Desde pequeno, nunca me fizeram me interessar pelo futebol. Sim, porque é algo cultural. Não uma vontade que nasce com a gente. A não ser para aqueles que têm o talento para o futebol, como muitos moleques desse Brasil. Meu pai nunca foi o bom de bola e nunca se importava em dizer para mim: “Chuta, chuta”. Ele se importava sim em me ensinar outras coisas muito importantes para a formação do meu caráter.
O fato é que, não gostar de futebol, ou não se importar com os 22 jogadores, três árbitros e uma bola, me tira do convívio das pessoas, por pelo menos duas horas e me exclui de algumas conversas no dia seguinte, ou durante toda a semana quando se trata de um clássico.
Eu até tentei jogar futebol, admito, mas nunca me interessava.
Uma vez quando era muito pequeno – devia ter uns 7 anos – jogava na rua de um primo bom de bola e aficionado pela coisa. O gol era a garagem de uma casa abandonada. E os times eram formados por adultos e crianças. Uma brincadeira saudável. Talvez por isso jogasse. Porque, se fosse realmente uma competição, provavelmente não jogaria. Mesmo assim ficava sempre atrás, olhando acontecer.
Até que por um acaso do destino a bola veio parar nos meus pés. Dei um chute certeiro por debaixo do goleiro que pulava para tentar pegar a pelota. Gol. E todo mundo se admirou, já que todos sabiam que eu realmente não era chegado. Vibrei. Mas passou. Não seria por isso que eu, que nunca gostei mesmo de futebol, passaria a gostar.

Nem por isso também, deixei de ir a um estádio assistir a uma partida. Porém, mesmo quando fui, minha reação não era a mesma dos outros. Não prestava muita atenção ao jogo em si. Jogadas, faltas, dribles e outras coisas que fazem parte da futebolística. Prestava mais atenção na reação das pessoas. Nos gritos de guerra das torcidas, nas bandeiras, xingamentos e etc. Talvez fosse o lado jornalista - de observar de fora - já falando mais alto. A experiência de ir a um estádio? Muito boa. Tanto que voltei outras algumas vezes.
Não sei por que escrever sobre isso, mas o futebol está tão presente na vida de nós brasileiros que deve haver uma necessidade de justificação. Eu que nunca gostei mesmo de futebol, talvez nunca chegue a saber o que é torcer por um time, vestir o uniforme para assistir a um jogo com os olhos na TV e os ouvidos no radinho de pilha, ou então sair pra jogar numa terça-feira a noite com os amigos. Mais ou menos um peixe fora d’água mas que nem por isso deixa de ser brasileiro.