e drama como ninguém na história do cinema. Fazia o público gargalhar e sentir um nó na garganta ao mesmo tempo. Satirizou Hitler e a Revolução Industrial em cenas que ficaram na memória de todos em “O Grande Dirador (1941)” e “Tempos Modernos (1936)”. Chaplin fazia humor sem dizer quase nenhuma palavra, já que é um dos mais representativos atores do cinema-mudo. Uma de suas maiores influências, até hoje lembrada por comediantes em todo o mundo, foi a mímica, colocada na medida em filmes em que tanto atuou, como dirigiu.

    2. Buster Keaton (foto)
    O segundo nome desta lista é considerado por muitos o maior “rival” de Charles Chaplin no cinema-mudo. Keaton fazia humor utilizando as chamadas gags (elementos surpresa) tais como corridas, quedas, fugas, entre outros. O ator ficou conhecido por fazer rir construindo personagens impassíveis, que quase nunca demonstravam feições diferentes diante dos fatos. Por isso, ironicamente era conhecido pelos apelidos de “cara de pedra” e “homem que nunca ri”.

    3. Woody Allen (foto)
    Em filmes de sucesso de crítica e público, Woody Allen criou um estilo próprio de humor sarcástico e inteligente. A narrativa de suas histórias - em que atua, muitas das vezes, dirige e roteiriza - carrega um ritmo dinâmico característico. Em uma atmosfera particular que perpassa toda a sua obra, por meio de uma junção entre trilha sonora, planos de filmagens, cores de cenários e diálogos regados de chavões e lugares comuns que são ditos displicentemente pelos personagens, Allen transforma situações corriqueiras em grandes cenas de comédia.

    4. Groucho Marx (foto)
    É considerado um dos mestres do humor e, na verdade, representa a família Marx, já que seus filmes mais memoráveis foram feitos na companhia dos irmãos Chico e Harpo Marx.  Começou no teatro excursionando os Estados Unidos com o grupo conhecido como “Os Irmãos Marx”. Frases célebres de Groucho Marx ditas em seus filmes, como "Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio" ou “Eu nunca esqueço um rosto, mas no seu caso, vou fazer uma exceção”, são lembradas até hoje.

    5. Jerry Lewis (foto)
    Parceiro de Dean Martin em suas primeiras e mais conhecidas aparições, Lewis começou no teatro já inovando: ele, como o palhaço, e Martin, como o sério, interagiam e improvisavam no palco, quase sempre saindo dos roteiros pré-estabelecidos. As caretas, tiques e piadas de Jerry Lewis fizeram história também na música, na rádio e principalmente no cinema, onde ficou conhecido do público no mundo todo. “O Mensageiro Trapalhão”, “O terror das mulheres”, “O professor aloprado”, estão entre alguns de seus muitos filmes. Sucesso absoluto nas gargalhadas, Lewis virou também personagem de gibi e de desenhos animados.

    6. Peter Sellers (foto)
    Exemplar do genuíno e original humor inglês, Peter Sellers ficou conhecido pelo seu personagem o Inspetor-chefe Clouseau, da série “A Pantera Cor-de-Rosa”.  O humor inglês de Sellers influenciou comediantes atuais, como Rowan Atkinson (o eterno Mr Bean, que só não entrou nesta lista por falta de espaço!), já que seu humor era caracterizado pelas expressões corporais e faciais. Ele conseguia transformar sua presença física em algo patético e por isso fazia rir tanto.

    7. Jacques Tati (foto)
    O célebre ator frânces é outro exemplar do humor através da “pantomima”, ou seja, o teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e o maior uso de gestos através da mímica. É a arte de narrar com o corpo. E Tati fazia isto como ninguém em filmes como “Carrossel da Esperança(1948)” em que consegue transmitir humor através de cenas singelas e comoventes. Em “As Férias do Senhor Hulot (1953)” criou o famoso personagem de chapéu, guarda-chuvas e cachimbo que seria considerado o álter ego do ator.

    8. Jim Carrey (foto)
    Representando a nova safra de comediantes, Jim Carrey é o retrato dos atuais humoristas: começou no stand-up comedy, em um clube de comédia em Toronto, no Canadá; passou por testes em shows de comédia na televisão americana; e, finalmente, alcançou o sucesso com personificações originais nos cinemas. São dele os personagens que depois virariam também desenhos animadas, brinquedos e video-games, como “Ace Ventura(1994)” e “O Máscara (1994)”, este último seu maior sucesso na comédia até hoje. No filme Debi & Lóide revive um pouco da história das grandes duplas de comediantes. Suas expressões faciais e seu humor escrachado e, por vezes, politicamente incorreto, são a marca que arrasta bilhões de pessoas para assistirem a cada nova produção cinematográfica em que atua.

    9. Roberto Bolaños (foto)
    A longevidade dos personagens criados pelo ator, diretor e roteirista mexicano Roberto Bolaños fez com que pessoas das mais diferentes gerações rissem com suas histórias. Criador de Chaves, Chapolin e Chespirito, Bolaños é um dos atores que mais ficou no ar na história da televisão com um mesmo personagem (no caso o Chaves, um menino órfão que vive dentro de um barril em uma vila). Seu humor infantil, e recheado de chavões originais, leva famílias inteiras a assistirem e amarem os personagens de suas séries.

    10. Grande Otelo (foto)
    Entre os humoristas brasileiros, Grande Otelo é o que melhor personifica o jeito de fazer comédia no Brasil. Seu humor escrachado percorreu desde a chanchada até o cinema novo, movimentos cinematográficos brasileiros. Nos filmes em que fazia dupla com outro gênio da comédia brasileira, Oscarito, Grande Otelo fez “rir até chorar”. Além da extensa cinebiografia brasileira, participou também do inacabado "It’s all true", do diretor americano Orson Welles (que considerava Otelo o maior ator brasileiro). Um de seus últimos personagens ficou conhecido pelos bordões "Aqui! Qui queres? e "Faiô!", na Escolinha do Professor Raimundo, programa de outro grande comediante brasileiro, Chico Anysio.

    Artigo que fiz para o escrever.com

  3. A música cantada e tocada na língua inglesa está tão ou mais presente na vida dos brasileiros quanto a música de nossos conterrâneos. Muito por conta de um processo histórico de aquisição de cultura pelo nosso país, que sempre recebeu entusiasticamente “de fora” manifestações artísticas diversas. Especificamente a música de raízes anglo-saxônicas, por sua vez, ganhou força nos moldes atuais, mais expressivamente em decorrência de um processo de expansão cultural norte-americano a partir de meados do século passado (também por influência de uma pressão político-ideológica da época).

    O fato é que, para muitos brasileiros, a música cantada em inglês soa com muito mais fluidez aos ouvidos do que canções lusitanas, por exemplo. Em geral, nossa geração atribui qualidade superior aos sons da Billboard. Sou um apreciador declarado da música tupiniquim e procuro entrar em contato com músicas de outras línguas, que não a inglesa, sempre que possível. Mas ao sintonizar nossas rádios – uma das formas que tenho de ficar “antenado” no que está acontecendo no mundo da música –, a predominância anglo-saxã é evidente.

    De tempos em tempos, entre centenas de pops pasteurizados e outros milhares dances contagiantes (e uniformes), surgem sons que me chamam atenção pelo inusitado, pela possibilidade de ser algo inovador (ainda que, no fundo, nem seja tão novidade assim) e fora das fórmulas para o “sucesso garantido”. Tem sido assim com um som que sempre me chamou a atenção e recentemente descobri se tratar da música Folk (da palavra folclórica mesmo), atualizada em Folk-Rock ou Folk-Pop.

    Um dos expoentes e responsáveis por influenciar este estilo é Bob Dylan, um dos grandes  músicos norte-americanos, que despontou para o sucesso na década de 1960, e cuja música carrega influências de Blues e Country. 

    (Ouça alguns dos clássicos do Folk-Rock de Dylan enquanto lê este post, para você saber do que estou falando!).


    Recentemente, conseguiu espaço nas rádios brasileiras (sem grandes destaques) a banda The Lumineers, de Nova Jersey, que lançou álbum homônimo de estreia em 2012. Além da contagiante canção “Ho Hey”, sucesso que garantiu ao grupo estar listado entre as 10 maiores vendas nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido no ano passado, o disco traz outras pérolas musicais, como “Stubborn Love”, “Submarines”, só pra citar algumas entre tantas. 

    (Continue ouvindo, agora o som dessa banda, e veja se não é realmente diferente e bom de ouvir)


    Entre outras bandas que fazem sucesso relativo dentro do universo deste rótulo musical estão a Mumford and Sons, esta inglesa de Londres, muito querida entre os brasileiros que gostam de descobrir música pela internet. Outros que chamam a atenção são os americanos do  Vetiver, grupo com ótimas canções, entre elas a quase country “Hook e Ladder” ou a pop “More of this”.

    Folk à moda brasileira

    No Brasil, o Folk também influenciou bandas do chamado universo “indie”, que ganhou a cena musical nos últimos anos com o crescimento da relevância da internet como difusora cultural. Música brasileira com referências anglo-saxônicas ou música de língua inglesa cantada em português – vai depender do grau de crítica que seu ouvido faz à músicos nacionais que bebem da fonte estrangeira –, o Vanguart é o maior expoente nacional desse gênero atualmente (num passado não muito distante, podemos considerar o som de Raul Seixas e Mutantes, com alguma proximidade com o estilo de Dylan).

    Desde os primeiros acordes da banda, passando pelo primeiro disco “Vanguart”, lançado em 2007 (cantado parcialmente em inglês), até o mais recente e ótimo "Boa Parte de Mim Vai Embora", de 2011 (este predominantemente em português), a influência do Folk-Rock é evidente. Em canções do primeiro - como “Semáforo” , “The last time I saw you” - ou do segundo – mais rock com “Se tiver que ser na bala, vai”, mais melancólico em “Nessa cidade”, ou flertando com referências latinas em “Mi vida eres tu” – encontramos o Folk à moda brasileira.

    O estilo, como remete a própria raiz etimológica da palavra - resultado da sabedoria popular (folk lore) -, era a música feita fora dos círculos da alta cultura urbana. Em nossa aldeia global, o Folk-Rock/Folk-Pop também corre às margens dos holofotes do 'mainstream'  (ou aportuguesando a expressão: indústria cultural), e, apesar de ter algumas exceções radiofônicas, ainda é propagado, sobretudo, por meios alternativos de difusão cultural. 

    Ouça outra lista variada com bandas citadas neste post, e outras que não foram:

    https://soundcloud.com/gabriel-araujo-16/sets/folk-rock-e-folk-pop

  4. Como bem escreveu Daniel Brazil em artigo publicado na eletrônica Revista Música Brasileira, dá pra encher um pen drive com gente talentosa entre os novos músicos da nossa MPB. Dá pra encher outro com músicos e bandas sem muito a acrescentar, mas sobre esses não vale a pena escrever uma linha sequer, apesar de ter perdido algum tempo ouvindo neste ano de 2012. É que falam tanto da “nova cena” e colocam todos em um patamar “indie” de “música boa” que acabo ficando curioso. Concordo com o senso comum que diz “música é gosto”, e por isso, pro meu gosto tem muita coisa sem relevância que veio pra passar, não pra ficar.

    É por isso também que nunca deixo de lado as obras musicais antigas, aquelas que já ficaram, deixaram sua marca inconfundível na música brasileira e influenciaram gerações. Gente muito boa que, por não ter sido eu contemporâneo de seu surgimento no cenário musical, acabei perdendo, e por isso “corro atrás” por gostar de música. Dos que vieram pra ficar ou já ficaram (na minha opinião de ouvinte atento), fiz uma lista com aqueles que descobri em 2012, em trabalhos novos ou antigos, mas que embalaram meus ouvidos ao longo do ano.

    Tulipa Ruiz – “Tudo tanto” é o nome do segundo álbum dessa promissora cantora (e desenhista) que emprega em sua voz e interpretação um tom lírico, mas ao mesmo tempo contemporâneo. Foi primeiramente lendo notícias sobre este, de 2012, que cheguei ao álbum de estreia da artista “Efêmera”, de 2010, que trás tesouros como a faixa título, ou a viciante e pop “Às vezes”. O disco novo, mais experimental que o primeiro, também “É” “Ok” (pra citar duas de suas melhores faixas), apesar de menos palatável.

    Thaís Gulin – Das muitas cantoras que aparecem todos os anos, nem todas coloco num patamar que considero “bom”. Entre as que valem a pena ouvir de perto, está Thaís Gulin, que alguns preconceituosos estão achincalhando pelo simples fato de ser “a namorada de Chico Buarque”. Seu som que mistura várias sonoridades e estilos musicais é original. Ela mereceu o título de “musa” do mestre Chico, não apenas pelos seus dotes físicos, mas sobretudo pelo talento evidente. O álbum de estréia “ôÔÔôÔÔôô” é boa MPB do início ao fim.

    Chico Buarque  Entre os vários artistas citados nesta lista, muitos deles são declaradamente influenciados por este poeta, escritor, cantor, compositor e “peladeiro”. Apesar de conhecer muitas de suas músicas (quem não conhece pelo menos uma), nunca tinha me dedicado tanto em ouvir sua obra. Redescobrir Chico Buarque foi prazeroso. A começar pelos seus sambas, os quais compõe com maestria, passando por álbuns mais recentes como “Chico” e “Carioca”, entre outros, fiquei impressionado em ouvi-lo dividindo o microfone com Caetano Veloso, no álbum “Juntos e Ao Vivo” de 1972.

    A Tribute to Caetano Veloso – Por falar no tropicalista, um dos melhores álbuns de 2012 foi a coletânea da Universal Music em comemoração aos seus 70 anos de idade completados este ano. Artistas brasileiros e de outros países como Marcelo Camelo, Jorge Drexler, Miguel Poveda, Seu Jorge e Beck, se uniram para cantar alguns clássicos e vários “lados B” de Caetano. É um disco pra redescobrir parte da vasta obra do cantor em interpretações e arranjos bem diferentes dos originais. Destaque para “London, London”, a música do exílio, com os Mutantes, “You Don’t Know Me”, com o grupo britânico The Magic Numbers, e a contagiante versão de Céu para “Eclipse Oculto”.

    Emerson Leal – Não parou de tocar no meu som nesses últimos meses do ano o álbum desse cantor de Salvador. “Emerson Leal é o nome dele”, disse Chico Buarque há um ano atrás sobre o cantor, prenunciando o lançamento de um álbum de estreia cheio de pérolas musicais. Repito “(o que é que te deu) De repente” algumas vezes quando ouço o disco, que traz composições em parceria com Tom Zé (“Círculo”) e Luiz Tatit (“Das dores e das flores” e “Coisa Perene”).

    Paulinho da Viola – Foi no primeiro dia do ano de 2012 que copiei pro meu pen drive parte da obra desse grande nome do samba brasileiro. Um amigo me passou, e passei o ano entre “Coração Leviano”, “Para ver as meninas”, “Onde a dor não tem razão”, “Coração da gente”,... Não é atoa que o compositor de “Foi um rio que passou em minha vida” é um dos preferidos dos novos cantores de samba Brasil afora.

    Céu – Confesso que não conseguia ouvir um CD inteiro de Céu (há músicas muito experimentais pro meu gosto). Mas é dela a voz que sempre considerei a mais original entre as cantoras da nova safra da MPB – não encontrei ninguém que soasse parecido. Pra ouví-la sempre pegava as mais sonoras de cada um dos discos da cantora e misturava em uma pasta do pendrive, pra ouvir no carro. Sempre estiveram lá “10 contados”, “Malemolência”, “Vira-Lata”, “Bubuia”, “Samba na Sola”, entre outras. Com o CD novo, "Caravana Sereia Bloom", a coisa mudou. A moça encontrou o tom e fez, sem dúvida, o seu melhor trabalho até aqui. Destaque para todas as canções!

    O Baile do Simonal – Contagiante do início ao fim, o álbum de 2011 realizado por Max de Castro e Simoninha, filhos de Wilson Simonal, foi sem dúvidas o mais tocado este ano no meu "radinho". Os arranjos dançantes que abusam dos naipes de metal dão o tom à merecida homenagem ao controverso artista. Se revezam no palco, além dos filhos do cantor, Seu Jorge, Péricles e Thiaguinho, Maria Rita, Frejat, Diogo Nogueira, Martinália, Caetano Veloso, Fernanda Abreu, Lulu Santos e Marcelo D2, entre outros. “Champignon com caviar” à moda brasileira!

    Mallu Magalhães – Há um ano atrás não cogitaria colocar Mallu Magalhães em nenhuma lista de melhores músicas  que eu fizesse. Mas aí veio o álbum Pitanga, lançado no final de 2011, uma mostra do amadurecimento da cantora. Costumava dizer que a música de Mallu era “chatinha”. A influência do marido, Marcelo Camelo, que produziu o álbum, deve ter sido decisiva para este salto de qualidade na música da cantora. Ficou mais brasileiro, mais melódico, com influências de samba, bossa, porém não descaracterizou as referências de Mallu Magalhães, do folk e do country americanos.

    Maglore – Também de Salvador vem o exemplar ‘rock’ da minha lista. Conheci só agora o álbum “Veroz” lançado em 2011 pela banda de pegada BritRock e referências de MPB. Chegou aos meus ouvidos pelo poderoso “boca-boca” da internet e ficou entre as minhas preferências. Destaque para as canções “À vezes um clichê”, “Despedida”, “Enquanto sós” e “Pai mundo” (esta, uma mistura de rock e samba-marchinha ao bom estilo Los Hermanos).

  5. Entre os músicos da geração do rock Brasil 80, um dos que talvez mais dialogue com a geração que ouve músicas pela internet é Leoni, o ex-líder da banda Kid Abelha e, à época, os Abóboras Selvagens. O cantor tem renovado sua base de fãs Brasil afora turnê após turnê, mesmo sem grande exposição na mídia, ajudado pelo compartilhamento de conteúdo pelas mídias sociais.

    Prova disso foram parcerias recentes de Leoni com duas das bandas que mais fazem sucesso entre os apreciadores da “música digital” (no sentido de disponibilização, não no sentido da composição). Com Móveis Coloniais de Acaju “refez” a música “Você” que mudou de nome para “Dois Sorrisos”, num esquema de composição que foge do usual.

    Sobre como surgiu o projeto com o Móveis, Leoni afirma em seu blog: “Sei que trocamos mensagens pelo Twitter sobre música livre, ou direitos autorais, sei lá – compartilhamos muitas ideias nesses campos -, e em determinado momento escrevi que devíamos fazer alguma coisa musical um dia. Para minha surpresa esse convite não passou batido. Um dia recebi uma canção quase pronta, que se chamava “Você”. Era bem bacana, mas os Móveis não estavam convencidos de que ela estava pronta. Eles me pediram para ouvir e ajudá-los a arrumar. Isso tudo por e-mail, sem nunca termos nos visto, nem falado ao telefone.”

    A canção acabou sendo lançada numa promoção on-line de Dia de Namorados de uma grande empresa distribuidora de alimentos, com um clipe que tem até pedido de casamento real, depois de um processo de composição praticamente todo feito pelo Skype, Google Doc’s e outros aplicativos de internet.

    Não foi diferente a parceria com Daniel Santiago e Fernando Anitelli, da trupe O Teatro Mágico, com quem Leoni compôs e cantou “Nas margens de mim”, música do terceiro álbum da banda. Também em seu diário virtual, Leoni afirma que a música, que tem influências que vão do Clube da Esquina (Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento, ...) ao poeta Manoel de Barros, foi composta digitalmente. A bela canção tem trecho que parece caber bem ao processo de mudança na concepção musical a que Leoni tem se submetido: "Me desaprendi".

    - A canção surgiu de uma melodia do Fernando com retoques do Daniel. Eu recebi a base e remontei o formato da canção. Foram uns dois e-mails de cada lado até batermos o martelo na versão final. Depois de gravada a base ele me mandou uma versão com os espaços onde eu deveria cantar. Fiz uma gravação de voz e a enviei por e-mail -, conta ele sobre o processo.

    Para completar, o cantor é também um dos que tem se engajado nas discussões sobre os desafios do mercado fonográfico com a possibilidade de compartilhamento de arquivos musicais em formato digital. Além de seu blog “Diário de Bordo”, sobre a carreira musical, ele mantem outro (musicaliquida.blogspot.com.br) com textos que expressam sua opinião e a de outros sobre o debate.




    A parceria com o Móveis, que funcionou como um cartão virtual de dia dos namorados

    A bela composição com o TM: letra diz muito sobre a condição humana

  6. Panela do samba

    4 de março de 2012

    Escrevo este post ouvindo uma boa seleção de um canal do youtube. Ao ver e ouvir os vídeos notei que todos os artistas deste estilo parecem se conhecer, pois em algum momento eles se encontram pra cantar alguma coisa juntos. Os velhos sambistas recebem os velhos amigos, ou abrem a "casa" pra jovens no estilo. Os jovens estão sempre fazendo alguma parceria, compondo uns pros outros, cantando em shows e dvd's. Todos estão sempre, de alguma forma, homenageando aqueles sambistas que já morreram. É uma grande panela onde até se misturam outros estilos: rockeiros, artistas da mpb e do axé estão sempre se infiltrando e fazendo alguma parceria. Por essas e outras que na minha lista de belos duetos da música brasileira não podia faltar o samba. Parece que ele existe mesmo pra reunir as pessoas.


























  7. Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo fazem parte de uma das bandas mais influentes dos últimos 15 anos. Los Hermanos é referência para várias bandas e cantores da cena musical atual. Fazem parte do início do cenário de propagação cultural pelas redes sociais sem a intermediação da grande mídia. O boca a boca da internet.

    Mas o que Los Hermanos tem a ver com Duetos e Parcerias? Explico. É que para os fãs da banda (para os fãs! Não para a banda) sempre existiu uma diferenciação nítida entre os dois Hermanos. É como se houvesse duas bandas distintas em uma só. Quantas vezes estes mesmos fãs não se pegam debatendo quem é o melhor: Amarante ou Camelo? Quais são as melhores músicas: as de um ou as de outro?

    Para quem gosta do som é fácil distinguir quando algo tem a mão desse ou daquele. Eles são diferentes. O jeito de cada um de conceber música também é diferente. Tanto que saíram para projetos solo tão distintos um do outro. Porém, nos projetos solo, apesar de muito bons, fã que é fã sentiu que faltava alguma coisa.

    Isto porque, é a parceria entre os dois que faz da banda o que ela é. Musicalmente, Amarante e Camelo se completam e fazem o som dos Hermanos soar tão bem e atingir tantas pessoas. E formar uma legião de fãs tão “fiéis” e “dedicados”. Não digo que os outros integrantes não sejam importantes para a banda, mas é a personalidade forte dos “líderes” que faz a marca Los Hermanos tão singular.

    É por isso que eles figuram na minha lista de belos duetos/parcerias da música. Escolhi uma canção em que os dois cantam juntos - algo difícil de encontrar, pois a divisão é tanta que quase nunca dividem os vocais. A canção Lisbela é um xote gostoso, composto por Caetano Veloso e José Almino para o filme Lisbela e o Prisioneiro.



    Eu quero a sina de um artista de cinema
    Eu quero a cena onde eu possa brilhar
    Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
    Um beijo imenso, onde eu possa me afogar
    Eu quero ser o matador das cinco estrelas
    Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
    A Patativa do Norte, eu quero a sorte
    Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
    Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
    Sem sair do meu lugar
    Pra me danar, por essa estrada, mundo afora, ir embora
    Sem sair do meu lugar
    Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho
    Moça donzela, mulher, dama, ilusão
    Na minha vida tudo vira brincadeira
    A matinê verdadeira, domingo e televisão
    Eu quero um beijo de cinema americano
    Fechar os olhos fugir do perigo
    Matar bandido, prender ladrão
    A minha vida vai virar novela
    Eu quero amor, eu quero amar
    Eu quero o amor de Lisbela
    Eu quero o mar e o sertão
    Eu quero amor, eu quero amar
    Eu quero o amor de Lisbela
    Eu quero o mar e o sertão

  8. Zé e Paulinho

    31 de janeiro de 2012

    Quando o assunto é fazer um bom dueto, Marisa Monte é professora. Desde o início de sua carreira que a cantora nos brinda com belos encontros musicais. Velha Guarda da Portela, Novos Baianos, Ed Motta, Adriana Calcanhoto, Renato Russo, David Byrne, e os tribalistas Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, com quem ela tem um CD e mais uma lista de músicas espalhadas por projetos isolados e álbuns.

    Mas são os encontros com Paulinho da Viola que têm proporcionado os melhores momentos desta grande artista. É o encontro do samba elegante de Paulinho com a voz brilhante de Zé (o apelido de Marisa), interpretando músicas que são poesia pura.

    Nesta seleção, trechos dos documentários "O Mistério do Samba" e "Meu Tempo é Hoje":








  9. Os acústicos

    26 de janeiro de 2012

    A fórmula já é conhecida e batida. Uma banda decadente (ou não) do rock Brasil dos anos 80 grava seus antigos sucessos em versões acústicas, com instrumentos sofisticados. Chama uma meia dúzia de convidados para cantar junto e pronto: sucesso de vendas e, às vezes, um novo fôlego pra carreira.

    Alguns desses acústicos acabaram proporcionando encontros memoráveis que valem a pena ser citados na minha lista. Um deles é o da banda paulista Ira! com a roqueira baiana (!) Pitty. O Ira! é um grupo que definitivamente não faz a minha cabeça. Melodias muito pesadas, letras com temática urbana ao extremo e um vocalista mediano. Tem o Edgar Scandurra, que é uma exceção, com uma das melhores guitarras da música brasileira. Mas com Ira! a coisa não funciona (a banda anunciou seu fim em 2007).

    Pitty é das poucas roqueiras da atualidade que conseguiram fazer sucesso no mainstream. Foi considerada por Lobão, a última cantora (até então, em 2011) com a atitude genuinamente rock ‘n’ roll. Provavelmente ele estava falando da característica “revoltadinha” da baiana que desde o início de sua carreira vem quebrando alguns paradigmas (o fato de ser uma cantora baiana é talvez o maior deles). Das letras com tom de rebeldia, como faziam os roqueiros à moda antiga. E claro, das características, digamos, físicas de uma verdadeira rockstar: maquiagem forte, roupas de tons escuros e alguns metais e tatuagens pelo corpo.

    O fato é que essa música, Eu quero sempre mais, cantada junto com Pitty salva o álbum acústico do Ira! A letra é boa, a voz e interpretação da moça são ótimas, e a junção com a voz regular de Nazi soou muito bem. Fez com que essa canção figurasse entre as mais tocadas no ano de 2005 (ECAD) e até hoje bem executada em rodas de viola por aí.




    Outros bons encontros saídos dos acústicos:

    Rita Lee e Milton Nascimento – Mania de Você





    Kid Abelha e Lenine – Na rua, na chuva, na fazenda





    Gal Costa e Zeca Baleiro – Vapor barato/Flor da pele





    Sandy e Júnior (!) e Marcelo Camelo – As quatro estações (nunca pensei que citaria essa dupla infantil em uma lista de boas canções, mas com a participação de Camelo o negócio funcionou muito bem)





    Titãs e Fito Paez – Go Back






  10. Resolvi criar nova lista de canções. Dessa vez com os melhores duetos e parcerias musicais da minha playlist. Um dueto ou uma parceria é a reunião de músicos por vezes tão distintos, por vezes tão semelhantes, que transformam músicas já bonitas, em momentos memoráveis e únicos. Às vezes bastam dois banquinhos, um violão para que aquele instante de sintonia se materialize numa obra inesquecível para nós.

    Pra começar, não poderia ser diferente. A música se chama "Dueto", é de Chico Buarque, cantada por ele e Paula Toller (do Kid Abelha), num especial exibido pela Band, em 1985. Letra que fala da parceria no amor, inteligente como só o Chico sabe fazer. Exemplo de junção de dois universos musicais totalmente diferentes, que quando reunidos, conseguem deixar as diferenças de lado. A própria Paula fala desse embate, que ela considera burrice:

    "Recebi a fita com a música que era difícil. O nome dela era Dueto e ele costumava cantar com a Nara Leão. Eu tive duas horas para decorar a música. Melodia difícil, aquelas coisas do Chico cheias de palavras parecidas, mas todas diferentes. Cheguei lá, esperei à beça, chegou na hora de apresentar, ele olhava prum lado e eu pro outro. Ele é supertímído, eu então nem se fala. Depois ficamos tocando violão, tomando vinho, comendo pão com queijo, foi ótimo. Repito, essa história toda de verdadeira MPB versus roqueiros ou popeiros sem talento e embromadores é cascata e burrice."

    O resultado é um belo encontro de gerações musicais. Dá pra reparar que a timidez foi a tônica da parceria pelos olhares furtivos de Chico e Paula, mas que fazem todo o charme da cena. Quase sem jeito com a presença um do outro, mas com profissionalismo evidente. Destaque para a voz da Paula no início da carreira – fase em que sua afinação e timbre eram bastante criticados – e que aqui ficou doce e afinadíssima numa música cheia de nuances sutis.




    Dueto
    (Chico Buarque)

    Consta nos astros, nos signos, nos búzios
    Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
    Serás o meu amor, serás a minha paz
    Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
    Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
    Serás o meu amor, serás a minha paz
    Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
    Mas se o destino insistir em nos separar
    Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
    Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
    Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
    Se dane o evangelho e todos os orixás
    Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz

    Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
    Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
    Serás o meu amor, serás a minha paz
    Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
    Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca

  11. "Pra lá de pra frente" é Roberta Sá, cantora que ganha o primeiro lugar na minha lista de músicas pra dividir. Ela diz preferir ouvir ou ler em críticas que é "ótima" ao invés de "bonita". Pra mim é os dois.

    Foi realmente um achado prazeroso a recente obra dessa ótima e bonita cantora e compositora da nossa música. Além de regravar vários nomes consagrados da MPB, essa moça compõe que é uma beleza.

    Roberta Sá foi eliminada do Fama (programa da rede Globo), mas conquistou a fama. Ela, porém, não precisa ser famosa. Pois é artista, de verdade!

    Em parceria com o marido Pedro Luís - dos grupos musicais Monobloco e Pedro Luís e a Parede - ela fala sobre o tempo na bossa novíssima "Janeiros", sua primeira composição: Já passaram dias, inteiros/Janeiros, calendário que nunca chega ao fim/Início sim e só recomeçar.

    Tem uma "lista" de novos compositores que parecem escrever sobre medida pra ela como, por exemplo, Carlos Rennó (autor de "Fogo e Gasolina"), Moreno Veloso e Quito Ribeiro (de "Mais Alguém") e o próprio Pedro Luís.

    Entre as regravações, músicas que consegue transformar em novas, ela tem um "favorito": Chico Buarque. É dele a música escolhida para abrir esse texto, "Essa moça tá diferente". Parece que foi feita pra ela. De Chico, Roberta também transforma "Pelas Tabelas" e canta, em dueto com o próprio compositor, a ótima "Mambembe".

    Canções antigas parecem contemporâneas quando cantadas por ela. Roberta Sá tem essa capacidade com sua voz doce, poderosa, afinada e marcante. Inesquecíveis regravações de Dona Yvonne Lara em "Cansei de esperar você" (transformado em um novo bolero), Dorival Caymi em "A vizinha do lado" (cuja letra remonta à própria Roberta que consegue "mexer com o juízo do homem que vai trabalhar", com todo respeito).

    Poderia ficar escrevendo sobre suas canções, em pouco tempo já inesquecíveis pra mim, por mais uns 10 posts. Mas prefiro sugerir que confiram vocês mesmos o repertório fora de série de Roberta Sá.

    Duas de minhas favoritas:




  12. 2º lugar - Hoje é dia de Maria

    18 de agosto de 2011

    Hoje é dia do talento “genético” dessa cantora que parece ter notas musicais ao invés de substâncias químicas em seu DNA. Hoje é dia da minha simpatia, quase amor, por essa grande intérprete da nossa música.

    Já devem ter sacado das entrelinhas que falo de Maria Rita. A pequena Maria Rita, com voz de gigante, que passou por cima de preconceitos de alguns sobre sua filiação e semelhança natural com a mãe Elis Regina. Pseudo-críticos que quiseram depreciar o talento da moça com comparações de que “ela não canta como Elis”, “ela tenta imitar a mãe”.

    Até posso entender essas afirmações, uma vez que sempre tentamos preencher o espaço deixado por artistas que nos atordoam vez ou outra com talento e força incomparáveis.

    Maria provou, no entanto, que veio pra fazer a diferença e ocupar um espaço que é só dela. A herança musical dos pais da moça - o pai, César Camargo Mariano, também é músico - deve ter ajudado, mas principalmente no despertar da sensibilidade musical que pode ser estimulada pelo ambiente no qual a pessoa vive ou viveu.

    Mas o talento, o dom que vem não sabemos de onde, Rita tem e é só dela. Voz, carisma, simpatia, beleza ao mesmo tempo simples e estonteante, timbres, musicalidade no corpo (assistam ao DVD Samba Meu para saber do que estou falando!).

    Maria Rita canta novos e velhos compositores. De Rita Lee à Marcelo Camelo, de Milton Nascimento à Moska, ela faz bonito sempre que abre a boca diante de um microfone. Surpreendeu ao soar tão bem em experiências musicais inovadoras, como as cheias de referências de diferentes estilos de Marcelo Falcão e a banda O Rappa.

    Encantou quando cantou sambas de todas as épocas em seus trabalhos mais recentes. Contribuindo para desbancar um pouco o preconceito que ainda persiste em excluir da mpb compositores sambistas talentosos da nossa MPB como Arlindo Cruz, entre outros.

    À Maria Rita minha homenagem rasgada de elogios.




    Num corpo só
    Picolé/Arlindo Cruz

    Eu tentei, mas não deu pra ficar sem você
    Enjoei de tentar
    Me cansei de querer encontrar
    Um amor pra assumir seu lugar

    É muito pouco,
    Venha alegrar o meu mundo que anda vazio, vazio
    Me deixa louco
    É só beijar tua boca que eu me arrepio,
    Arrepio, arrepio

    E o pior
    É que você não sabe que eu
    Sempre te amei
    Pra falar a verdade eu também
    Nem sei
    Quantas vezes eu sonhei juntar
    Teu corpo, meu corpo
    Num corpo só


    Vem!
    Se tiver acompanhada, esquece e vem
    Se tiver hora marcada, esquece e vem
    Vem!
    Venha ver a madrugada e o sol que vem
    Que uma noite não é nada, meu bem

  13. O jovem jornalista não tinha nada melhor pra fazer naquela noite fria de meados de 2009, em Juiz de Fora (MG). Fora a boa aula de um professor da pós sobre ferramentas de marketing, por aquele dia não havia passado nada de interessante e parecia que terminaria assim, sem mais. Assim que foi convidado por um grupo de amigos jornalistas do curso pra ir até um show que aconteceria no pátio central do campus da Universidade aceitou de pronto.

    Pronto para ouvir músicas que não conhecia e tomar umas cervejas enquanto trocava idéias com os colegas até a noite acabar e a madrugada chegar. Acabou chegando mais perto do palco para ver, admirado, a apresentação daquela nova trupe. Admirável novidade foi a poesia que entrou em seus ouvidos em forma de notas musicais, malabarismos, acrobacias em uma encenação mágica e teatral.

    O Teatro Mágico declamava suas músicas que pra ele se tornaram hinos de um momento ímpar na sua vida. Vital e momentaneamente tudo fazia muito sentido ao ouvir as letras de Anitelli que parecia que haviam sido escritas por ele (as músicas que ele queria ter escrito estavam ali, se poeta fosse). Não fosse a trupe do TM talvez não tivesse começado a se interessar por sons diversos que hoje divertem seus ouvidos.

    Inadvertidamente, fazia toda a diferença estar ali naquele momento, num dia que até então seria tão corriqueiro, mas que acabou deixando sua marca. Deixo vocês com o 3º lugar na minha lista de músicas pra dividir, aguardando o próximo ato deste espetáculo que já está por vir.



    O que se perde enquanto os olhos piscam

    O Teatro Mágico

    Pronde vai?
    Toda tampa de caneta?
    Todo recibo de estacionamento?
    Todo documento original?
    Isqueiro, caderneta,
    A camiseta com aquele sinal...
    Pronde vai... toda palheta?
    Pronde foi... todo nosso carnaval?
    Pronde vai?
    Todo abridor de lata?
    Toda carteira de habilitação?
    Recado não dado, centavo, cadeado?
    Todo guarda-chuva!
    Pra fuga pro temporal!
    Pronde vai... o achado, o perdido?
    Eu não sei, veja bem...
    Não me leve a mal...
    Pronde vai?
    Todo outro pé de meia,
    Carteira, brinco e aparelho dental?
    Pronde vai... toda diadema?
    Recibo, receita e o nosso enredo inicial?
    Pronde vai?
    Toalha de acampamento,
    Presilha, grampo, batom de cacau
    Elástico de cabelo
    Lápis, óculos, clips, lente de contato?
    A nossa má memória!
    A denúncia no jornal?
    Pronde vai... aliança, chaveiro, chave, chinelo?
    E o controle pra trocar canal
    Pronde vai?
    O solo que não foi escrito?
    Labareda nesse labirinto,
    O instinto, o reflexo, sem seguro
    O coro do socorro! o lançamento oficial!
    Pronde vai... a culpa da cópia?
    Pronde foi... a versão original!?
    Pronde vai?
    A bala que se disparô?
    O indício do vício que disseminou
    A busca do corpo por algo vital?
    A firmação do pulso! o discurso radical!
    O troco em moeda... a lição da queda
    Pronde foi... nosso humor e moral?
    Pronde vai? todo nosso desalento
    Morre brisa nasce vendaval
    Pronde vai a reza vencida pelo sono
    Ela vale? me fale... me de um sinal!

    São Longuinho
    Me fale me de um sinal!

    Pra onde foi?
    O canhoto, benjamim de tomada
    Simpleza, prudência, clareza... consideração!
    Autenticidade, compaixão, certeza... o perdão
    A urgência, carrega a dor de bateria,
    O extrato, a ponta, a conta nova, a cola e a extensão,
    O estímulo,o exemplo, a voz dissonante...
    A coragem do meu coração!

    São Longuinho, são Longuinho
    Me fale me dê um sinal!
    São Longuinho, são Longuinho
    Pra onde foi?
    A coragem do meu coração!



  14. 4º Lugar - Uma roda de samba

    27 de julho de 2011

    Minha carne é de carnaval, meu coração é igual...

    Da mesma leva de novos sambistas, o grupo Casuarina surpreendeu pelo talento e originalidade. Um grupo de amigos da faculdade de música se reuniu pra tocar clássicos do gênero. Ganharam os bares da Lapa, no Rio de Janeiro, e depois o Brasil. Têm inclusive sambas autorais e duas vozes talentosas puxando a roda: João Cavalcanti e Gabriel Azevedo.

    Entre ziriguiduns e balacobacos pelo Brasil e pelo Mundo, já se vão quase 10 anos de banda. O Casuarina gravou dois CDs pela gravadora Biscoito Fino e recentemente o MTV Apresenta, DVD que tem boas participações de Moska, Roberto Silva, Moinho, Wilson Moreira e Frejat. Com um som que passa também pelo choro, eles fazem samba como os grandes do gênero.

    Aí vai a minha preferida: uma versão da música dos Novos Baianos (Infelizmente não encontrei a versão de estúdio dessa música, com a ótima participação da Teresa Cristina)




    Swing de Campo Grande
    Composição: Paulinho, Morais e Galvão

    Minha carne é de carnaval
    Meu coração é igual
    Minha carne é de carnaval
    Meu coração é igual

    Aqueles que tem uma seta e quatro letras de amor
    Por isso onde quer que eu ande qualquer pedaço eu faço
    Um campo grande
    Um campo grande
    Um campo grande ê
    Um campo grande epa!

    Eu não marco touca
    Eu viro touca, eu viro moita
    Eu não marco touca
    Eu viro touca, eu moita

  15. 5º Lugar - Samba pra reunir

    19 de julho de 2011

    O samba entrou no meu gosto musical a pouco tempo, graças à amiga Roze Martins e sua paixão pelo gênero. Ela dividiu sua admiração pelos sambistas comigo e acabei encontrando outros amigos que me mostraram "antigas novidades". "Novidades" pra mim. "Antigas" porque se tratavam, em muitos casos, de músicas do tempo em que meu avô corria a Lapa nas gafieiras e era ritimista de escola de samba (pois é!).


    Na minha lista de músicas pra dividir, nada melhor do que um bom samba e sua capacidade singular de reunir. Diogo Nogueira é um dos expoentes desse atual momento do samba, em que clássicos esquecidos são redescobertos e novos sambas são criados "à moda antiga" (no jeito de compor as letras e na utilização de instrumentos). Filho do saudoso João Nogueira, o cara é compositor de novos clássicos e intérprete dos grandes nomes do nosso samba.

    Separei um samba do Noel Rosa, "Com que roupa?"; uma homenagem ao pai João Nogueira, autor de "Espelho", samba que o proprio João havia feito para o pai, e que Diogo cantou pra ele; e uma parceria com Marcelo D2.






  16. 6º lugar - Mais rock

    10 de julho de 2011

    "É rock, mas não só. Em seu caldeirão sonoro há elementos de ska, funk, influências das fanfarras do Leste Europeu e espaço para improvisos." (Estadão)

    "Sempre tivemos dificuldade em definir nosso estilo e durante muito tempo falamos da tal "feijoada búlgara" "(André Gonzales - vocalista da banda)

    "Se o nome do novo álbum dos brasilienses sugere que falta alguma coisa à banda, deve ser isso: falta você ouvir." (Canal Pop - Terra) Ps.: O nome do novo CD é "C_mpl_t_"

    "Um dos melhores produtos peneirados nos festivais de música independente que acontecem Brasil afora desde o fim da década de 1990, a banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju está no limiar entre uma adolescência despretensiosa e criativa e uma idade adulta promissora. " (Gazeta do Povo)

    5º melhor disco nacional de 2009 segundo a revista Rolling Stones.

    "Um dos melhores shows da minha vida" (De um amigo do trabalho)



    O Tempo
    Móveis Coloniais de Acaju

    A gente se deu tão bem
    Que o tempo sentiu inveja
    Ele ficou zangado e decidiu
    Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
    Parece que até jantei
    Com toda a família e sei
    Que seu avô gosta de discutir
    Que sua avó gosta de ouvir você dizer que vai fazer



    O tempo engatinhar
    Do jeito que eu sempre quis
    Se não for devagar
    Que ao menos seja eterno assim



    Espero o dia que vem
    Pra ver se te vejo
    E faço o tempo esperar como esperei
    A eternidade se passar nos dois segundos sem você
    Agora eu já nem sei
    Se hoje foi anteontem
    Me perdi lembrando o teu olhar
    O meu futuro é esperar pelo presente de fazer



    O tempo engatinhar
    Do jeito que eu sempre quis
    Distante é devagar
    Perto passa bem depressa assim



    Pra mim, pra mim



    Se o tempo se abrir talvez
    Entenda a razão de ser
    De não querer sentar pra discutir
    De fazer birra toda vez que peço tempo pra me ouvir
    A gente se deu tão bem
    Que o tempo sentiu inveja
    Ele ficou zangado e decidiu
    Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim



    Eu que nunca discuti o amor
    Não vejo como me render
    Ah, será que o tempo tem tempo pra amar?
    Ou só me quer tão só?
    E então se tudo passa em branco eu vou pesar
    A cor da minha angústia e no olhar
    Saber que o tempo vai ter que esperar

    E o tempo engatinhar
    Do jeito que eu sempre quis
    Se não for devagar
    Que ao menos seja eterno assim

  17. 7º Lugar - MPB pra dividir

    3 de julho de 2011

    Lembra Marisa Monte, não? Vale a pena baixar o CD: da primeira à última faixa bom!



    Repara
    Monique Kessous

    Repara na gota de chuva que cai pelo mundo
    Repara no que não se espera mais aconteceu
    Escorre pelo seu olhar
    A chuva para de falar
    Repare e repare bem

    Aquele som que vem do nada sacudindo tudo
    Na ilusão que chega quando tudo se perdeu

    Se vá ficar
    Continuar ao final não pare
    Repare

    Quando chegar, conte
    Pr'outro lugar, ande
    Até se encontrar
    Perto de estar à vontade cante
    Cante que a vida é feita para se viver e cantar
    Repare

  18. 8º lugar - Rock para dividir

    26 de junho de 2011

    Nada dessas bandinhas coloridas com letra de música sertaneja e pagode tocada com guitarra. Rock bom ainda existe! É o som do Nevilton, banda que "descobri" vendo o comercial de um festival de rock na MTV. Aqueles 10 segundos de música que eu ouvia me chamaram a atenção e fui conferir.

    O Nevilton é mais uma das bandas que fazem parte do set list da Trama Virtual, um site que disponibiliza música gratuita e com boa qualidade para baixar e ainda paga o artista!!! Pois é, o artista disponibiliza as gravações e quando os downloads atingem um certo número a Trama paga determinado valor à banda. Pra nós é grátis, pra banda é remunerado (bom né?).

    É uma dessas bandas da nova geração influenciada pelos Los Hermanos e que traz alguns traços do indie rock internacional (leia entrevista com a banda). Enfim, tenho ouvido muito as músicas do Nevilton e faço questão de colocar no último volume no som do carro. As letras são boas e querem dizer muita coisa:



    O Morno
    Composição: Nevilton de Alencar


    Ele só queria ver o sol
    Mas nunca saía do seu quarto
    Culpava a incerteza e a distância
    Só se for fácil e garantido, aí eu faço

    Nunca joga nada e quer massagem (só massagem)
    Não quer nem ver o jogo e só quer gol (só quer gol)
    Não lê o livro, só quer a mensagem (nunca lê)
    E só chupa a laranja que um outro descascou

    Rezava, mas esquecia de crer
    Queria o bem, mas só levava a mal
    E quando, então, o papo era fazer
    Preferia voltar só no final

    Pois sempre foi mais fácil esperar (esperar)
    E ver as flores no jardim dos outros (no jardim)
    Esperar para ver no que vai dar (vai dar sim!)
    E se for legal, por que não fazer igual?

    Queria muito viver bem a vida
    Mas esquecia apenas de viver
    Passava o dia olhando pra parede
    E nunca via nada acontecer

    Queria saber como é viajar (viajar)
    Mas tinha medo de algo dar errado (dar errado)
    Então achava melhor nem tentar (nem tentar)
    E esquecia que podia ter amigos ao seu lado

    Enfim, um dia ele acordou pra vida
    E experimentou o que é viver
    E amou, errou, tentou, leu, descobriu...

    Que é natural nem tudo sair como se espera
    Mas todo ano chega a primavera
    E o calor do sol sempre ta aí pra te abraçar
    Pode sorrir!

  19. Direto do pendrive da minha namorada, esta banda de dois integrantes chamada Pouca Vogal é exemplo de como existe música boa no Brasil além do eixo cultural Rio-São Paulo. Aliás, esse eixo imposto pela grande mídia, na minha opnião, pode-se dizer que se trata de uma ditadura musical que excluía (até que chegou a internet) o restante do país. Mas voltando à lista, Pouca Vogal é um projeto de dois músicos gaúchos dissidentes de bandas de pop/rock: Humberto Gessinger - Engenheiros do Hawaii e Duca Leindecker.

    Assisti a um show deles no Rio e achei muito legal o fato de parecer existir no palco uma banda, quando na verdade são só os dois tocando. Além tocar os violões com as mãos, os músicos se encarregam de tocar instrumentos de percussão com os pés e instrumentos de sopro com a boca (a gaita do Gessinger). O nome "Pouca Vogal" faz referência a predominância de letras consoantes nos sobrenomes dos dois integrantes.

    Vale a pena baixar as músicas disponíveis no site www.poucavogal.com.br, mas é bom procurar outras gravações deles, como esta no vídeo e letra abaixo, que é a minha favorita:




    Dia Especial
    Pouca Vogal
    Composição: Duca Leindecker / Cidadão Quem

    Se alguém já te deu a mão
    E não pediu mais nada em troca
    Pense bem
    Pois é um dia especial


    Eu sei que não é sempre que a gente encontra
    Alguém que faça bem e nos leve desse temporal
    O amor é maior que tudo
    Do que todos até a dor se vai

    Quando o olhar é natural
    Sonhei que as pessoas eram boas
    Em um mundo de amor
    E acordei nesse mundo marginal

    Mas te vejo e sinto
    O brilho desse olhar que me acalma
    Me traz força pra encarar tudo
    Mas te vejo e sinto
    O brilho desse olhar que me acalma
    Me traz força pra encarar tudo
    O amor é maior que tudo, do que todos, até a dor

    Se vai quando o olhar é natural
    Sonhei que as pessoas eram boas
    Em um mundo de amor
    E acordei na terceira guerra mundial

    Mas te vejo e sinto
    O brilho desse olhar que me acalma
    Me traz força pra encarar tudo (4x)

  20. Tá cheio de música boa na MPB rolando por aí. E tudo por causa da internet que nos possibilitou ver e ouvir pessoas talentosas dos mais diversos cantos do país e dos mais diferentes gêneros musicais - artistas que talvez nem pensaríamos em ouvir. Dá pra dizer que nos últimos anos, pra ser conhecido, um artista precisa "aparecer" muito mais na rede do que na TV.

    E o bom é que temos a LIBERDADE de escolher ouvir o que quisermos sem o "agenda setting" da grande mídia (tão chata e conservadora na maior parte do tempo). E melhor do que isso é poder dividir nossos gostos musicais com "todo mundo" e "trocar figurinha": ouvir sugestões dos outros sobre o que ouvir.

    Pensando nisso começo hoje uma nova LISTA com as músicas que fizeram a minha cabeça nos anos 2000, por causa da internet e da troca de pendrives com amigos. Coisas que eu "descobri" ou me foram apresentadas, e que eu gostaria de dividir (share).

    Em 10º Lugar:



    Felicidade
    Com Marcelo Jeneci e Laura Lavieri
    Composição: Marcelo Jeneci/ Chico César


    Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
    Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
    Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
    Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
    Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
    Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e dançar.
    Dançar na chuva quando a chuva vem.

    Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
    Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
    Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
    Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e dançar.
    Dançar na chuva quando a chuva vem.