O espetáculo vai começar. É essa a sensação de quem escuta a obra d’O Teatro Mágico, seus CD’s e músicas baixadas na internet. Uma banda-trupe singular no cenário musical - tão dominado pela mesmice dos genéricos americanos - faz um som nacional. Genuinamento brasileiro, porque afinal o Brasil é a mistura de sons e cores que fazem parte do repertório do TM.
A banda de Osasco (SP) é uma verdadeira trupe de artistas com cantores, instrumentistas, atores, malabaristas, trapezistas, e o que mais couber no imaginário dos seus formadores. O show é uma grande variedade de música, encenações teatrais, espetáculos circenses, com direito a integrantes maquiados de palhaço.
O Teatro Mágico é único no cenário nacional por diversos motivos. As influências existem, é claro. Quem escuta sem muito critério fala que a banda se parece com Engenheiros do Havaí - provavelmente por conta do ator principal da banda Fernando Anitelli, cujo timbre de voz se assemelha ao do vocalista da banda oitentista. Zeca Baleiro, Raul Seixas e até um pouco de Mutantes podem também ser pinçados do som “para raros”* do Teatro. Essa mistura, porém, não torna a banda “mais do mesmo”, muito pelo contrário, dá às suas canções uma sonoridade ímpar.
Em seu acervo de encantamentos, a banda-trupe-circo traz letras de uma poesia simples e bela. É como um sarau, onde música, poesia e idéias soltas se misturam. São poemas transformados em canção. Violinos, flautas, gaitas, violão, sons chiados de rádio, e outras experimentações sonoras completam as boas letras.
“Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
Benvindos ao Teatro Mágico.”
*Entrada Só Para Raros é o nome do primeiro CD do TM. O segundo disco já lançado chama-se O Segundo Ato.