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  1. Esqueça o filtro solar?

    25 de outubro de 2011



    Fica a dica...

  2. Sobre o papel de quem questiona

    17 de outubro de 2011

    "Questionamentos. Questionar o conhecimento consagrado.

    Dúvidas. Duvidar das certezas aprendidas.

    Indagações. Indagar os porquês das respostas perfeitas.

    Revisão. Rever o que é dado como certo.

    Sentir-se insatisfeito com o nível do conhecimento dominado e, além de tudo isto, reconhecer que o papel de quem questiona não pode encerrar-se no casulo egoísta do prazer de saber, mas deve ir além, contribuindo para que o conhecimento novo seja ingrediente para uma sociedade melhor."

    (Marcelo Milano Falcão Vieira e Cristina Amélia Carvalho na conclusão do artigo Sobre organizações, instituições e poder)

  3. Passe pra ela

    6 de outubro de 2011

    Passo por ela, reparo bem
    A moça passa e meu apreço,
    finge bem, não perceber

    Dou um passo no caminho pra dela;
    ela na estrada em direção a mim.
    Passamos a andar juntos
    passo a passo, afim

    Um passeio de dois
    e já não passamos sem falar
    Tudo peço, sem apressar
    A moça concede meu passe pra ela

    Somos enfim
    passageiro um do outro
    construindo passado
    Presente, num passe
    Futuro depressa


    *Ouvindo o ótimo "novo" CD do Marcelo Camelo: Toque dela

  4. Outro dos grandes filósofos contemporâneos que pensam o mundo atualmente. Aos 86 anos, Zigmunt Bauman está mais lúcido que muitos de nós. Vale assistir até o final para descobrir "o segredo da felicidade".


  5. Oi Preguiça - Visão Masculina

    24 de setembro de 2011

    Segue um texto publicado a convite da amiga Verinha, no blog Oi Preguiça. Sobre temas que não costumo publicar por aqui (não com tanta objetividade), mas que valeu pelo desafio:

    Visão Masculina - O homem que gosta da mulher "parceira"


    Quando recebi o convite pra escrever pro Oi Preguiça fiquei imaginando se teria espaço para um blogueiro do sexo masculino nesse sofá vermelho. Um espaço que vez ou outra é hostil aos “seres da minha espécie”, mas que no fundo sabe que não viveria sem eles. É o tal negócio: ruim com eles pior sem eles. Enfim, decidi aceitar o desafio.

    E resolvi tentar contribuir com a MINHA visão masculina sobre os assuntos que geralmente batem por aqui. Pensando em mim, percebi que sou um homem que gosta da mulher que é parceira. Aquela que está contigo pro que der e vier, custe o que custar e doa a quem doer.

    Para criar polêmica logo de uma vez, defendo a tese de que a Amélia, de Ataulfo Alves -aquela música “Amélia que era mulher de verdade...” -, realmente é a mulher que merece a minha atenção. Deixa eu explicar, antes que as feministas me joguem pedras.

    A música fala do cara que está num relacionamento com uma mulher que “faz tanta exigência”, que “só pensa em luxo e riqueza” e “tudo o que vê já quer comprar”. Até acredito haver otários que gostam das princesinhas dondocas, interesseiras aos montes por aí, que só se contentam com presentes caros, olham o seu carro, querem as baladas mais pop’s.


    Mas eu prefiro a Amélia, que pode estar “passando fome”, mas está ao meu lado, e que quando “me vê contrariado diz: meu nêgo o que se há de fazer”. Não que não gostaria de dar tudo pra pessoa que eu amo. Até porque acho que a mulher merece o melhor. Mas e quando não podemos? Aí é que vemos se o amor é ou não de verdade. Aí é que descobrimos quem é a parceira de verdade.


    Gosto da mulher que está comigo nos bons e maus momentos. Gosto da mulher sem frescura que me acompanha tanto num restaurante top, quanto num boteco pé-sujo pra ouvir música de garagem ou numa roda de samba no meio da rua.

    Aquela que me acompanha num bom vinho espumante, ou nos “três latão dez real” da Lapa. A mesma que levo pra um fim de semana num chalé em Maringá, ou numa barraca de camping apertada na beira do mar e acha bom, só pelo fato de estar ao meu lado. Ela existe e, felicidade, já está comigo!



  6. O fim de noite no bairro da Glória, Rio de Janeiro, foi de samba-rock. Lá pelas tantas minha amada e eu, já com as cabeças cheias de cerveja, fomos para um boteco na rua de trás ouvir o “boogie-woogie sem pandeiro”* de uma banda de rock.


    Tomando umas e outras, eis que, num intervalo, chega um desses senhores boêmios, magro de tanto trocar as refeições por “umazinha”, pele negra, cabelos brancos, olheiras profundas. Pede um trago da loura gelada na minha mesa. Dou um copo. Ele fica ali na mesa ao lado curtindo o rock e puxa papo.


    Fala que o som é bom. Diz com palavras tortas que se pegasse aquela bateria faria um som melhor que o dos jovens roqueiros. Mas eu, intrigado, indago.


    - O senhor tem cara de quem sabe bater um tamborim, to errado? -, era a deixa que faltava. Se desculpando a cada três palavras ele vai chegando mais perto. Quando vemos já está sentado conosco. “Vocês me desculpem, eu gosto mesmo é de um pandeiro. Me desculpa. Eu tocaria melhor que eles aí. Desculpa. A música tá legal”.


    - Samba é muito bom -, digo. Papo vai, e ele, depois de pedir desculpas mais uma vez, diz: “Eu tenho um samba assim:”, e canta pausadamente o refrão do que parece ser um samba canção bonito toda vida. “A lição da vida vai lhe ensinar a razão do viver.”


    “Bonito”, dizemos eu e ela. “Já quiseram me comprar ele, mas eu não quis”, tentando endireitar a embriaguez. A essa altura, guitarra, baixo e bateria já tinham sido guardados.


    E vai proferindo todas as palavras da letra linda cheia de dor e amor por aquela mulher que precisava aprender uma lição. Nessas horas a gente pede a Deus um gravador ou, no mínimo, uma memória de elefante.


    Papo vem, e virar confidente de bebum era o caminho anunciado. Lembra da mulher que inspirou a música. Passa a mão no rosto antes de começar a contar uma das histórias. “Um dia a gente foi morar em Belém do Pará. Ela com o Deleon nos braços”, para, respira fundo, os olhos vermelhos marejam, passa a mão no rosto mais uma vez.


    Pergunto: “Deleon é o seu filho?”. Faz que sim e continua.


    - E o malandro quis se engraçar com ela, ela com o Deleon nos braços! -, sem perguntar, faço a relação de que talvez ela também tenha se engraçado com o malandro. Ele vai em frente: “Perguntei se ele sabia de onde eu era: ‘Rio de Janeiro, moro na favela’. Dei lhe uma lição.”


    - Quiseram defender, mas no fim todo mundo me deu razão. Ela com o Deleon nos braços!? -, repete desolado, como quem diz: “Imagina só!”. Descobrimos que ele, apesar da mágoa que parece sentir, e provavelmente da que tenha causado à companheira, ainda é casado com ela. “Você me desculpa. Falo pra ela até hoje: ‘a vida ensina’.”


    O papo está bom. Olhamos um para o outro sorrindo. “Que figura rara! E que amor real!”, penso e imagino ter pensado ela também. A hora já vai adiantada, o sono já vencendo, peço a saideira e tento, sem sucesso, repetir o refrão.


    - Como é que é: ‘A razão da vida...’.


    - A lição da vida vai lhe ensinar a razão do viver -, corrige para que eu, enfim, memorizasse. Aperto sua mão.


    - Como é o nome do senhor?


    - Jaime.


    - E da sua senhora?


    -Sandra. Desculpa qualquer coisa.


    - Que nada. Prazer conversar com o senhor!


    Lição da vida aprendida, vamos embora.



    * Trecho adaptado da música Chiclete com Banana - Jackson do Pandeiro

  7. A minha “mídia” sou eu

    6 de setembro de 2011

    Assisti recentemente à palestra do filósofo, pensador contemporâneo, Pierre Lévy. É atualmente um dos mais respeitados teóricos que falam das novas mídias (internet, redes sociais, hipertextos, enfim, o universo digital). Em resumo, ele acredita na idéia de que estes novos meios de comunicação e seus dispositivos eletrônicos estão se tornando a extensão do próprio corpo do homem-usuário.


    Aqui no blog estava criando uma lista das “10 melhores músicas/artistas musicais para compartilhar” (o tão famoso botão “Share” do Facebook e outros aplicativos). A criação dessa seleção de artistas, como puderam acompanhar nos últimos meses, me mostrou como nos últimos tempos a afirmação do título desse post é cada vez mais uma realidade pra mim.

    Meus relacionamentos, meus gostos, meus ouvidos e olhos abertos à tudo o que está à minha volta... Eu sou a minha própria mídia.

    A mídia que dita tendências, cria modas, “faz a cabeça”, o uso mais corriqueiro deste termo, está migrando das mãos dos grandes veículos de massa para cada um de nós. Dos artistas que citei na minha lista, poucos tinham grande penetração nos meios tradicionais de comunicação populares, que até algum tempo atrás, se não ditavam, pelo menos orientavam meus gostos.

    Estes me abriam um leque de opções reduzido ao que já “existia” e já tinha “dado certo” e algumas poucas “novidades” que seguiam certo “padrão” de qualidade: o “pop” no sentido pejorativo da palavra. É fato que desde sempre, muita gente já apresenta gostos musicais diferentes daquilo que está “na moda”. Também é fato, porém, que agora ficou mais fácil e democrático “ser diferente”.

    Muitos afirmam que Pierre Lévy consegue exercitar em seus livros o dom da premonição. De fato ele “previu”, em meados dos anos 1990, vários dos acontecimentos que mexeriam com a vida de todos no novo milênio. Desde o mundo dos negócios, até o mundo dos relacionamentos íntimos, tudo está sendo transformado pelos avanços da web – a “grande rede”.

    Verdade que ainda existe uma grande parcela da população segregada dessas transformações. O próprio Lévy não nega a existências desses “marginais tecnológicos”, entretanto, como ele afirmou na palestra que tive o prazer de assistir, os números mostram que esta diferença está diminuindo, com tendência a deixar de existir.

    Para o filósofo, a interação é a base de tudo o que se almeja na internet. Segundo afirma, ainda não se chegou ao grau de interação total, mas muitos avanços aconteceram. Lévy criou a idéia da “web semântica”, que seria um nível mais elevado dessa interação. Na verdade, já existem centros de pesquisa pelo mundo trabalhando no desenvolvimento da ferramenta.

    Já imaginaram um mundo onde tudo o que há, desde pessoas, até objetos, bens de consumo, obras de arte, etc. “exista” também dentro da rede? Ouviram falar do “avatar” do Second Life? Pois é esta a idéia do cara.

    A minha lista de artistas para dividir - ainda que dentro das limitações dessa “web não-semântica” - é um sinal dessa interação. Traz artistas que fazem sentido pra mim e um grupo de pessoas que se relacionam comigo, que por sua vez se relacionam com outras pessoas na web, que numa das pontas desta rede ouviram um artista com músicas postadas em seu blog, myspace ou canal no youtube, ou simplesmente “pirateado” de um CD emprestado. Pelo menos 3 dos artistas citados disponibilizam as músicas gratuitamente para baixar pelo site Trama Virtual.

    O que mais me marcou da apresentação de Pierre Lévy, foi a compreensão de que o homem está tentando, cada vez mais, com as permissões das tecnologias, reproduzir aquilo que ele é na web. Só que de maneira ampliada, com possibilidades infinitas. O projeto da “realidade virtual” nada mais é do que poder ver, ouvir, falar, interagir e até sentir o que não pode estar ali de fato.

    Fiquei deslumbrado recentemente, com e-mails de amigos que me mandavam links para uma viagem em 360º pela capela Sistina ou o Santo Sepulcro. “Fui” ao outro lado do mundo ao abrir minha caixa de entrada. Imaginem quando estiverem mais acessíveis financeiramente as tecnologias 3D para o meu laptop!

    Terminei minha lista com a sensação de ter “criado” a minha própria “tendência”. Para mim mesmo mais do que para os outros, que provavelmente não vão gostar de tudo o que ouviram por aqui. Mas utilizando as tecnologias, consegui transportar um pouco de mim para este veículo interativo de possibilidades quase infinitas que é a web. É a mídia que cada um de nós está construindo.


    Ps.: confiram a lista nos posts abaixo:

  8. "Pra lá de pra frente" é Roberta Sá, cantora que ganha o primeiro lugar na minha lista de músicas pra dividir. Ela diz preferir ouvir ou ler em críticas que é "ótima" ao invés de "bonita". Pra mim é os dois.

    Foi realmente um achado prazeroso a recente obra dessa ótima e bonita cantora e compositora da nossa música. Além de regravar vários nomes consagrados da MPB, essa moça compõe que é uma beleza.

    Roberta Sá foi eliminada do Fama (programa da rede Globo), mas conquistou a fama. Ela, porém, não precisa ser famosa. Pois é artista, de verdade!

    Em parceria com o marido Pedro Luís - dos grupos musicais Monobloco e Pedro Luís e a Parede - ela fala sobre o tempo na bossa novíssima "Janeiros", sua primeira composição: Já passaram dias, inteiros/Janeiros, calendário que nunca chega ao fim/Início sim e só recomeçar.

    Tem uma "lista" de novos compositores que parecem escrever sobre medida pra ela como, por exemplo, Carlos Rennó (autor de "Fogo e Gasolina"), Moreno Veloso e Quito Ribeiro (de "Mais Alguém") e o próprio Pedro Luís.

    Entre as regravações, músicas que consegue transformar em novas, ela tem um "favorito": Chico Buarque. É dele a música escolhida para abrir esse texto, "Essa moça tá diferente". Parece que foi feita pra ela. De Chico, Roberta também transforma "Pelas Tabelas" e canta, em dueto com o próprio compositor, a ótima "Mambembe".

    Canções antigas parecem contemporâneas quando cantadas por ela. Roberta Sá tem essa capacidade com sua voz doce, poderosa, afinada e marcante. Inesquecíveis regravações de Dona Yvonne Lara em "Cansei de esperar você" (transformado em um novo bolero), Dorival Caymi em "A vizinha do lado" (cuja letra remonta à própria Roberta que consegue "mexer com o juízo do homem que vai trabalhar", com todo respeito).

    Poderia ficar escrevendo sobre suas canções, em pouco tempo já inesquecíveis pra mim, por mais uns 10 posts. Mas prefiro sugerir que confiram vocês mesmos o repertório fora de série de Roberta Sá.

    Duas de minhas favoritas:




  9. 2º lugar - Hoje é dia de Maria

    18 de agosto de 2011

    Hoje é dia do talento “genético” dessa cantora que parece ter notas musicais ao invés de substâncias químicas em seu DNA. Hoje é dia da minha simpatia, quase amor, por essa grande intérprete da nossa música.

    Já devem ter sacado das entrelinhas que falo de Maria Rita. A pequena Maria Rita, com voz de gigante, que passou por cima de preconceitos de alguns sobre sua filiação e semelhança natural com a mãe Elis Regina. Pseudo-críticos que quiseram depreciar o talento da moça com comparações de que “ela não canta como Elis”, “ela tenta imitar a mãe”.

    Até posso entender essas afirmações, uma vez que sempre tentamos preencher o espaço deixado por artistas que nos atordoam vez ou outra com talento e força incomparáveis.

    Maria provou, no entanto, que veio pra fazer a diferença e ocupar um espaço que é só dela. A herança musical dos pais da moça - o pai, César Camargo Mariano, também é músico - deve ter ajudado, mas principalmente no despertar da sensibilidade musical que pode ser estimulada pelo ambiente no qual a pessoa vive ou viveu.

    Mas o talento, o dom que vem não sabemos de onde, Rita tem e é só dela. Voz, carisma, simpatia, beleza ao mesmo tempo simples e estonteante, timbres, musicalidade no corpo (assistam ao DVD Samba Meu para saber do que estou falando!).

    Maria Rita canta novos e velhos compositores. De Rita Lee à Marcelo Camelo, de Milton Nascimento à Moska, ela faz bonito sempre que abre a boca diante de um microfone. Surpreendeu ao soar tão bem em experiências musicais inovadoras, como as cheias de referências de diferentes estilos de Marcelo Falcão e a banda O Rappa.

    Encantou quando cantou sambas de todas as épocas em seus trabalhos mais recentes. Contribuindo para desbancar um pouco o preconceito que ainda persiste em excluir da mpb compositores sambistas talentosos da nossa MPB como Arlindo Cruz, entre outros.

    À Maria Rita minha homenagem rasgada de elogios.




    Num corpo só
    Picolé/Arlindo Cruz

    Eu tentei, mas não deu pra ficar sem você
    Enjoei de tentar
    Me cansei de querer encontrar
    Um amor pra assumir seu lugar

    É muito pouco,
    Venha alegrar o meu mundo que anda vazio, vazio
    Me deixa louco
    É só beijar tua boca que eu me arrepio,
    Arrepio, arrepio

    E o pior
    É que você não sabe que eu
    Sempre te amei
    Pra falar a verdade eu também
    Nem sei
    Quantas vezes eu sonhei juntar
    Teu corpo, meu corpo
    Num corpo só


    Vem!
    Se tiver acompanhada, esquece e vem
    Se tiver hora marcada, esquece e vem
    Vem!
    Venha ver a madrugada e o sol que vem
    Que uma noite não é nada, meu bem

  10. O jovem jornalista não tinha nada melhor pra fazer naquela noite fria de meados de 2009, em Juiz de Fora (MG). Fora a boa aula de um professor da pós sobre ferramentas de marketing, por aquele dia não havia passado nada de interessante e parecia que terminaria assim, sem mais. Assim que foi convidado por um grupo de amigos jornalistas do curso pra ir até um show que aconteceria no pátio central do campus da Universidade aceitou de pronto.

    Pronto para ouvir músicas que não conhecia e tomar umas cervejas enquanto trocava idéias com os colegas até a noite acabar e a madrugada chegar. Acabou chegando mais perto do palco para ver, admirado, a apresentação daquela nova trupe. Admirável novidade foi a poesia que entrou em seus ouvidos em forma de notas musicais, malabarismos, acrobacias em uma encenação mágica e teatral.

    O Teatro Mágico declamava suas músicas que pra ele se tornaram hinos de um momento ímpar na sua vida. Vital e momentaneamente tudo fazia muito sentido ao ouvir as letras de Anitelli que parecia que haviam sido escritas por ele (as músicas que ele queria ter escrito estavam ali, se poeta fosse). Não fosse a trupe do TM talvez não tivesse começado a se interessar por sons diversos que hoje divertem seus ouvidos.

    Inadvertidamente, fazia toda a diferença estar ali naquele momento, num dia que até então seria tão corriqueiro, mas que acabou deixando sua marca. Deixo vocês com o 3º lugar na minha lista de músicas pra dividir, aguardando o próximo ato deste espetáculo que já está por vir.



    O que se perde enquanto os olhos piscam

    O Teatro Mágico

    Pronde vai?
    Toda tampa de caneta?
    Todo recibo de estacionamento?
    Todo documento original?
    Isqueiro, caderneta,
    A camiseta com aquele sinal...
    Pronde vai... toda palheta?
    Pronde foi... todo nosso carnaval?
    Pronde vai?
    Todo abridor de lata?
    Toda carteira de habilitação?
    Recado não dado, centavo, cadeado?
    Todo guarda-chuva!
    Pra fuga pro temporal!
    Pronde vai... o achado, o perdido?
    Eu não sei, veja bem...
    Não me leve a mal...
    Pronde vai?
    Todo outro pé de meia,
    Carteira, brinco e aparelho dental?
    Pronde vai... toda diadema?
    Recibo, receita e o nosso enredo inicial?
    Pronde vai?
    Toalha de acampamento,
    Presilha, grampo, batom de cacau
    Elástico de cabelo
    Lápis, óculos, clips, lente de contato?
    A nossa má memória!
    A denúncia no jornal?
    Pronde vai... aliança, chaveiro, chave, chinelo?
    E o controle pra trocar canal
    Pronde vai?
    O solo que não foi escrito?
    Labareda nesse labirinto,
    O instinto, o reflexo, sem seguro
    O coro do socorro! o lançamento oficial!
    Pronde vai... a culpa da cópia?
    Pronde foi... a versão original!?
    Pronde vai?
    A bala que se disparô?
    O indício do vício que disseminou
    A busca do corpo por algo vital?
    A firmação do pulso! o discurso radical!
    O troco em moeda... a lição da queda
    Pronde foi... nosso humor e moral?
    Pronde vai? todo nosso desalento
    Morre brisa nasce vendaval
    Pronde vai a reza vencida pelo sono
    Ela vale? me fale... me de um sinal!

    São Longuinho
    Me fale me de um sinal!

    Pra onde foi?
    O canhoto, benjamim de tomada
    Simpleza, prudência, clareza... consideração!
    Autenticidade, compaixão, certeza... o perdão
    A urgência, carrega a dor de bateria,
    O extrato, a ponta, a conta nova, a cola e a extensão,
    O estímulo,o exemplo, a voz dissonante...
    A coragem do meu coração!

    São Longuinho, são Longuinho
    Me fale me dê um sinal!
    São Longuinho, são Longuinho
    Pra onde foi?
    A coragem do meu coração!



  11. 4º Lugar - Uma roda de samba

    27 de julho de 2011

    Minha carne é de carnaval, meu coração é igual...

    Da mesma leva de novos sambistas, o grupo Casuarina surpreendeu pelo talento e originalidade. Um grupo de amigos da faculdade de música se reuniu pra tocar clássicos do gênero. Ganharam os bares da Lapa, no Rio de Janeiro, e depois o Brasil. Têm inclusive sambas autorais e duas vozes talentosas puxando a roda: João Cavalcanti e Gabriel Azevedo.

    Entre ziriguiduns e balacobacos pelo Brasil e pelo Mundo, já se vão quase 10 anos de banda. O Casuarina gravou dois CDs pela gravadora Biscoito Fino e recentemente o MTV Apresenta, DVD que tem boas participações de Moska, Roberto Silva, Moinho, Wilson Moreira e Frejat. Com um som que passa também pelo choro, eles fazem samba como os grandes do gênero.

    Aí vai a minha preferida: uma versão da música dos Novos Baianos (Infelizmente não encontrei a versão de estúdio dessa música, com a ótima participação da Teresa Cristina)




    Swing de Campo Grande
    Composição: Paulinho, Morais e Galvão

    Minha carne é de carnaval
    Meu coração é igual
    Minha carne é de carnaval
    Meu coração é igual

    Aqueles que tem uma seta e quatro letras de amor
    Por isso onde quer que eu ande qualquer pedaço eu faço
    Um campo grande
    Um campo grande
    Um campo grande ê
    Um campo grande epa!

    Eu não marco touca
    Eu viro touca, eu viro moita
    Eu não marco touca
    Eu viro touca, eu moita

  12. 5º Lugar - Samba pra reunir

    19 de julho de 2011

    O samba entrou no meu gosto musical a pouco tempo, graças à amiga Roze Martins e sua paixão pelo gênero. Ela dividiu sua admiração pelos sambistas comigo e acabei encontrando outros amigos que me mostraram "antigas novidades". "Novidades" pra mim. "Antigas" porque se tratavam, em muitos casos, de músicas do tempo em que meu avô corria a Lapa nas gafieiras e era ritimista de escola de samba (pois é!).


    Na minha lista de músicas pra dividir, nada melhor do que um bom samba e sua capacidade singular de reunir. Diogo Nogueira é um dos expoentes desse atual momento do samba, em que clássicos esquecidos são redescobertos e novos sambas são criados "à moda antiga" (no jeito de compor as letras e na utilização de instrumentos). Filho do saudoso João Nogueira, o cara é compositor de novos clássicos e intérprete dos grandes nomes do nosso samba.

    Separei um samba do Noel Rosa, "Com que roupa?"; uma homenagem ao pai João Nogueira, autor de "Espelho", samba que o proprio João havia feito para o pai, e que Diogo cantou pra ele; e uma parceria com Marcelo D2.