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  1. Mais um texto sobre rodas de samba, publicado no Brasil de Fato.

    Na segunda-feira – tradicional dia de folga dos músicos - um grupo de sambistas sob o comando de Moacyr Luz promove, há oito anos, o Samba do Trabalhador, roda que já se tornou referência para os apreciadores do estilo.
    O Clube Renascença, um dos espaços mais tradicionais da cultura negra do Rio de Janeiro, fundado há 62 anos, abre as portas para trabalhadores que fazem do dia que inicia a semana útil, considerado ingrato para muitos, mais um momento de diversão e encontro.
    Além de Moacyr Luz, violão e voz, levam o Samba do Trabalhador os músicos Gabriel Cavalcante (da Muda), violão, cavaco e voz; Alexandre Nunes, cavaco e voz; Álvaro Santos, percussão e voz; Luiz Augusto, percussão; Junior de Oliveira, percussão; Mingos Silva, percussão e voz e Daniel Neves, violão de sete cordas.
    Apesar da coincidência com o nome da conhecida canção de Darcy da Mangueira, Samba do Trabalhador (ocioso), que tem versos como “Na segunda-feira não vou trabalhar”, Moacyr Luz ressalta que a intenção da roda é justamente o oposto.
    “Os trabalhadores músicos emprestam seu dia de folga para os outros trabalhadores, num espaço com música de qualidade. A música do saudoso Darcy fala da pessoa que não quer trabalhar”, esclarece o compositor, que tem canções gravadas por sambistas como Zeca Pagodinho, entre outros.
    A roda que acontece no Renascença já foi registrada em CD e DVD duas vezes. A última, em 2013, no recém-lançado “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador”.

    Clube Renascença
    A história do Renascença, erguido por negros de classe média que sofriam preconceito ao tentar frequentar clubes, no início do século, e, por isso, se juntaram para criar um espaço próprio, reforça a singularidade do local escolhido para a roda.
    Se em clubes comuns o lazer é a finalidade mais explícita, no “Rena”, como é apelidado, a cultura é o ponto forte. Já na entrada do Clube, barracas vendem CDs de samba e músicas de referências afro-brasileiras, literatura de cordel com títulos curiosos comoArlindo Cruz e a Incrível história do Bagaço da Laranja, acarajé das mãos de baianas, e guias (colares de umbanda) montadas na hora por artesãos.

    Encontro de gerações
    O Samba do Trabalhador serve também como ponto de encontro para gerações de sambistas. Moacyr Luz, de uma geração mais antiga, conta que a ideia inicial do samba era que os mais velhos apresentassem os novos talentos. E este papel foi cumprido, segundo ele.
    Dentre os músicos que tocam ali, dois já lançaram CDs próprios. Gabriel Cavalcante lançou, em 2010, o álbum intitulado O que vai ficar pelo salão e Alexandre Nunes, o álbum Marmita, de 2011.
    Nova promessa do Samba do Trabalhador, o percussionista Álvaro Santos foi citado pela cantora Beth Carvalho em recente entrevista. “Eu fiquei lisonjeado e muito agradecido por ter meu trabalho aqui no Samba do Trabalhador reconhecido”, comemora.

    Samba de Roda
    O clima de samba de roda permeia todo o encontro musical de segunda-feira. “Músicas que não são aceitas pelos programadores de rádio, aqui são cantadas de ponta a ponta”, defende Moacyr Luz.
    A roda abre espaço para outros músicos que queiram puxar sambas de improviso. Na última segunda-feira, o compositor Eros Fidelis (da canção Falsa Consideração) participou com algumas de suas músicas.
    O público fiel também vira destaque no Renascença. Além de dançar e cantar todas as letras, as palmas das mãos das mais de mil pessoas ali presentes viram percussão. Uma delas é Dona Dalila, moradora da Tijuca e portelense de coração, que comemorou 89 anos na última segunda-feira, no Samba do Trabalhador, ao lado da família.
    Ela conta que participa da roda desde seu início. “O samba é a minha vida”, afirma, cantando e sambando.

    Samba do trabalhador
    Local: Clube Renascença, Rua Barão de São Francisco, 54, Tijuca
    Dia: Todas as segundas-feiras
    Preço: R$ 10
    Horário: a partir das 16h30

  2. Publicado na edição do jornal Brasil de Fato de 29/8/2013

    Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, é palco para o Movimento Cultural Roda de Samba do Barão todas as quartas-feiras

    As calçadas com notas musicais de sambas de Ary Barroso, Pixinguinha, Vadico e Chiquinha Gonzaga, entre outros, anunciam que, em Vila Isabel, a música encontra um de seus principais palcos na cidade do Rio de Janeiro. É neste inspirador cenário que os músicos do Movimento Cultural Roda de Samba do Barão levam, todas as quartas-feiras, na praça Barão de Drummond, mais uma das opções de rodas populares de samba na cidade.
    O bairro que já foi reduto de Noel Rosa e tem atualmente Martinho da Vila como principal referência musical, recebe os sambistas cuja proposta é reverenciar músicos e compositores tradicionais do samba e do choro. “Tocar em um bairro tradicionalmente musical, que já foi frequentado por tanta gente boa do mundo do samba, como Vila Isabel, é muito significativo”, afirma o músico Marcelo Moraes, um dos idealizadores do projeto cultural.
    A roda, que acontece há um ano e meio, resgata para Vila Isabel a característica comunitária e familiar das rodas de samba do passado. Data de 25 anos atrás a última manifestação cultural desse gênero no bairro, quando mestre Trambique (atualmente um dos mestres de honra da bateria da Unidos de Vila Isabel) promovia uma reunião musical naquela região.
    E é a comunidade o principal público da Roda de Samba do Barão. A praça onde acontece o evento fica lotada de famílias que levam os filhos para brincar nos parques públicos, casais de namorados e jovens e adultos que frequentam bares instalados ali. São os próprios moradores que organizam barracas de cerveja, caldo de feijão e churrasquinho, produtos que são vendidos para manter a estrutura do evento, que tem até cadeiras e mesas para o público.
    Um desses moradores, Aldo de Vila Isabel, como fez questão de se apresentar, afirma que apoia o movimento por uma motivação pessoal. “Não sou sambista, sou um ‘sambador’, e por isso incentivo rodas como esta, cada vez mais difíceis de encontrar hoje em dia no Rio de Janeiro”, opina.
    Entre os colaboradores da roda, estão também os familiares de Martinho da Vila - considerado o patrono do Movimento pelos músicos - e integrantes da Velha Guarda da escola de samba Unidos de Vila Isabel.
    Movimento Cultural
    Com a proposta de levar muito mais do que uma roda de samba ao bairro, que no século XIX era a Fazenda do Macaco (aos pés do atual morro dos Macacos), os sambistas promovem, além do encontro de todas as quartas, um evento mensal no primeiro domingo do mês. Teatro infantil, balcão de emprego, feijoada, varal de poesias, exposição de fotografias, sarau e circo integram a atividade que termina com a projeção de um filme sobre o samba ou a história do Rio de Janeiro.

    O início e os projetos
    Em 2009, os músicos Marcelo Moraes, Beto Timbó e PC se reuniram para uma roda de samba no local. Com o tempo outros músicos foram se unindo ao movimento que, há um ano e meio, ganhou o formato atual. A roda é conduzida pelos instrumentistas Freitas, no trombone, Hugo Batera, no pandeiro, Luciano Bom Cabelo e Jorge Nei, no cavaco e voz, Vinicius Magno, violão sete cordas, Beto Timbó, no surdo, PC, tantã e Marcelo Moraes, violão.
    Atualmente, o grupo está finalizando o projeto da gravação de um CD com composições de Noel Rosa voltado para o público infantil. Sem patrocínios até então, eles também pensam em gravar futuramente canções de compositores desconhecidos de Vila Isabel, muitos deles integrantes da escola de samba do bairro.


    Serviço
    Roda de Samba do Barão
    Dia: Quarta-feira
    Horário: a partir das 19 horas
    Local: Praça Barão de Drummond, Vila Isabel
    Preço: Gratuito




  3. Minha estreia como colaborador do jornal Brasil de Fato foi em uma matéria sobre o samba, mais especificamente o Samba da pedra do Sal, tradicional evento musical do Rio de Janeiro. Aqui publico a versão integral do texto que foi para o jornal em "versão resumida", por conta de espaço editorial. Era tanto assunto interessante que não cabia no espaço que havia sido designado. A versão que foi publicada está neste link: http://www.brasildefato.com.br/node/23896 ou neste http://issuu.com/brasildefatorj/docs/bdf_rj_016/1?e=8798584/4441947, na página 11.

    ______________________________________________

    Samba da Pedra do Sal exalta cultura negra em um dos berços do samba

    Roda de samba completa seis anos levando a tradição do samba para um dos lugares mais significativos para a negritude do Rio de Janeiro

    No lugar onde, há mais de 200 anos, soavam os primeiros batuques que dariam origem ao estilo musical hoje conhecido como samba e a manifestações culturais como o carnaval de rua, um grupo de sete sambistas realizam nos últimos seis anos, todas as segundas-feiras, o Samba da Pedra do Sal. Mais do que uma roda de samba, como os próprios músicos gostam de se auto definir, o movimento cultural popular representa a ocupação de um espaço originalmente pertencente à música popular brasileira.

    As vielas estreitas daquela área da Zona Portuária conduzem ao Largo da Baiana, no final da Rua Argemiro Bulcão, na Gamboa, onde fica a Pedra do Sal – local onde baianos buscaram moradia mais barata na chegada ao Rio de Janeiro no início século XV, para trabalhar nas primeiras docas do Cais Porto. Duas crianças moradoras do bairro brincam de escorregar numa das partes lisas da Pedra do Sal, antes que o samba comece, ali onde a historiografia aponta ter existido o grande mercado de escravos e os trapiches para arregimentação dos estivadores do porto.

    O passado e o presente se misturam também na arquitetura das casas e estabelecimentos comerciais do local e nos grandes refletores instalados para iluminar a área onde os músicos se reúnem em torno de duas mesas de madeira para tocar sambas de todas as épocas. Os grafites de artistas diversos colorem, com referências ao samba, as paredes e muros das casas antigas ao redor do Largo. Apesar de as caixas de som instaladas para que os instrumentos de corda (violão e cavaquinho) não sejam abafados pelo som das percussões, lembrarem a modernidade, a roda é levada propositalmente sem microfone, com os músicos e o público entoando as canções como era no passado.


    “Nossa intenção é dar continuidade a algo que já existe há mais de 200 anos, respeitando e divulgando a cultura ancestral, no local onde tanto sangue negro foi derramado”, afirma o percussionista Peterson Vieira. Ele cita Hilária Batista de Almeida, a “Tia Ciata”, negra baiana que veio para o Rio e se instalou ali, naquela região, e foi, na casa de Candomblé de João Alabá, uma das precursoras do movimento que daria origem ao samba. “Estamos continuando o que eles começaram”.

    Naquela segunda-feira, a roda começa com sambas como “Transformação”, de Jurandir da Mangueira e João da Gente, “Falsas Juras”, de Milton Casquinha, e “Eu agora sou Feliz”, de Mestre Gato e José Bispo. E segue noite adentro com sambas que fizeram sucesso nas interpretações de Fundo de Quintal, João Nogueira, Zeca Pagodinho, Cartola, entre outros. Como se trata de uma roda aberta, outros sambistas chegam e puxam um samba ou trazem seu instrumento para tocar.


    Em determinado momento da noite, a luz acaba no bairro, o que não é suficiente para acabar com a animação dos sambistas que continuam a tocar, mesmo com as caixas de som desligadas. Todos pegam uma percussão e o público ajuda na palma da mão. Depois de algumas músicas a luz retorna e os instrumentos de corda voltam a ser ouvidos com mais nitidez. O local vai aos poucos ficando lotado de gente de todas as partes do Rio de Janeiro, muitas saindo do trabalho direto para a roda e até estrangeiros.

    “Gostaríamos de envolver mais as pessoas da própria comunidade daqui. Eu sinto que hoje o samba está precisando fazer o caminho inverso: se antes ele veio do morro para o asfalto e é bem aceito por pessoas de várias classes sociais, agora precisa ter a adesão de mais pessoas das comunidades”, acredita o músico Rogério Família. Apesar disso, ele conta que o samba é bem aceito pelos moradores do local, que fica aos pés do Morro da Conceição.

    Mas nem sempre foi assim. Os instrumentistas lembram que antes de o samba se firmar como uma atividade reconhecida no bairro, denúncias anônimas pediam a saída da roda do local. “A polícia chegava, mas como tínhamos autorização, não podiam acabar com a roda. Houve até uma denúncia absurda de que estaríamos envolvidos com o tráfico de drogas. Nunca tivemos este envolvimento e não sabemos como esta denúncia pode ter acontecido”, afirma Walmir Pimentel, professor de geografia e músico.

    A maior dificuldade, porém, veio quando eles precisaram romper com os comerciantes donos de bares no local, que davam parte do dinheiro conseguido com as vendas de bebidas para os músicos. A partir daí passaram a contar com iniciativas privadas de pessoas que gostam do samba e investem quando os músicos precisam comprar algum equipamento, ou fazer a manutenção de instrumentos. Além disso, eles têm autorização para vender cerveja para o público da roda. “Todas as segundas-feiras fazemos também uma mini experiência de economia. Mas não podemos deixar de agradecer às pessoas que nos ajudam”, enfatiza Rogério Família.

    Aniversário de seis anos

    A Roda de Samba começou em 2006 com músicos independentes, que não tocavam em bandas fixas, mas também com alguns sambistas egressos do grupo Batuque na Cozinha. A ideia inicial era que a roda fosse um espaço onde o sambista pudesse tocar o que quisesse, de forma livre, depois de um fim de semana tocando profissionalmente. Por isso, a escolha da segunda-feira, tradicionalmente conhecido como o dia de folga do músico.

    Completando seis anos de existência este ano, a Roda de Samba comemora a conquista de mais uma vitória: os músicos foram convidados para uma apresentação no teatro Rival, que aconteceu no último dia 26 de Julho.

    “Neste show, nossa intenção foi levar este clima de roda de samba para o palco do teatro Rival. Foi legal por ser algo que nós nunca tínhamos buscado e aconteceu”, afirma Júnior Silva, instrumentista do violão de sete cordas.

    Para a apresentação no Rival, os músicos também ganharam uma composição inédita. A canção “Samba da Pedra do Sal”, composta por Mingo, Chiquinho Vírgula e Marquinho Diniz (filho do sambista Monarco), retrata um pouco do que acontece no samba das segundas-feiras.

    Além disso, os músicos fazem parte de um documentário, em fase de produção, com o nome provisório de “O Porto do Rio”, que recebe apoio cultural da concessionária que administra as obras do Porto Maravilha e do poder público.


    Atualmente, integram a roda de samba os músicos Júnior Silva, violão de 7 cordas, Peterson Vieira, pandeiro e caixa, Wando Azevedo, surdo, Paulo Cezar, tantam e reco, Walmir Pimentel, cuíca e tamborim, e Júnior Travassos e Rogério Família, cavaco.

    Incerteza em relação às obras do Porto Maravilha

    Os músicos que fazem a Roda de Samba da Pedra do Sal estão entre os principais interessados nas transformações pelas quais passa a Zona Portuária do Rio de Janeiro, com o projeto do Porto Maravilha. Apesar da expectativa otimista em relação às modificações planejadas para o local, eles temem que a especulação imobiliária e o mercado musical possam contribuir para uma descaracterização cultural do bairro.

    “Diante dos movimentos relacionadas aos eventos esportivos e religiosos no Rio de Janeiro, este espaço, que se manteve abandonado pelo poder público e por investimentos particulares durante mais de 80 anos, agora está no centro dos interesses de vários grupos”, afirma Walmir Pimentel, acrescentando que o grupo já foi procurado por entes públicos e representantes da concessionária para assegurar que a roda de samba será mantida como é e que aquele local, tombado pelo patrimônio histórico, será preservado.

    Mesmo assim, o instrumentista enxerga o momento com certa desconfiança. “Se você perguntasse a um sambista da praça Onze no início do século XX, sobre as expectativas em relação às reformas de Pereira Passos ele tremeria. Quando esta pergunta é feita hoje, para nós sambistas da Pedra do Sal, que somos um movimento cultural,  vemos um avanço, mas acontecem retrocessos. Esta região está sendo muito visada pelo capital imobiliário, pelo mercado da música, e a gente sabe  que o oportunismo pode se encaixar muito bem nisso”, afirma Pimental, citando as reformas sanitaristas conduzidas durante a gestão do prefeito Pereira Passos no século passado.

    SERVIÇO

    Dia: Todas as segundas-feiras
    Horário: À partir das 19 horas
    Local: Largo da Baiana, Gamboa, Zona Portuária

    Preço: Gratuito

  4. A mudança de local para a realização da vigília e missa de encerramento da Jornada Mundial me lembrou um filme que assisti há alguns anos chamado "O Banheiro do Papa" (El Baño del Papa, 2007), uma produção franco-uruguaia-brasileira, ganhadora de prêmios cinematográficos pelo mundo.

    Baseado em um fato real, o filme de César Charlone e Enrique Fernandez retrata o impacto da visita do Papa João Paulo II, em 1988, em uma cidade do Uruguai, Melo, próxima à fronteira com o Brasil, onde muitos habitantes vivem de pequenos serviços, como contrabandear de bicicleta, produtos de consumo comprados em Aceguá, no Rio Grande do Sul.

    A vinda do Papa é noticiada pela imprensa com grande alarde, anunciando a vinda de milhares de pessoas para o evento. No panorama de dificuldade de emprego e oportunidades, a vinda do Papa é vista pela população de Melo como uma oportunidade de abrandar a pobreza. Os moradores daquela pobre cidade fazem empréstimos com agiotas, vendem e penhoram bens e utilizam suas economias com o objetivo de ver um retorno com a venda aos fiéis.

    Um dos muambeiros da cidade é Beto, que vive em condições financeiras muito difíceis, com a esposa Carmen e Sílvia, filha que sonha ser jornalista. Para realizar o sonho da filha, Carmen guarda todas as suas economias. Mas Beto precisa comprar uma motocicleta para melhorar seus negócios de contrabando e vê na construção de um banheiro para a visita do Papa a solução.

    Na brilhante ideia de Beto, enquanto todos revenderiam alimentos e bebidas aos peregrinos, ele faria diferente. Aquela multidão de gente precisaria de um lugar para se aliviar, e ele teria o local perfeito, um banheiro novinho, que alugaria e ganharia, assim, rios de dinheiro.

    Diferente do que ocorrerá no bairro de Guaratiba, no Rio de Janeiro, em Melo, no fim das contas, o Papa visitou a cidade. No entanto, fez uma passagem rápida. E o número de peregrinos atraídos foi muito inferior à expectativa. Dos 50 mil esperados, não estiveram nas ruas mais que 8 mil pessoas, a maioria delas, habitantes da própria cidade uruguaia.

    O articulista Iuri Muller lembra em artigo publicado no blog Sul21: "o Papa veio, se foi, e pronto! Quando recém o leitãozinho de estimação começava a pingar graxa no braseiro, quando os primeiros chouriços caseiros pegaram a dourar e a estalar, o homem já tinha ido embora e todo mundo se foi - se foi sem almoçar nem nada -, e ficou só a terra vermelha pisoteada da esplanada coberta de lixo barato". 

    Os relatos colhidos pela imprensa junto a moradores de Guaratiba já demonstram a frustração com o cancelamento dos eventos no chamado Campo da Fé. As chuvas escancararam a falta de planejamento para o evento. O espaço, uma área privada que por sinal herdará as benfeitorias pagas com dinheiro da organização da JMJ, virou um pântano, cheio de lama, o que tornou impraticável a presença dos peregrinos.

    "Gastei R$ 1,5 mil para comprar bebidas para vender para os peregrinos. Quem vai cobrir agora esse prejuízo?", queixou-se o morador Paulo Teixeira Felipe, revelando ainda que vários vizinhos chegaram a alugar casas para os participantes.

    Nessa história em que a arte imita a vida e, mais de 20 anos depois, já com outro Papa, a vida imita a arte e a vida, o texto de Aldyr Garcia Schlee, autor do livro "El día en que el Papa fue a Melo", demonstra bem, guardadas as devidas particularidades, a questão social por trás dessas duas histórias:

    "Foi uma pena, porque Melo (Guaratiba) era uma festa, antes da chegada do Papa. A gente notava nas caras das pessoas - nos gestos, nas atitudes -  uma alegria sem necessidade de explicação, alguma coisa muito rica e muito viva que alguém chamaria equivocadamente de orgulho municipal ou de vaidade ufana, mas que era muito mais ou muito menos do que isso: era o júbilo dos deserdados, o regozijo dos esquecidos despertados repentinamente para um momento de confiança, para uma possibilidade de certeza."


    Nesta cena de "O Banheiro do Papa", Beto se esforça para chegar com o vaso sanitário ao banheiro que tinha construído no quintal de sua casa, enquanto poucos peregrinos passam pela cidade para ver o Papa.

  5. Reproduzo artigo publicado no blog Carta Maior com um "resumão" sobre as revelações de Eduard Snowden em relação ao serviço de espionagem norte-americano (o "olho que tudo vê", presente até no Grande Selo dos Estados Unidos).

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    Um terremoto chamado Snowden


    Por Flávio Aguiar


    Se houvesse uma escala para efeitos de denúncias internacionais, como há a Richter para os terremotos, o caso Snowden estaria no topo. De certo modo, as revelações do ex-espião norte-americano são mais impactantes do que as feitas tempos atrás por Julian Assange, com o auxílio de Bradley Manning.


    No fim de semana passado, a Der Spiegel publicou uma entrevista com Eduard Snowden, feita ainda em junho em Hong Kong por Jacob Appelbaum com a ajuda de Laura Poitras. Na segunda-feira (8), foi a vez do The Guardian publicar mais uma fatia da entrevista feita por Glenn Greenwald (com Poitras na câmera e ajuda de Ewen MacAskill), também em junho e em Hong Kong antes de que as denúncias viessem a público. A primeira fatia fora publicada em 09/06. Ambas as fatias estão disponíveis no site do The Guardian; a entrevista da Spiegel está disponível em alemão e em inglês nos sites da revista, além de extensa análise de como opera a espionagem norte-americana em território alemão.

    Juntando os dois segmentos do Guardian com o da Spiegel, é possível agora obter um quadro mais completo da situação e das revelações, conforme os itens abaixo descritos.

    1) Existe uma rede praticamente única e fechada entre serviços de informação de cinco países: os EUA, o Reino Unido, a Austrália, a Nova Zelândia e o Canadá. A França aparentemente opera um sistema lateral, embora não desconectado daquele, que Snowden chama de “Five Eye Partners”. O serviço secreto alemão, através do Bundesnachrichtdienst (BND) é uma espécie de “irmão menor” do “Big Brother” norte-americano.

    2) Apesar das sucessivas negativas por parte do governo alemão e dos pedidos de explicação da chanceler Angela Merkel ao presidente Barack Obama, é certamente impossível que as operações de espionagem norte-americanas em toda a Europa (na verdade em todo o mundo) e na Alemanha, em particular, fossem desconhecidas pelas autoridades de Berlim. O SPD, os Verdes e a Linke estão cobrando explicações. Mesmo o FDP, parceiro da CDU/CSU no governo, manifestou seu desconforto com as revelações das entrevistas. 78% do público alemão também exige explicações.

    3) Frankfurt é um local estratégico para as comunicações e para a espionagem. É nesta cidade – capital financeira da Europa – que os cabos de fibra ótica da Ásia, do Oriente Médio e do antigo Leste europeu se conectam com os do Ocidente. Ali operam a alemã Deutsche Telekom e a norte-americana Level 3, que se jactam de filtrarem 1/3 das comunicaçòes mundiais de internet. É impossível desenvolver a espionagem denunciada por Snowden sem a cooperação destas empresas e de outras em Frankfurt, ou de agentes nela infiltrados, para dizer o mínimo.

    4) Uma grande parte das informações armazenadas pelo sistema de espionagem (Snowden declara que o sistema tem capacidade para armazenar tudo o que capta pelo menos por três dias, mas isto está sendo “aprimorado”) parte do que é chamado de “metadata”. “Metada” é, em princípio, o conjunto de listas que todas as companhias telefônicas devem entregar a seus governos, contendo as informações sobre quem chamou quem e quando. Os “metadata” não contém o conteúdo de uma conversação, mas assim mesmo, segundo Snowden e outros pesquisadores da área, eles normalmente são o ponto de partida para detectar quando uma investigação deve ser aprofundada. Diz Snowden e os outros especialistas da área (entre eles o próprio Appelbaum) que as informações “metadata” são suficientes para traçar quase que na totalidade o perfil de um usuário. O sistema está sendo ampliado para a internet. A partir do manejo dos “metadata” e das informações suplementares obtiodas e armazenadas, torna-se fácil, por exemplo, “construir” um perfil de “inimigo” e colá-lo em quem quer que seja.

    5) Além das prováveis operações em Frankfurt, a NSA (National Security Agency) certamente ainda opera um centro de espionagem na cidade de Bad Aibling, na Baviera, em cooperação com o BND. Este centro – do tempo da Guerra Fria – será desativado quando o Exército norte-americano concluir a construção de uma unidade na cidade vizinha de Wiesbaden. Tudo desta futura unidade vem dos Estados Unidos, dos tijolos às antenas parabólicas.

    6) As entrevistas providenciam uma série de informações colaterais. Por exemplo, Snowden confirma que a NSA e o serviço secreto israelense construíram o vírus Stuxnet, usado para atacar o sistema de computação do programa nuclear iraniano.

    7) Uma pequena declaração de Snowden no vídeo divulgado pelo Guardian em 08/07 chama a atenção para um outro aspecto – à primeira vista um pequeno detalhe, mas de fundamental importância. Greenwald pergunta como e por quê ele tomou a decisão de se tornar um “whistleblower”. Ao lado dos problemas de consciência levantados, ele declara que, como agente e analista de espionagem, ele tinha acesso a “informações verdadeiras” (true information), “antes que elas fossem transformadas em propaganda pela mídia”. Ou seja, uma parte do esforço da NSA se concentra em formar a opinião pública, e para tanto a cooperação da mídia – proposital ou não – é fundamental, como atesta o caso da guerra do Iraque.

    8) Além da divulgação das informações, as entrevistas de Snowden permitem algumas conclusões relevantes. De fato, a segurança e até a vida dele correm perigo. Por isto, o asilo que ele busca – concedido previamente por três países, Bolívia, Nicarágua e Venezuela – é fundamental. O Brasil deveria no mínimo apoiar estas concessões de asilo, como fez Cuba, senão conceder ele mesmo o asilo. Também deveria fazer parte da ação do governo brasileiro a busca de uma alternativa viável para Snowden deixar Moscou, se for esta sua vontade, em direção ao país em que deseje se asilar. A espionagem e o governo norte-americanos vão caçá-lo por onde passe, e provavelmente com a ajuda subserviente dos governos europeus, como ficou evidente no caso do avião presidencial boliviano.

    9) Henrique Capriles, líder da oposição venezuelana de direita, condenou a adecisão do presidente Nicolás Maduro, concedendo o asilo. O gesto é um índice da disposição das direitas do continente diante deste caso. Uma outra consideração importante: parte da nossa mídia conservadora vem tratando Snowden como um “delator”. É fato que a palavra é uma das traduções dicionarizadas para “whistleblower”. Mas seria melhor tratá-lo como “denunciante”. “Delator” tem uma conotação muito negativa no Brasil. Afinal “delator” em nossa história foi Joaquim Silvério dos Reis, que “delatou” a conspiração mineira.

    10) Last, but not least, perguntado sobre seu maior medo, Snowden respondeu que era o temor de que, a partir de suas denúncias, nada acontecesse.

  6. Um mês depois das primeiras manifestações que começaram por conta do aumento da passagem em São Paulo, mas que evoluíram para o que vem sendo chamado de “a primavera brasileira”, ainda é cedo para falar em mudanças concretas e definitivas na forma como o brasileiro (sobretudo as gerações mais jovens) discute e se posiciona politicamente.  No entanto, é notável uma revisão de posturas a partir de lições aprendidas com os acontecimentos, que permeia tanto as posturas individuais quanto a de instituições tradicionais.

    O calor que emanava das ruas arrefeceu, em certa medida, e os movimentos sociais (sindicatos, partidos políticos de esquerda, associações e organizações) que sempre estiveram nas ruas, voltam, aos poucos, a tomar o protagonismo do processo. Porém, agora revigorados pela percepção de que suas causas têm o respaldo da população. Suas bandeiras foram legitimadas pela participação massiva nas manifestações em todo o Brasil. Não são, como cismavam em difundir alguns setores da mídia tradicional, vozes isoladas representando a si mesmas.

    Falando em mídia tradicional, esta viu diluir o seu poder de desarticulação dos movimentos. É fato que, até então, havia sempre um discurso de redução de protestos a “manifestações que atrapalhavam o trânsito”. Pouco se dava espaço à discussão das pautas de reivindicações dos movimentos. Pressionada, porém, pela surpreendente adesão aos atos do último mês, esta mesma mídia se viu obrigada a rever sua postura (se esta perdurará é uma incógnita). O exemplar mais icônico dessa mudança, que não deixa de ser oportunista, está na fala do cronista Arnaldo Jabour (o chato mor) que mudou de opinião sobre as manifestações como quem corria do ladrão.



    A mudança no tom da cobertura foi uma atitude que, para os mais críticos, demonstrou o desespero da velha mídia em perceber que sua influencia está se diluindo cada dia mais com o advento das mídias sociais. Por outro lado, ficou clara a tentativa dessa mesma mídia de tomar para si, direcionar e manipular as causas das manifestações. Há por trás dessa postura, o interesse em desmoralizar conquistas sociais importantes da democracia nos últimos anos com a ascensão de governos de esquerda (centro-esquerda?) no Brasil.

    Aliás, foram as mídias sociais o principal veículo de aglutinação - e difusão - das manifestações do “outono brasileiro”. É fato também que, já há alguns anos as redes sociais vinham como que gestando o pensamento mais crítico dos jovens que aderiram aos protestos. Muita informação sobre os abusos do poder público e sobre a realidade social brasileira, que não chegavam pelos meios tradicionais, nas redes sociais eram difundidas de forma horizontal. Tanto é que nos últimos dois anos têm acontecido manifestações espontâneas contra a corrupção, por exemplo.

    E é em relação aos jovens, a grande maioria deles pela primeira vez nas ruas, que pode ter acontecido a mais importante das transformações. Quem está nas redes sociais pôde perceber que, pela primeira vez o assunto mais discutido não era o futebol, a música da moda, o vídeo com mais visualizações. A política ficou no centro das conversas para pessoas que nem se importavam com este assunto. De fato, muitos debatiam o tema de forma superficial, mas o assunto estava ali, bem ou mal, sendo discutido. A semente de um pensamento mais crítico em relação à realidade foi plantada. E a lição de que reivindicar é forma legítima e eficaz de luta pelos direitos parece que foi aprendida. O futebol continuará sendo pauta, a moda da vez também (porque não?), mas a política está, finalmente e intensamente, em pauta para esta geração.

    Por sua vez, os movimentos sociais e partidos políticos de esquerda se depararam com a realidade de que o pensamento de direita e até de extrema direita também disputa as ruas (citação ao ótimo texto do Valter Pomar). E foram, em parte, tomados de assalto pela rejeição de manifestantes em diversas cidades, pelos gritos “sem partido” reverberados, pela tentativa de redirecionar o foco das manifestações para atos anti-governo. Há sinais de que estes partidos de esquerda e movimentos sociais começam a rever suas posturas.

    Nas instâncias do poder (no caso, Governo e Congresso/Senado), os protestos – que também eram por conta da insatisfação generalizada e legítima com as posturas soberbas de parte considerável da classe política – causaram uma inquietação positiva. De um lado, o Governo Federal viu a oportunidade de pressionar pela aceleração de ações importantes nos âmbitos político (a reforma política) e social (saúde e educação, principalmente). De outro, o Parlamento acelerou a votação e aprovação de projetos que há anos estavam emperrados, projetos estes com potencial para auxiliar nas mudanças necessárias.



    O calor das manifestações pode e deve se tornar força para uma nova relação da sociedade com a política no seu significado mais genuíno. Que assim seja.

  7. Rir é o melhor remédio, já dizia o ditado. E quem faz rir, por consequência, tem a cura para todos os males. Na história, muitos se mostraram especialistas na arte de fazer humor. Da figura do bobo da corte, que encantava reis e rainhas, até os dias de hoje muitas risadas já foram dadas e, atualmente, o humor é um gênero artístico que encanta várias gerações.

    No cinema, na TV, na rádio ou no teatro humoristas, comediantes e palhaços provocam gargalhadas no público. Fazer homenagem a alguns desses nomes com uma lista dos 10 maiores humoristas é homenagear, acima de tudo, este gênero.

    1. Charles Chaplin (foto)
    Charles Chaplin conseguiu unir humor e drama como ninguém na história do cinema. Fazia o público gargalhar e sentir um nó na garganta ao mesmo tempo. Satirizou Hitler e a Revolução Industrial em cenas que ficaram na memória de todos em “O Grande Dirador (1941)” e “Tempos Modernos (1936)”. Chaplin fazia humor sem dizer quase nenhuma palavra, já que é um dos mais representativos atores do cinema-mudo. Uma de suas maiores influências, até hoje lembrada por comediantes em todo o mundo, foi a mímica, colocada na medida em filmes em que tanto atuou, como dirigiu.

    2. Buster Keaton (foto)
    O segundo nome desta lista é considerado por muitos o maior “rival” de Charles Chaplin no cinema-mudo. Keaton fazia humor utilizando as chamadas gags (elementos surpresa) tais como corridas, quedas, fugas, entre outros. O ator ficou conhecido por fazer rir construindo personagens impassíveis, que quase nunca demonstravam feições diferentes diante dos fatos. Por isso, ironicamente era conhecido pelos apelidos de “cara de pedra” e “homem que nunca ri”.

    3. Woody Allen (foto)
    Em filmes de sucesso de crítica e público, Woody Allen criou um estilo próprio de humor sarcástico e inteligente. A narrativa de suas histórias - em que atua, muitas das vezes, dirige e roteiriza - carrega um ritmo dinâmico característico. Em uma atmosfera particular que perpassa toda a sua obra, por meio de uma junção entre trilha sonora, planos de filmagens, cores de cenários e diálogos regados de chavões e lugares comuns que são ditos displicentemente pelos personagens, Allen transforma situações corriqueiras em grandes cenas de comédia.

    4. Groucho Marx (foto)
    É considerado um dos mestres do humor e, na verdade, representa a família Marx, já que seus filmes mais memoráveis foram feitos na companhia dos irmãos Chico e Harpo Marx.  Começou no teatro excursionando os Estados Unidos com o grupo conhecido como “Os Irmãos Marx”. Frases célebres de Groucho Marx ditas em seus filmes, como "Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio" ou “Eu nunca esqueço um rosto, mas no seu caso, vou fazer uma exceção”, são lembradas até hoje.

    5. Jerry Lewis (foto)
    Parceiro de Dean Martin em suas primeiras e mais conhecidas aparições, Lewis começou no teatro já inovando: ele, como o palhaço, e Martin, como o sério, interagiam e improvisavam no palco, quase sempre saindo dos roteiros pré-estabelecidos. As caretas, tiques e piadas de Jerry Lewis fizeram história também na música, na rádio e principalmente no cinema, onde ficou conhecido do público no mundo todo. “O Mensageiro Trapalhão”, “O terror das mulheres”, “O professor aloprado”, estão entre alguns de seus muitos filmes. Sucesso absoluto nas gargalhadas, Lewis virou também personagem de gibi e de desenhos animados.

    6. Peter Sellers (foto)
    Exemplar do genuíno e original humor inglês, Peter Sellers ficou conhecido pelo seu personagem o Inspetor-chefe Clouseau, da série “A Pantera Cor-de-Rosa”.  O humor inglês de Sellers influenciou comediantes atuais, como Rowan Atkinson (o eterno Mr Bean, que só não entrou nesta lista por falta de espaço!), já que seu humor era caracterizado pelas expressões corporais e faciais. Ele conseguia transformar sua presença física em algo patético e por isso fazia rir tanto.

    7. Jacques Tati (foto)
    O célebre ator frânces é outro exemplar do humor através da “pantomima”, ou seja, o teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e o maior uso de gestos através da mímica. É a arte de narrar com o corpo. E Tati fazia isto como ninguém em filmes como “Carrossel da Esperança(1948)” em que consegue transmitir humor através de cenas singelas e comoventes. Em “As Férias do Senhor Hulot (1953)” criou o famoso personagem de chapéu, guarda-chuvas e cachimbo que seria considerado o álter ego do ator.

    8. Jim Carrey (foto)
    Representando a nova safra de comediantes, Jim Carrey é o retrato dos atuais humoristas: começou no stand-up comedy, em um clube de comédia em Toronto, no Canadá; passou por testes em shows de comédia na televisão americana; e, finalmente, alcançou o sucesso com personificações originais nos cinemas. São dele os personagens que depois virariam também desenhos animadas, brinquedos e video-games, como “Ace Ventura(1994)” e “O Máscara (1994)”, este último seu maior sucesso na comédia até hoje. No filme Debi & Lóide revive um pouco da história das grandes duplas de comediantes. Suas expressões faciais e seu humor escrachado e, por vezes, politicamente incorreto, são a marca que arrasta bilhões de pessoas para assistirem a cada nova produção cinematográfica em que atua.

    9. Roberto Bolaños (foto)
    A longevidade dos personagens criados pelo ator, diretor e roteirista mexicano Roberto Bolaños fez com que pessoas das mais diferentes gerações rissem com suas histórias. Criador de Chaves, Chapolin e Chespirito, Bolaños é um dos atores que mais ficou no ar na história da televisão com um mesmo personagem (no caso o Chaves, um menino órfão que vive dentro de um barril em uma vila). Seu humor infantil, e recheado de chavões originais, leva famílias inteiras a assistirem e amarem os personagens de suas séries.

    10. Grande Otelo (foto)
    Entre os humoristas brasileiros, Grande Otelo é o que melhor personifica o jeito de fazer comédia no Brasil. Seu humor escrachado percorreu desde a chanchada até o cinema novo, movimentos cinematográficos brasileiros. Nos filmes em que fazia dupla com outro gênio da comédia brasileira, Oscarito, Grande Otelo fez “rir até chorar”. Além da extensa cinebiografia brasileira, participou também do inacabado "It’s all true", do diretor americano Orson Welles (que considerava Otelo o maior ator brasileiro). Um de seus últimos personagens ficou conhecido pelos bordões "Aqui! Qui queres? e "Faiô!", na Escolinha do Professor Raimundo, programa de outro grande comediante brasileiro, Chico Anysio.

    Artigo que fiz para o escrever.com


  8. Publicado originalmente no OiPreguica.
    Ainda pouco explorado pelos que curtem uma aventura em meio à natureza, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é um achado valioso e interessante. Além das belas paisagens que a rota turística ecológica proporciona, na visita o mochileiro também tem a oportunidade de conhecer um pouco da história do Brasil.
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    Localizado a 20 quilômetros da pequena cidade de Rio Claro (RJ), na serra do Piloto, o local é considerado o primeiro sítio arqueológico urbano do país. Até o início do século passado (nos anos de 1940) havia ali uma cidade, no entanto, por conta da necessidade da construção da represa de Ribeirão das Lajes (hoje administrada pela Light) para abastecer a cidade do Rio de Janeiro, à época na iminência de uma falta d’água, o lugarejo foi alagado e as construções demolidas.
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    Com a represa pronta, as águas baixaram em boa parte da área onde ficava a cidade. Num passado mais recente, um grupo de arqueólogos e historiadores tocaram projeto de escavações com o objetivo de localizar e recuperar as ruínas de São João Marcos, que chegou a ter 20 mil habitantes no final do século XIX  e era um dos pontos estratégicos para o escoamento da produção de café no Brasil, na época.
    Chegar ao Parque é fácil. Para quem está no Rio, seguir de carro a Avenida Brasil em direção ao bairro de Santa Cruz. Depois pegar a rodovia Rio-Santos (BR-101) em direção à Angra dos Reis. No trevo de Mangaratiba, virar à direita para a Serra do Piloto (RJ-149) e seguir a estrada, asfaltada recentemente.
    Para quem está em São Paulo, Sul Fluminense e Vale do Paraíba, seguir pela via Dutra (BR-116) no sentido Rio de Janeiro. Após passar a primeira saída para Volta Redonda, ainda na Dutra, entrar na estrada de Getulândia e seguir até a RJ-155. Seguir pela RJ-155 e, ao passar pela entrada do município de Rio Claro, virar à esquerda na Estrada RJ-149. Após o portal de entrada do Parque há um pequeno trecho em estrada de chão, que pode ser feito a pé ou de carro.
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    Lá a primeira parada é um museu onde estão objetos dos antigos moradores do local, além de uma maquete que reproduz como era o vilarejo no início do século passado. A história é contada por um guia treinado e também em vídeos-documentários, que têm inclusive depoimentos de ex-moradores. Pra quem não tem muita paciência com histórias (eu não sou um desses!), vale a pena ganhar (e não perder!) 30 minutos do seu tempo no minimuseu.
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    Depois, basta aproveitar o dia. As trilhas do parque levam a ruínas de casas, pontes, a igreja Matriz e um cemitério – este num dos únicos pontos que não foram alagados pelas águas da represa. A natureza no parque é esplêndida. Para os observadores de aves, podem ser vistas ali algumas belas espécies.
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    Seguindo por uma estrada de chão (uma antiga estrada real pela qual Dom Pedro viajava), o mochileiro chega às margens de uma das áreas alagadas pela represa. Em dias ensolarados, a boa pedida é tomar um banho nas águas (naquele trecho límpidas) dos rios Piraí e Paraíba do Sul.
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