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  1. Uma espécie de corrente

    19 de janeiro de 2008

    Interessante esse negócio de blog. Sem muitas pretensões começamos a postar textos, comentários, fotos e etc. De repente, começam a surgir comentários de pessoas que você nunca viu na vida, porque viram seu endereço em outro blog, que gostaram do que leram e que passam a visitantes assíduos. Adcionam links do seu blog no delas e pronto: lá está uma espécie de corrente que se inicia e que você não sabe onde vai parar. Blá, blá, blá...

  2. Vamos fugir..

    13 de janeiro de 2008


    O sol


    A lua


    Fotos: Tainah Coutinho

    Tiradas na Ilha Grande, Aventureiro, no ano novo. Como eu queria ter ido pra esse lugar! Vamos fugir?

  3. Um breve balanço

    1 de janeiro de 2008

    E porque não começar o ano com aquele sentimento de otimismo? Aquele pensamento de que tudo vai dar certo. Que mal há nisso? Mesmo sabendo que, ao final, nem tudo vai dar certo, algumas coisas vão dar muito errado, outras não vão sair do jeito que se queria, outras ainda vão ser terríveis surpresas. Tenho certeza, porém, que muita coisa vai dar certo, outras coisas vão ser melhores do que se esperava e outras ainda vão ser agradáveis surpresas.

    Em 2007 foi assim. Vi que tinha amigos de verdade. E com esses amigos eu viajei por aí. E como viajei. A esses amigos só tenho a agradecer e agradecer, sem medidas. De outros amigos me distanciei, e senti saudade, mas amizade que é amizade mesmo não acaba, como dizem por aí. Alguns amigos reencontrei e matei saudade. Com uma amiga dancei. E como foi bom dançar! Me aventurei na dança de salão e gostei. Tintintum. Inesquecível. Tive o melhor baile de formatura do mundo. E tenho saudades de vocês, colegas e amigos de turma! Comecei a estudar de novo e não quero parar.

    Uma palavra pra definir este meu ano: EXPERIÊNCIA. Tanta experiência que parece que foram 10 anos dentro de um. Experimentei muito. Experimentei voltar atrás, e não deu certo. Experimentei passar noites em claro bebendo e me divertindo com meus amigos, e me diverti. Experimentei algumas coisas pela primeira vez – umas gostei, outras descartei. Escrevi muito. Experimentei escrever sobre mim e criei um blog. E gostei. Arrisquei. Fui “obrigado” a parar de escrever, e deixar de lado uma das minhas grandes paixões. Por quê? Ainda não sei, mas to descobrindo. E se um dia achar q não valeu a pena, eu volto. Com isso tive que “deixar” pra trás grandes amigos. Jornalistas, sinto falta de vocês!

    Superei um amor e amei de novo. Achei que não aconteceria (está aí uma daquelas agradáveis surpresas). Vivi um “grande amor”. E valeu a pena. Foi, mas valeu a pena. Me despedi da minha irmã, que foi pra longe. E senti saudades. Fiquei mais perto do meu irmão e gostei muito (uma das melhores companhias que eu já tive). Percebi que meus pais são os únicos que vão estar do meu lado pra sempre – porque muitos amigos vem e vão.

    2007 foi o ano que valeu a pena. Todas as maluquices, porres, amizades, lágrimas, mudanças. Foi o ano das mudanças. (Aliás, estou de mudança: moro no rio definitivamente a partir de amanhã). Mas a maior mudança foi dentro de mim. Mudei drasticamente algumas maneiras de ver o mundo, e gostei. Aprendi com o mestre Aluízio que tudo o que está cristalizado não é bom e que o melhor é a constante mudança. Tive a coragem de largar velhas traquitanas e enchi a minha vida de novidades.

    É por isso que faço esse balanço de 2007 e começo 2008 com otimismo sim, apesar de saber que nem tudo vai ser do jeito que eu quero. Sei de uma coisa: vai ser o melhor pra mim.


    O Ano

    (Carlos Drummond de Andrade)

    Quem teve a idéia
    De cortar o tempo em fatias,
    A que se deu o nome de ANO,
    Foi um indivíduo genial,
    Industrializou a esperança,
    Fazendo-a funcionar
    No limite da exaustão.
    Doze meses dão para qualquer ser humano
    Se cansar e entregar os pontos.
    Aí entra o milagre da renovação
    E tudo começa outra vez, com outro número.
    E outra vontade de acreditar
    Que daqui por diante vai ser diferente


  4. Foi

    13 de dezembro de 2007

    Foi. De novo como outras vezes. Mas foi diferente. Bom? Foi... Tanto ou mais do que outras vezes. Mas foi diferente. Despertando algo novo, ou algo velho que estava esquecido. Foi tão gostoso quanto o que se pode imaginar de mais gostoso... Não foi nada, mas foi tão bom. E foi embora sem avisar. Mas se foi deixando resquícios. Um pouco do que foi. Mais do que eu esperava. Ainda não foi dessa vez. Mas quando foi, não ficou mais o gosto amargo. Só a certeza de saber que, o que foi – seja lá o que tenha sido – valeu a pena.

  5. tudo é olhar

    16 de novembro de 2007

    Tudo é olhar...


    não te amo mais

    estarei mentindo dizendo que

    ainda te quero como sempre

    tenho certeza que

    nada foi em vão.

    sinto dentro de mim que

    você não significa nada

    não poderia dizer jamais que

    alimento um grande amor

    sinto cada vez mais que

    já te esqueci!

    e jamais usarei a frase

    eu te amo!

    sinto, mas tenho que dizer

    verdade

    é tarde demais...



    Texto atribuído à Clarice Lispector, (vai saber, não é mesmo) aparentemente como outro qualquer. Mas como tudo é olhar, tente ver de outro jeito (dica? leia de baixo para cima).


    Como nada se cria, abaixo, letra de música da Paula Toller que segue mais ou menos a mesma linha:




  6. Jornalista chato

    7 de novembro de 2007

    Uma vez disse a uma amiga jornalista que postaria neste blog fatos, acontecimentos, textos e outras coisas que valessem a pena dividir com quem está aí, dos outros lados da rede. Parece que o jornalismo está na alma de quem é jornalista. Por isso ‘ele’ não agüenta: precisa saber além do que o que está aparente. E foi isso que aconteceu num desses últimos feriados em Angra dos Reis, mais especificamente na praia Residencial.

    Uma aglomeração de pessoas à distância. E, entre os amigos, só este blogueiro interessado em saber qual era a ‘tragédia’ (sim, porque aglomeração de pessoas só pode ser duas coisas: distribuição de brindes e tragédia). E lá fui eu pra ver de perto.

    Salvamento de uma vítima de afogamento. O dia estava chuvoso e o mar perigoso. Era um homem de cerca de 40 anos recobrando a consciência. O jornalista aqui foi logo chegando mais perto e ouviu “sem querer” do salva-vidas: “Se demorasse mais três minutos para resgatá-lo ele não sobreviveria”.

    Não contente, cheguei mais perto. Perguntei pra um e pra outro curioso. Fui informado de que ele e o filho estavam no mar na hora do afogamento. Mas onde estava o filho? Será que havia se afogado?

    O mais interessante dessa história “baseada em fatos reais” vem agora. O homem recobrou a consciência, mas ainda meio atordoado, começou a perguntar pelo filho. O filho chegou e passou a mão na cabeça do pai perguntando se estava tudo bem. Os bombeiros levaram o homem e eu cheguei mais perto. Perguntei ao filho (que aparentava ter 17 anos) o que havia acontecido. Ele contou uma história que balançaria a isenção objetiva de qualquer repórter.

    Os dois estavam no mar e ficaram presos pela maré. O pai havia conseguido sair mas o filho não. Então ele voltou para tentar salvar o jovem e acabou desaparecendo na água, enquanto o filho conseguiu sair e chamar ajuda.

    No meio dessa confusão toda, o filho foi embora acompanhar o pai e eu ouvi a sentença que dá título a essa postagem: “Jornalista chato!”, da boca de uma pessoa que eu arrastei para a aglomeração com a minha curiosidade. Adorei ouvir aquilo. Me fez perceber que, apesar de temporariamente distante da profissão, ela ainda está aqui, na alma. “Jornalista chato”, com muito orgulho. Algumas falhas na apuração, mas fazer o que... Mais algum chato por aí?

  7. Dia de Treinamento

    22 de outubro de 2007

    Igreja da Candelária - Centro do Rio. Era a vista que me aguardava todos os dias depois do treinamento. Valia a pena abrir a janela.

  8. Já aconteceu?

    14 de outubro de 2007

    Sabe aqueles momentos em que está tudo mudando, e muda rápido demais? E as mudanças não acontecem sucessivamente, mas concomitantemente (ao mesmo tempo)? Aquelas ocasiões em que você é obrigado a deixar tudo pra trás? Tudo mesmo – o que é bom e ruim? Já viveu algum momento em que você se despede de velhos atores, dores, amores? Só que inesperadamente? Já se viu num beco sem saída, onde, sem querer, você encontra uma porta? E essa porta te leva pra um lugar assustadoramente e interessantemente desconhecido? Esteve confuso em meio a tantas transformações que parecia que o mundo iria desabar nas suas costas e que você não iria dar conta (mas no final dá tudo certo)? Esteve tão certo de que a mudança te faria tão bem que você não se segurou de tanta felicidade? E ao mesmo tempo te dá um medo danado de “tudo ao mesmo tempo agora”? Já experimentou aquela sensação paradoxal de querer e temer? Já aconteceu? Comigo já.

  9. Subentendido

    22 de setembro de 2007

    É amor

    Sonhar com você, acordado, dormindo
    Lembrar de você, sorrindo, rindo
    Partindo? Saudade de você
    Sofrer com você/ por você
    A alegria constante de saber: você

    Me encaixar em você
    Temer, tremer
    Morrer, pra viver em você (crescer)
    Olhar nos seus olhos e me ver
    Dormir no teu colo: tornar a nascer

    É amor

    Olhar de outro jeito:
    Ter a certeza de que a vida é uma eterna felicidade com alguns momentos tristes
    Sonhar do mesmo jeito (como nossos pais):

    Ter a certeza de que, pode não ser a hora, mas ela será a melhor mãe para os seus filhos

    Deixar ficar subentendido - calado como quem ouve uma sinfonia


    _________________________________________________________________
    *Pequeno texto pra tentar definir o que eu penso sobre o significado oculto dessas quatro letras: A-M-O-R.


    Veja outra resposta:
    O que é amor

    *Músicas citadas: 4 letras (George Israel e Cazuza) Papel Marchê (João Bosco), Apenas mais uma de amor(Lulu Santos)

  10. Mais uma da série recebi no email

    17 de setembro de 2007


    Previsão do tempo em Portugal

  11. Enquanto ela descia do ônibus

    10 de setembro de 2007

    Enquanto ela descia as escadas do ônibus e acenava com um sorriso tímido nos lábios eu pensava...

    Ela tinha nove anos. Cabelos louros desgrenhados, presos por um elástico rosa com duas flores de plástico nas pontas. Chinelo nos pés. Corpo relativamente magro e tímido, como tudo nela. Os ombros ligeiramente encurvados, esquivando-se de todos. Seu nome era Luna, como o astro: naquele momento minguante; outras poucas vezes crescente; sempre nova. Olhos claros - que à luz do sol ficavam verdes -, naquele momento, porém, cor de mel, pois já era noite.

    O que iluminava aquele olhar eram os sonhos. Sonhava coisas pequenas, que para ela eram infinitamente grandes. Certa vez Luna escreveu uma carta para aquele programa de televisão que promete realizar os sonhos das pessoas. E ela não deixava de sonhar. Mesmo com o medo. Medo da onda, medo da chuva, do trovão, medo do pesadelo – menos de sonhar.



    Morava com a mãe e os irmãos. Conheceu o pai uma vez, porém ele fora embora quando Luna ainda era nova (como o astro) levando consigo a oportunidade de um amor que ela nunca soube o que era. A mãe trabalhava fora e era Luna quem cuidava da casa, dava banho nos irmãos, levava para a escola, fazia comida, varria, corrigia, brincava. Ficava dia após dia no que sobrou da casa destruída pela última chuva de granizo. Mesmo assim, ainda sonhava.

    Ela descia do ônibus sorrindo e acenando, enquanto eu pensava nisso tudo e me perguntava: Porque precisa ser assim? Luna era como o astro: ali minguante; poucas vezes crescente; sempre nova; (tomara) mas talvez nunca lhe dêem a chance de ser cheia.