Não falar porque todo mundo tá falando não é do meu feitio. Não sou do contra. Aliás sou a favor. Morador do Rio cinco dias da semana, mais atualmente na Cidade Maravilhosa do que na do Aço (meu endereço de correspondência), aqui onde os acontecimentos viraram o centro das atençõe na semana que passou.
Não dá pra não dizer que é bom andar na cidade com a sensação de que está melhorando. Eu que passei por uma van e um ônibus carbonizados nas minhas andanças vi de perto do que o crime (des)organizado é capaz. Encurralados eles tentaram, mas a resposta das autoridades, polícia, COMUNIDADE, imprensa foi, pela primeira vez, unísona. Todos tinham o mesmo objetivo que, por isso mesmo, foi alcançado.
"Eu vou à cidade hoje à tarde
Tomar um chá de realidade e aventura
Porque eu quero ir pra rua
Eu quero ir pra rua
Tomar a rua"
Dura a realidade de quem não tinha o direito básico de ir e vir nessa aventura que é morar por aqui. Tomou a rua a unanimidade de que não queríamos mais ficar trancados dentro de nossas próprias casas, vendo a vida passar pelo noticiário.
Passaram pela minha cabeça os mais diversos sentimentos e pensamentos. Dos mais radicais - a revolta que me fazia dizer: "tem que matar todo mundo". Aos mais politicamente corretos sobre a degradação social e blá,blá,blá.
"Não mais
Não mais aquela paúra
De ser encarcerado pra ficar seguro
Já cansei de me trancar
Vou me atirar
Já cansei de me prender
Quero aparecer
Aparecer, aparecer
Aparecer"
Precisava sair de casa na quinta feira, dia do início do cerco ao Alemão, para fazer uma compra indispensável para sexta-feira. Fui recomendado por todos - amigos, televisão, namorada, anjinho na orelha direita e diabinho na esquerda. Mas contrariei todo mundo e fui pra rua, tomar a rua. Voltei são, afinal não era como eles dizem na TV - não era violência generalizada.
"Eu sou da cidade, e a cidade é minha
Na contramão do surto de agorafobia
Agora eu quero ir pra rua
Porque eu quero, quero ir pra rua
Levar
A dura de cada dia
Sair da minha laia, chegar na sua"
Levamos a nossa dura de uma semana, mas no final tudo acabou relativamente bem. Ainda há muito pra fazer. Mas os acontecimentos finalmente mostraram que a sociedade tem que estar do lado certo. Nesse caso existe sim um lado certo. Afinal os direitos humanos são (primeiramente) os nossos, nós trabalhadores, pais e mães de família, estudantes, enfim todos que levamos a vida dignamente, dentro da legalidade e com o mínimo de respeito ao espaço do outro.
"Eu vou à cidade sem compromisso
Tomar um chá, um chá de sumiço no olho da rua
Porque eu quero ir pra rua
Eu só quero ir pra rua
Olhar a rua
Tomar, bem que se podia ar fresco
Topar Banksy a pintar afrescos"
* Com letra de Eu quero ir pra rua (Paula Toller/Coringa)
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Os direitos HUMANOS são os nossos
30 de novembro de 2010
Postado por Unknown às 18:05 | Sessões: música | 3 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook | |
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Os Restos Mortais da Manchete
15 de novembro de 2010
Da série "Sempre na estrada", um interessante achado. Alguém se lembra da falecida rede Manchete de televisão? Pois é, numa pequena loja de Antiguidades às margens da BR-465 (antiga Rio-São Paulo), encontrei o antigo módulo metálico do "M" da extinta rede de televisão. A programação da Manchete foi ao ar em Junho de 1983 (inauguração da Rede Manchete) e deixou de ser exibida em Maio de 1999 (data em que a emissora trocou de nome passando a se chamar Rede TV!).
Módulos como este foram utilizados nas vinhetas da emissora, que na época não contava com computação gráfica avançada e precisava fazer objetos reais, e usava a tecnologia do cromaqui (o famoso fundo azul ).
Abaixo a imagem do mesmo letreiro no antigo estacionamento da empresa no complexo de Água Grande, no Rio de Janeiro, retirada do site http://www.redemanchete.net/ (recomento o site pra quem gosta da história da mídia brasileira).
Postado por Unknown às 12:31 | Sessões: álbum | 5 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook | |