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Álbum - As ruínas de São João Marcos
20 de maio de 2013
Postado por Unknown às 11:52 | Sessões: álbum | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Natureza exuberante e história no interior do estado do Rio de Janeiro.
13 de maio de 2013
Publicado originalmente no OiPreguica.Ainda pouco explorado pelos que curtem uma aventura em meio à natureza, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é um achado valioso e interessante. Além das belas paisagens que a rota turística ecológica proporciona, na visita o mochileiro também tem a oportunidade de conhecer um pouco da história do Brasil.Localizado a 20 quilômetros da pequena cidade de Rio Claro (RJ), na serra do Piloto, o local é considerado o primeiro sítio arqueológico urbano do país. Até o início do século passado (nos anos de 1940) havia ali uma cidade, no entanto, por conta da necessidade da construção da represa de Ribeirão das Lajes (hoje administrada pela Light) para abastecer a cidade do Rio de Janeiro, à época na iminência de uma falta d’água, o lugarejo foi alagado e as construções demolidas.Com a represa pronta, as águas baixaram em boa parte da área onde ficava a cidade. Num passado mais recente, um grupo de arqueólogos e historiadores tocaram projeto de escavações com o objetivo de localizar e recuperar as ruínas de São João Marcos, que chegou a ter 20 mil habitantes no final do século XIX e era um dos pontos estratégicos para o escoamento da produção de café no Brasil, na época.Chegar ao Parque é fácil. Para quem está no Rio, seguir de carro a Avenida Brasil em direção ao bairro de Santa Cruz. Depois pegar a rodovia Rio-Santos (BR-101) em direção à Angra dos Reis. No trevo de Mangaratiba, virar à direita para a Serra do Piloto (RJ-149) e seguir a estrada, asfaltada recentemente.Para quem está em São Paulo, Sul Fluminense e Vale do Paraíba, seguir pela via Dutra (BR-116) no sentido Rio de Janeiro. Após passar a primeira saída para Volta Redonda, ainda na Dutra, entrar na estrada de Getulândia e seguir até a RJ-155. Seguir pela RJ-155 e, ao passar pela entrada do município de Rio Claro, virar à esquerda na Estrada RJ-149. Após o portal de entrada do Parque há um pequeno trecho em estrada de chão, que pode ser feito a pé ou de carro.Lá a primeira parada é um museu onde estão objetos dos antigos moradores do local, além de uma maquete que reproduz como era o vilarejo no início do século passado. A história é contada por um guia treinado e também em vídeos-documentários, que têm inclusive depoimentos de ex-moradores. Pra quem não tem muita paciência com histórias (eu não sou um desses!), vale a pena ganhar (e não perder!) 30 minutos do seu tempo no minimuseu.Depois, basta aproveitar o dia. As trilhas do parque levam a ruínas de casas, pontes, a igreja Matriz e um cemitério – este num dos únicos pontos que não foram alagados pelas águas da represa. A natureza no parque é esplêndida. Para os observadores de aves, podem ser vistas ali algumas belas espécies.Seguindo por uma estrada de chão (uma antiga estrada real pela qual Dom Pedro viajava), o mochileiro chega às margens de uma das áreas alagadas pela represa. Em dias ensolarados, a boa pedida é tomar um banho nas águas (naquele trecho límpidas) dos rios Piraí e Paraíba do Sul.Postado por Unknown às 07:31 | Sessões: álbum, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Desgosto pressuposto
6 de maio de 2013
Exposto o desgosto,imposto e pressuposto,composto de intransigênciaExposto o oposto,disposto e com gosto,mas pela intolerância deposto,a contragostoPostado por Unknown às 11:32 | Sessões: textos | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Aridez, paz, amor
26 de abril de 2013
Postado por Unknown às 07:33 | Sessões: álbum, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Círculo
18 de abril de 2013
(Emerson Leal/Tom Zé)Todos finos e educadosTodos elegantes e limposAsseados, sérios, sisudos
Todos são compenetradosTodos são católicos, castosArgumentam com fluênciaPois são alfabetizados
Porém, quanto à hipocrisiaE no seu dom perdulárioTêm nível universitário
Todos são contra o vícioTodos abominam o vícioE combatem tudo o que é vício
Não aceitam viciadosNunca comem no mesmo pratoNão perdoam nenhum vícioNão sabem de nenhum vício
Não querem saber de víciosMas no seu vício diárioTêm nível universitário
Postado por Unknown às 10:12 | Sessões: comentários, música | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Os filhos da paixão (alguns trechos)
16 de abril de 2013
Nascemos num campo de futebol
Carregamos no peito, cada um, batalhas incontáveis
Projetamos a perigosa imagem do sonho.
Nada causa mais horror à ordem do que homens e mulheres que sonham.
Nós sonhamos. E organizamos o sonho.
Nascemos negros, nordestinos, nisseis, índios,
mulheres, mulatas, meninas de todas as cores,
filhos, netos de italianos, alemães, árabes, judeus,
portugueses, espanhóis, poloneses, tantos...
Nascemos assim, desiguais, como todos os sonhos humanos.
Fomos batizados na pia, na água dos rios, nos terreiros.
Fomos, ao nascer, condenados a amar a diferença.
A amar os diferentes.
Viemos da margem.
Somos a anti-sinfonia
que estorna da estreita pauta da melodia.
Não cabemos dentro da moldura...
Somos dilacerados como todos os filhos da paixão.
Briguentos. Desaforados. Unidos. Livres:
como meninos de rua.
Assombrados pela vertigem dos ventos que desatamos.
Venceu a solidez da mentira, do preconceito.
Desta vez a fortaleza ruiu diante dos nossos olhos.
E só havia ratos depois dos muros.
A fortaleza agora está vazia
ou povoada de fantasmas.
O caminho que conduz a ela passa por muitos lugares.
Caravanas: pelas estradas empoeiradas,
pela esperança empoeirada do povo,...
mas sobretudo pela invencível alegria
que o rosto castigado da gente demonstra à sua passagem.
Os filhos da margem têm os olhos postos sobre nós.
Eles sabem, nós sabemos que a vida não nos concederá outra oportunidade.
Hoje temos uma cara. Uma voz. Bandeiras.
Temos sonhos organizados.
Queremos um país onde não se matem crianças
que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro.
Onde os filhos da margem tenham direito à terra,
ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,
às histórias que povoam nossa imaginação,
às raízes de nossa alegria.
Nosso retrato futuro resultará
da desencontrada multiplicação
dos sonhos que desatamos.
Pedro Tierra - 1994Postado por Unknown às 13:51 | Sessões: textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Folk é alternativa para música em inglês
8 de abril de 2013
A música cantada e tocada na língua inglesa está tão ou mais presente na vida dos brasileiros quanto a música de nossos conterrâneos. Muito por conta de um processo histórico de aquisição de cultura pelo nosso país, que sempre recebeu entusiasticamente “de fora” manifestações artísticas diversas. Especificamente a música de raízes anglo-saxônicas, por sua vez, ganhou força nos moldes atuais, mais expressivamente em decorrência de um processo de expansão cultural norte-americano a partir de meados do século passado (também por influência de uma pressão político-ideológica da época).O fato é que, para muitos brasileiros, a música cantada em inglês soa com muito mais fluidez aos ouvidos do que canções lusitanas, por exemplo. Em geral, nossa geração atribui qualidade superior aos sons da Billboard. Sou um apreciador declarado da música tupiniquim e procuro entrar em contato com músicas de outras línguas, que não a inglesa, sempre que possível. Mas ao sintonizar nossas rádios – uma das formas que tenho de ficar “antenado” no que está acontecendo no mundo da música –, a predominância anglo-saxã é evidente.De tempos em tempos, entre centenas de pops pasteurizados e outros milhares dances contagiantes (e uniformes), surgem sons que me chamam atenção pelo inusitado, pela possibilidade de ser algo inovador (ainda que, no fundo, nem seja tão novidade assim) e fora das fórmulas para o “sucesso garantido”. Tem sido assim com um som que sempre me chamou a atenção e recentemente descobri se tratar da música Folk (da palavra folclórica mesmo), atualizada em Folk-Rock ou Folk-Pop.Um dos expoentes e responsáveis por influenciar este estilo é Bob Dylan, um dos grandes músicos norte-americanos, que despontou para o sucesso na década de 1960, e cuja música carrega influências de Blues e Country.
(Ouça alguns dos clássicos do Folk-Rock de Dylan enquanto lê este post, para você saber do que estou falando!).
Recentemente, conseguiu espaço nas rádios brasileiras (sem grandes destaques) a banda The Lumineers, de Nova Jersey, que lançou álbum homônimo de estreia em 2012. Além da contagiante canção “Ho Hey”, sucesso que garantiu ao grupo estar listado entre as 10 maiores vendas nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido no ano passado, o disco traz outras pérolas musicais, como “Stubborn Love”, “Submarines”, só pra citar algumas entre tantas.
(Continue ouvindo, agora o som dessa banda, e veja se não é realmente diferente e bom de ouvir)
Entre outras bandas que fazem sucesso relativo dentro do universo deste rótulo musical estão a Mumford and Sons, esta inglesa de Londres, muito querida entre os brasileiros que gostam de descobrir música pela internet. Outros que chamam a atenção são os americanos do Vetiver, grupo com ótimas canções, entre elas a quase country “Hook e Ladder” ou a pop “More of this”.Folk à moda brasileiraNo Brasil, o Folk também influenciou bandas do chamado universo “indie”, que ganhou a cena musical nos últimos anos com o crescimento da relevância da internet como difusora cultural. Música brasileira com referências anglo-saxônicas ou música de língua inglesa cantada em português – vai depender do grau de crítica que seu ouvido faz à músicos nacionais que bebem da fonte estrangeira –, o Vanguart é o maior expoente nacional desse gênero atualmente (num passado não muito distante, podemos considerar o som de Raul Seixas e Mutantes, com alguma proximidade com o estilo de Dylan).Desde os primeiros acordes da banda, passando pelo primeiro disco “Vanguart”, lançado em 2007 (cantado parcialmente em inglês), até o mais recente e ótimo "Boa Parte de Mim Vai Embora", de 2011 (este predominantemente em português), a influência do Folk-Rock é evidente. Em canções do primeiro - como “Semáforo” , “The last time I saw you” - ou do segundo – mais rock com “Se tiver que ser na bala, vai”, mais melancólico em “Nessa cidade”, ou flertando com referências latinas em “Mi vida eres tu” – encontramos o Folk à moda brasileira.
O estilo, como remete a própria raiz etimológica da palavra - resultado da sabedoria popular (folk lore) -, era a música feita fora dos círculos da alta cultura urbana. Em nossa aldeia global, o Folk-Rock/Folk-Pop também corre às margens dos holofotes do 'mainstream' (ou aportuguesando a expressão: indústria cultural), e, apesar de ter algumas exceções radiofônicas, ainda é propagado, sobretudo, por meios alternativos de difusão cultural.
Ouça outra lista variada com bandas citadas neste post, e outras que não foram:
https://soundcloud.com/gabriel-araujo-16/sets/folk-rock-e-folk-popPostado por Unknown às 06:40 | Sessões: listas, música | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Sessão dupla: dois filmes sobre Mandela
1 de abril de 2013
A vida do líder africano Nelson Mandela não caberia em uma trilogia, quanto menos em um único filme. Recentemente, duas inspiradas e inspiradoras produções americanas, A luta pela liberdade (Goodbye Bafana) - 2007 e Invictus – 2009, retrataram parte da biografia do ex-presidente, símbolo da resistência ao apartheid (regime de segregação racial adotado entre 1948 e 1994 na África do Sul) e referência mundial na luta contra o racismo.Apesar de não esgotarem as facetas dessa figura tão importante para a história contemporânea, os filmes mostram em meio aos dramas vividos pelos personagens centrais, momentos cruciais da biografia de Madiba (o apelido carinhoso de Mandela que remete ao clã da qual sua família descende). O primeiro termina no momento em que Mandela ganha a liberdade, em 1990, depois de 26 anos na prisão. O segundo começa justamente com cenas de Mandela sendo solto e se tornando presidente da África do Sul.Portanto, são filmes que, mesmo não sendo continuações oficiais, servem muito bem à transição entre os dois períodos da história do líder africano. E as semelhanças entre as narrativas vão além do fato de tratarem da biografia de uma única personalidade. Ambos têm como co-protagonistas homens brancos que veem suas vidas serem modificadas pelo relacionamento marcante com Mandela. É a metáfora para a influência de Mandela nas transformações ocorridas em seu país.A luta pela liberdade conta a história de James Gregory (Joseph Fiennes), um típico branco sul-africano, que enxerga os negros como seres inferiores, assim como a maioria da população branca que vivia na África do Sul sob o apartheid dos anos 60. Crescido no interior, ele fala bem o dialeto Xhosa. Exatamente por isso, não é um carcereiro comum: atua, na verdade, como espião do governo com a missão de repassar informações do grupo de Nelson Mandela (Dennis Haysbert) para o serviço de inteligência.A convivência com Madiba, porém, cria um forte laço de amizade entre eles e transforma James em um defensor dos direitos negros na África do Sul. Dirigido por Bille August, é um filme que apela para relatos mais objetivos dos fatos, sem cenas de forte apelo emocional ou ufanismos que engrandeçam a figura dos protagonistas.Numa das melhores cenas de Goodbye Bafana, Mandela e James se aproximam ainda mais relembrando a infância de ambos num jogo/luta tribal.Já Invictus é o típico filme americano de exaltação aos feitos heroicos de seus personagens diante de uma situação desafiadora – não necessariamente algo negativo ou que distorça a realidade quando se sabe que Mandela ganhou, por exemplo, o Nobel da Paz por suas ações à frente do país. Nesta produção, do diretor Clint Eastwood, Nelson Mandela (Morgan Freeman), recentemente eleito presidente, tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país social e economicamente dividido pelo racismo, em decorrência do apartheid.A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi (o esporte mais popular na África do Sul), pela primeira vez realizada no país, dá a Mandela a ideia de usar o esporte para tentar unir a população. Para tanto, chama o jogador Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, para uma reunião e o incentiva a levar a seleção nacional ao campeonato. Pienaar vira um aliado de Mandela na empreitada e acaba lutando por algo muito maior do que a vitória nas partidas: ele consegue fazer com que os jogadores, até aquele momento todos brancos, aceitem jogar ao lado de atletas negros. E com isso, representar que era possível a convivência e cooperação entre pessoas de cores de pele diferentes.
Uma das últimas cenas de Invictus, quando a seleção de Pienaar vence e negros e brancos torcem e comemoram juntosA trajetória de Nelson Mandela provavelmente dará outros bons filmes, já que sua história apresenta fatos singulares que chamam a atenção. Assim como outras personalidades históricas importantes, há em sua biografia fatos contraditórios, como a conduta de pessoas próximas a Mandela (entre elas uma de suas ex-esposas, Winnie, envolvida em vários escândalos políticos). Nada, porém, que diminua seu valor para os direitos humanos.Com sinopses do site www.adorocinema.comPostado por Unknown às 08:59 | Sessões: cenas, opinião, textos | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Um fim de semana gastronômico e cultural em São Paulo
28 de março de 2013
*Escrito especialmente para o blog da Verinha (Oi Preguiça).
Sempre associei viajar a São Paulo com “comprar” e “resolver problemas de documentação”. Fluminense por nascimento e carioca por opção (moro na cidade do Rio de Janeiro há prazerosos 6 anos), confesso que olhava para a Terra da Garoa com uma certa indiferença. A cidade nunca me foi atrativa, como não era para o baiano Caetano Veloso que cantou os seguintes versos sobre:
“É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas”
Acontece que, recentemente, precisei ir à cidade a trabalho. Como era um fim de semana e estava acompanhado por bons amigos, entre um compromisso e outro pude conhecer um lado novo de Sampa, pelo menos pra mim.
Primeira parada: compras
Como não poderia deixar de ser, meu roteiro em São Paulo começou, claro, pelas compras. Sábado de manhã fomos até a região do Brás comprar roupas e assessórios de marcas conhecidas a “preços de atacado” como costumam dizer.
Fiz uma parada gastronômica nas carrocinhas espalhadas nas proximidades da Rua Maria Marcolina para comer milho cozido e pamonha. Depois desci até a Rua Oriente, onde estão concentradas as principais lojas.
Dica para o mochileiro(1): grande parte dos estabelecimentos de roupas não tem provador, ou seja, os clientes não podem experimentar. Na verdade, por conta do objetivo principal das lojas que é vender “no atacado”. O preço compensa, mas se prepare para uma compra às escuras.
Segunda parada: à noite, boteco e show musical
A intensidade cultural de Sampa chega a ser impressionante. Shows, teatro, cinema, exposições, boates, tudo com uma diversidade singular entre as capitais brasileiras, estimulado pelos paulistas, que dão um show no quesito “consumo cultural”.
Fui ao ótimo show do cantor e compositor Emerson Leal, no teatro Juca Chaves, bairro Itaim Bibi. Merece uma atenção especial a programação desse teatro, sempre muito variada e de qualidade.
Dica para o mochileiro (2): Acompanhe o site Catraca Livre, uma iniciativa de jornalismo comunitário que reúne os principais eventos culturais gratuitos na cidade.
Mais tarde fomos ao Bar Genésio, localizado em um dos pontos de encontro mais conhecidos da noite na Paulicéia Desvairada: a Rua Fidalga no bairro Pinheiros. O local mistura a informalidade dos botecos com a sofisticação gastronômica das cantinas italianas. Acompanhando os chopps gelados pedimos uma boa massa como aperitivo.
Terceira parada: As delícias do Mercado Municipal
O café da manhã de domingo foi especial no Mercado Municipal, localizado em um dos corações da cidade, a Sé. Os sanduíches de pão francês com ingredientes os mais diversos (mortadela, queijos, presuntos variados, hortaliças e molhos) e os pastéis "tamanho família" são indispensáveis.
Nas diversas quitandas espalhadas pelo mercado a dica é pedir uma prova das frutas exóticas ou não, de diversas regiões do país, sempre frescas e saborosas. Comemos Dekopon (deliciosa mistura de laranja com tangerina), Pitaya Rosa e Branca (de textura parecida com Kiwi), Ameixas diversas, entre outras, e levamos algumas pra casa.
Quarta parada: Feira da Liberdade
O bairro que abriga imigrantes de descendência japonesa foi um dos passeios mais interessantes em São Paulo. Artesanato, Origamis, Bonsais, entre outros objetos podem ser adquiridos a preços atrativos. A parada obrigatória foi na barraca de Guioza, um tipo de pastel japonês grelhado com recheio de carnes diversas e aqueles molhos orientais que, todo mundo sabe, são uma delícia.
Quinta Parada: Almoço napolitano
Nossos guias na capital paulistana acertaram em terminar nosso fim de semana em uma das típicas cantinas que servem vinho e comida italiana, especialidade na cidade. Fomos ao restaurante Vico d'O Scugnizzo (nome que no dialeto napolitano significa “Beco do Moleque de Rua”). Lá pudemos conhecer um pouco sobre um povo sonoro e alegre, através da arquitetura, da música (em apresentação ao vivo com canções típicas) e da tradicional cozinha napolitana.
Dica para o mochileiro (3): A ampla malha metroviária da Terra da Garoa permite um deslocamento barato, fácil e rápido pelos bairros deste roteiro. Procure fazer tudo, ou quase tudo, de metrô.
Sexta e última parada: Beco do Batman
No fim do passeio, fizemos ainda uma ida rápida ao Beco do Batman, como é mais conhecida a Rua Gonçalo Afonso, na Vila Madalena. Uma verdadeira galeria a céu aberto, a viela passou a ter seus muros e paredes de casas grafitadas ainda na década de 1980. Contam que a área estava em decadência e a arte urbana foi a responsável por tornar o local um dos novos pontos turísticos da cidade. Vale muito a pena conferir a “energia criativa” do Beco do Batman.
Como o mochileiro pode notar, foi um final de semana regado a muita comida boa e passeios interessantes. Não deixamos de curtir opções culturais, mas o melhor de tudo foi conhecer Sampa com novos olhares.
“Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa” (Caetano Veloso)
As fotos desse post foram feitas por Renam Brandão.Postado por Unknown às 21:46 | Sessões: textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Por aquele apartamento
15 de março de 2013
Por aquele apartamento já passaram mestrandos em história, concurseiros e micareteiros; socialistas, gays, lésbicas e simpatizantes, tucanos da extrema direita e peladeiros; católicos fervorosos, católicos, espíritas, músicos e bailarinos; maconheiros, loucos, amantes do samba e do rock; nerds, bêbados, engajados e alienados... Quantos rótulos!Ele mesmo tenta entender, e a conclusão a que sempre chega é a de que cabe dentro daquelas quatro paredes uma parte da diversidade do mundo, talvez porque caiba na mente e no coração do anfitrião todo respeito a qualquer diversidade.
Num determinado ponto de sua vida, ele chegou a conclusão de que valores e crenças que o afastavam das pessoas não valiam a pena. Valores e crenças que o estimulavam a prejulgar e condenar, mesmo sem intenção. Imaginava como poderia dizer que pessoas tão boas, que faziam pelo semelhante mais até do que ele com suas crenças e valores ditos "corretos", estariam excluídas.
Muitos se espantam e olham torto, com ar solene de preocupação. Deixam transparecer a veia do preconceito velado. Se esforçam por uma complacência desnecessária. Condenam em pensamento, provavelmente. Mostram o lado humano falho, que ele também possui. Segue sem importar com o que vão pensar.Ali, naquele pequeno espaço, batem papo, bebem suco, cerveja, falam sério, falam besteira e riem, debatem, discutem, se ajudam, desabafam. Brigam? Quase nunca. Ouvem música, fazem comida, se preparam pro carnaval. Aquele pequeno espaço, ali, virou, sem que ele quisesse ou esperasse, um reflexo de sua personalidade.
Postado por Unknown às 06:29 | Sessões: álbum, textos | 1 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Ser humano / Ser urbano
8 de março de 2013
Da série: "Textos que eu gostaria de ter escrito", esta crônica do Marcelo Rubens Paiva (publicada no Estadão em Dezembro do ano passado) expressa algumas verdades e sentimentos sobre morar em um grande centro urbano com suas trilhas labirínticas, mobilidades programadas e pessoas que se acostumaram a viver no ritmo frenético da cidade. É o ser humano transformado em ser urbano. Leia com atenção!
Xilogravura "Urbanóides" de Rubem GriloO urbano selvagemMarcelo Rubens Paiva
Tenho a sensação de que a maioria que me atende preferia desabafar: "Não estou aqui porque quero, mas porque pre-ci-so".
E quanto maior a cidade, mais indiferente fica o morador. Como uma defesa. Mais indiferente a problemas que "não são da minha esfera". Como há milhões circulando diariamente, se você reclama atenção exclusiva num guichê, uma fila de gente que aceita as regras se forma atrás. Portanto, se você acredita que há problemas no serviço oferecido, nem vem, pois quem fica do outro lado do balcão, porque pre-ci-sa, não porque adora, grita sem muita consideração: "Próximo!"
Como aprendemos na infância, a expressão precisa de um reacionário, os incomodados que se retirem.
Parece uma contradição, afinal, os sumérios inventaram as cidades, os gregos as transformaram em Estado, os romanos as aperfeiçoaram e popularizaram soluções engenhosas de engenharia para civilizar tribos e antigos aldeões selvagens. A burocracia estatal se firmou como solução para problemas criados pelo convívio em massa em espaços apertados. Problemas que não tínhamos quando morávamos em cavernas, tribos, aldeias.No ambiente labiríntico da burocracia estatal, a relação atendente & nós é tensa, ele está lá porque pre-ci-sa e ganha direitos específicos, imunidades, uma aposentadoria infinitamente mais justa que a nossa, privilégios do monopólio e estabilidade questionada do serviço público.Muita gente não está onde está porque quer, é um paradoxo urbano com que somos obrigados a conviver - a não ser que nos mudemos de chapéu e cuia para a casa do mesmo, onde Judas perdeu as botas, para plantar batatas, bananeiras e vermos se tem alguém na esquina.A maioria gostaria de estar numa praia, numa rede, numa ilha deserta, num resort luxuoso, ou numa rede de uma praia de um resort luxuoso de uma ilha deserta a que só se chega de navio, ou até numa espaçonave, não num balcão atendendo às queixas de sujeitos que desconhecem leis, protocolos, imprevistos.Estou aqui, pre-ci-so deste emprego, fiz concurso, fui indicado, escuto amigavelmente suas reclamações despropositais, para apontar com toda paciência e precisão o guichê correto, documento que falta, formulário a ser preenchido. E chego em casa afônico de tanto: "Próximo!"No metrô, instalaram novas, como chamam aquilo, catracas? Mas não fazem "cá-tra-cá" quando acionadas. São duas lâminas de vidro verticais muito ameaçadoras, nada onomatopeicas. O sujeito enfia o bilhete. Elas abrem. Se não passar rápido, elas fecham, como uma tesoura, cortam você em dois. Não fazem "cá-tra-cá", mas "vupt". Intimidação que começa na entrada. "Tente me enganar, que te quebro!" O vupt pode virar crau!Hora do rush. Depois de ultrapassarmos dentes afiados que excluem não pagantes, descemos pelo esôfago do transporte nada acolhedor, nos apertamos na plataforma até chegar nosso trem, o duodeno. Com movimentos peristálticos, viajamos pelos canais do intestino delgado, baldeação para o grosso, para sairmos do outro lado, noutra estação, no orifício de outro bairro, passando pelo esfíncter que dessa vez parece mais amigável e faz um vupt suave como um pum.Andar e ser tratado diariamente como um toco de fezes deixa qualquer um abominavelmente selvagem.Como em Londres, que tem o notório "mind the gap" (atente ao vão), o sistema de som dos metrôs daqui deveria, entre um quarteto de Mozart e uma ária de Bach, nos acalmar com uma voz doce, frases positivas e de cunho social, "quem espera sempre alcança", "seja justo e dê passagem", "calma, você vai chegar em tempo", "feche os olhos e pense numa rede de uma praia duma ilha deserta", "conte até dez, respire fundo", "acabamos de ouvir Concerto de Brandenburgo, allegro".
Postado por Unknown às 10:22 | Sessões: textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Transitoriedade de você
5 de março de 2013
Comprei casa, mudei cidadeEndereço, estado civil e número de sapatoFiz a escola da vidaE você não passou de um poema antigo no arquivo de um blogFui pra Madri, Paris, ItapecericaVirei mundoGritei basta*E você não passou de um livro cheio de orelhas, empoeirado, guardado no fundo da gavetaEscolhi azulejos, cor de tinta, móveis que combinamFui à 25 de março, desci no bonde de Santa TerezaVoei alto, aterrissei em abismosE você não passou de uma lembrança esquecida na memóriaAprendi a dançar sozinho, acompanhadoDesaprendi a fazer contas de matemáticaDancei samba, rock, sambaAs contas do mês não fecharamE você não passou de um esboço de sonho no rascunho que joguei foraGanhei dinheiro, assinei contratosComprei um terno, troquei o carroPor fim, desaprendi a caminhar no céu**E você não passou de uma música brega no meu aparelho de somBeijei moças, abracei amigos,Pulei carnaval, sete ondas, cercaTomei mil porres, de Brahma a Jhonny WalkerFui pós-mestre doutoradoE você passoucomo um dia de sol ou uma tempestadecomo uma tempestade que, apesar dos estragos que deixa, sempre passa.** Adaptação de trecho da música "Busca Vida" - de Herbert Vianna.Postado por Unknown às 05:47 | Sessões: álbum, textos | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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