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  1. Tá cheio de música boa na MPB rolando por aí. E tudo por causa da internet que nos possibilitou ver e ouvir pessoas talentosas dos mais diversos cantos do país e dos mais diferentes gêneros musicais - artistas que talvez nem pensaríamos em ouvir. Dá pra dizer que nos últimos anos, pra ser conhecido, um artista precisa "aparecer" muito mais na rede do que na TV.

    E o bom é que temos a LIBERDADE de escolher ouvir o que quisermos sem o "agenda setting" da grande mídia (tão chata e conservadora na maior parte do tempo). E melhor do que isso é poder dividir nossos gostos musicais com "todo mundo" e "trocar figurinha": ouvir sugestões dos outros sobre o que ouvir.

    Pensando nisso começo hoje uma nova LISTA com as músicas que fizeram a minha cabeça nos anos 2000, por causa da internet e da troca de pendrives com amigos. Coisas que eu "descobri" ou me foram apresentadas, e que eu gostaria de dividir (share).

    Em 10º Lugar:



    Felicidade
    Com Marcelo Jeneci e Laura Lavieri
    Composição: Marcelo Jeneci/ Chico César


    Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
    Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
    Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
    Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
    Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
    Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e dançar.
    Dançar na chuva quando a chuva vem.

    Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
    Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
    Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
    Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e dançar.
    Dançar na chuva quando a chuva vem.

  2. E pro dia dos namorados...

    11 de junho de 2011

    Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração,
    E quem irá dizer que não existe razão...



  3. Nossa insensatez

    7 de junho de 2011

    Ouvir e calar
    Calar até não conseguir segurar
    Segurar até precisar extravasar
    Extravasar sem medir as consequências
    É a minha insensatez

    Falar sem pensar
    Pensar que tudo está fora do lugar
    Dar lugar à raiva e extravasar
    Extravasar sem medir a força das conseqüências
    É a sua insensatez

    Insistir em perdoar
    Pedir perdão e não parar de errar
    Errar e esquecer a promessa de mudar
    Prometer sem ter forças pra cumprir
    Ser imperfeito, ser humano
    Enfim, amar sem medida
    é a nossa insensatez

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  5. Žižek, o comunista pop

    25 de maio de 2011

    Não poderia imaginar que aquele senhor excêntrico e agitado, com tiques que deixam qualquer um nervoso, teria tanto a me dizer. O escritor esloveno Slavoj Žižek, o mais pop dos teóricos do comunismo contemporâneo, esteve no Rio ontem e fui conferir. Com duras posições sobre a sociedade materialista, “que transforma tudo em commoditties”, Slavoj foi sensato ao revelar as ideologias que impregnam todas as esferas do capitalismo atual. Separei alguns momentos da palestra com o objetivo de divulgar o lançamento de dois de seus livros (Primeiro como tragédia, depois como farsa e Em defesa das causas perdidas), que aconteceu no cine Odeon, Cinelândia, Centro do Rio.

    ECOLOGIA – O filósofo marxista se recusa a utilizar o termo da moda, sustentabilidade, para falar do tema tão em voga atualmente. Em seu discurso prefere falar em Ecologia, palavra que foi bastante difundida quando começou a onda “verde” mais fortemente na década de 70. Ele afirma que a ideologia por trás da Ecologia é a necessidade capitalista e individualista de “se livrar da culpa”. “Quando uma pessoa não usa um copo de plástico faz isso para suprir uma necessidade individual de se sentir bem. Dizer ‘fiz a minha parte e que se dane o resto’ não é enfrentar de fato o problema. É apenas um paliativo para resolver uma situação que vai muito mais além”.

    UM CAFÉZINHO NA STARBUCKS – Ao falar da prática capitalista de “tornar tudo um commodittie”, Slavoj conta o exemplo da maior rede de cafeterias do mundo, que vende “os cafés mais caros do mundo”. “A Starbucks diz ‘este café é o mais caro porque 1% do seu valor vai para as crianças famintas na Guatemala, outro 1% para o projeto de caridade tal’, e você acaba engolindo aquilo sem questionar”, atenta, esclarecendo que na verdade estão repassando para nós o preço desta falsa filantropia.

    SEXO NO CINEMA – Também crítico de cinema pelo qual se mostra um apaixonado, a todo o momento Žižek dá exemplos de filmes para falar de suas teorias. Por exemplo, o último filme de James Bond, que segundo ele, foi o único da série em que não houve no final sexo entre Bond e a “Bondgril” (não necessariamente a cena de sexo, mas sua insinuação). “Está implícito nisso a ideologia da segurança. Até o amor deve ser seguro. Você pode se apaixonar mas sem ser arrebatado por essa paixão. É uma paixão fria, racional, como tudo o que precisamos ser segundo a lógica capitalista”. Ele também aponta a omissão do sexo nos filmes Código da Vinci e Anjos e Demônios, ainda que nos livros de Dan Brown o sexo seja narrado.

    FINAL - Terminando a palestra, Slavoj usa - acredito que propositalmente - o termo 'inimigo' para alertar para os enganos da busca por segurança, ideologia principalmente difundida pelos americanos diante da falsa ameaça do terrorismo. "Tente ler as entrelinhas por trás das coisas que se passam a todo o momento. Não deixe que o 'inimigo' consiga te fazer pensar que este é o caminho natural das coisas..."

  6. A lista nacional

    16 de maio de 2011

    A lista nacional começa com Meu Tio Matou Um Cara, que não está na minha seleção por causa da sempre boa atuação de Lázaro Ramos, no papel do tio “assassino”. Nem por ter a sempre seminua Débora Secco no papel da namorada do tio. Mas sim por ter uma historinha pano de fundo de um amor adolescente, desses que a gente sente saudade, entre Duca, vivido por Darlan Cunha – o Laranjinha, e Isa, vivida por Sophia Reis. A trilha sonora, assinada por Caetano Veloso, se encaixa perfeitamente ao clima do filme. Na mesma linha adolescente, vale muito a pena As Melhores Coisas do Mundo. Ver este filme, que tem no elenco Denise Fraga brilhante e quebrando ovos (quem viu sabe do que estou falando!), foi uma prazerosa volta aos meus tempos de escola.

    O Homem Que Copiava, tem de novo Lázaro Ramos no papel principal, vivendo André, um operador de Xerox que quer impressionar Silvia (Leandra Leal). Acaba se envolvendo com Luana Piovani (a sedutora Marinês) e Pedro Cardoso (Cardoso) num esquema de falsificação de dinheiro. O diferente nesse filme é o fato de ter um herói fora dos padrões do “bom-moço”. Acabamos torcendo para que ele saia impune das falcatruas e até para que consiga assassinar uma pessoa. Atualização do anti-herói da literatura.

    Bicho de Sete Cabeças revelou o grande ator Rodrigo Santoro na pele de Neto, um jovem que é internado em um hospital psiquiátrico depois que seu pai descobre um cigarro de maconha em suas roupas. No tal hospital o jovem passa por “tratamentos” dignos de torturas da idade média. O filme tem ainda Cássia Kiss no papel da mãe de Neto, e Gero Camilo, engraçadíssimo encarnando o interno Ceará. É “político” por tratar abertamente da questão dos manicômios e, ao mesmo tempo, “sensível” ao tocar sem pudores nas dificuldades do relacionamento familiar. Sem falar na música tema do filme do Zeca Baleiro.

    Elegi Cidade de Deus e Carandiru como os dois exemplos de filmes que tratam da questão social brasileira. O primeiro mostrou ao mundo, pela primeira vez, as entranhas do crime organizado no Brasil. E fez isso num ótimo thriller de ação. O segundo é um exemplo de boa adaptação de livro para o cinema. No caso, o livro Estação Carandiru de Dráuzio Varella, sobre o tempo em que foi médico no presídio paulista que seria palco da maior chacina do sistema prisional brasileiro.

    O Brasil também sabe fazer bons romances. É o que provam dois exemplares nacionais do gênero: Pequeno Dicionário Amoroso e Amores Possíveis. E os dois filmes trazem sacadas inteligentes para falar de amor, tema tão batido nos cinemas. Pequeno Dicionário Amoroso, com Andréia Beltrão e Daniel Dantas vivendo o par romântico, fala das várias fases de um relacionamento de A a Z. Já Amores Possíveis tem como ponto de partida um desencontro entre os personagens de Carolina Ferraz e Murilo Benício. A partir daí são contadas três histórias com os diferentes rumos que este desencontro poderia ter tomado.

    Fernanda Montenegro dispensa apresentações. Infelizmente não conheço toda a sua filmografia, até pelo fato de ser um ainda jovem interessado no cinema nacional. Mas três dos recentes filmes desta atriz não poderiam deixar de fazer parte da minha lista: Central do Brasil, o ganhador do Oscar, O Outro Lado da Rua, em que temos o privilégio de vê-la vivendo um par romântico de terceira idade com Raul Cortez, e Casa de Areia, que mostra que o talento pode estar no DNA, já que divide a cena com a filha Fernanda Torres.

    Quando escreveu, em 1955, a peça teatral em forma de auto, Ariano Suassuna, não imaginaria que O Auto da Compadecida faria sucesso nas telas de cinema do Brasil. Engraçado demais este filme. Atuações fora de série. Matheus Nachtergale vive o aproveitador João Grilo, Selton Mello é o covarde e mentiroso Chicó, Marco Nanini é o cangaceiro Severino de Aracaju, Fernanda Montenegro encarna a Compadecida entre outros artistas de peso... Não sei, só sei que foi assim.

    Como já disse antes, quando o cinema e a música se complementam, o filme não pode ser ruim. É assim em Os Desafinados, que tem como pano de fundo a história da Bossa Nova, com suas belas canções de amor, humor e poesia. O elenco tem Rodrigo Santoro, Alessandra Negrini, e uma das melhores atrizes brasileiros na minha opinião, Cláudia Abreu. (Por falar em música e Cláudia Abreu, outro filme bom de se ver é O Caminho das Nuvens, que tem as músicas de Roberto Carlos embalando a trajetória de uma família retirante nordestina).

    No quesito documentário, Faixa de Areia é um ótimo filme que fala sobre as praias do Rio. Os documentaristas vão desmontando o pensamento coletivo lugar comum de que “a praia é o lugar onde todo mundo se mistura”, “na praia não tem preto, branco, pobre, rico”. Apresentam as segregações culturais e sociais que existem ao percorrerem o litoral carioca, abençoado por belas e diferentes praias. A diversidade convive no mesmo espaço, mas nem por isso ela deixa de existir.

    Muito Gelo e Dois Dedos D’água foi indicado pela amiga blogueira Clara Del Vale. É a história, regada a drogas lícitas e ilícitas, de duas irmãs que armam uma vingança para a avó megera, vivida por Laura Cardoso. Neste filme percebi que Mariana Ximenes e Thiago Lacerda sabem atuar. Como a Globo pode limitar um ator não é mesmo? A bela atriz vive uma jovem perturbada e traumatizada pelas torturas psicológicas promovidas pela avó. O galã mostra que sabe ser engraçado e vive um tipo desajeitado e tapado, marido de Paloma Duarte, a outra irmã traumatizada. Os desenhos que formam os flashbacks da infância das irmãs são bem utilizados. Muito Bom.

  7. Foi tudo verdade... e grátis

    18 de abril de 2011

    Estreando no 16º Festival “É tudo verdade”, que aconteceu no Rio e em São Paulo entre os dias 31 de março e 10 de abril, o documentário “Granito” mostrou de modo objetivo as atrocidades cometidas pelo exército da Guatemala no período ditatorial do final do século passado. Sob a perspectiva das tentativas de julgamento e punição dos ditadores guatemaltecos, a documentarista americana Pamela Yates, retratou como as imagens de um documentário anterior - “When the mountains tremble” - foram imprescindíveis para os desdobramentos do processo contra os acusados.

    Em suma, é uma narrativa cheia de esperança de que “um dia” a “justiça será feita” para os familiares e ex-prisioneiros políticos nativos do país da América Central. A situação na Guatemala não é diferente da de vários países latino-americanos entre 1970 e 80, quando o fantasma do comunismo aliado a interesses de grupos políticos locais tomou conta, fazendo surgir vários regimes absolutistas.

    No entanto, a singularidade deste episódio está justamente na atitude quase heróica da própria diretora do filme, que saiu dos Estados Unidos com o objetivo de documentar os acontecimentos na Guatemala. Como ela mesma conta, o que motivou as filmagens foram as informações de que o Tio Sam financiaria todas as atrocidades cometidas pelos líderes do Exército no país. “Não conseguiria entrar no país não fosse a ajuda de colegas jornalistas que tinham credenciais para trabalhar no país”, diz.

    As imagens gravadas no início dos anos 80, período mais duro da ditadura na Guatemala, seriam utilizadas nos anos 2000 em um tribunal internacional instituído pelo governo da Espanha. Imagens de valas onde eram encontrados centenas de corpos, repressão do exército a manifestantes nas ruas e até entrevistas exclusivas com os generais e líderes da ditadura, que achavam a moça americana uma repórter que não representava ameaças. Tudo documentado.

    Ao final das investigações e depois de ouvidos depoimentos de várias vítimas e familiares, porém, o tribunal só poderia chegar a um veredicto depois de ouvir os principais acusados de serem os mandantes do genocídio. O governo da Guatemala, ainda contaminado por grupos ligados aos acusados, porém, se negaria a deportá-los para serem ouvidos. Do final da edição do documentário pra cá, pouca coisa mudou.

    Ao contrário do que eu pensava ao ler o nome do filme na programação do festival, “Granito” traz, na verdade, a proposta de ser um ‘grãozinho de areia’ na defesa da verdade e da justiça (antes de assistir havia feito relação do nome do filme com a rocha que em português leva o nome de Granito, o que acabou sendo um interessante ‘fator surpresa’ na hora em que assisti ao filme).

    Melhor do que assistir ao documentário sem pagar um centavo por isso, foi poder participar de um bate-papo com a própria documentarista. No fim da sessão ela nos falou um pouco mais sobre a experiência que teve com o povo da Guatemala durante os vários anos de convívio com extermínios, desaparecimentos, prisões e a corrupção. Uma das vitórias alcançadas após a finalização do filme, segundo contou Yates, foi a proibição dos acusados de viajarem para fora da Guatemala. O bloqueio, porém não é nada comparado aos crimes cometidos ainda impunes.



  8. Sentença

    15 de abril de 2011

    É tudo culpa minha, verdade. Fui eu. A responsabilidade por tudo foi minha. Não há como escapar do fato de que eu fui o culpado. E nada do que você diga vai mudar isto. E tudo o que vem de você me diz isso. Todas as palavras que saem da sua boca apontam o dedo para mim, expondo: “foi você”. Verdade. Fui eu. Eu, eu, eu. Assumo o dolo. Que me pese os ombros esta carga. Que eu carregue este fardo. De deixar você me fazer sentir assim.

  9. Allan Stewart Königsberg

    28 de março de 2011

    O nome do título acima é na verdade como se chama de verdade o diretor americano mais conhecido como Woody Allen. A ele são atribuídas várias ótimas (e algumas polêmicas) frases que resolvi publicar. Aí vai:

    "As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro)".

    "Separei-me de minha esposa porque ela era terrívelmente infantil. Uma vez, eu estava a tomar banho na banheira, e ela afundou todos os meus barquinhos sem nenhum motivo aparente".

    "Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido". (será?)

    "É muito difícil fazer sua cabeça eseu coração trabalharem juntos. No meu caso, eles não são nem amigos".

    "Noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir."

    "O mundo divide-se em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más divertem-se muito mais".

    "Não despreze a masturbação. É fazer sexo com a pessoa que você mais ama".

    "O homem explora o homem e por vezes é o contrário".

    "Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer".

    "Eu era muito jovem para ter um carro, então transava com as moças no banco de trás de minha bicicleta".

    "Se Deus existe, por que Ele não me dá um sinal de Sua existência? Como por exemplo, abrir uma bela conta em meu nome num banco suíço?"

    "E se tudo que conhecemos for uma ilusão, e nada existe de verdade? Nesse caso, acho que paguei demais pelo tapete da sala".

  10. 1 – A campanha dos meios de comunicação e veículos de imprensa deveria ser por mais banheiros químicos, e não para recriminar os “mijões”, que só o são pelo vergonhoso número de locais próprios. Vi propagandas chamando os foliões de cachorros, mas ficar na fila dos banheiros químicos que transbordavam (literalmente) é como se fôssemos porcos.

    2 – Ajudei a fundar um bloco, no Santa Teresa (Rs). Pois é, subimos o famoso bairro carioca para um bloco que estava marcado para acontecer ali. Porém, ao chegarmos ao Largo dos Guimarães, não havia nada, apenas um tamtam e um pandeiro, três ou quatro pessoas nos perguntando: “Vocês estão procurando bloco? Então fica aqui...” O fato é que depois de alguns minutos já éramos 50, 100, 200, ... Se juntaram ao pandeiro e ao tamtam, um tamborim, um surdo e um trompete, pra folia ficar completa. Foi o ponto alto do carnaval pra mim, com direito a descida de bondinho pelo bairro, por apenas 60 centavos.

    Ps.: Ano que vem tem mais “Procurando Bloco?”, o bloco que esquenta mais não sai, domingo a tarde em Santa Teresa.

    3 – Da próxima vez vou tentar procurar os blocos menos famosos, pois em alguns casos quase não ouvi a música das bandas e baterias. Por conta da quantidade de gente, não dava pra chegar perto de alguns dos blocos.

    4 – “Se você fosse sincera ÔÔÔÔ Aurora...” (a música do carnaval composta por Mário Lago e Roberto Roberti).

  11. Carnavália

    3 de março de 2011

    (Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes)

    Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar
    Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar
    Vem comemorar, escandalizar ninguém
    Vem me namorar, vou te namorar também
    Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar

    Na Portela tem Mocidade, Imperatriz
    No Império tem uma Vila tão feliz
    Beija-Flor, vem ver, a porta-bandeira
    Na Mangueira tem morenas da Tradição

    Sinto a batucada se aproximar
    Estou ensaiado para te tocar

    Repique tocou, o surdo escutou
    E o meu corasamborim
    Cuíca gemeu
    Será que era eu
    Quando ela passou por mim

  12. Lista

    17 de fevereiro de 2011

    Resolvi fazer listas. A gente sempre faz listas do tipo “as melhores músicas que eu já ouvi”, “os melhores lugares onde eu fui”, “os melhores amigos (do momento)”, “as melhores festas da minha vida”, livros... Enfim, temos a necessidade de classificar. É humano e faz bem. Ajuda a definir padrões, mesmo que eles sejam apenas momentâneos. “Todas as pessoas classificam, porque classificar é uma ordem de raciocínio”, diz a teoria. E resolvi ordenar um pouco as minhas paixões. Começo pelo cinema – primeiro o internacional – pelo qual sou um aficionado convicto e confesso. Não é uma lista definitiva, e sempre pode haver mudanças, dependendo do momento da classificação. Era pra ser um Top 10, mas não queria ordenar e no fim das contas acabei selecionando 11 filmes.

    Matrix – A trilogia: começo com esse novo clássico da ficção científica. Filmaço que inovou nos efeitos especiais. Dizem os críticos que apenas o primeiro filme foi bom porque trouxe vários questionamentos filosóficos sobre a sociedade líquida. Eu discordo. A “filosofia Matrix” foi muito bem explorada no primeiro filme e continuar aprofundando o que já estava profundo nos outros dois poderia tornar a história repetitiva, além disso, já no primeiro filme dava pra ter idéia do rumo que o roteiro ia nos levar.

    O Senhor dos Anéis – A trilogia: trilogias precisam ser histórias que não caberiam em duas, três horas de reprodução. E três é um bom número, quatro fica um pouco demais. Não só pela extensão da obra de J.R.R. Tolkien, mas pelo instigante conteúdo, a saga do anel não poderia deixar de ser uma. Gosto de filmes que trazem a fantasia de universos irreais e este é um épico do gênero. Sobram atos heróicos para fazer quem assiste vibrar no banco do cinema. Memorável a atuação de Andy Serkis na pele de Gollum.

    American Pie – A trilogia: Fechando a lista de trilogias, um título bem pipoca com guaraná. Contrariando as críticas mais intelectuais, o filme é um ícone do gênero “filme adolescente americano”. As situações são hilárias e num roteiro muito bem amarrado. Fora todos os clichês da sociedade colegial do Tio Sam, pessoalmente, tratou com humor vários dilemas da minha própria adolescência. As outras continuações dessa série não entram na minha lista, primeiramente porque não vi todos, segundamente porque não têm a mesma qualidade e principalmente porque não falam da mesma história com o mesmo grupo de personagens.

    Queime depois de ler: os filmes dos irmãos Cohen (Ethan Jesse e Joel David) são sempre surpreendentemente maravilhosos. Escolhi este dentre os vários deles que vejo e revejo no meu DVD (Onde os fracos não têm vez, Um homem sério, E aí, meu irmão, cadê você?...). Os caras são vanguarda no que fazem, e seus filmes sempre deixam uma sensação de incômodo. “Queime...” é uma comédia inteligente que trouxe Brad Pitt num papel diferente do usual e mostrou que o galã sabe atuar.

    Diamante de Sangue: inexplicavelmente (?!) filmes sobre jornalistas chamam minha atenção. Foi assim em Quase famosos, Todos os homens do presidente, O Informante, é assim em Diamante de Sangue. Tendo como pano de fundo o caos e a guerra civil que dominou Serra Leoa, África, na década de 1990, a película conta a história de Danny Archer, um ex-mercenário do Zimbábue que contrabandeava os diamantes de sangue (usados para financiar a compra de armas de guerra), e Solomon Vandy, um pescador da etnia Mende. Maddy Bowen é uma jornalista americana idealista que está em Serra Leoa para desvendar a verdade por trás dos diamantes. Maddy vai atrás de Archer como personagem para seu artigo, porém logo descobre que é ele quem precisa muito mais dela. Archer precisa de Solomon para encontrar e recuperar um valioso diamante rosa, porém Solomon pensa em algo muito mais precioso... seu filho. Reproduzi a descrição Wiki do filme porque não existiriam opiniões que traduzissem o quanto este filme é “valioso”. Só vendo mesmo.

    Um grande Garoto: além dos bons roteiros, filmes conseguem me encantar quando trazem uma trilha sonora que complementa cenas, falas e personagens. Um grande garoto começa e termina com músicas que emolduram toda a boa história baseada no livro do escritor Nick Hornby. O elenco tem a talentosa Toni Collette, a bela Rachel Weisz e o regular (no melhor sentido da palavra) Hugh Grant. É a história de um garoto que ensina um marmanjo a crescer. Assista a dois clipes da trilha sonora do filme no post abaixo.

    Volver: Escolhi este para falar do grande diretor Pedro Almodóvar, ostentor de uma filmografia cheia de obras-primas, como Má Educação e Mulheres a beira de um ataque de nervos, entre outros. Seus filmes são singulares porque sempre arrumam um jeito de tocar em questões tidas como tabus, principalmente em sociedades conservadoras como as de origem latina (Almodóvar é espanhol). Este filme traz a boa atriz Penélope Cruz no papel principal, da esposa que precisa se virar depois que o marido abusa da filha. Não conto mais porque o filme é surpreendente e vale a pena assistir.

    Em busca da terra do nunca: Dois dos meus atores preferidos atuam juntos neste filme: Kate Winslet e Johnny Depp. Ambos estão brilhantes nesta história que nada mais é do que a metáfora da vida do escritor James Matthew Barrie, comparada com a de seu principal personagem, Peter Pan. Na “vida real” o menino sério que queria ser adulto rápido, mas que no fundo escondia a mais infantil das crianças, vira Peter no livro. A avó rabugenta, brava e superprotetora é a metáfora para capitão Gancho, o pirata vilão. A fada sininho é o sopro de vida que o escritor tenta levar à mãe dos meninos, que no livro como na vida real, acabam virando órfãos.

    Vivendo a vida adoidado: é o típico filme “sessão da tarde”, clássico dos anos oitenta, sobre um jovem que mata aula com os amigos, passa o dia aprontando e no final não é pego. O sonho de qualquer estudande. Na mesma sacola coloco os ótimos Goonies, Mulher nota Mil e A dama de vermelho, entre outros, que fizeram a minha diversão na infância e que ainda fazem a minha cabeça.

    O Monstro: comédia engraçadíssima do ator, produtor, diretor, roteirista, palhaço e gênio italiano Roberto Benigni. Já vi três filmes deste grande artista contemporâneo, entre eles o emocionante e triste A vida é bela, e gostaria de conhecer mais de sua obra. O Monstro conta de forma irreverente a história de um ladrão barato que se apaixona por uma policial (Nicoletta Braschi, esposa de Benigni na vida real e parceira em praticamente todos os seus filmes) e, por isso, acaba sendo confundido com um estuprador-assassino em série que anda à solta pela cidade.

    Uma linda mulher: exemplar de um gênero de filmes que os americanos sabem fazer bem: as comédias românticas “mamão com açúcar”, que nem por isso deixam de ser bons filmes. Poderia citar uma série deles como Mensagem pra você, A teoria do amor, Um lugar chamado Nothing Hill, entre tantos... O filme tem Julia Roberts (ganhadora do Oscar pela consistente atuação em Erin Brockovich) no papel de uma prostituta que se apaixona por um ricaço e vive um romance digno de Cinderela. Aliás, esta é a grande sacada do filme, atualizar um velho e empoeirado conto de fadas.