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  1. SAMBA E FÉ Roda do Sambastião nasceu de uma promessa ao santo e se consolidou na amizade dos integrantes


    O padroeiro da cidade do Rio de Janeiro abençoa a Roda do Sambastião, que acontece uma vez por mês, na praça Luís de Camões, na Glória. Fruto de uma promessa feita por um dos músicos, a roda teve sua primeira edição na semana de 20 de janeiro de 2012, e está prestes a completar 3 anos como uma das rodas populares que mais respaldo tem entre os bambas do samba.

    Tudo começou em 2011, quando o músico Marcelo Gimenez, o Paxú, teve um grave problema de saúde. Ainda no hospital, ele prometeu a São Sebastião que, caso fosse curado, faria uma roda de samba no bairro onde foi criado.

    "A intenção era fazer apenas uma roda, mas os moradores e amigos pediram a segunda, a terceira. Desde pequeno eu frequentava as festas de São Sebastião que aconteciam na praça do Russel e me tornei devoto", lembra.

    Com o passar dos anos outras histórias de superação se uniram à de Paxú, e hoje em dia a reunião mensal é sagrada. A roda tem inclusive um samba, o "Hino da Roda", composto por Raphael Moreira, Thiago Freitas e Vinicius Oliveira, que diz: "Hoje tem samba na praça / Hoje tem flecha no ar / É Oxossi quem nos guia", cantada para o orixá que é São Sebastião no sincretismo.

    A roda não tem sábado fixo para acontecer. Os organizadores do evento costumam dizer que ela acontece "no melhor sábado do mês". Por isso, é importante acompanhar a página da Roda do Sambastião no facebook, onde as datas são divulgadas.

    RESPALDO DE BAMBAS


    Ataulpho Alves Júnior e os músicos do Sambastião
    Foto: Divulgação

    A Roda do Sambastião é apadrinhada pelo cantor Ataulpho Alves Jr., filho do sambista precursor Ataulfo Alves, cantor e compositor de grandes pérolas do samba e da MPB como "Ai, que saudades da Amélia", "Laranja Madura", "Atire a primeira pedra", entre outras.

    Também morador da rua do Russel, Ataulpho é um padrinho exigente mas orgulhoso dos apadrinhados. "Quando o Paxú me falou sobre a idéia, eu disse: 'se for para fazer roda de samba de brincadeira eu não apoio. Eu coopero se for a vera'. Era 'a vera' e hoje a roda está ficando cada vez mais bonita. Eu fico orgulhoso e levo o nome dessa roda onde puder", garante.

    O padrinho não é o único que atesta a qualidade da roda. Já frequentaram o Sambastião os bambas Monarco, Noca da Portela, Wilson Moreira, Dorina, entre outros.

    UMA RODA DE AMIGOS


    A amizade é a marca principal da Roda do Sambastião. Grande parte dos músicos nasceram ou foram criados ali na rua do Russel e, por isso, a afinidade transparece no clima familiar da roda.

    Os amigos músicos que integram o Sambastião são Raphael Moreira, pandeiro e voz, Marcos Santos, cavaco e voz, Marcelo Gimenez (Paxú), cuíca, Emerson Lopes, tantã e caixa, Fumaça, no surdo, Ney 7 cordas, violão 7 cordas, Romulo Frazão, flauta e Leandro Henrique, no banjo.


    Samba menino é opção para a criançada na Roda do Sambastião


    LIVRO DE RUA Estante itinerante promove a "libertação de livros" no espaço da roda


    Levar as crianças para o samba não é um problema para quem frequenta o Sambastião. O escritor Raphael Moreira, que também é músico na roda, leva para a praça do Russel, o espaço Samba Menino. Inspirado no nome do personagem do livro escrito por Raphael, o espaço tem "contação musical da história do samba", desenhos e pintura, confecção manual de mini-instrumentos, cantigas de roda e outras brincadeiras.

    Samba menino é o samba personificado na pele de uma criança, que veio da África para o Brasil. O personagem vive aventuras na Bahia e no Rio de Janeiro, onde encontra personalidades importantes para a história do estilo musical como Tia Ciata.

    "Foi a forma que encontrei de levar a história do samba para as crianças. No espaço Samba Menino elas aprendem se divertindo", afirma o escritor.

    O Sambastião também é um dos pontos de "libertação de livros" do projeto Livro de Rua. Uma estante fica disponível no local para que qualquer pessoa possa emprestar ou pegar emprestados livros diversos.

    SERVIÇO

    Roda do Sambastião
    Onde: Praça Luís de Camões, Glória
    Quando: "No melhor sábado do mês"
    Preço: Gratuito

    * Publicado na ediçao de 24/7/2014 do jornal Brasil de Fato - RJ (http://issuu.com/brasildefatorj/docs/web_60?e=0)

  2. INTERVENÇÃO URBANA Roda de samba comemora dois anos de resistência cultural no coração do Rio

    A expressão "Resistência Cultural" está presente na arte gráfica criada para simbolizar a roda de samba que acontece todo o segundo sábado do mês no Castelo, Centro do Rio. A ocupação cultural do Samba do Castelo está comemorando dois anos em 2014, com a intenção de proporcionar acesso gratuito a arte e a música.

    Mais do que uma roda de samba, o evento tem ares de intervenção numa das regiões mais significativas para a história urbanística do Rio de Janeiro. Ali ficava localizado o morro do Castelo, removido no início do século passado para dar lugar aos largos, avenidas e edifícios que agora formam o Centro.

    Enquanto rola o samba, são projetadas na parede de um dos edifícios da Avenida Churchil imagens que representam parte da história e da identidade carioca. A lateral do prédio vira um telão onde os filmetes ajudam a compor o cenário dessa reinvenção do espaço público.

    "As imagens conversam com o que está se passando na roda de samba naquele momento. Se estão tocando sambas de compositores da Mangueira, aparecem imagens do morro, da escola de samba. Quando tocam João Nogueira, a imagem do músico também é projetada", exemplifica Rodrigo Furtado, o publicitário que edita os vídeos e acumula também as funções de produtor do evento e DJ nos intervalos.

    A Fotografia também está presente. Ierê Ferreira, fotógrafo que há anos captura imagens da cultura afro-brasileira, expõe e vende suas fotografias no local.

    O Samba do Castelo é divulgado pelas redes sociais e conta com a parceria do bar São Quim, que abriu espaço para a roda. São servidos petiscos e bebidas e o aluguel de mesa com quatro cadeiras, apenas para quem quiser, é de R$ 15.



    Fotos: Divulgação/Paula Chaves

    Passeio pelo samba

    Para Makley Matos, percussionista e vocalista que comanda a roda, tocar no Centro Histórico do Rio é significativo. "Tocamos neste lugar onde, no passado, haviam cortiços, morros. Foi com certeza um celeiro de bambas", afirma.

    O repertório da roda passeia por diversas vertentes do samba tradicional. Canções de Cartola, Paulo Cesar Pinheiro, Wilson Moreira dividem espaço com sambas de Martinho da Vila, Moacyr Luz, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, entre outros.

    As canjas são corriqueiras e há espaço para a mistura de samba com estilos como o hip hop, por exemplo.

    Acompanham a roda os músicos Jorge Alexandre, Fabrício Reis, Marcos Antonio Alcides, Rafael Rodrigues, além de músicos convidados.


    Do Jazz ao Forró, eventos culturais movimentam o Castelo


    OPÇÕES Jazz acontece todo terceiro sábado do mês e Forró será o próximo estilo musical explorado

    Em sua 9ª edição agendada para dia 21/6, o Jazz do Castelo já está se consolidando como mais um espaço de difusão cultural no Centro do Rio. Rodrigo Furtado organiza o movimento que está levando o público a conhecer o estilo musical que, originário dos Estados Unidos, ganha contornos brasileiros nas mãos do Trio Guga Pellicciotti.

    O grupo, formado pelo baterista Guga Pellicciotti, o tecladista João Braga, e o baixista Rômulo Duarte, recebe a cada mês outros músicos que integram o nipe de metais, voz e outros instrumentos.

    "Buscamos oferecer ao público uma deliciosa experiência musical temperados de Standards do Jazz e da música brasileira passando por sessões muito criativas marcadas pela espontaneidade e vigor", afirmam os músicos.

    A intenção dos organizadores é realizar outros eventos. O Forró do Castelo, já teve sua primeira edição, mas ainda está em fase experimental. Já aconteceram também eventos de hip hop e mpb.

    Serviço

    Samba e Jazz do Castelo
    Quando: Samba - todo o segundo sábado do mês
    Jazz - terceiro sábado do mês
    Onde: Avenida Churchill, Castelo, Centro
    Preço: gratuito

    *Publicado na edição 54 do Jornal Brasil de Fato, de 12 de junho.


  3. PATUSCADA Grupo Jequitibá do Samba conduz roda que acontece uma vez por mês na ilha que é considerada o refúgio dos cariocas


    Gabriel Araujo
    O mar sempre inspirou sambistas de todas as épocas. E é num cenário que tem o mar como pano de fundo que, todo o terceiro domingo do mês, acontece a Roda de Samba em Paquetá. Conduzida pelo grupo Jequitibá do Samba, a roda leva centenas de pessoas ao Paquetá Iate Clube, situado na ilha que tem a fama de ser o refúgio do carioca.
    Divulgado no boca-a-boca e principalmente nas redes sociais pelas produtoras musicais Áurea Alves e Régia Macêdo, organizadoras e idealizadoras do Samba em Paquetá, o evento começa na viagem de barca que custa de R$ 3,10 (bilhete único) a R$ 4,50 (passagem avulsa), e sai da Praça XV com destino à ilha. O ideal, afirmam as organizadoras, é pegar a barca de 11h30, pois a patuscada começa às 14h em Paquetá, mas também há balsas saindo às 13h e às 14h30.
    O passeio de pouco mais de uma hora pelo mar da Baía de Guanabara é um alento para os olhos. Na paisagem, Rio de Janeiro, Niterói e um conjunto de belas ilhotas ao longo do percurso. Já no desembarque, vê-se o cenário bucólico de casas baixas com quintais espaçosos e arborizados, praça com igreja, além de adultos e crianças passeando de bicicleta e carruagem.
    A apresentação, sem sonorização - acústica -, é na beira do mar, como os versos da canção de Paulo César Pinheiro, compositor unanimidade entre os sambistas do Jequitibá do Samba: "Tem palma na beira da praia / Samba de roda na beira do mar".
    Para os músicos do grupo, tocar na ilha é inspirador. "Muita gente canta Paquetá", aponta o violonista Iuri Bittar. "É um momento de encontro entre amigos que tem o gosto pelo samba em comum e que imprimem suas influências naquilo que tocamos", completa.
    No repertório, sambas de compositores das escolas mais tradicionais como Mangueira, Portela, Salgueiro e Vila Isabel, mas há espaço para composições da nova safra, que surgem à margem do monopólio das grandes gravadoras. "Não tocamos apenas os sambas mais antigos. Tem muita gente escrevendo samba atualmente", pondera o percussionista Anderson Balbueno.
    O Jequitibá do Samba é formado pelos músicos Ronaldo Gonçalves (Cavaquinho e voz), Leonardo Pereira (Cavaquinho e voz), João Camarero (Violão 7 cordas e voz), Iuri Bittar (Violão 6 cordas e voz), Julião Rabello Pinheiro (Percussão e voz), Joao Gabriel Menezes (Cavaco e voz), Anderson Balbueno (Percussão e voz), Jeferson Scott (Percussão e voz), Marcos Tadeu (Percussão e voz), Magno Julio (Percussão), Bidu Campeche (Percussão) e Leo Careca (Percussão e voz).


    História cultural de Paquetá tem choro e samba
    NATIVO O músico Anacleto Medeiros, um dos principais representantes do Choro, nasceu e foi criado em Paquetá
    O Samba em Paquetá representa a continuidade de uma relação antiga do local com o ritmo musical. A produtora Aurea Alves, uma das idealizadoras do projeto, descreve que nas décadas de 40 e 50 integrantes das primeiras escolas de samba faziam da ilha seu local preferido para piqueniques aos finais de semana.
    No filme "Com minha sogra em Paquetá" (1961), com Dercy Gonçalves no elenco, há uma escola de samba que viaja de balsa até a ilha e depois faz um desfile pelas ruas do distrito. "Paquetá também tem sua história ligada ao Choro. Anacleto Medeiros, um dos mais importantes representantes do gênero, nasceu e foi criado ali", acrescenta.
    Na história mais recente, a cantora e compositora Cristina Buarque e o grupo paulista Terreiro Grande, realizaram rodas de samba na ilha. Cristina Buarque é moradora de Paquetá e inclusive uma das assíduas frequentadoras do Samba. "Acompanho este samba desde o início e gosto muito das músicas e da qualidade dos músicos que conduzem a roda", declara a musista.
    "A idéia dessa roda surgiu justamente  em uma entrevista que fiz sobre o lançamento do CD da Cristina (Buarque ) e Terreiro Grande. Naquele momento pensamos que seria legal fazer um samba ali em Paquetá", conta Aurea Alves.
    O samba começou em 2009 na calçada do Bar Tia Leleta (Bar do Zarur ou do Paulão), mas cresceu e mudou para o Iate Clube. "Somos duas produtoras que gostam de samba e, por isso, tocamos o projeto sem almejar retorno financeiro", afirma Régia Macêdo.


    SERVIÇO
    Dia: Todo terceiro domingo do mês
    Horário: 14 horas (barcas saindo da Praça XV às 11h30, 13h e 14h30)
    Local: Paquetá Iate Clube, Praia das Gaivotas, Paquetá
    Preço: Gratuito





    FOTOS: Pedro Verísssimo

    Publicada na edição 44 do jornal Brasil de Fato, disponível no link: http://issuu.com/brasildefatorj/docs/44_web

  4. BAMBAS Comemoração se estende até sábado, quando saem os trens da Central do Brasil com destino a Oswaldo Cruz

    A semana é de celebração para o samba. Desde a segunda-feira, dia 2 de dezembro, quando é comemorado o Dia Nacional do Samba, o bairro de Oswaldo Cruz, na zona Norte do Rio de Janeiro, virou o destino do mais genuinamente brasileiro estilo musical. A extensa programação do Trem do Samba vai até o sábado, dia 7, com shows de "bambas", rodas de samba, e apresentações de agremiações carnavalescas.

    Este ano, os trens especiais saem no último dia do evento com destino ao reduto do samba, momento considerado o auge da festa. Quatro trens e 32 carros da SuperVia estão reservados para levar o público ao bairro. Em sua 18ª edição, o Trem do Samba deve reunir mais de 400 mil pessoas.

    "São mais de 50 shows gratuitos num evento que pretende fazer as pessoas entrarem em contato com a ancestralidade, esta essência cultural que faz parte do repertório de todo brasileiro", afirma Marquinhos Oswaldo Cruz, sambista idealizador do Trem do Samba.

    A programação começa às 15 horas no sábado, com as apresentações da Velha Guarda das escolas de samba Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel. Lá os passageiros poderão trocar sua passagem por um quilo de alimento não perecível e seguir destino à Zona Norte, onde os shows e rodas de samba acontecem.

    A semana começou com um "flashmob" na Central do Brasil, que serviu como convite para que o carioca embarcasse no trem, na segunda-feira. Dançarinos caracterizavam algumas das facetas dos cariocas: um servidor da Comlurb, um bombeiro, um malandro, uma passista, entre outros. Eles mobilizaram muitos dos passageiros que estavam na Central para sambar.

    No mesmo dia, aconteceu o lançamento da música "2 de Dezembro", de Marquinhos Oswaldo Cruz e Serginho Procópio, uma alusão à data, cuja comemoração teve origem na Bahia. O dia em que é rememorada a primeira visita de Ary Barroso à Salvador, foi nacionalizado e hoje é celebrado em todo o país.

    Em Oswaldo Cruz, a semana começou com shows de Almir Guineto, Leandro Fregonesi e Rodrigo Carvalho, no palco que leva o nome do sambista Candeia. A programação terá, até sábado, shows de Jorge Aragão, Martnália, Ana Costa, Sombrinha, Casuarina, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, Moacyr Luz e Paulinho da Viola, entre outros.



    Fotos: Divulgação

    Aplicativo para celular com programação do Trem do Samba

    TENDA DO SABER Filmes e palestras sobre cultura negra

    Em que pese a tradição a que o samba remete, a modernidade também está presente no Trem do Samba. Este ano, os usuários de smartphones com sistema operacional iOS e Android poderão fazer download gratuito do aplicativo iTremdoSamba que servirá como guia de bolso do projeto.

    Entre as funcionalidades do aplicativo estão a possibilidade do usuário definir sua agenda com a seleção de shows favoritos, o mapa de Oswaldo Cruz por pontos de interesse entre palcos, rodas de samba e Tenda do Saber e a possibilidade de compartilhar fotos e comentários via redes sociais Facebook e Twitter.

    Outra novidade é a Tenda do Saber que, durante a semana toda, levará filmes e palestras sobre o gênero musical e a cultura negra brasileira. A programação de todos os palcos, rodas de samba e vagões do Trem do Samba está disponível no site www.tremdosamba.com.


    Marquinhos Oswaldo Cruz refaz viagem de Paulo da Portela

    ROTA DE FUGA Samba era perseguido no início do século XX

    A primeira viagem, do que hoje se conhece como o Trem do Samba, aconteceu em 1991, ainda com o nome de Pagode do Trem. Foi Marquinhos Oswaldo Cruz, por influência da convivência com sambistas como Manacéia e Argemiro, da Portela, que resolveu fazer a viagem de trem que hoje se tornou um dos maiores festivais populares do país.

    "A idéia inicial era chamar a atenção da população de Oswaldo Cruz para a riqueza cultural daquele bairro. É um patrimônio formado há séculos que não pode se perder", enfatiza o músico.

    Sem querer ele acabou reproduzindo os passos de Paulo Benjamin de Oliveira, mais conhecido como Paulo da Portela que, no início do século XX, começou a tradição do samba nas viagens de trem. O sambista, que é um dos fundadores da escola de samba Portela, utilizava os trens como estratégia para escapar da perseguição que sofria esta manifestação cultural à época.

    Serviço

    Trem do Samba
    Local: Central do Brasil
    Quanto: Um quilo de alimento não perecível
    Quando: Até sábado

    *Publicada no jornal Brasil de Fato, Edição de 5 a 11 de Dezembro de 2013.

  5. Mais um texto sobre rodas de samba, publicado no Brasil de Fato.

    Na segunda-feira – tradicional dia de folga dos músicos - um grupo de sambistas sob o comando de Moacyr Luz promove, há oito anos, o Samba do Trabalhador, roda que já se tornou referência para os apreciadores do estilo.
    O Clube Renascença, um dos espaços mais tradicionais da cultura negra do Rio de Janeiro, fundado há 62 anos, abre as portas para trabalhadores que fazem do dia que inicia a semana útil, considerado ingrato para muitos, mais um momento de diversão e encontro.
    Além de Moacyr Luz, violão e voz, levam o Samba do Trabalhador os músicos Gabriel Cavalcante (da Muda), violão, cavaco e voz; Alexandre Nunes, cavaco e voz; Álvaro Santos, percussão e voz; Luiz Augusto, percussão; Junior de Oliveira, percussão; Mingos Silva, percussão e voz e Daniel Neves, violão de sete cordas.
    Apesar da coincidência com o nome da conhecida canção de Darcy da Mangueira, Samba do Trabalhador (ocioso), que tem versos como “Na segunda-feira não vou trabalhar”, Moacyr Luz ressalta que a intenção da roda é justamente o oposto.
    “Os trabalhadores músicos emprestam seu dia de folga para os outros trabalhadores, num espaço com música de qualidade. A música do saudoso Darcy fala da pessoa que não quer trabalhar”, esclarece o compositor, que tem canções gravadas por sambistas como Zeca Pagodinho, entre outros.
    A roda que acontece no Renascença já foi registrada em CD e DVD duas vezes. A última, em 2013, no recém-lançado “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador”.

    Clube Renascença
    A história do Renascença, erguido por negros de classe média que sofriam preconceito ao tentar frequentar clubes, no início do século, e, por isso, se juntaram para criar um espaço próprio, reforça a singularidade do local escolhido para a roda.
    Se em clubes comuns o lazer é a finalidade mais explícita, no “Rena”, como é apelidado, a cultura é o ponto forte. Já na entrada do Clube, barracas vendem CDs de samba e músicas de referências afro-brasileiras, literatura de cordel com títulos curiosos comoArlindo Cruz e a Incrível história do Bagaço da Laranja, acarajé das mãos de baianas, e guias (colares de umbanda) montadas na hora por artesãos.

    Encontro de gerações
    O Samba do Trabalhador serve também como ponto de encontro para gerações de sambistas. Moacyr Luz, de uma geração mais antiga, conta que a ideia inicial do samba era que os mais velhos apresentassem os novos talentos. E este papel foi cumprido, segundo ele.
    Dentre os músicos que tocam ali, dois já lançaram CDs próprios. Gabriel Cavalcante lançou, em 2010, o álbum intitulado O que vai ficar pelo salão e Alexandre Nunes, o álbum Marmita, de 2011.
    Nova promessa do Samba do Trabalhador, o percussionista Álvaro Santos foi citado pela cantora Beth Carvalho em recente entrevista. “Eu fiquei lisonjeado e muito agradecido por ter meu trabalho aqui no Samba do Trabalhador reconhecido”, comemora.

    Samba de Roda
    O clima de samba de roda permeia todo o encontro musical de segunda-feira. “Músicas que não são aceitas pelos programadores de rádio, aqui são cantadas de ponta a ponta”, defende Moacyr Luz.
    A roda abre espaço para outros músicos que queiram puxar sambas de improviso. Na última segunda-feira, o compositor Eros Fidelis (da canção Falsa Consideração) participou com algumas de suas músicas.
    O público fiel também vira destaque no Renascença. Além de dançar e cantar todas as letras, as palmas das mãos das mais de mil pessoas ali presentes viram percussão. Uma delas é Dona Dalila, moradora da Tijuca e portelense de coração, que comemorou 89 anos na última segunda-feira, no Samba do Trabalhador, ao lado da família.
    Ela conta que participa da roda desde seu início. “O samba é a minha vida”, afirma, cantando e sambando.

    Samba do trabalhador
    Local: Clube Renascença, Rua Barão de São Francisco, 54, Tijuca
    Dia: Todas as segundas-feiras
    Preço: R$ 10
    Horário: a partir das 16h30

  6. Publicado na edição do jornal Brasil de Fato de 29/8/2013

    Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, é palco para o Movimento Cultural Roda de Samba do Barão todas as quartas-feiras

    As calçadas com notas musicais de sambas de Ary Barroso, Pixinguinha, Vadico e Chiquinha Gonzaga, entre outros, anunciam que, em Vila Isabel, a música encontra um de seus principais palcos na cidade do Rio de Janeiro. É neste inspirador cenário que os músicos do Movimento Cultural Roda de Samba do Barão levam, todas as quartas-feiras, na praça Barão de Drummond, mais uma das opções de rodas populares de samba na cidade.
    O bairro que já foi reduto de Noel Rosa e tem atualmente Martinho da Vila como principal referência musical, recebe os sambistas cuja proposta é reverenciar músicos e compositores tradicionais do samba e do choro. “Tocar em um bairro tradicionalmente musical, que já foi frequentado por tanta gente boa do mundo do samba, como Vila Isabel, é muito significativo”, afirma o músico Marcelo Moraes, um dos idealizadores do projeto cultural.
    A roda, que acontece há um ano e meio, resgata para Vila Isabel a característica comunitária e familiar das rodas de samba do passado. Data de 25 anos atrás a última manifestação cultural desse gênero no bairro, quando mestre Trambique (atualmente um dos mestres de honra da bateria da Unidos de Vila Isabel) promovia uma reunião musical naquela região.
    E é a comunidade o principal público da Roda de Samba do Barão. A praça onde acontece o evento fica lotada de famílias que levam os filhos para brincar nos parques públicos, casais de namorados e jovens e adultos que frequentam bares instalados ali. São os próprios moradores que organizam barracas de cerveja, caldo de feijão e churrasquinho, produtos que são vendidos para manter a estrutura do evento, que tem até cadeiras e mesas para o público.
    Um desses moradores, Aldo de Vila Isabel, como fez questão de se apresentar, afirma que apoia o movimento por uma motivação pessoal. “Não sou sambista, sou um ‘sambador’, e por isso incentivo rodas como esta, cada vez mais difíceis de encontrar hoje em dia no Rio de Janeiro”, opina.
    Entre os colaboradores da roda, estão também os familiares de Martinho da Vila - considerado o patrono do Movimento pelos músicos - e integrantes da Velha Guarda da escola de samba Unidos de Vila Isabel.
    Movimento Cultural
    Com a proposta de levar muito mais do que uma roda de samba ao bairro, que no século XIX era a Fazenda do Macaco (aos pés do atual morro dos Macacos), os sambistas promovem, além do encontro de todas as quartas, um evento mensal no primeiro domingo do mês. Teatro infantil, balcão de emprego, feijoada, varal de poesias, exposição de fotografias, sarau e circo integram a atividade que termina com a projeção de um filme sobre o samba ou a história do Rio de Janeiro.

    O início e os projetos
    Em 2009, os músicos Marcelo Moraes, Beto Timbó e PC se reuniram para uma roda de samba no local. Com o tempo outros músicos foram se unindo ao movimento que, há um ano e meio, ganhou o formato atual. A roda é conduzida pelos instrumentistas Freitas, no trombone, Hugo Batera, no pandeiro, Luciano Bom Cabelo e Jorge Nei, no cavaco e voz, Vinicius Magno, violão sete cordas, Beto Timbó, no surdo, PC, tantã e Marcelo Moraes, violão.
    Atualmente, o grupo está finalizando o projeto da gravação de um CD com composições de Noel Rosa voltado para o público infantil. Sem patrocínios até então, eles também pensam em gravar futuramente canções de compositores desconhecidos de Vila Isabel, muitos deles integrantes da escola de samba do bairro.


    Serviço
    Roda de Samba do Barão
    Dia: Quarta-feira
    Horário: a partir das 19 horas
    Local: Praça Barão de Drummond, Vila Isabel
    Preço: Gratuito




  7. Minha estreia como colaborador do jornal Brasil de Fato foi em uma matéria sobre o samba, mais especificamente o Samba da pedra do Sal, tradicional evento musical do Rio de Janeiro. Aqui publico a versão integral do texto que foi para o jornal em "versão resumida", por conta de espaço editorial. Era tanto assunto interessante que não cabia no espaço que havia sido designado. A versão que foi publicada está neste link: http://www.brasildefato.com.br/node/23896 ou neste http://issuu.com/brasildefatorj/docs/bdf_rj_016/1?e=8798584/4441947, na página 11.

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    Samba da Pedra do Sal exalta cultura negra em um dos berços do samba

    Roda de samba completa seis anos levando a tradição do samba para um dos lugares mais significativos para a negritude do Rio de Janeiro

    No lugar onde, há mais de 200 anos, soavam os primeiros batuques que dariam origem ao estilo musical hoje conhecido como samba e a manifestações culturais como o carnaval de rua, um grupo de sete sambistas realizam nos últimos seis anos, todas as segundas-feiras, o Samba da Pedra do Sal. Mais do que uma roda de samba, como os próprios músicos gostam de se auto definir, o movimento cultural popular representa a ocupação de um espaço originalmente pertencente à música popular brasileira.

    As vielas estreitas daquela área da Zona Portuária conduzem ao Largo da Baiana, no final da Rua Argemiro Bulcão, na Gamboa, onde fica a Pedra do Sal – local onde baianos buscaram moradia mais barata na chegada ao Rio de Janeiro no início século XV, para trabalhar nas primeiras docas do Cais Porto. Duas crianças moradoras do bairro brincam de escorregar numa das partes lisas da Pedra do Sal, antes que o samba comece, ali onde a historiografia aponta ter existido o grande mercado de escravos e os trapiches para arregimentação dos estivadores do porto.

    O passado e o presente se misturam também na arquitetura das casas e estabelecimentos comerciais do local e nos grandes refletores instalados para iluminar a área onde os músicos se reúnem em torno de duas mesas de madeira para tocar sambas de todas as épocas. Os grafites de artistas diversos colorem, com referências ao samba, as paredes e muros das casas antigas ao redor do Largo. Apesar de as caixas de som instaladas para que os instrumentos de corda (violão e cavaquinho) não sejam abafados pelo som das percussões, lembrarem a modernidade, a roda é levada propositalmente sem microfone, com os músicos e o público entoando as canções como era no passado.


    “Nossa intenção é dar continuidade a algo que já existe há mais de 200 anos, respeitando e divulgando a cultura ancestral, no local onde tanto sangue negro foi derramado”, afirma o percussionista Peterson Vieira. Ele cita Hilária Batista de Almeida, a “Tia Ciata”, negra baiana que veio para o Rio e se instalou ali, naquela região, e foi, na casa de Candomblé de João Alabá, uma das precursoras do movimento que daria origem ao samba. “Estamos continuando o que eles começaram”.

    Naquela segunda-feira, a roda começa com sambas como “Transformação”, de Jurandir da Mangueira e João da Gente, “Falsas Juras”, de Milton Casquinha, e “Eu agora sou Feliz”, de Mestre Gato e José Bispo. E segue noite adentro com sambas que fizeram sucesso nas interpretações de Fundo de Quintal, João Nogueira, Zeca Pagodinho, Cartola, entre outros. Como se trata de uma roda aberta, outros sambistas chegam e puxam um samba ou trazem seu instrumento para tocar.


    Em determinado momento da noite, a luz acaba no bairro, o que não é suficiente para acabar com a animação dos sambistas que continuam a tocar, mesmo com as caixas de som desligadas. Todos pegam uma percussão e o público ajuda na palma da mão. Depois de algumas músicas a luz retorna e os instrumentos de corda voltam a ser ouvidos com mais nitidez. O local vai aos poucos ficando lotado de gente de todas as partes do Rio de Janeiro, muitas saindo do trabalho direto para a roda e até estrangeiros.

    “Gostaríamos de envolver mais as pessoas da própria comunidade daqui. Eu sinto que hoje o samba está precisando fazer o caminho inverso: se antes ele veio do morro para o asfalto e é bem aceito por pessoas de várias classes sociais, agora precisa ter a adesão de mais pessoas das comunidades”, acredita o músico Rogério Família. Apesar disso, ele conta que o samba é bem aceito pelos moradores do local, que fica aos pés do Morro da Conceição.

    Mas nem sempre foi assim. Os instrumentistas lembram que antes de o samba se firmar como uma atividade reconhecida no bairro, denúncias anônimas pediam a saída da roda do local. “A polícia chegava, mas como tínhamos autorização, não podiam acabar com a roda. Houve até uma denúncia absurda de que estaríamos envolvidos com o tráfico de drogas. Nunca tivemos este envolvimento e não sabemos como esta denúncia pode ter acontecido”, afirma Walmir Pimentel, professor de geografia e músico.

    A maior dificuldade, porém, veio quando eles precisaram romper com os comerciantes donos de bares no local, que davam parte do dinheiro conseguido com as vendas de bebidas para os músicos. A partir daí passaram a contar com iniciativas privadas de pessoas que gostam do samba e investem quando os músicos precisam comprar algum equipamento, ou fazer a manutenção de instrumentos. Além disso, eles têm autorização para vender cerveja para o público da roda. “Todas as segundas-feiras fazemos também uma mini experiência de economia. Mas não podemos deixar de agradecer às pessoas que nos ajudam”, enfatiza Rogério Família.

    Aniversário de seis anos

    A Roda de Samba começou em 2006 com músicos independentes, que não tocavam em bandas fixas, mas também com alguns sambistas egressos do grupo Batuque na Cozinha. A ideia inicial era que a roda fosse um espaço onde o sambista pudesse tocar o que quisesse, de forma livre, depois de um fim de semana tocando profissionalmente. Por isso, a escolha da segunda-feira, tradicionalmente conhecido como o dia de folga do músico.

    Completando seis anos de existência este ano, a Roda de Samba comemora a conquista de mais uma vitória: os músicos foram convidados para uma apresentação no teatro Rival, que aconteceu no último dia 26 de Julho.

    “Neste show, nossa intenção foi levar este clima de roda de samba para o palco do teatro Rival. Foi legal por ser algo que nós nunca tínhamos buscado e aconteceu”, afirma Júnior Silva, instrumentista do violão de sete cordas.

    Para a apresentação no Rival, os músicos também ganharam uma composição inédita. A canção “Samba da Pedra do Sal”, composta por Mingo, Chiquinho Vírgula e Marquinho Diniz (filho do sambista Monarco), retrata um pouco do que acontece no samba das segundas-feiras.

    Além disso, os músicos fazem parte de um documentário, em fase de produção, com o nome provisório de “O Porto do Rio”, que recebe apoio cultural da concessionária que administra as obras do Porto Maravilha e do poder público.


    Atualmente, integram a roda de samba os músicos Júnior Silva, violão de 7 cordas, Peterson Vieira, pandeiro e caixa, Wando Azevedo, surdo, Paulo Cezar, tantam e reco, Walmir Pimentel, cuíca e tamborim, e Júnior Travassos e Rogério Família, cavaco.

    Incerteza em relação às obras do Porto Maravilha

    Os músicos que fazem a Roda de Samba da Pedra do Sal estão entre os principais interessados nas transformações pelas quais passa a Zona Portuária do Rio de Janeiro, com o projeto do Porto Maravilha. Apesar da expectativa otimista em relação às modificações planejadas para o local, eles temem que a especulação imobiliária e o mercado musical possam contribuir para uma descaracterização cultural do bairro.

    “Diante dos movimentos relacionadas aos eventos esportivos e religiosos no Rio de Janeiro, este espaço, que se manteve abandonado pelo poder público e por investimentos particulares durante mais de 80 anos, agora está no centro dos interesses de vários grupos”, afirma Walmir Pimentel, acrescentando que o grupo já foi procurado por entes públicos e representantes da concessionária para assegurar que a roda de samba será mantida como é e que aquele local, tombado pelo patrimônio histórico, será preservado.

    Mesmo assim, o instrumentista enxerga o momento com certa desconfiança. “Se você perguntasse a um sambista da praça Onze no início do século XX, sobre as expectativas em relação às reformas de Pereira Passos ele tremeria. Quando esta pergunta é feita hoje, para nós sambistas da Pedra do Sal, que somos um movimento cultural,  vemos um avanço, mas acontecem retrocessos. Esta região está sendo muito visada pelo capital imobiliário, pelo mercado da música, e a gente sabe  que o oportunismo pode se encaixar muito bem nisso”, afirma Pimental, citando as reformas sanitaristas conduzidas durante a gestão do prefeito Pereira Passos no século passado.

    SERVIÇO

    Dia: Todas as segundas-feiras
    Horário: À partir das 19 horas
    Local: Largo da Baiana, Gamboa, Zona Portuária

    Preço: Gratuito


  8. Publicado originalmente no OiPreguica.
    Ainda pouco explorado pelos que curtem uma aventura em meio à natureza, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é um achado valioso e interessante. Além das belas paisagens que a rota turística ecológica proporciona, na visita o mochileiro também tem a oportunidade de conhecer um pouco da história do Brasil.
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    Localizado a 20 quilômetros da pequena cidade de Rio Claro (RJ), na serra do Piloto, o local é considerado o primeiro sítio arqueológico urbano do país. Até o início do século passado (nos anos de 1940) havia ali uma cidade, no entanto, por conta da necessidade da construção da represa de Ribeirão das Lajes (hoje administrada pela Light) para abastecer a cidade do Rio de Janeiro, à época na iminência de uma falta d’água, o lugarejo foi alagado e as construções demolidas.
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    Com a represa pronta, as águas baixaram em boa parte da área onde ficava a cidade. Num passado mais recente, um grupo de arqueólogos e historiadores tocaram projeto de escavações com o objetivo de localizar e recuperar as ruínas de São João Marcos, que chegou a ter 20 mil habitantes no final do século XIX  e era um dos pontos estratégicos para o escoamento da produção de café no Brasil, na época.
    Chegar ao Parque é fácil. Para quem está no Rio, seguir de carro a Avenida Brasil em direção ao bairro de Santa Cruz. Depois pegar a rodovia Rio-Santos (BR-101) em direção à Angra dos Reis. No trevo de Mangaratiba, virar à direita para a Serra do Piloto (RJ-149) e seguir a estrada, asfaltada recentemente.
    Para quem está em São Paulo, Sul Fluminense e Vale do Paraíba, seguir pela via Dutra (BR-116) no sentido Rio de Janeiro. Após passar a primeira saída para Volta Redonda, ainda na Dutra, entrar na estrada de Getulândia e seguir até a RJ-155. Seguir pela RJ-155 e, ao passar pela entrada do município de Rio Claro, virar à esquerda na Estrada RJ-149. Após o portal de entrada do Parque há um pequeno trecho em estrada de chão, que pode ser feito a pé ou de carro.
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    Lá a primeira parada é um museu onde estão objetos dos antigos moradores do local, além de uma maquete que reproduz como era o vilarejo no início do século passado. A história é contada por um guia treinado e também em vídeos-documentários, que têm inclusive depoimentos de ex-moradores. Pra quem não tem muita paciência com histórias (eu não sou um desses!), vale a pena ganhar (e não perder!) 30 minutos do seu tempo no minimuseu.
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    Depois, basta aproveitar o dia. As trilhas do parque levam a ruínas de casas, pontes, a igreja Matriz e um cemitério – este num dos únicos pontos que não foram alagados pelas águas da represa. A natureza no parque é esplêndida. Para os observadores de aves, podem ser vistas ali algumas belas espécies.
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    Seguindo por uma estrada de chão (uma antiga estrada real pela qual Dom Pedro viajava), o mochileiro chega às margens de uma das áreas alagadas pela represa. Em dias ensolarados, a boa pedida é tomar um banho nas águas (naquele trecho límpidas) dos rios Piraí e Paraíba do Sul.
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  9. Aridez, paz, amor

    26 de abril de 2013


    Ante a aridez dos corações,
    Alguma paz, algum amor.





  10. Por aquele apartamento

    15 de março de 2013


    Por aquele apartamento já passaram mestrandos em história, concurseiros e micareteiros; socialistas, gays, lésbicas e simpatizantes, tucanos da extrema direita e peladeiros; católicos fervorosos, católicos, espíritas, músicos e bailarinos; maconheiros, loucos, amantes do samba e do rock; nerds, bêbados, engajados e alienados... Quantos rótulos!

    Ele mesmo tenta entender, e a conclusão a que sempre chega é a de que cabe dentro daquelas quatro paredes uma parte da diversidade do mundo, talvez porque caiba na mente e no coração do anfitrião todo respeito a qualquer diversidade. 

    Num determinado ponto de sua vida, ele chegou a conclusão de que valores e crenças que o afastavam das pessoas não valiam a pena. Valores e crenças que o estimulavam a prejulgar e condenar, mesmo sem intenção. Imaginava como poderia dizer que pessoas tão boas, que faziam pelo semelhante mais até do que ele com suas crenças e valores ditos "corretos", estariam excluídas.

    Muitos se espantam e olham torto, com ar solene de preocupação. Deixam transparecer a veia do preconceito velado. Se esforçam por uma complacência desnecessária. Condenam em pensamento, provavelmente. Mostram o lado humano falho, que ele também possui. Segue sem importar com o que vão pensar. 

    Ali, naquele pequeno espaço, batem papo, bebem suco, cerveja, falam sério, falam besteira e riem, debatem, discutem, se ajudam, desabafam. Brigam? Quase nunca. Ouvem música, fazem comida, se preparam pro carnaval. Aquele pequeno espaço, ali, virou, sem que ele quisesse ou esperasse, um reflexo de sua personalidade.



  11. Transitoriedade de você

    5 de março de 2013

    Comprei casa, mudei cidade
    Endereço, estado civil e número de sapato
    Fiz a escola da vida
    E você não passou de um poema antigo no arquivo de um blog

    Fui pra Madri, Paris, Itapecerica
    Virei mundo
    Gritei basta*
    E você não passou de um livro cheio de orelhas, empoeirado, guardado no fundo da gaveta

    Escolhi azulejos, cor de tinta, móveis que combinam
    Fui à 25 de março, desci no bonde de Santa Tereza
    Voei alto, aterrissei em abismos
    E você não passou de uma lembrança esquecida na memória

    Aprendi a dançar sozinho, acompanhado
    Desaprendi a fazer contas de matemática
    Dancei samba, rock, samba
    As contas do mês não fecharam
    E você não passou de um esboço de sonho no rascunho que joguei fora

    Ganhei dinheiro, assinei contratos
    Comprei um terno, troquei o carro
    Por fim, desaprendi a caminhar no céu**
    E você não passou de uma música brega no meu aparelho de som

    Beijei moças, abracei amigos,
    Pulei carnaval, sete ondas, cerca
    Tomei mil porres, de Brahma a Jhonny Walker
    Fui pós-mestre doutorado
    E você passou como um dia de sol ou uma tempestade como uma tempestade que, apesar dos estragos que deixa, sempre passa.




    ** Adaptação de trecho da música "Busca Vida" - de Herbert Vianna.