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  1. Assistimos nos últimos dias as "mais de 100 horas" de um seqüestro que não serviu mais do que para deixar claro o grau de espetacularização por que passa nossa sociedade. É a "sociedade do espetáculo", de que fala Guy Debord: "toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos."

    E tudo não passou de um espetáculo. Terminando, claro, de forma espetacular, para agradar os olhos da nossa mídia, que ainda vai poder repercutir por vários dias, as investigações, os depoimentos, o trabalho da perícia, fazer reconstituições, tentar entrevistar esse ou aquele envolvido "em primeira mão", entrevistar especialistas, produzir reportagens sobre a doação de órgãos, criticar o trabalho da polícia, e encontrar uma maneira de enfiar política (como já começou a acontecer) nisso tudo.

    Na sexta-feira vimos Fátima Bernardes "matar" Eloá e logo em seguida "reanimá-la" para todos os lares do Brasil que acompanhavam de perto, vidrados e horrorizados, os pormenores do caso. Foi a ânsia pelo "furo" que falou mais alto, numa informação errada passada por um assessor do Governo Estadual. E coitado do assessor: na GloboNews colocaram a informação na boca dele, sem ao menos terem a atitude (básica, contida em todos os manuais, cursos, livros e palestras sobre jornalismo) de checar a informação com mais uma ou duas fontes. É o lado negro da informação instantânea trazido pelas novas tecnologias.

    É claro, este assessor também foi burro de não ter tomado o devido cuidado com uma informação tão valiosa, sobre um caso tão delicado. Em nenhum outro canal de TV a informação foi dada em esquema de plantão, mas, segundo contaram-me alguns colegas de profissão (curiosos como eu), na internet, grande parte dos portais de notícias "em tempo real" seguiram a informação da grande emissora de TV.

    Por outro lado, vimos a mesma Rede Globo acertar em não se render ao sensacionalismo de outras TVs, que usaram o caso para ganhar audiência. Vide os pontos de vantagem que Brito Junior, e seu sensacionalismo disfarçado de trabalho a serviço da informação, obteve na manhã de sábado ao resumir seu variadíssimo programa na transmissão ao vivo do local do seqüestro. A Globo manteve sua grade, sem dar atenção exagerada e desnecessária ao caso. Até porque, como já sabemos, o seqüestrador acompanhava o noticiário e as informações atrapalhariam - como atrapalharam - o posicionamento dos policiais no local.

    Vimos técnicos e jogadores de futebol comentando o caso, por conta de uma camisa de time pendurada na janela. Vimos uma competente apresentadora querer 'ciscar' em outra área e dar uma de negociadora, sem o mínimo preparo. Vimos que o próprio seqüestrador gostava da atenção da mídia, quando ele acendeu e apagou as luzes do apartamento ao ouvir o pedido de um outro apresentador.

    A sociedade do espetáculo cria a necessidade do espetáculo nas pessoas, principalmente nas mais vulneráveis, a necessidade de se tornar "visível" para passar a "existir", porque só "existe" para a sociedade do espetáculo, aquele que foi veiculado de alguma forma na mídia. Agora, sobre os erros ou não da nossa despreparada polícia, só as investigações poderão dizer.

  2. Já que só se fala em crise

    13 de outubro de 2008

    * do blog do Carlos Alberto Sardenberg

    A crise não acaba com uma tacada

    Postado em 09 de Outubro de 2008

    As pessoas ficam ansiosas com a crise porque têm uma percepção errada sobre como ela vai terminar.

    As pessoas, inclusive os especialistas no mercado, esperam ou torcem para que a crise termine com uma tacada, um grande lance das autoridades monetárias. Por isso, quando observam um grande lance sendo feito – como o pacote americano, o inglês e a redução coordenada de juros globais – e não percebem o imediato fim da crise, se desesperam e acham que não tem mais jeito. Isso desfecha ordens de venda – ou de compra, no caso nosso do dólar – e a crise aumenta.

    Por isso, é bom ter em conta que a crise não acaba de uma só vez, mas com a combinação de muitas medidas que são tomadas pelos governos, bancos centrais e pelos próprios participantes do mercado. Por exemplo, é preciso que os administradores das instituições financeiras ganham confiança para voltar a emprestar dinheiro para empresas e pessoas, a prazos razoáveis.
    No início deste semana, grandes companhias americanas só conseguiam tomar empréstimo para capital de giro por um dia.

    Portanto, não se desespere com as súbitas quedas dos mercados. Preste atenção no conjunto. Todos perceberão quando as peças começarem a se encaixar: a volatilidade vai diminuir.
    Não se concluirá então que a criser acabou, mas que a fase aguda passou. E aí se inicia a lenta recuperação da capacidade de crescimento.





  3. Já tive uma banda

    6 de outubro de 2008

    Dar faxina em gaveta é sempre uma surpresa. Numa dessas encontrei um pedaço da minha adolescência que já nem me lembrava direito: eu já tive uma banda. Ou pelo menos quis ter, e planejava os caminhos dela com um amigo tão sonhador quanto eu. Aliás, somos todos sonhadores na adolescência, não é? Lembro que uns primos formaram um grupo de pagode (!). E eu com essa banda que tinha até nome: se chamaria “Prole” - a tradução do nome de uma banda que gostava muito na época (Off Spring). Quem me conhece deve achar estranho o fato de eu querer ter uma banda sem nem mesmo tocar um instrumento musical. Mas por causa da tal banda entrei em aulas de violão. Tentei. Só que os dois professores que tive desistiram de me dar aula. Aí eu desanimei. E a banda ficou literalmente na gaveta, com as letras de algumas músicas, das quais uma delas posto a letra aqui. “Sei que as vezes uso palavras repetidas”, e por isso a letra é cheia de “rimas fáceis, calafrios”.

    Longe amor

    Queria ser para você
    O grande amor da sua vida
    Queria ser para você
    Tudo o quê um dia nunca pude ser

    Quando olhava pra você
    Eu via o céu, eu via o mundo
    Agora é tarde pra lhe amar
    Porque você nunca vai mais voltar

    Tão longe amor
    Você está
    E meu amor não vou poder te dar
    Não vou te dar as flores do jardim
    E você não irá cuidar de mim

    Sempre quis amar você
    Mas a coragem foi que me faltou
    Agora é tarde pra dizer
    Pois de você nunca vou mais saber

  4. Fui fazer prova pra um concurso público esses dias e não teve como não reparar. Na porta vende-se salgados, doces, sucos, chocolates e toda uma variedade sem fim de guloseimas. Um concursando à minha frente trazia um verdadeiro arsenal de comestíveis: três barras de cereal, biscoito, água, suco e chocolate! Pensei: "Cara, se você comer isso tudo nas quatro horas que temos pra fazer a prova terá uma bela de uma indigestão". Tudo bem que algumas pessoas ficam ansiosas, o que causa fome. Mas daí a levar todas as barras de cereal que encontrar pelo caminho para a sala da prova?! Alías a preferida dos concursos é a barrinha. Taí uma dúvida: será que existe algum componente milagroso nas barras de cereal que aumenta a inteligência, reduz a possibilidade do 'branco'?

    Nesse mesmo dia tive mais uma confirmação: Volta Redonda vai mesmo dominar o mundo. Pra onde quer que você vá, encontra alguém dessa cidade. Só no concurso encontrei duas, e uma delas fez prova na minha sala (improvável). Há duas semanas na Barra, encontrei com uma pessoa que fez cursinho comigo, e dia desses uma dessas estava no programa da Ana Maria Braga, num joguete de namoro na TV ('Agora vai'). Uma amiga me disse que no Caldeirão do Hulk uma vez entrevistaram uma brasileira em Miami e adivinha de onde a mulher era: Volta Redonda. Enfim...

  5. 22 de setembro de 2008

    Em meio a uma sobrecarga de Los Hermanos foi-se o meu fim de semana. Descobri que o som dos irmãos se parece com Adriana Calcanhoto - e sua melancolia; tem a ver com Ultraje a Rigor - nos exageros de “ciúme”; Paralamas do Sucesso - na valorização que dão aos metais; se assemelha a Belchior - pelos 25 anos "à palo seco"; tem um quê de Secos e Molhados - na originalidade, e até Angélica tocam - sem pudores e preconceitos musicais. Marcelo Camêlo é vascaíno, time pelo qual simpatizo.

    Ouvi, pela milésima vez uma frase que me persegue: “Você precisa deixar de ser bonzinho!”. Mas que mal há nessa minha “bondade”? Já viram aquela comunidade: “bonzinho só se fode”. Eu já fiz parte, mas saí depois que aprendi que ser bonzinho nem é tão mau assim. Uma vez escrevi um texto revoltoso com meu excesso de benevolência, que achava eu, beirava a ingenuidade de ser bobo. Mas parei com essa bobeira. Afinal a bondade de coração é uma virtude, não é mesmo Jesus (com quem tenho conversado pouco ultimamente, mas que no fim de semana me deu a oportunidade de me achegar)?! Bem aventurança como ele diz.

    É fato que, as vezes, o bonzinho perdoa fácil demais, dá sua vez para outros, se importa demais com o bem estar geral da nação, e faz de tudo para apartar. Mas daí dizer que isso é ou não ruim. É lógico que uma maldadezinha de vez em quando não dói. Logo depois de ouvir essa frase, a mesma pessoa voltou atrás: “Ah, não deixa de ser como você é não”. É que no fim a bondade prevalece. Nos filmes o bem sempre vence, e coisa e tal.

    De onde vem a calma daquele cara?
    Ele não sabe ser melhor, viu?
    Como não entende de ser valente
    Ele não saber ser mais viril
    Ele não sabe não, viu?
    Às vezes dá como um frio
    É o mundo que anda hostil
    O mundo todo é hostil

    De onde vem o jeito tão sem defeito
    Que esse rapaz consegue fingir?
    Olha esse sorriso tão indeciso
    Tá se exibindo pra solidão
    Não vão embora daqui
    Eu sou o que vocês são
    Não solta da minha mão
    Não solta da minha mão

    Eu não vou mudar não
    Eu vou ficar são
    Mesmo se for só não vou ceder
    Deus vai dar aval sim
    O mal vai ter fim
    E no final assim calado
    Eu sei que vou ser coroado rei de mim.

    Marcelo Camêlo

  6. "

    27 de agosto de 2008

    Algumas frases atribuídas à Gabriel Garcia Marquez, gênio da literatura de quem ultimamente estou 'devorando' um livro.

    "
    Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.


    "
    É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.


    "
    Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.


    "
    Te amo não por quem tu és,mas por quem sou quando estou contigo.

  7. Assessor que é assessor...*

    20 de agosto de 2008

    Jornalista Thais Torres, assessora de imprensa, fala dos desafios da profissão

    por Gabriel Araújo, especial para a UFJF

    Assessor que é assessor consegue divulgar a instituição ou pessoa para a qual trabalha até em uma entrevista sobre a profissão. Assim é a jornalista Thais Torres, chefe de jornalismo da assessoria de comunicação da prefeitura de Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro. Em frases como “a prefeitura faz a sua parte”, Thais deixa transparecer o lado assessora, como quem encarna de verdade o trabalho de comunicação empresarial. Mas mesmo assim, fala com propriedade sobre os principais fatos e desafios que cercam o mundo do assessor.

    A jornalista acredita ser essencial o planejamento de comunicação para uma organização e diz que o melhor caminho para gerenciar uma crise é o diálogo aberto e honesto com os assessorados. Trabalha numa assessoria que tem estrutura de jornal de pequeno a médio porte e chefia uma equipe de seis jornalistas, além de coordenar profissionais da área como publicitários e RP’s.

    Na entrevista ela deixa claro que a ética é essencial, e que o jornalista não deve calar quando percebe atitudes antiéticas por parte do assessorado.

    Gabriel Araújo: Qual a sua experiência na área de assessoria de comunicação?

    Thais Torres: Com cinco anos de formada, acumulo hoje a experiência de duas assessorias de imprensa voltadas para política. Quando concluí a faculdade de jornalismo no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) já fazia estágio na assessoria de imprensa da Prefeitura de Barra Mansa e, em seguida, fui contratada. Ao todo, fiquei por lá mais ou menos dois anos. Saí apenas porque recebi uma proposta de emprego que iria me ensinar como administrar uma redação de um jornal diário. Depois de dois anos à frente da chefia de jornalismo do jornal, passei por um semanal, e em seguida fui convidada para integrar a equipe da assessoria de imprensa da Prefeitura de Resende. Inicialmente apenas para editar o jornal mensal, mas após seis meses, assumi a chefia da equipe de jornalismo onde estou até hoje. Isso já faz dois anos.

    GA: Qual a sua função na assessoria em que trabalha atualmente? E que tipo de trabalho você desenvolve?

    TT: Como disse anteriormente, sou chefe de jornalismo da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Resende. Além de coordenar outros seis jornalistas, sou ainda a jornalista responsável pelos dois jornais mensais, um voltado para a população e o outro para o servidor público. Coordeno ainda as pautas do programa de rádio, supervisiono o conteúdo do site, edito e confecciono diariamente releases e notas para divulgação espontânea na imprensa regional, além de atender a imprensa e desenvolver - junto com a minha equipe - projetos especiais, como a elaboração de revistas, folders, banners, datashows, vídeos, entre outros.

    GA: Quantas pessoas trabalham na estrutura da assessoria da qual você faz parte?

    TT: A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Resende é uma das mais completas que eu tenho conhecimento no Sul Fluminense. Ao todo, somos 18.

    GA: Quantos jornalistas, quantos publicitários e quantos relações públicas ?

    TT: Contamos com um assessor de comunicação, sete jornalistas e ainda na assessoria de imprensa: um fotógrafo, um cinegrafista e uma pessoa responsável pelo clipping de mídia impressa, já o de mídia eletrônica, assim como a publicidade e o site são serviços terceirizados. A Acom conta ainda com uma relações públicas, uma auxiliar de cerimonial e dois locutores. Trata-se de uma equipe e tanto, mas que produz como uma redação de um jornal diário.

    GA: Como você se atualiza para atuar em assessoria? Acha importante?

    TT: Considero muito importante atualização independente do ramo de atividade profissional. Na comunicação então é essencial, pois tudo é novo. Tudo muda um pouco de um dia para o outro. Para manter-me atualizada busco cursos de extensão como os do Comunique-se e, agora, faço parte da turma de pós-graduação em Comunicação Empresarial do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM).

    GA: Você lê alguma revista ou outra publicação sobre comunicação empresarial?

    TT: Leio tudo o que posso com relação à comunicação. Ultimamente ando visitando muito o site da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom). Gosto do que encontro por lá. As dicas são importantes e aprender nunca é demais.

    GA: Em sua opinião, como está o mercado na área de assessoria de comunicação?

    TT: O mercado de comunicação é (e sempre foi) muito fechado. Quando ainda estava na faculdade ouvi um professor dizer que quem filtrava os profissionais era o mercado. Ele dizia: os bons ficam. Concordo com ele. Claro que existem exceções, já que muita gente sabe enganar bem... Mas trata-se de um mercado fechado, difícil, que continua pagando baixos salários a nós, profissionais de comunicação – justamente – porque a mão de obra barata (os estagiários) ainda estão em voga. Embora existam tantos contratempos, a assessoria de comunicação ainda é um caminho para aqueles que se dedicam, trabalham com ética e, sobretudo, que valorizam a universalização da informação.

    GA: Qual é a importância do planejamento de comunicação para uma assessoria?

    TT: Fundamental. Tente imaginar uma assessoria de imprensa sem um planejamento de comunicação? Poderia tornar-se um caos, por exemplo, pela falta de prazos e os trabalhos a serem desenvolvidos poderiam não ser concluídos em sua plenitude. Quando falamos em planejamento, falamos em estruturação para que tudo dê certo, mesmo em casos de crises. Apenas com o planejamento de comunicação é que o trabalho desenvolvido por uma assessoria ocorre sem ruídos.

    GA: Como a sua assessoria trabalha a divulgação da responsabilidade social e ambiental, que hoje é uma premissa de toda empresa ou organização? E porque atualmente estes dois temas (responsabilidade social e ambiental) são tão importantes?

    TT: Atualmente as palavras chaves são: aquecimento global e preservação ambiental. Por quê? A resposta é óbvia mesmo. Porque depois de tamanho estrago ao meio ambiente, as corporações, as empresas privadas ou públicas perceberam que elas têm uma grande parcela de culpa nisto e pensaram: “Como nós poderemos reverter isso sem nos prejudicarmos?” Simples. Desenvolvendo responsabilidade social. Trabalhando para preservar o meio ambiente e, consequentemente, para conscientizar a todos sobre o aquecimento global.Resende, no interior do estado do Rio de Janeiro, possui uma característica peculiar das regiões serranas: sua natureza. Além de contar com o Parque Nacional do Itatiaia, é de Resende a vila charmosa de Visconde de Mauá. E é desenvolvendo projetos sócio-ambientais que vão desde a coleta de lixo seletiva até o ecoturismo com expedições à Pedra Selada, que a Prefeitura de Resende também faz a sua parte.

    GA: Na sua opinião a gestão de crises é importante?

    TT: A gestão de crises é importantíssima tanto para o assessor, quanto para o assessorado.

    GA: Como a sua assessoria trabalha o gerenciamento de crises? Tem abertura para trabalhar? Existe um programa com a previsão das possíveis crises que o assessorado poderá passar, para que os assessores possam atuar rapidamente?

    TT: Se for possível elaborar um “guia” para como enfrentar crises, elabore. Mas nem sempre temos tempo para isso, então o que fazer? O melhor caminho é o diálogo. Em Resende quando diagnosticamos uma crise, geralmente, fazemos uma reunião e definimos uma estratégia para neutralizarmos a imprensa e ganharmos um pouco mais de tempo para resolver o problema. Se podemos trabalhar preventivamente, melhor ainda...Passamos por uma crise há pouco tempo, mas dessas crises previsíveis com data marcada para acontecer, então, o que fizemos: por tratar-se de um assunto delicado e polêmico preservamos todos os possíveis interlocutores do Executivo e redigimos uma nota oficial assinada pelo Procurador Geral do Município. A nota só foi enviada a quem nos procurava para saber sobre o assunto e pronto: enfrentamos a crise e alcançamos o nosso objetivo. Portanto, não há dúvidas: é necessário trabalhar em equipe, com cautela e com coesão.

    GA: Em sua opinião, quem tem o melhor perfil para chefiar uma assessoria de comunicação, jornalista, publicitário, RP, ou outro profissional? Porque?

    TT: Por tratar-se de uma assessoria de comunicação, ela deve ser gerenciada por quem entende do assunto e isso significa que tanto pode ser um jornalista, um publicitário ou um relações públicas. Mas é claro que quem estiver à frente deve compreender a necessidade de cada área.

    GA: Mas existe algum profissional que não tem este perfil?

    TT: Isso já fica mais complicado quando a pessoa tem formação em administração, por exemplo. Muitos por terem feito administração caem em chefia de assessorias de comunicação, mas apesar de aprenderem na faculdade a administrar, eles não obtêm sucesso em empresas de comunicação. É necessário muito mais feeling do que regras administrativas.

    GA: Como a assessoria de vocês trabalha o feedback da comunidade sobre as ações desenvolvidas?

    TT: Trabalho em uma Prefeitura, portanto, para a população. Nosso feedback das ações desenvolvidas pela atual administração vão desde a imprensa local, a ouvidoria, passando pelo fale conosco do site oficial, chegando aos nossos programas de rádio - onde o microfone é aberto a quem quiser tirar suas dúvidas, elogiar ou reivindicar ações e ainda aos jornais impressos, onde a comunidade tem a oportunidade de perguntar ao prefeito porque a rua dela ainda não foi asfaltada, por exemplo.Mas o trabalho in loco também é um grande termômetro. Produzimos no mês passado uma edição especial do jornal e, como disse, vamos às ruas apurar, mesmo, a opinião das pessoas que vivem por lá. O gancho era: “a isenção no IPTU para mais de 21 mil famílias” e o feedback foi maravilhoso. Eles ainda não sabiam da isenção, justamente, porque ainda estávamos produzindo o material de divulgação e quando souberam as reações foram diversas: uns desconfiavam, outros ficavam alegres e quase todos perguntavam: “É para sempre?”. Feedback melhor que cidadão, não há.

    GA: E o relacionamento com os meios de comunicação, quais são as principais dificuldades e facilidades?

    TT: Ganhei a chefia de jornalismo da Prefeitura de Resende, justamente, porque a pessoa que ocupava o cargo não se comunicava com os meios de comunicação, isso significou um desgaste grande entre a Acom e os veículos. Por estarmos localizados em uma região pequena e por não contarmos com muitos órgãos foi fácil reverter à situação e hoje contamos com o apoio dos principais meios de comunicação, exceto aqueles que fazem oposição por oposição.Fizemos um planejamento. Fazíamos as pautas diárias, mas não deixávamos de produzir - com exclusividade - material para os jornais semanais e ainda produzir matérias para as TVs. Tudo o que nos interessa é mídia espontânea e estamos obtendo êxito.O único problema é que, por trata-se de uma região tão pequena, muitos produtores e jornalistas têm os números dos telefones celulares de secretários e coordenadores - o que dificulta nosso trabalho e fazendo com que - às vezes - fiquemos “vendidos”. Agora a pouco todos os celulares corporativos da Prefeitura mudaram, então, informei uma estratégia nova: - a partir de hoje ninguém passa o número de celular dos secretários para ninguém. Tem dado certo, por enquanto...

    GA: Qual a importância da ética para o assessor de comunicação? Dê exemplos de situações em que você precisa lidar com questões éticas e quais as saídas?

    TT: Isso é um ponto crucial para o assessor. Seja ele assessor de um político ou de uma rede de shoppings. Ética é um valor do ser humano, mas no trabalho, muitas vezes somos obrigados a passar por cima dela. Não trata-se de uma tarefa fácil, por esse motivo é necessário buscar um ponto de equilíbrio. Por exemplo: se for possível que o assessor indique o melhor caminho, não exite, mesmo que a resposta seja um “não”. Lembre-se que ao menos você tentou.Entretanto quando o caso for extremamente grave e isso for realmente contra tudo o que sabe que é certo, pense em uma estratégia para que seu assessorado imagine que continue certo e divulgue de maneira correta, ou pelo menos, coerente, a informação.Existem muitos profissionais no mercado que seguem ao “pé da letra” aquele ditado popular: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Eu penso diferente. Posso até fazer muita coisa contrariada, mas ao menos eu “luto” pelo que acredito que seja ético e tento revelar ao meu assessorado que o caminho optado, por ele, pode gerar muito mais ônus que bônus.

    GA: Você conhece o código de ética da Associação Brasileira de Agências de Comunicação? Se sim, qual sua visão sobre?

    TT: Conheço pouco. Mas pelo o que li trata-se de um código de ética mais real do que utópico. Ele prega por respeito, justiça, igualdade, solidariedade, diálogo e honestidade. Fatores que estão intrínsecos no ser humano. Por esse motivo pode ser considerado um código de ética voltado para a nossa realidade. Ele estabelece uma série de princípios e prevê sanções associativas às agências filiadas que venham a desrespeitar suas diretrizes.

    GA: E o código de ética dos jornalistas? Idem.

    TT: O código de ética dos jornalistas é utópico para o Brasil, mas não utópico por nossa culpa, e sim, porque quase tudo o que está escrito lá não é respeitado, justamente por não estar de acordo com a atual realidade. Ou é isso, ou a maioria dos jornalistas não faz idéia do significado da palavra. Por exemplo: qual é o paparazzi que se preza, que respeita o direito à privacidade do cidadão, especialmente, quando se trata de um famoso? O código escrito em 1987 é bom, mas deveria ser atualizado.

    ...

    (*): Publicada originalmente no blog www.sorrisosplasticosvblog.blogspot.com, da jornalista Thaís Torres - mantive a edição feita por ela em seu blog. É uma pequena homenagem a esta grande profissional que me ensinou muito quando foi minha chefe de reportagem nA Voz da Cidade. Parte integrande de um trabalho para o Curso de Comunicação Empresadial da UFJF, a entrevista mostra um dos lados da Thaís, a profissional assessora de comunicação, à época que trabalhava na prefeitura de Resende.

    Como muitos amigos e colegas já disseram, ela deixará saudades. Em momentos como este gostaríamos de brincar de Deus e mudar a história.

  8. Meio termo

    17 de agosto de 2008

    Não me desespero mais
    Nem tampouco espero
    A paixão que eu tinha por tudo o que era vivo a minha volta
    é revolta, mas ainda assim não desapaixono.

    Os enganos de sempre nem me perseguem tanto
    Mas nem por isso é feito de desenganos o meu canto.
    A falta de alegria não é tristeza
    Nem é felicidade, a inexistência de sofrimento

    Não é tudo e nem é nada pra ser sincero
    Mas nem dizer verdade é o que quero

  9. Aprecie com moderação

    12 de agosto de 2008

    Um chopp bem gelado no fim do dia, ou no fim de semana a tarde com os amigos. É um bom programa para todos aqueles que apreciam a famosa bebida feita de malte, lúpulo e fermento. Mas para que muitas pessoas desfrutem do prazer de uma deliciosa tulipa de chopp é necessário o trabalho de pessoas como seu Arnaldo, assistente de cervejeiro, para quem a cerveja é um ofício ao qual ele se dedica há mais de 30 anos.

    Arnaldo já perdeu a conta de quantos litros de cerveja fabricou. Porém, atualmente, trabalhando na cervejaria Mistura Clássica em Volta Redonda, afirma que saem dos tonéis direto para os copos de apreciadores em todo o Brasil e no exterior mais de 30 mil litros de chopp e cerveja por mês.

    Como todo bom cervejeiro, o assistente não gosta quando chamam de espuma o creme que surge quando a bebida passa dos barris para as tulipas. “Uma cerveja artesanal não tem espuma mas sim creme”, enfatiza, explicando que para cada tipo de chopp há uma quantidade certa de colarinho que, entre outras coisas, dá sabor e ajuda a manter a temperatura ideal da bebida.

    Vários tipos diferentes de cerveja. Outro segredo que o cervejeiro revela ao falar um pouco mais da sua rotina. “Aqui produzimos Amber (maior teor alcoólico e coloração escura) e Pilsen (mais suave, seco, e coloração clara), mas existem vários outros tipos”, diz, apontando que a temperatura é um fator essencial para o bom chopp.

    A rotina de Arnaldo começa às quatro horas da manhã na fábrica. O trabalho é artesanal e, segundo ele, exige muita técnica e paciência. Antes de ser gelada, a cerveja passa por três estágios: mistura, fermentação e cozimento. Depois, de cada lote de cerveja fabricada é retirada uma amostra que será testada em relação ao sabor e pureza.

    Apaixonado pela profissão e pelo bom chopp, o assistente de cervejeiro brinca afirmando que deixou de beber durante a semana, apesar de passar o dia provando amostras dos tonéis fabricados por ele. “Aqui é o meu trabalho, nos finais de semana sou um apreciador”. E quando perguntado se gosta da profissão ironiza: “É um emprego ruim. Muita gente nem gostaria de estar no meu lugar”, diz.



    ...
    Nota do jornalista: Como a maioria das boas histórias, esta surgiu de repente, sem querer. Conheci seu Arnaldo no aniversário de um amigo, quando este me pediu para ir de carro buscar mais chopp e acabei sendo acompanhado pelo próprio cervejeiro que me contou um pouco da sua rotina. Acabei aprendendo um pouco mais sobre este delicioso e gelado ofício e ainda ganhei uma taça de um dos melhores chopps Amber, com seis dedos de espuma, ops, creme, que já tomei.

    Veja também: www.cervesia.com.br. Apreciem com moderação e se forem dirigir não bebam, agora é lei.

  10. De mim

    9 de julho de 2008

    Sei que posso ser quem sou sem ser só um.

    Mas
    Me vejo vedado no véu da vontade, verdade.
    Por isso, preciso sair, sumir, sentir
    Às vezes voar, velejar pra ver
    Pra saber pra onde ir
    Sim

    Saber que posso ser quem sou sem ser só um.

  11. Som raro e “só para raros”

    1 de julho de 2008

    O espetáculo vai começar. É essa a sensação de quem escuta a obra d’O Teatro Mágico, seus CD’s e músicas baixadas na internet. Uma banda-trupe singular no cenário musical - tão dominado pela mesmice dos genéricos americanos - faz um som nacional. Genuinamento brasileiro, porque afinal o Brasil é a mistura de sons e cores que fazem parte do repertório do TM.

    A banda de Osasco (SP) é uma verdadeira trupe de artistas com cantores, instrumentistas, atores, malabaristas, trapezistas, e o que mais couber no imaginário dos seus formadores. O show é uma grande variedade de música, encenações teatrais, espetáculos circenses, com direito a integrantes maquiados de palhaço.

    O Teatro Mágico é único no cenário nacional por diversos motivos. As influências existem, é claro. Quem escuta sem muito critério fala que a banda se parece com Engenheiros do Havaí - provavelmente por conta do ator principal da banda Fernando Anitelli, cujo timbre de voz se assemelha ao do vocalista da banda oitentista. Zeca Baleiro, Raul Seixas e até um pouco de Mutantes podem também ser pinçados do som “para raros”* do Teatro. Essa mistura, porém, não torna a banda “mais do mesmo”, muito pelo contrário, dá às suas canções uma sonoridade ímpar.

    Em seu acervo de encantamentos, a banda-trupe-circo traz letras de uma poesia simples e bela. É como um sarau, onde música, poesia e idéias soltas se misturam. São poemas transformados em canção. Violinos, flautas, gaitas, violão, sons chiados de rádio, e outras experimentações sonoras completam as boas letras.

    “Sem horas e sem dores
    Respeitável público pagão
    Benvindos ao Teatro Mágico.”


    *Entrada Só Para Raros é o nome do primeiro CD do TM. O segundo disco já lançado chama-se O Segundo Ato.

  12. Simplesmente, grandemente

    10 de maio de 2008

    Não é preciso ganhar sempre. Levar vantagem em tudo. Às vezes é mais humano perder o lugar, dar a vez, deixar o outro ter a sua vez. É pra falar de amor, doação e coisas do tipo. Sair um pouco do “eu”, pra pensar um pouco em nós. Eu e você, não. Deixa isso também de lado, por enquanto. É pra falar da gente.

    Fazer pelos que fazem por nós, é fácil demais, nada de mais. Mas, doar um pouco pelos distantes, nossos “próximos/semelhantes”. Doar do nosso tempo. Um pouco. Fazer o que podemos. Dar lugar no ônibus. Jogar no lixo. Não usar descartáveis. Fazer a nossa parte. Simplesmente.

    Ou grandemente. Fazer o bem. Aquilo que tantos grandes homens e mulheres já nos ensinaram. “Morrer” um pouco pelos que têm um pouco menos que nós. Dar o que temos de melhor. Nossos talentos, nosso trabalho. Ser um palhaço no hospital para as crianças com câncer. Ir até os leprosos. Tentar mostrar que somos todos iguais nas nossas belas e necessárias diferenças. Cobrar. Revolucionar. Levantar bandeiras, pressionar. Não deixar barato, pensando em “todo mundo”. Procurar saber; agir. Não votar mais neles.

    Nada de novo nisso tudo. É que andamos muito voltados para o “eu” e, no máximo, o “eu e você”. Boas coisas, aliás. Só que não é tudo. Esse outro jeito de amar anda me fazendo falta ultimamente.