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  1. Quem entre os que trabalharam no Diário do Vale consegue esquecer Dicler Simões feliz da vida por ter conseguido a manchete do dia seguinte? Era o exemplo vivo do jornalista romântico, que respirava jornalismo sete dias por semana, 24 horas por dia, nas folgas e no tempo livre. Fazia o tipo de jornalismo que me fez querer cursar a faculdade de comunicação. Aquele jornalismo que tem a pretensão de "mudar o mundo".

    O 'Jacaré', Diclerzão, Jaca, deixa saudades a todos que passaram por sua vida. Nos meus quatro anos de trabalho no Diário do Vale, confesso que tentava , todos os dias, aprender um pouco mais com Dicler. Seu jeito de apurar, de contar uma história, de "esquentar" uma notícia, de cativar uma boa fonte, como ninguém fazia igual. Era o jornalista que saía por último da redação, andava sempre com o rádio de escuta, sentado em frente ao computador com seu bloco de reportagem, caneta, copo de café e cigarro na boca, como a gente vê nos filmes, ouve histórias de professores na faculdade, ou lê nos livros.

    Quem não se lembra de ter ligado para o Jacaré para contar sobre um "notícia" que acabara de "acontecer" e ouvia dele um "Já estou sabendo" com todos os detalhes possíveis, como se estivesse no local? Quem esquece das informações que um repórter levava horas para apurar e que Dicler, com um ou dois telefonemas, conseguia levantar? Lembro das vezes em que pedia um telefone de uma fonte (que tinha certeza que teria) e o Jacaré tirava aquela velha caderneta da gaveta com telefones de todo mundo anotados ou rabiscados desde a cabeça da página até o rodapé.

    Para mim, pessoalmente, um exemplo de profissional e de vida. Trabalhou até o fim, apaixonado pela profissão. Ouvi dizer que na quarta-feira, quando ligaram do jornal para saber seu estado de saúde, Jacaré teria perguntado: "Já conseguiram a manchete?" Era assim Dicler Simões, um jornalista apaixonado que vai deixar saudades.

    Mais informações sobre Dicler Simões no site do Diário do Vale

  2. Coração do meu Brasil

    20 de março de 2008

    Gente por todo lado. Vans e kombis, muitas. Em número que supera o de carros. Pessoas gritando, andando, correndo, falando ao celular. Quiosques, barracas, carros de som, promoção. Cheiro ruim, lixo, esgoto, suor, perfume. Ritmo acelerado. Estou no Rio de Janeiro. Mas o Rio de Janeiro de verdade. Diferente daquele que a gente só vê na Zona Sul, com praias, gente de terno e gravata, ou sunga, biquíni e saída de praia. Nada de iates, lanchas, carros do ano, mendigos, maltrapilhos, aleijados, cachorros, velhos, travestis, espalhados pelas calçadas. Nada de prédios altos, antigas construções, ruas largas, estações de metrô. Nada do Rio do “centro da cidade” onde vamos quando precisamos tirar um documento importante, pegar um avião, prestar vestibular ou assistir a um jogo no Maracanã.

    O Rio é muito mais que isso. E só fui me dar conta agora, que estou morando “lá”. A cidade é uma infinidade de bairros diferentes com estrutura de verdadeiras cidades. Tem muita gente que passa meses sem ir ao centro. Nada do Rio que nos mostram rachado no meio entre favelas e urbanismos. O Rio não tem apenas dois lados: tem três, quatro, cinco... Uma cidade plural, com gente como eu e você. Pessoas que moram em casas de um, dois andares, em ruas comuns com pracinha, lanchonete, sorveteria, quiosque de açaí. Cariocas de verdade, que puxam o X, falam alto, são prestativos, agitados, adoram carnaval (ah, o carnaval!!!). Cariocas de todos os jeitos, como o Rio é de todos os jeitos. Um Rio de Janeiro onde "dá pra sair de noite" sem levar uma bala perdida ou topar com uma blitz da PM. Agora começo a conhecer uma cidade maravilhosa, cheia de encantos mil.

  3. Cadê a fé

    24 de fevereiro de 2008

    Cadê a fé?
    Que me movia
    Movia montanhas a minha volta

    Onde está ela?
    A esperança
    Que me trazia sempre de volta

    Cadê a fé?
    Que não se acabaria
    Sempre seria a minha escolta

    Onde está ela?
    Que não deixava
    O sofrimento.
    Ou pelo menos, nestes momentos,
    A dor levava.

  4. Eu que nunca gostei mesmo de futebol

    27 de janeiro de 2008

    Quarta-feira à noite. Dia de futebol na TV. Mas eu, prefiro ir pro quarto ler um livro, escutar uma música ou simplesmente dormir. Parei pra pensar sobre isso dia desses. E cheguei à conclusão: nunca gostei mesmo de futebol. Tenho meus momentos de torcedor, confesso, de quatro em quatro anos na Copa e vez ou outra numa final em que o time pelo qual digo torcer vai jogar.

    Desde pequeno, nunca me fizeram me interessar pelo futebol. Sim, porque é algo cultural. Não uma vontade que nasce com a gente. A não ser para aqueles que têm o talento para o futebol, como muitos moleques desse Brasil. Meu pai nunca foi o bom de bola e nunca se importava em dizer para mim: “Chuta, chuta”. Ele se importava sim em me ensinar outras coisas muito importantes para a formação do meu caráter.

    O fato é que, não gostar de futebol, ou não se importar com os 22 jogadores, três árbitros e uma bola, me tira do convívio das pessoas, por pelo menos duas horas e me exclui de algumas conversas no dia seguinte, ou durante toda a semana quando se trata de um clássico.
    Eu até tentei jogar futebol, admito, mas nunca me interessava.

    Uma vez quando era muito pequeno – devia ter uns 7 anos – jogava na rua de um primo bom de bola e aficionado pela coisa. O gol era a garagem de uma casa abandonada. E os times eram formados por adultos e crianças. Uma brincadeira saudável. Talvez por isso jogasse. Porque, se fosse realmente uma competição, provavelmente não jogaria. Mesmo assim ficava sempre atrás, olhando acontecer.

    Até que por um acaso do destino a bola veio parar nos meus pés. Dei um chute certeiro por debaixo do goleiro que pulava para tentar pegar a pelota. Gol. E todo mundo se admirou, já que todos sabiam que eu realmente não era chegado. Vibrei. Mas passou. Não seria por isso que eu, que nunca gostei mesmo de futebol, passaria a gostar.



    Nem por isso também, deixei de ir a um estádio assistir a uma partida. Porém, mesmo quando fui, minha reação não era a mesma dos outros. Não prestava muita atenção ao jogo em si. Jogadas, faltas, dribles e outras coisas que fazem parte da futebolística. Prestava mais atenção na reação das pessoas. Nos gritos de guerra das torcidas, nas bandeiras, xingamentos e etc. Talvez fosse o lado jornalista - de observar de fora - já falando mais alto. A experiência de ir a um estádio? Muito boa. Tanto que voltei outras algumas vezes.

    Não sei por que escrever sobre isso, mas o futebol está tão presente na vida de nós brasileiros que deve haver uma necessidade de justificação. Eu que nunca gostei mesmo de futebol, talvez nunca chegue a saber o que é torcer por um time, vestir o uniforme para assistir a um jogo com os olhos na TV e os ouvidos no radinho de pilha, ou então sair pra jogar numa terça-feira a noite com os amigos. Mais ou menos um peixe fora d’água mas que nem por isso deixa de ser brasileiro.

  5. Uma espécie de corrente

    19 de janeiro de 2008

    Interessante esse negócio de blog. Sem muitas pretensões começamos a postar textos, comentários, fotos e etc. De repente, começam a surgir comentários de pessoas que você nunca viu na vida, porque viram seu endereço em outro blog, que gostaram do que leram e que passam a visitantes assíduos. Adcionam links do seu blog no delas e pronto: lá está uma espécie de corrente que se inicia e que você não sabe onde vai parar. Blá, blá, blá...

  6. Vamos fugir..

    13 de janeiro de 2008


    O sol


    A lua


    Fotos: Tainah Coutinho

    Tiradas na Ilha Grande, Aventureiro, no ano novo. Como eu queria ter ido pra esse lugar! Vamos fugir?

  7. Um breve balanço

    1 de janeiro de 2008

    E porque não começar o ano com aquele sentimento de otimismo? Aquele pensamento de que tudo vai dar certo. Que mal há nisso? Mesmo sabendo que, ao final, nem tudo vai dar certo, algumas coisas vão dar muito errado, outras não vão sair do jeito que se queria, outras ainda vão ser terríveis surpresas. Tenho certeza, porém, que muita coisa vai dar certo, outras coisas vão ser melhores do que se esperava e outras ainda vão ser agradáveis surpresas.

    Em 2007 foi assim. Vi que tinha amigos de verdade. E com esses amigos eu viajei por aí. E como viajei. A esses amigos só tenho a agradecer e agradecer, sem medidas. De outros amigos me distanciei, e senti saudade, mas amizade que é amizade mesmo não acaba, como dizem por aí. Alguns amigos reencontrei e matei saudade. Com uma amiga dancei. E como foi bom dançar! Me aventurei na dança de salão e gostei. Tintintum. Inesquecível. Tive o melhor baile de formatura do mundo. E tenho saudades de vocês, colegas e amigos de turma! Comecei a estudar de novo e não quero parar.

    Uma palavra pra definir este meu ano: EXPERIÊNCIA. Tanta experiência que parece que foram 10 anos dentro de um. Experimentei muito. Experimentei voltar atrás, e não deu certo. Experimentei passar noites em claro bebendo e me divertindo com meus amigos, e me diverti. Experimentei algumas coisas pela primeira vez – umas gostei, outras descartei. Escrevi muito. Experimentei escrever sobre mim e criei um blog. E gostei. Arrisquei. Fui “obrigado” a parar de escrever, e deixar de lado uma das minhas grandes paixões. Por quê? Ainda não sei, mas to descobrindo. E se um dia achar q não valeu a pena, eu volto. Com isso tive que “deixar” pra trás grandes amigos. Jornalistas, sinto falta de vocês!

    Superei um amor e amei de novo. Achei que não aconteceria (está aí uma daquelas agradáveis surpresas). Vivi um “grande amor”. E valeu a pena. Foi, mas valeu a pena. Me despedi da minha irmã, que foi pra longe. E senti saudades. Fiquei mais perto do meu irmão e gostei muito (uma das melhores companhias que eu já tive). Percebi que meus pais são os únicos que vão estar do meu lado pra sempre – porque muitos amigos vem e vão.

    2007 foi o ano que valeu a pena. Todas as maluquices, porres, amizades, lágrimas, mudanças. Foi o ano das mudanças. (Aliás, estou de mudança: moro no rio definitivamente a partir de amanhã). Mas a maior mudança foi dentro de mim. Mudei drasticamente algumas maneiras de ver o mundo, e gostei. Aprendi com o mestre Aluízio que tudo o que está cristalizado não é bom e que o melhor é a constante mudança. Tive a coragem de largar velhas traquitanas e enchi a minha vida de novidades.

    É por isso que faço esse balanço de 2007 e começo 2008 com otimismo sim, apesar de saber que nem tudo vai ser do jeito que eu quero. Sei de uma coisa: vai ser o melhor pra mim.


    O Ano

    (Carlos Drummond de Andrade)

    Quem teve a idéia
    De cortar o tempo em fatias,
    A que se deu o nome de ANO,
    Foi um indivíduo genial,
    Industrializou a esperança,
    Fazendo-a funcionar
    No limite da exaustão.
    Doze meses dão para qualquer ser humano
    Se cansar e entregar os pontos.
    Aí entra o milagre da renovação
    E tudo começa outra vez, com outro número.
    E outra vontade de acreditar
    Que daqui por diante vai ser diferente


  8. Foi

    13 de dezembro de 2007

    Foi. De novo como outras vezes. Mas foi diferente. Bom? Foi... Tanto ou mais do que outras vezes. Mas foi diferente. Despertando algo novo, ou algo velho que estava esquecido. Foi tão gostoso quanto o que se pode imaginar de mais gostoso... Não foi nada, mas foi tão bom. E foi embora sem avisar. Mas se foi deixando resquícios. Um pouco do que foi. Mais do que eu esperava. Ainda não foi dessa vez. Mas quando foi, não ficou mais o gosto amargo. Só a certeza de saber que, o que foi – seja lá o que tenha sido – valeu a pena.

  9. tudo é olhar

    16 de novembro de 2007

    Tudo é olhar...


    não te amo mais

    estarei mentindo dizendo que

    ainda te quero como sempre

    tenho certeza que

    nada foi em vão.

    sinto dentro de mim que

    você não significa nada

    não poderia dizer jamais que

    alimento um grande amor

    sinto cada vez mais que

    já te esqueci!

    e jamais usarei a frase

    eu te amo!

    sinto, mas tenho que dizer

    verdade

    é tarde demais...



    Texto atribuído à Clarice Lispector, (vai saber, não é mesmo) aparentemente como outro qualquer. Mas como tudo é olhar, tente ver de outro jeito (dica? leia de baixo para cima).


    Como nada se cria, abaixo, letra de música da Paula Toller que segue mais ou menos a mesma linha:




  10. Jornalista chato

    7 de novembro de 2007

    Uma vez disse a uma amiga jornalista que postaria neste blog fatos, acontecimentos, textos e outras coisas que valessem a pena dividir com quem está aí, dos outros lados da rede. Parece que o jornalismo está na alma de quem é jornalista. Por isso ‘ele’ não agüenta: precisa saber além do que o que está aparente. E foi isso que aconteceu num desses últimos feriados em Angra dos Reis, mais especificamente na praia Residencial.

    Uma aglomeração de pessoas à distância. E, entre os amigos, só este blogueiro interessado em saber qual era a ‘tragédia’ (sim, porque aglomeração de pessoas só pode ser duas coisas: distribuição de brindes e tragédia). E lá fui eu pra ver de perto.

    Salvamento de uma vítima de afogamento. O dia estava chuvoso e o mar perigoso. Era um homem de cerca de 40 anos recobrando a consciência. O jornalista aqui foi logo chegando mais perto e ouviu “sem querer” do salva-vidas: “Se demorasse mais três minutos para resgatá-lo ele não sobreviveria”.

    Não contente, cheguei mais perto. Perguntei pra um e pra outro curioso. Fui informado de que ele e o filho estavam no mar na hora do afogamento. Mas onde estava o filho? Será que havia se afogado?

    O mais interessante dessa história “baseada em fatos reais” vem agora. O homem recobrou a consciência, mas ainda meio atordoado, começou a perguntar pelo filho. O filho chegou e passou a mão na cabeça do pai perguntando se estava tudo bem. Os bombeiros levaram o homem e eu cheguei mais perto. Perguntei ao filho (que aparentava ter 17 anos) o que havia acontecido. Ele contou uma história que balançaria a isenção objetiva de qualquer repórter.

    Os dois estavam no mar e ficaram presos pela maré. O pai havia conseguido sair mas o filho não. Então ele voltou para tentar salvar o jovem e acabou desaparecendo na água, enquanto o filho conseguiu sair e chamar ajuda.

    No meio dessa confusão toda, o filho foi embora acompanhar o pai e eu ouvi a sentença que dá título a essa postagem: “Jornalista chato!”, da boca de uma pessoa que eu arrastei para a aglomeração com a minha curiosidade. Adorei ouvir aquilo. Me fez perceber que, apesar de temporariamente distante da profissão, ela ainda está aqui, na alma. “Jornalista chato”, com muito orgulho. Algumas falhas na apuração, mas fazer o que... Mais algum chato por aí?

  11. Dia de Treinamento

    22 de outubro de 2007

    Igreja da Candelária - Centro do Rio. Era a vista que me aguardava todos os dias depois do treinamento. Valia a pena abrir a janela.

  12. Já aconteceu?

    14 de outubro de 2007

    Sabe aqueles momentos em que está tudo mudando, e muda rápido demais? E as mudanças não acontecem sucessivamente, mas concomitantemente (ao mesmo tempo)? Aquelas ocasiões em que você é obrigado a deixar tudo pra trás? Tudo mesmo – o que é bom e ruim? Já viveu algum momento em que você se despede de velhos atores, dores, amores? Só que inesperadamente? Já se viu num beco sem saída, onde, sem querer, você encontra uma porta? E essa porta te leva pra um lugar assustadoramente e interessantemente desconhecido? Esteve confuso em meio a tantas transformações que parecia que o mundo iria desabar nas suas costas e que você não iria dar conta (mas no final dá tudo certo)? Esteve tão certo de que a mudança te faria tão bem que você não se segurou de tanta felicidade? E ao mesmo tempo te dá um medo danado de “tudo ao mesmo tempo agora”? Já experimentou aquela sensação paradoxal de querer e temer? Já aconteceu? Comigo já.