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  1. Reproduzo artigo publicado no blog Carta Maior com um "resumão" sobre as revelações de Eduard Snowden em relação ao serviço de espionagem norte-americano (o "olho que tudo vê", presente até no Grande Selo dos Estados Unidos).

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    Um terremoto chamado Snowden


    Por Flávio Aguiar


    Se houvesse uma escala para efeitos de denúncias internacionais, como há a Richter para os terremotos, o caso Snowden estaria no topo. De certo modo, as revelações do ex-espião norte-americano são mais impactantes do que as feitas tempos atrás por Julian Assange, com o auxílio de Bradley Manning.


    No fim de semana passado, a Der Spiegel publicou uma entrevista com Eduard Snowden, feita ainda em junho em Hong Kong por Jacob Appelbaum com a ajuda de Laura Poitras. Na segunda-feira (8), foi a vez do The Guardian publicar mais uma fatia da entrevista feita por Glenn Greenwald (com Poitras na câmera e ajuda de Ewen MacAskill), também em junho e em Hong Kong antes de que as denúncias viessem a público. A primeira fatia fora publicada em 09/06. Ambas as fatias estão disponíveis no site do The Guardian; a entrevista da Spiegel está disponível em alemão e em inglês nos sites da revista, além de extensa análise de como opera a espionagem norte-americana em território alemão.

    Juntando os dois segmentos do Guardian com o da Spiegel, é possível agora obter um quadro mais completo da situação e das revelações, conforme os itens abaixo descritos.

    1) Existe uma rede praticamente única e fechada entre serviços de informação de cinco países: os EUA, o Reino Unido, a Austrália, a Nova Zelândia e o Canadá. A França aparentemente opera um sistema lateral, embora não desconectado daquele, que Snowden chama de “Five Eye Partners”. O serviço secreto alemão, através do Bundesnachrichtdienst (BND) é uma espécie de “irmão menor” do “Big Brother” norte-americano.

    2) Apesar das sucessivas negativas por parte do governo alemão e dos pedidos de explicação da chanceler Angela Merkel ao presidente Barack Obama, é certamente impossível que as operações de espionagem norte-americanas em toda a Europa (na verdade em todo o mundo) e na Alemanha, em particular, fossem desconhecidas pelas autoridades de Berlim. O SPD, os Verdes e a Linke estão cobrando explicações. Mesmo o FDP, parceiro da CDU/CSU no governo, manifestou seu desconforto com as revelações das entrevistas. 78% do público alemão também exige explicações.

    3) Frankfurt é um local estratégico para as comunicações e para a espionagem. É nesta cidade – capital financeira da Europa – que os cabos de fibra ótica da Ásia, do Oriente Médio e do antigo Leste europeu se conectam com os do Ocidente. Ali operam a alemã Deutsche Telekom e a norte-americana Level 3, que se jactam de filtrarem 1/3 das comunicaçòes mundiais de internet. É impossível desenvolver a espionagem denunciada por Snowden sem a cooperação destas empresas e de outras em Frankfurt, ou de agentes nela infiltrados, para dizer o mínimo.

    4) Uma grande parte das informações armazenadas pelo sistema de espionagem (Snowden declara que o sistema tem capacidade para armazenar tudo o que capta pelo menos por três dias, mas isto está sendo “aprimorado”) parte do que é chamado de “metadata”. “Metada” é, em princípio, o conjunto de listas que todas as companhias telefônicas devem entregar a seus governos, contendo as informações sobre quem chamou quem e quando. Os “metadata” não contém o conteúdo de uma conversação, mas assim mesmo, segundo Snowden e outros pesquisadores da área, eles normalmente são o ponto de partida para detectar quando uma investigação deve ser aprofundada. Diz Snowden e os outros especialistas da área (entre eles o próprio Appelbaum) que as informações “metadata” são suficientes para traçar quase que na totalidade o perfil de um usuário. O sistema está sendo ampliado para a internet. A partir do manejo dos “metadata” e das informações suplementares obtiodas e armazenadas, torna-se fácil, por exemplo, “construir” um perfil de “inimigo” e colá-lo em quem quer que seja.

    5) Além das prováveis operações em Frankfurt, a NSA (National Security Agency) certamente ainda opera um centro de espionagem na cidade de Bad Aibling, na Baviera, em cooperação com o BND. Este centro – do tempo da Guerra Fria – será desativado quando o Exército norte-americano concluir a construção de uma unidade na cidade vizinha de Wiesbaden. Tudo desta futura unidade vem dos Estados Unidos, dos tijolos às antenas parabólicas.

    6) As entrevistas providenciam uma série de informações colaterais. Por exemplo, Snowden confirma que a NSA e o serviço secreto israelense construíram o vírus Stuxnet, usado para atacar o sistema de computação do programa nuclear iraniano.

    7) Uma pequena declaração de Snowden no vídeo divulgado pelo Guardian em 08/07 chama a atenção para um outro aspecto – à primeira vista um pequeno detalhe, mas de fundamental importância. Greenwald pergunta como e por quê ele tomou a decisão de se tornar um “whistleblower”. Ao lado dos problemas de consciência levantados, ele declara que, como agente e analista de espionagem, ele tinha acesso a “informações verdadeiras” (true information), “antes que elas fossem transformadas em propaganda pela mídia”. Ou seja, uma parte do esforço da NSA se concentra em formar a opinião pública, e para tanto a cooperação da mídia – proposital ou não – é fundamental, como atesta o caso da guerra do Iraque.

    8) Além da divulgação das informações, as entrevistas de Snowden permitem algumas conclusões relevantes. De fato, a segurança e até a vida dele correm perigo. Por isto, o asilo que ele busca – concedido previamente por três países, Bolívia, Nicarágua e Venezuela – é fundamental. O Brasil deveria no mínimo apoiar estas concessões de asilo, como fez Cuba, senão conceder ele mesmo o asilo. Também deveria fazer parte da ação do governo brasileiro a busca de uma alternativa viável para Snowden deixar Moscou, se for esta sua vontade, em direção ao país em que deseje se asilar. A espionagem e o governo norte-americanos vão caçá-lo por onde passe, e provavelmente com a ajuda subserviente dos governos europeus, como ficou evidente no caso do avião presidencial boliviano.

    9) Henrique Capriles, líder da oposição venezuelana de direita, condenou a adecisão do presidente Nicolás Maduro, concedendo o asilo. O gesto é um índice da disposição das direitas do continente diante deste caso. Uma outra consideração importante: parte da nossa mídia conservadora vem tratando Snowden como um “delator”. É fato que a palavra é uma das traduções dicionarizadas para “whistleblower”. Mas seria melhor tratá-lo como “denunciante”. “Delator” tem uma conotação muito negativa no Brasil. Afinal “delator” em nossa história foi Joaquim Silvério dos Reis, que “delatou” a conspiração mineira.

    10) Last, but not least, perguntado sobre seu maior medo, Snowden respondeu que era o temor de que, a partir de suas denúncias, nada acontecesse.

  2. Um mês depois das primeiras manifestações que começaram por conta do aumento da passagem em São Paulo, mas que evoluíram para o que vem sendo chamado de “a primavera brasileira”, ainda é cedo para falar em mudanças concretas e definitivas na forma como o brasileiro (sobretudo as gerações mais jovens) discute e se posiciona politicamente.  No entanto, é notável uma revisão de posturas a partir de lições aprendidas com os acontecimentos, que permeia tanto as posturas individuais quanto a de instituições tradicionais.

    O calor que emanava das ruas arrefeceu, em certa medida, e os movimentos sociais (sindicatos, partidos políticos de esquerda, associações e organizações) que sempre estiveram nas ruas, voltam, aos poucos, a tomar o protagonismo do processo. Porém, agora revigorados pela percepção de que suas causas têm o respaldo da população. Suas bandeiras foram legitimadas pela participação massiva nas manifestações em todo o Brasil. Não são, como cismavam em difundir alguns setores da mídia tradicional, vozes isoladas representando a si mesmas.

    Falando em mídia tradicional, esta viu diluir o seu poder de desarticulação dos movimentos. É fato que, até então, havia sempre um discurso de redução de protestos a “manifestações que atrapalhavam o trânsito”. Pouco se dava espaço à discussão das pautas de reivindicações dos movimentos. Pressionada, porém, pela surpreendente adesão aos atos do último mês, esta mesma mídia se viu obrigada a rever sua postura (se esta perdurará é uma incógnita). O exemplar mais icônico dessa mudança, que não deixa de ser oportunista, está na fala do cronista Arnaldo Jabour (o chato mor) que mudou de opinião sobre as manifestações como quem corria do ladrão.



    A mudança no tom da cobertura foi uma atitude que, para os mais críticos, demonstrou o desespero da velha mídia em perceber que sua influencia está se diluindo cada dia mais com o advento das mídias sociais. Por outro lado, ficou clara a tentativa dessa mesma mídia de tomar para si, direcionar e manipular as causas das manifestações. Há por trás dessa postura, o interesse em desmoralizar conquistas sociais importantes da democracia nos últimos anos com a ascensão de governos de esquerda (centro-esquerda?) no Brasil.

    Aliás, foram as mídias sociais o principal veículo de aglutinação - e difusão - das manifestações do “outono brasileiro”. É fato também que, já há alguns anos as redes sociais vinham como que gestando o pensamento mais crítico dos jovens que aderiram aos protestos. Muita informação sobre os abusos do poder público e sobre a realidade social brasileira, que não chegavam pelos meios tradicionais, nas redes sociais eram difundidas de forma horizontal. Tanto é que nos últimos dois anos têm acontecido manifestações espontâneas contra a corrupção, por exemplo.

    E é em relação aos jovens, a grande maioria deles pela primeira vez nas ruas, que pode ter acontecido a mais importante das transformações. Quem está nas redes sociais pôde perceber que, pela primeira vez o assunto mais discutido não era o futebol, a música da moda, o vídeo com mais visualizações. A política ficou no centro das conversas para pessoas que nem se importavam com este assunto. De fato, muitos debatiam o tema de forma superficial, mas o assunto estava ali, bem ou mal, sendo discutido. A semente de um pensamento mais crítico em relação à realidade foi plantada. E a lição de que reivindicar é forma legítima e eficaz de luta pelos direitos parece que foi aprendida. O futebol continuará sendo pauta, a moda da vez também (porque não?), mas a política está, finalmente e intensamente, em pauta para esta geração.

    Por sua vez, os movimentos sociais e partidos políticos de esquerda se depararam com a realidade de que o pensamento de direita e até de extrema direita também disputa as ruas (citação ao ótimo texto do Valter Pomar). E foram, em parte, tomados de assalto pela rejeição de manifestantes em diversas cidades, pelos gritos “sem partido” reverberados, pela tentativa de redirecionar o foco das manifestações para atos anti-governo. Há sinais de que estes partidos de esquerda e movimentos sociais começam a rever suas posturas.

    Nas instâncias do poder (no caso, Governo e Congresso/Senado), os protestos – que também eram por conta da insatisfação generalizada e legítima com as posturas soberbas de parte considerável da classe política – causaram uma inquietação positiva. De um lado, o Governo Federal viu a oportunidade de pressionar pela aceleração de ações importantes nos âmbitos político (a reforma política) e social (saúde e educação, principalmente). De outro, o Parlamento acelerou a votação e aprovação de projetos que há anos estavam emperrados, projetos estes com potencial para auxiliar nas mudanças necessárias.



    O calor das manifestações pode e deve se tornar força para uma nova relação da sociedade com a política no seu significado mais genuíno. Que assim seja.

  3. Rir é o melhor remédio, já dizia o ditado. E quem faz rir, por consequência, tem a cura para todos os males. Na história, muitos se mostraram especialistas na arte de fazer humor. Da figura do bobo da corte, que encantava reis e rainhas, até os dias de hoje muitas risadas já foram dadas e, atualmente, o humor é um gênero artístico que encanta várias gerações.

    No cinema, na TV, na rádio ou no teatro humoristas, comediantes e palhaços provocam gargalhadas no público. Fazer homenagem a alguns desses nomes com uma lista dos 10 maiores humoristas é homenagear, acima de tudo, este gênero.

    1. Charles Chaplin (foto)
    Charles Chaplin conseguiu unir humor e drama como ninguém na história do cinema. Fazia o público gargalhar e sentir um nó na garganta ao mesmo tempo. Satirizou Hitler e a Revolução Industrial em cenas que ficaram na memória de todos em “O Grande Dirador (1941)” e “Tempos Modernos (1936)”. Chaplin fazia humor sem dizer quase nenhuma palavra, já que é um dos mais representativos atores do cinema-mudo. Uma de suas maiores influências, até hoje lembrada por comediantes em todo o mundo, foi a mímica, colocada na medida em filmes em que tanto atuou, como dirigiu.

    2. Buster Keaton (foto)
    O segundo nome desta lista é considerado por muitos o maior “rival” de Charles Chaplin no cinema-mudo. Keaton fazia humor utilizando as chamadas gags (elementos surpresa) tais como corridas, quedas, fugas, entre outros. O ator ficou conhecido por fazer rir construindo personagens impassíveis, que quase nunca demonstravam feições diferentes diante dos fatos. Por isso, ironicamente era conhecido pelos apelidos de “cara de pedra” e “homem que nunca ri”.

    3. Woody Allen (foto)
    Em filmes de sucesso de crítica e público, Woody Allen criou um estilo próprio de humor sarcástico e inteligente. A narrativa de suas histórias - em que atua, muitas das vezes, dirige e roteiriza - carrega um ritmo dinâmico característico. Em uma atmosfera particular que perpassa toda a sua obra, por meio de uma junção entre trilha sonora, planos de filmagens, cores de cenários e diálogos regados de chavões e lugares comuns que são ditos displicentemente pelos personagens, Allen transforma situações corriqueiras em grandes cenas de comédia.

    4. Groucho Marx (foto)
    É considerado um dos mestres do humor e, na verdade, representa a família Marx, já que seus filmes mais memoráveis foram feitos na companhia dos irmãos Chico e Harpo Marx.  Começou no teatro excursionando os Estados Unidos com o grupo conhecido como “Os Irmãos Marx”. Frases célebres de Groucho Marx ditas em seus filmes, como "Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio" ou “Eu nunca esqueço um rosto, mas no seu caso, vou fazer uma exceção”, são lembradas até hoje.

    5. Jerry Lewis (foto)
    Parceiro de Dean Martin em suas primeiras e mais conhecidas aparições, Lewis começou no teatro já inovando: ele, como o palhaço, e Martin, como o sério, interagiam e improvisavam no palco, quase sempre saindo dos roteiros pré-estabelecidos. As caretas, tiques e piadas de Jerry Lewis fizeram história também na música, na rádio e principalmente no cinema, onde ficou conhecido do público no mundo todo. “O Mensageiro Trapalhão”, “O terror das mulheres”, “O professor aloprado”, estão entre alguns de seus muitos filmes. Sucesso absoluto nas gargalhadas, Lewis virou também personagem de gibi e de desenhos animados.

    6. Peter Sellers (foto)
    Exemplar do genuíno e original humor inglês, Peter Sellers ficou conhecido pelo seu personagem o Inspetor-chefe Clouseau, da série “A Pantera Cor-de-Rosa”.  O humor inglês de Sellers influenciou comediantes atuais, como Rowan Atkinson (o eterno Mr Bean, que só não entrou nesta lista por falta de espaço!), já que seu humor era caracterizado pelas expressões corporais e faciais. Ele conseguia transformar sua presença física em algo patético e por isso fazia rir tanto.

    7. Jacques Tati (foto)
    O célebre ator frânces é outro exemplar do humor através da “pantomima”, ou seja, o teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e o maior uso de gestos através da mímica. É a arte de narrar com o corpo. E Tati fazia isto como ninguém em filmes como “Carrossel da Esperança(1948)” em que consegue transmitir humor através de cenas singelas e comoventes. Em “As Férias do Senhor Hulot (1953)” criou o famoso personagem de chapéu, guarda-chuvas e cachimbo que seria considerado o álter ego do ator.

    8. Jim Carrey (foto)
    Representando a nova safra de comediantes, Jim Carrey é o retrato dos atuais humoristas: começou no stand-up comedy, em um clube de comédia em Toronto, no Canadá; passou por testes em shows de comédia na televisão americana; e, finalmente, alcançou o sucesso com personificações originais nos cinemas. São dele os personagens que depois virariam também desenhos animadas, brinquedos e video-games, como “Ace Ventura(1994)” e “O Máscara (1994)”, este último seu maior sucesso na comédia até hoje. No filme Debi & Lóide revive um pouco da história das grandes duplas de comediantes. Suas expressões faciais e seu humor escrachado e, por vezes, politicamente incorreto, são a marca que arrasta bilhões de pessoas para assistirem a cada nova produção cinematográfica em que atua.

    9. Roberto Bolaños (foto)
    A longevidade dos personagens criados pelo ator, diretor e roteirista mexicano Roberto Bolaños fez com que pessoas das mais diferentes gerações rissem com suas histórias. Criador de Chaves, Chapolin e Chespirito, Bolaños é um dos atores que mais ficou no ar na história da televisão com um mesmo personagem (no caso o Chaves, um menino órfão que vive dentro de um barril em uma vila). Seu humor infantil, e recheado de chavões originais, leva famílias inteiras a assistirem e amarem os personagens de suas séries.

    10. Grande Otelo (foto)
    Entre os humoristas brasileiros, Grande Otelo é o que melhor personifica o jeito de fazer comédia no Brasil. Seu humor escrachado percorreu desde a chanchada até o cinema novo, movimentos cinematográficos brasileiros. Nos filmes em que fazia dupla com outro gênio da comédia brasileira, Oscarito, Grande Otelo fez “rir até chorar”. Além da extensa cinebiografia brasileira, participou também do inacabado "It’s all true", do diretor americano Orson Welles (que considerava Otelo o maior ator brasileiro). Um de seus últimos personagens ficou conhecido pelos bordões "Aqui! Qui queres? e "Faiô!", na Escolinha do Professor Raimundo, programa de outro grande comediante brasileiro, Chico Anysio.

    Artigo que fiz para o escrever.com


  4. Publicado originalmente no OiPreguica.
    Ainda pouco explorado pelos que curtem uma aventura em meio à natureza, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é um achado valioso e interessante. Além das belas paisagens que a rota turística ecológica proporciona, na visita o mochileiro também tem a oportunidade de conhecer um pouco da história do Brasil.
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    Localizado a 20 quilômetros da pequena cidade de Rio Claro (RJ), na serra do Piloto, o local é considerado o primeiro sítio arqueológico urbano do país. Até o início do século passado (nos anos de 1940) havia ali uma cidade, no entanto, por conta da necessidade da construção da represa de Ribeirão das Lajes (hoje administrada pela Light) para abastecer a cidade do Rio de Janeiro, à época na iminência de uma falta d’água, o lugarejo foi alagado e as construções demolidas.
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    Com a represa pronta, as águas baixaram em boa parte da área onde ficava a cidade. Num passado mais recente, um grupo de arqueólogos e historiadores tocaram projeto de escavações com o objetivo de localizar e recuperar as ruínas de São João Marcos, que chegou a ter 20 mil habitantes no final do século XIX  e era um dos pontos estratégicos para o escoamento da produção de café no Brasil, na época.
    Chegar ao Parque é fácil. Para quem está no Rio, seguir de carro a Avenida Brasil em direção ao bairro de Santa Cruz. Depois pegar a rodovia Rio-Santos (BR-101) em direção à Angra dos Reis. No trevo de Mangaratiba, virar à direita para a Serra do Piloto (RJ-149) e seguir a estrada, asfaltada recentemente.
    Para quem está em São Paulo, Sul Fluminense e Vale do Paraíba, seguir pela via Dutra (BR-116) no sentido Rio de Janeiro. Após passar a primeira saída para Volta Redonda, ainda na Dutra, entrar na estrada de Getulândia e seguir até a RJ-155. Seguir pela RJ-155 e, ao passar pela entrada do município de Rio Claro, virar à esquerda na Estrada RJ-149. Após o portal de entrada do Parque há um pequeno trecho em estrada de chão, que pode ser feito a pé ou de carro.
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    Lá a primeira parada é um museu onde estão objetos dos antigos moradores do local, além de uma maquete que reproduz como era o vilarejo no início do século passado. A história é contada por um guia treinado e também em vídeos-documentários, que têm inclusive depoimentos de ex-moradores. Pra quem não tem muita paciência com histórias (eu não sou um desses!), vale a pena ganhar (e não perder!) 30 minutos do seu tempo no minimuseu.
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    Depois, basta aproveitar o dia. As trilhas do parque levam a ruínas de casas, pontes, a igreja Matriz e um cemitério – este num dos únicos pontos que não foram alagados pelas águas da represa. A natureza no parque é esplêndida. Para os observadores de aves, podem ser vistas ali algumas belas espécies.
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    Seguindo por uma estrada de chão (uma antiga estrada real pela qual Dom Pedro viajava), o mochileiro chega às margens de uma das áreas alagadas pela represa. Em dias ensolarados, a boa pedida é tomar um banho nas águas (naquele trecho límpidas) dos rios Piraí e Paraíba do Sul.
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  5. Desgosto pressuposto

    6 de maio de 2013

    Exposto o desgosto,
    imposto e pressuposto,
    composto de intransigência

    Exposto o oposto,
    disposto e com gosto,
    mas pela intolerância deposto,
    a contragosto

  6. Aridez, paz, amor

    26 de abril de 2013


    Ante a aridez dos corações,
    Alguma paz, algum amor.





  7. Círculo

    18 de abril de 2013

    (Emerson Leal/Tom Zé)

    Todos finos e educados
    Todos elegantes e limpos
    Asseados, sérios, sisudos

    Todos são compenetrados
    Todos são católicos, castos
    Argumentam com fluência
    Pois são alfabetizados

    Porém, quanto à hipocrisia
    E no seu dom perdulário
    Têm nível universitário

    Todos são contra o vício
    Todos abominam o vício
    E combatem tudo o que é vício

    Não aceitam viciados
    Nunca comem no mesmo prato
    Não perdoam nenhum vício
    Não sabem de nenhum vício

    Não querem saber de vícios
    Mas no seu vício diário
    Têm nível universitário




  8. Nascemos num campo de futebol
    Carregamos no peito, cada um, batalhas incontáveis
    Projetamos a perigosa imagem do sonho.
    Nada causa mais horror à ordem do que homens e mulheres que sonham.
    Nós sonhamos. E organizamos o sonho.
    Nascemos negros, nordestinos, nisseis, índios,
    mulheres, mulatas, meninas de todas as cores,
    filhos, netos de italianos, alemães, árabes, judeus,
    portugueses, espanhóis, poloneses, tantos...
    Nascemos assim, desiguais, como todos os sonhos humanos.
    Fomos batizados na pia, na água dos rios, nos terreiros.
    Fomos, ao nascer, condenados a amar a diferença.
    A amar os diferentes.
    Viemos da margem.
    Somos a anti-sinfonia
    que estorna da estreita pauta da melodia.
    Não cabemos dentro da moldura...
    Somos dilacerados como todos os filhos da paixão.
    Briguentos. Desaforados. Unidos. Livres:
    como meninos de rua.
    Assombrados pela vertigem dos ventos que desatamos.
    Venceu a solidez da mentira, do preconceito.
    Desta vez a fortaleza ruiu diante dos nossos olhos.
    E só havia ratos depois dos muros.
    A fortaleza agora está vazia
    ou povoada de fantasmas.
    O caminho que conduz a ela passa por muitos lugares.
    Caravanas: pelas estradas empoeiradas,
    pela esperança empoeirada do povo,...
    mas sobretudo pela invencível alegria
    que o rosto castigado da gente demonstra à sua passagem.
    Os filhos da margem têm os olhos postos sobre nós.
    Eles sabem, nós sabemos que a vida não nos concederá outra oportunidade.
    Hoje temos uma cara. Uma voz. Bandeiras.
    Temos sonhos organizados.
    Queremos um país onde não se matem crianças
    que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro.
    Onde os filhos da margem tenham direito à terra,
    ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,
    às histórias que povoam nossa imaginação,
    às raízes de nossa alegria.
    Nosso retrato futuro resultará
    da desencontrada multiplicação
    dos sonhos que desatamos.

    Pedro Tierra - 1994

  9. A música cantada e tocada na língua inglesa está tão ou mais presente na vida dos brasileiros quanto a música de nossos conterrâneos. Muito por conta de um processo histórico de aquisição de cultura pelo nosso país, que sempre recebeu entusiasticamente “de fora” manifestações artísticas diversas. Especificamente a música de raízes anglo-saxônicas, por sua vez, ganhou força nos moldes atuais, mais expressivamente em decorrência de um processo de expansão cultural norte-americano a partir de meados do século passado (também por influência de uma pressão político-ideológica da época).

    O fato é que, para muitos brasileiros, a música cantada em inglês soa com muito mais fluidez aos ouvidos do que canções lusitanas, por exemplo. Em geral, nossa geração atribui qualidade superior aos sons da Billboard. Sou um apreciador declarado da música tupiniquim e procuro entrar em contato com músicas de outras línguas, que não a inglesa, sempre que possível. Mas ao sintonizar nossas rádios – uma das formas que tenho de ficar “antenado” no que está acontecendo no mundo da música –, a predominância anglo-saxã é evidente.

    De tempos em tempos, entre centenas de pops pasteurizados e outros milhares dances contagiantes (e uniformes), surgem sons que me chamam atenção pelo inusitado, pela possibilidade de ser algo inovador (ainda que, no fundo, nem seja tão novidade assim) e fora das fórmulas para o “sucesso garantido”. Tem sido assim com um som que sempre me chamou a atenção e recentemente descobri se tratar da música Folk (da palavra folclórica mesmo), atualizada em Folk-Rock ou Folk-Pop.

    Um dos expoentes e responsáveis por influenciar este estilo é Bob Dylan, um dos grandes  músicos norte-americanos, que despontou para o sucesso na década de 1960, e cuja música carrega influências de Blues e Country. 

    (Ouça alguns dos clássicos do Folk-Rock de Dylan enquanto lê este post, para você saber do que estou falando!).


    Recentemente, conseguiu espaço nas rádios brasileiras (sem grandes destaques) a banda The Lumineers, de Nova Jersey, que lançou álbum homônimo de estreia em 2012. Além da contagiante canção “Ho Hey”, sucesso que garantiu ao grupo estar listado entre as 10 maiores vendas nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido no ano passado, o disco traz outras pérolas musicais, como “Stubborn Love”, “Submarines”, só pra citar algumas entre tantas. 

    (Continue ouvindo, agora o som dessa banda, e veja se não é realmente diferente e bom de ouvir)


    Entre outras bandas que fazem sucesso relativo dentro do universo deste rótulo musical estão a Mumford and Sons, esta inglesa de Londres, muito querida entre os brasileiros que gostam de descobrir música pela internet. Outros que chamam a atenção são os americanos do  Vetiver, grupo com ótimas canções, entre elas a quase country “Hook e Ladder” ou a pop “More of this”.

    Folk à moda brasileira

    No Brasil, o Folk também influenciou bandas do chamado universo “indie”, que ganhou a cena musical nos últimos anos com o crescimento da relevância da internet como difusora cultural. Música brasileira com referências anglo-saxônicas ou música de língua inglesa cantada em português – vai depender do grau de crítica que seu ouvido faz à músicos nacionais que bebem da fonte estrangeira –, o Vanguart é o maior expoente nacional desse gênero atualmente (num passado não muito distante, podemos considerar o som de Raul Seixas e Mutantes, com alguma proximidade com o estilo de Dylan).

    Desde os primeiros acordes da banda, passando pelo primeiro disco “Vanguart”, lançado em 2007 (cantado parcialmente em inglês), até o mais recente e ótimo "Boa Parte de Mim Vai Embora", de 2011 (este predominantemente em português), a influência do Folk-Rock é evidente. Em canções do primeiro - como “Semáforo” , “The last time I saw you” - ou do segundo – mais rock com “Se tiver que ser na bala, vai”, mais melancólico em “Nessa cidade”, ou flertando com referências latinas em “Mi vida eres tu” – encontramos o Folk à moda brasileira.

    O estilo, como remete a própria raiz etimológica da palavra - resultado da sabedoria popular (folk lore) -, era a música feita fora dos círculos da alta cultura urbana. Em nossa aldeia global, o Folk-Rock/Folk-Pop também corre às margens dos holofotes do 'mainstream'  (ou aportuguesando a expressão: indústria cultural), e, apesar de ter algumas exceções radiofônicas, ainda é propagado, sobretudo, por meios alternativos de difusão cultural. 

    Ouça outra lista variada com bandas citadas neste post, e outras que não foram:

    https://soundcloud.com/gabriel-araujo-16/sets/folk-rock-e-folk-pop


  10. A vida do líder africano Nelson Mandela não caberia em uma trilogia, quanto menos em um único filme. Recentemente, duas inspiradas e inspiradoras produções americanas, A luta pela liberdade (Goodbye Bafana) - 2007 e Invictus – 2009, retrataram parte da biografia do ex-presidente, símbolo da resistência ao apartheid (regime de segregação racial adotado entre 1948 e 1994 na África do Sul) e referência mundial na luta contra o racismo.

    Apesar de não esgotarem as facetas dessa figura tão importante para a história contemporânea, os filmes mostram em meio aos dramas vividos pelos personagens centrais, momentos cruciais da biografia de Madiba (o apelido carinhoso de Mandela que remete ao clã da qual sua família descende). O primeiro termina no momento em que Mandela ganha a liberdade, em 1990, depois de 26 anos na prisão. O segundo começa justamente com cenas de Mandela sendo solto e se tornando presidente da África do Sul.

    Portanto, são filmes que, mesmo não sendo continuações oficiais, servem muito bem à transição entre os dois períodos da história do líder africano. E as semelhanças entre as narrativas vão além do fato de tratarem da biografia de uma única personalidade. Ambos têm como co-protagonistas homens brancos que veem suas vidas serem modificadas pelo relacionamento marcante com Mandela. É a metáfora para a influência de Mandela nas transformações ocorridas em seu país.

    A luta pela liberdade conta a história de James Gregory (Joseph Fiennes), um típico branco sul-africano, que enxerga os negros como seres inferiores, assim como a maioria da população branca que vivia na África do Sul sob o apartheid dos anos 60. Crescido no interior, ele fala bem o dialeto Xhosa. Exatamente por isso, não é um carcereiro comum: atua, na verdade, como espião do governo com a missão de repassar informações do grupo de Nelson Mandela (Dennis Haysbert) para o serviço de inteligência.

    A convivência com Madiba, porém, cria um forte laço de amizade entre eles e transforma James em um defensor dos direitos negros na África do Sul. Dirigido por Bille August, é um filme que apela para relatos mais objetivos dos fatos, sem cenas de forte apelo emocional ou ufanismos que engrandeçam a figura dos protagonistas.

    Numa das melhores cenas de Goodbye Bafana, Mandela e James se aproximam ainda mais relembrando a infância de ambos num jogo/luta tribal.

    Invictus é o típico filme americano de exaltação aos feitos heroicos de seus personagens diante de uma situação desafiadora – não necessariamente algo negativo ou que distorça a realidade quando se sabe que Mandela ganhou, por exemplo, o Nobel da Paz por suas ações à frente do país. Nesta produção, do diretor Clint Eastwood, Nelson Mandela (Morgan Freeman), recentemente eleito presidente, tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país social e economicamente dividido pelo racismo, em decorrência do apartheid.

    A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi (o esporte mais popular na África do Sul), pela primeira vez realizada no país, dá a Mandela a ideia de usar o esporte para tentar unir a população. Para tanto, chama o jogador Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, para uma reunião e o incentiva a levar a seleção nacional ao campeonato. Pienaar vira um aliado de Mandela na empreitada e acaba lutando por algo muito maior do que a vitória nas partidas: ele consegue fazer com que os jogadores, até aquele momento todos brancos, aceitem jogar ao lado de atletas negros. E com isso, representar que era possível a convivência e cooperação entre pessoas de cores de pele diferentes.

    Uma das últimas cenas de Invictus, quando a seleção de Pienaar vence e negros e brancos torcem e comemoram juntos

    A trajetória de Nelson Mandela provavelmente dará outros bons filmes, já que sua história apresenta fatos singulares que chamam a atenção. Assim como outras personalidades históricas importantes, há em sua biografia fatos contraditórios, como a conduta de pessoas próximas a Mandela (entre elas uma de suas ex-esposas, Winnie, envolvida em vários escândalos políticos). Nada, porém, que diminua seu valor para os direitos humanos.

    Com sinopses do site www.adorocinema.com

  11. *Escrito especialmente para o blog da Verinha (Oi Preguiça).

    Sempre associei viajar a São Paulo com “comprar” e “resolver problemas de documentação”. Fluminense por nascimento e carioca por opção (moro na cidade do Rio de Janeiro há prazerosos 6 anos), confesso que olhava para a Terra da Garoa com uma certa indiferença. A cidade nunca me foi atrativa, como não era para o baiano Caetano Veloso que cantou os seguintes versos sobre:

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    “É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
    Da dura poesia concreta de tuas esquinas
    Da deselegância discreta de tuas meninas”

    Acontece que, recentemente, precisei ir à cidade a trabalho. Como era um fim de semana e estava acompanhado por bons amigos, entre um compromisso e outro pude conhecer um lado novo de Sampa, pelo menos pra mim.

    Primeira parada: compras

    Como não poderia deixar de ser, meu roteiro em São Paulo começou, claro, pelas compras. Sábado de manhã fomos até a região do Brás comprar roupas e assessórios de marcas conhecidas a “preços de atacado” como costumam dizer.

    Fiz uma parada gastronômica nas carrocinhas espalhadas nas proximidades da Rua Maria Marcolina para comer milho cozido e pamonha. Depois desci até a Rua Oriente, onde estão concentradas as principais lojas.

    Dica para o mochileiro(1): grande parte dos estabelecimentos de roupas não tem provador, ou seja, os clientes não podem experimentar. Na verdade, por conta do objetivo principal das lojas que é vender “no atacado”. O preço compensa, mas se prepare para uma compra às escuras.

    Segunda parada: à noite, boteco e show musical

    A intensidade cultural de Sampa chega a ser impressionante. Shows, teatro, cinema, exposições, boates, tudo com uma diversidade singular entre as capitais brasileiras, estimulado pelos paulistas, que dão um show no quesito “consumo cultural”.

    Fui ao ótimo show do cantor e compositor Emerson Leal, no teatro Juca Chaves, bairro Itaim Bibi. Merece uma atenção especial a programação desse teatro, sempre muito variada e de qualidade.

    Dica para o mochileiro (2): Acompanhe o site Catraca Livre, uma iniciativa de jornalismo comunitário que reúne os principais eventos culturais gratuitos na cidade.

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    Mais tarde fomos ao Bar Genésio, localizado em um dos pontos de encontro mais conhecidos da noite na Paulicéia Desvairada: a Rua Fidalga no bairro Pinheiros. O local mistura a informalidade dos botecos com a sofisticação gastronômica das cantinas italianas. Acompanhando os chopps gelados pedimos uma boa massa como aperitivo.

    Terceira parada: As delícias do Mercado Municipal

    O café da manhã de domingo foi especial no Mercado Municipal, localizado em um dos corações da cidade, a Sé. Os sanduíches de pão francês com ingredientes os mais diversos (mortadela, queijos, presuntos variados, hortaliças e molhos) e os pastéis "tamanho família" são indispensáveis.

    Nas diversas quitandas espalhadas pelo mercado a dica é pedir uma prova das frutas exóticas ou não, de diversas regiões do país, sempre frescas e saborosas. Comemos Dekopon (deliciosa mistura de laranja com tangerina), Pitaya Rosa e Branca (de textura parecida com Kiwi), Ameixas diversas, entre outras, e levamos algumas pra casa.

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    Quarta parada: Feira da Liberdade

    O bairro que abriga imigrantes de descendência japonesa foi um dos passeios mais interessantes em São Paulo. Artesanato, Origamis, Bonsais, entre outros objetos podem ser adquiridos a preços atrativos. A parada obrigatória foi na barraca de Guioza, um tipo de pastel japonês grelhado com recheio de carnes diversas e aqueles molhos orientais que, todo mundo sabe, são uma delícia.

    Quinta Parada: Almoço napolitano

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    Nossos guias na capital paulistana acertaram em terminar nosso fim de semana em uma das típicas cantinas que servem vinho e comida italiana, especialidade na cidade. Fomos ao restaurante Vico d'O Scugnizzo (nome que no dialeto napolitano significa “Beco do Moleque de Rua”). Lá pudemos conhecer um pouco sobre um povo sonoro e alegre, através da arquitetura, da música (em apresentação ao vivo com canções típicas) e da tradicional cozinha napolitana.

    Dica para o mochileiro (3): A ampla malha metroviária da Terra da Garoa permite um deslocamento barato, fácil e rápido pelos bairros deste roteiro. Procure fazer tudo, ou quase tudo, de metrô.

    Sexta e última parada: Beco do Batman

    No fim do passeio, fizemos ainda uma ida rápida ao Beco do Batman, como é mais conhecida a Rua Gonçalo Afonso, na Vila Madalena. Uma verdadeira galeria a céu aberto, a viela passou a ter seus muros e paredes de casas grafitadas ainda na década de 1980. Contam que a área estava em decadência e a arte urbana foi a responsável por tornar o local um dos novos pontos turísticos da cidade. Vale muito a pena conferir a “energia criativa” do Beco do Batman.

    Como o mochileiro pode notar, foi um final de semana regado a muita comida boa e passeios interessantes. Não deixamos de curtir opções culturais, mas o melhor de tudo foi conhecer Sampa com novos olhares.

    “Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
    Mais possível novo quilombo de Zumbi
    E os novos baianos passeiam na tua garoa
    E novos baianos te podem curtir numa boa” (Caetano Veloso)

    As fotos desse post foram feitas por Renam Brandão.